Leonora estava em uma de suas típicas atividades psíquicas no subsolo. Estavam na sala treze, ela e mais uns quinze mutantes telepatas. Ela e Brianna eram as mais fortes dali, mas por questões óbvias, Guinevere não estava ao lado de Parkinson, nem autorizada a duelar com mais ninguém. Sendo assim, a garota ocupava-se, praticando seus exercícios, entrando na mente de outras pessoas que não tinham tanto controle assim sobre seus poderes, sem maiores dificuldades. Conseguira virar e revirar a vida de um novato com seus dezessete anos, injetando e apagando algumas memórias, só para ter o que fazer. Não fazia aquilo por maldade, mas sim, porque era uma maneira de manter seus poderes ativos e suas capacidades bem trabalhadas. Em uma outra menina, conseguira provocar desmaio, deixando as sombras tomarem conta de sua mente. Recebeu uma advertência do professor responsável, mas ela se defendeu dizendo que não tinha culpa alguma se aqueles não estavam prontos para ela. Pediu por Brianna, e também por mutantes do último ano, mas não foram capazes de escutá-la. Ainda discutia com o professor, quando o chão tremeu ao mesmo tempo em que uma sirene já bem conhecida de Leo, soou. Aquele barulho fez um frio tremendo correr por sua espinha, enquanto ia até a porta e tratava de evacuar a sala. No desespero, há quatro anos atrás, teria corrido. E muito. Mas agora ela fazia parte da “geração de novos mutantes”. O que queria dizer que os que davam contas de emergências proclamadas por aquela maldita sirene, não estavam mais ali. Era ela e mais Deus sabia lá quem.
Acabou que ela, e somente ela, ficou ali. Uns três outros relutaram, dizendo que ficariam na sala também, mas suas mentes, tão despreparadas, foram vítimas fáceis do poder controlador de Leonora. Despachá-los foi fácil, e antes que pudesse pensar em seguir na direção deles, vibrações estranhas que vinham de um lugar próximo, chamaram sua atenção. Escorando-se nas paredes, ela respirou fundo. Seu cérebro era naturalmente blindado contra o ataque de outros poderes ao redor dele, mas havia algo de estranho. Algo que quase a fazia paralisar. Talvez fosse seu medo, e foi nele que ela decidiu se concentrar. Fechando os olhos, cerrando os punhos, sentiu a moleza tomando conta de suas pernas, mas bastou que sentisse aquele corredor se tornando mais frio, para saber o que estava acontecendo. Logo, quando voltou a abrir os olhos, tudo estava escuro. Ela sabia bem como se guiar nas sombras, porque estava acostumada com elas.
Era o abrigo de todas, afinal.
Com a mente um pouco mais vazia - literalmente -, começou a caminhar. Aproximou-se da porta, a que fora extremamente difícil de empurrar. E assim que a atravessou, soube, melhor do que ninguém, que sequer devia ter pisado lá. Havia alguém flutuando, levitando, ou o diabo que fosse, não muito longe de si. E ao seu redor, havia algo como um daqueles campos de força. A escuridão não o penetrava. Mas, certamente, impedia que quem estivesse lá, a visse ali. E que visse, se tivesse todo aquele lance de onipresença, quem estava pelos cantos do Instituto, uma vez que Parkinson sabia bem que o alcance de sua umbracinese, era muito, muito grande. Só teve certeza do que realmente estava acontecendo ali, quando pôde observar melhor o corpo dentro daquele campo de força. Era Vincent Kane, um dos mutantes mais poderosos daquele lugar, depois dos professores, obviamente. Estava no último ano, e era um dos favoritos de Rolland. O que realmente complicava, era o núcleo de seus poderes; não só os absorvia, como os possuía completamente. Controlava os elementos como água, terra, fogo e ar. Possuía rajadas energéticas e o que alguns costumavam chamar de onipresença, a habilidade de se teletransportar também. E, obviamente, era ele quem estava causando aquele estrago todo.
Tentando se concentrar e já se adiantando para a dor que começaria a sentir, Leonora voltou a fechar os olhos. Só de tentar executar dois de seus poderes - a umbracinese já desperta e agora sua telepatia -, sentiu sua cabeça latejar, e o sangue correr mais rápido por suas veias. Ainda assim, deu prosseguimento à sua ideia. Tentou avançar pelo campo de força, com suas ondas psíquicas, só não estava conseguindo, realmente, penetrar a mente do desgovernado ali. Ela corria, sim, riscos, estando só, junto do rapaz aparentemente surtado, mas Leonora se preocupava mais com o fato de não tentar contê-lo, do que simplesmente morrer.