— I mean, eu não fiquei bêbado desde que cheguei aqui. Já era hora de arrumar isso, certo? Além do mais, é uma curiosidade pessoal ver como é que uma terceira dose de tequila me deixa. Até hoje, só bebi duas e foi suficiente. Wanna try?

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— I mean, eu não fiquei bêbado desde que cheguei aqui. Já era hora de arrumar isso, certo? Além do mais, é uma curiosidade pessoal ver como é que uma terceira dose de tequila me deixa. Até hoje, só bebi duas e foi suficiente. Wanna try?
O franzir que de seu instintivo a ponta do nariz foi o suficiente para expressar toda a describilidade que dava para o plano alheio. – Você vai precisar mais do que alguns resmungos sobre as suas dores constantes nas costas pra conseguir que eu atinja esse estado de dó, se é realmente isso que você tá querendo. – voltou a escolher entre os dos galhos que estavam espalhados perto do tronco da árvore, a madeira passando entre os dedos em uma forma de passatempo que ele tinha descoberto antes mesmo do loiro o alcançar ali. – Afinal eu sou um monstro que tem uma pedra no lugar do que deveria ser um coração, lembra? – sabia que o outro iria discordar do que havia dito, parte porque ele parecia ser o tipo de pessoa sentimentalista demais para deixar que alguém se autodepreciasse daquela forma, mas também boa parte da dúvida era pela conexão que eles tinham estabelecido depois de pós algumas conversas. Um sorriso curto cresceu nos lábios, porém. – You do, huh? Mas isso daqui ficou um pouco apertado demais, não foi? – de seu a liberdade de correr um dos dedos pela marca exposta mais avermelhada em volta do pulso dele, podendo sentir o relevo de onde a algema tinha ficado e de onde não ali. – Meu cabelo e o meu rosto foram as minhas únicas exceções. Fuck off. Uhum, qualquer coisa se você quiser descobrir, é só me avisar.
As mãos gesticularam no ar, um tapa dado a esmo como que para descartar a ideia do mais velho. Não, não era aquela a sua intenção. — Sem dó, chega de dó na minha vida! Eu quero um sleep buddy, mesmo que você me negue a coisa mais sagrada na hora de dormir que é um good old spoonie. Mas eu sou um cara respeitoso, eu nunca vou te forçar. — Mais solene do que o necessário, e tudo pra talvez arrancar um riso do outro, Nicholas oscilava o rosto em concordares curtos e repetitivos, o cenho franzido e o olhar baixo pelos segundos em que aquela atuação toda durou. Não foi muito, porque ele logo relaxava contra a árvore novamente e se deixava distrair pelo outro, coisa corriqueira quando se tratava de Alfred. — Não, não de pedra. Só bem protegido, certo? Tipo com muros de pedra. E ninguém constrói muros sem um motivo. — Dando de ombros, o loiro mais uma vez virou o pulso na direção do Kastrati e deixou que ele tocasse a região como bem entendesse. A sensibilidade da pele estava um tanto maior que o usual, o que explicava o arrepio morno que correu seu ombros. — Não é nem o apertado, mas acho que a pelúcia fez fricção? Era bonitinha, mal sabia eu que ia deixar marca. — O riso, tal qual como a voz, foi naturalmente mais baixo. — Sem querer ser previsível e dizer que eu adoraria admirar a arte escondida em algum canto do seu corpo, mas eu teria ido direto pro seu cabelo. De verdade. Cachos coloridos! — A explicação parecia tão óbvia que o loiro se pegou rindo sem ao menos ter a intenção de fazê-lo.
Teve os olhos sendo revistados instantaneamente quando pode ouvir o teatro do mais novo. – É esse tipo de coisa que acontece quando você dá liberdade pra alguém. – indicou para o garoto com os dedos de uma mão, como se estivesse falando com uma terceira pessoa inexistente entre eles. A cabeça balançou em negativo pela oferta dele. – Essa sua série de sono horrível tem algum fim premeditado ou? – a zombaria na voz ficou mais existente com a reação dos lábios se esticando em um sorriso breve, até ter o pulso do loiro em seu campo de visão e a marca se fazer por entender junto com o complemento do outro. – Seu desafio foi ficar algemado com alguém? Nicholas. Não é porque eu curto dominação que signifique que eu faça uso de algemas. – puxou as pernas para perto do próprio corpo para ser capaz de apoiar os dois braços sobre os joelhos. – Elas são pretas. E não são de pelúcia. – complementou o que suspendeu toda a negação que havia feito anteriormente. Não que fosse um de seus objetos de mais uso, mas existiam em qualquer lugar que ele não conseguia e lembrar no próprio quarto de volta a cidade. Como resposta ao outro, os joelhos se afastaram um pouco até que ele pudesse abaixar um pouco a gola do casaco que vestia onde marcas de tinta já começando ali se faziam visíveis. – Eu e o Amir tivemos que pintar o corpo um do outro. Seria mais divertido se eu tivesse conseguido tirar toda essa merda do meu corpo. Mas acho que eu tenho tinta em lugares inimagináveis.
O sorriso maior, enquanto o rosto de Nicholas estava mais baixo e ele parecia concentrado em comer seus doces era justamente por conta da dita liberdade que havia ganho. Quando iria imaginar? Não que o Kastrati parecesse um monstro inacessível nem nada do tipo, mas ele era exatamente o tipo de pessoa que disparava a insegurança do Kavanaugh e, no final das contas, lá estavam os dois brincando sem maiores esforços. Nada escandaloso, só natural. Foi distração o bastante para os olhos parecerem um pouco confusos ao fitarem o homem enquanto ele citava o próprio sono - até que o sentido se fez na mente do mais novo e ele riu, a cabeça outra vez pendendo contra a árvore que os sustentava. — É o meu plano pra conseguir um sleep buddy permanente, dimples. Você fica com dó, me ajuda e tudo acontece como eu tinha planejado! — A mesma mão que antes exibia o pulso suavemente marcado agora usava de um dos doces para apontar na direção do outro. Todo um show de expressões pomposas que se dissolveram assim que a descrição do mais velho foi tão concisa, mas tão eficiente. O olhar se desviou para que o Kavanaugh estivesse fitando o acampamento à frente deles ao mesmo tempo que concordava com a cabeça. — Oh, okay. Cool. I can picture that. — E ele podia, com detalhes vívidos demais para aquele momento, onde estavam um ao lado do outro. Um pigarrear baixo veio logo depois do mais novo acabar com os doces e precisar bater as costas dos dedos contra os lábios para tirar as migalhas de lá. Enquanto isso, ele se permitia observar Alfred mais uma vez, agora fitando as manchas de tinta que ele lhe mostrava. O sorriso foi se abrindo até ficar aberto demais. — Eu não acredito que ele perdeu a chance de pintar o seu cabelo. Mas lugares inimagináveis? Hm, is that so?
Naquele momento, Valerie perguntava-se qual seria o tipo de diversão que teriam naquela noite. Com os braços presos aos do rapaz, duvidava um pouco que conseguiria sequer se envolver com alguém ali, e qualquer outro tipo de diversão para ela, incluindo as loucuras feitas na impulsividade, pareciam limitadas, se não fossem do agrado do mais alto. Assim, sabia que uma garrafa de bebida seria sua melhor amiga, e pelo menos, o rapaz era agradável de se conversar. “Relaxa, pode deixar comigo. Não se desculpe, só me acompanha que eu dou um jeito. Ninguém tira a barraca da gente. “Afirmou com um sorriso gentil, antes de atingirem a barraca vazia, que parecia não ter dono. “Acho que essa vai dar.” Murmurou, antes de ouvir as novas palavras de Nick, rindo baixinho enquanto sacudia a cabeça. “Você deveria testar, não sabe o que está perdendo. Não é bem que eu curta muito, mas eu gosto de estar preparada para satisfazer minhas vontades, independente no lugar. E essas pelo menos são bonitinhas.” Riu baixinho, enquanto mexia nos pelinhos presentes no objeto que os prendia juntos. “Quase. Mas são adoráveis.”
Impensado, o primeiro movimento do loiro foi o de uma continência. Uma brincadeira boba para reiterar que iria seguir quaisquer que fossem as ações da menina, mas isso sem cogitar que levaria o braço dela com o seu e, por pouco, não estapeava o rosto com a mão feminina. — Ow, ow! Okay, eu tenho que acostumar com isso. — O seu pequeno momentos desastroso só ficou de lado para levar o olhar na direção da morena e constatar que, de fato, ela havia conseguido uma barraca. E assim, tão simples quanto ela havia feito soar. A noite mal havia começado e Nicholas já devia um favor e tanto para a menor. — Você é a salvação dessa dupla, Val. Agora deixa eu fazer a minha parte. — Dito, o Kavanaugh se ajoelhou junto da barraca e observou tudo ao redor primeiramente. Era assim que ele funcionava, precisava pensar em como agiria antes de dar os primeiros passos. E lá estava o garoto separando as garras da barraca, que deveriam ser fincadas no chão de grama, as hastes de armação e as cordas que manteriam a tensão em todo o tecido. — Você vai me passando as coisas nessa ordem aqui! Se você se confundir ou eu te puxar demais, você fala e eu paro, a gente começa de novo! Ok? — Ele mal havia falado e já começava a enfiar a corda pelos buracos certos da tenda. Enquanto isso, mesmo que atrasado, ele retomava o assunto dos dois. — Eu sei o que eu ‘tô perdendo, esse é o pior. Mas acho que precisaria confiar muito na pessoa, sabe? Saber que não vai rolar de ninguém apertar demais ou prender de um jeito que vai me machucar e tudo. Você não fica com esses medos?
Eu não tô emburrado. – a resposta se fez rápida em prontidão a pergunta que o outro havia feito, isso porque já imaginava que o próprio humor já tinha sido acostumado pelo outro, mas não parecia bem ser como pensava. – Eu achei uns S’mores. Não é bem o meu tipo de comida preferida, mas deu por enquanto. – não respondeu, tudo o que fez foi se sentar um pouco mais para o lado ainda encostado na árvore como se desse espaço para que o outro fizesse a mesma coisa. O galho esquecido no chão. – Já cumpriu o seu desafio? Essa é a primeira vez que eu tô te vendo desde que a gente chegou, então eu tô imaginando que ‘cê tava bem ocupado com isso.
— Mas acabaram os sanduíches. — O lábio perfurado foi colocado à frente pela expressão tristonha forjada pelo loiro. Tudo aquilo pra um riso baixinho escapar e deixar pra trás a expressão bem mais relaxada. Ver o espaço que Alfred fazia para si, entretanto, renovou o curvar dos lábios e ele se sentava ali durante um segundo de silêncio. A mão com as bolachas doces se estendeu na direção do maior, a despeito de desconfiar que ele não iria querer nenhuma delas. Não custava oferecer, certo? — Uhum. Foi horrível dormir, mas de resto foi até engraçado. Lembrei de você na hora que me falaram o desafio! — Ele indicou a sutil marca avermelhada ao redor dos pulsos para que o mais velho compreendesse. — Mas a Valerie tinha algemas de pelúcia rosa, né? Não sei se é a sua cor. — O sorriso morreu quando a boca se ocupou com outra mordida nos biscoitos, o rosto voltando-se na direção do outro depois de apoiar o alto da cabeça na arvore. Ele sabia que parecia mais cansado que o usual, mas o horário do loiro estava todo fora do lugar. — E você? Se divertiu no seu desafio, dimples? Eu nem sei o que você pegou!
Não era novidade que Raymond sempre fora uma garota de sorrisos fáceis; para arrancar-lhe qualquer simpatia, bastava lhe tratar da mesma forma. Até mesmo quem possuía uma expressão de poucos amigos recebia um pouco do olhar amigável da menina, bastava apenas não pisar em seu calo que Valerie mantinha-se em seu melhor humor. Assim, o sorriso ainda era presente nos lábios enquanto ouvia as palavras, dando de ombros; ela própria não sabia lhe dar uma resposta concreta à pergunta. “Olha, eu sinceramente não faço a menor ideia. Mas acho que podemos pegar qualquer uma, e se alguém reclamar, a gente fala que deram essa para a gente. Só pegar uma vazia.” Afirmou, assentindo lentamente conforme dizia as palavras; a irresponsabilidade nos atos sempre fora presente no que quer que a menina fizesse – sempre dava seu jeitinho no final. “Segunda? Ora ora, parece que mais alguém nesse acampamento curte esse tipo de coisa também. E acho que sim, nunca vi alguém testar e não gostar. E dá uma apimentada, deixa as coisas mais interessantes. Nunca testou?” Perguntou, franzindo o cenho, enquanto puxava o garoto pelas mãos algemadas para um lado. “Acho que tem uma barraca livre por ali.”
Nicholas provavelmente seria o responsável da dupla, o loiro sempre pensando algumas vezes antes de agir em qualquer circunstância. Não podia se culpar, já que alguns movimentos arriscados na vida jovem haviam explodido bem na cara do Kavanaugh e o deixado muito mais comedido quanto a o quão espontâneo ele podia ser. Mas se Valerie o puxasse o suficiente, a tendência do loiro era segui-la. — Se alguém pegar a gente, você quem responde! Capaz de eu só sair da barraca e já pedir desculpas, fazer alguma piada... — A frase esmaeceu, o caminhar dos dois tomando forma depois de Nicholas se deixar guiar. — Não, nunca. Quer dizer, eu já testei aquela coisa de amarrar com gravata, serve? Mas era só brincadeira, dois puxões e não tinha mais nó nenhum. Você curte um monte, deu pra ver! — Pra exemplificar, o garoto oscilou os braços unidos pelas algemas de pelúcia. — Item de colecionador?
alfrcd:
Deveria fazer pelo menos quinze minutos que o cacheado estava encostado na árvore próxima a mesa de mantimentos enquanto se distraía com um dos mil galhos que havia encontrado no chão. O corpo livre de qualquer tóxica, mas o sono era o suficiente para o fazer disperso àquela altura. O rosto só se ergueu quando percebeu uma movimentação perto da mesa. “Acabou o sanduíche,” a voz soou baixinha com o aviso.
Distraído, o loiro não iria vasculhar por muito na mesa se não encontrasse nada mais doce pra comer. Mania do Kavanaugh de sempre buscar por algo doce antes do salgado, e por isso mesmo o rosto já negava frente ao aviso que recebeu. A voz grossa, entretanto, foi reconhecida antes dele voltar os olhos na direção de que ela originava. — E você ‘ta emburrado assim por causa disso, dimples? Se eu soubesse, tinha buscado alguma coisa lá no deposito antes de vir pra cá. — Com algumas bolachas doces em mãos, uma já entre os lábios, ele se aproximou do mais velho alguns passos. — ‘Cê quer ficar sozinho? Eu posso só dar meia volta. — O rosto mesmo indicou o caminho de volta.
A menina não pôde deixar de soltar uma sonora risada com as palavras proferidas pelo rapaz, deixando que o humor lhe tomasse conta naquele momento. Talvez realmente não fosse assim tão ruim, especialmente pela dupla; não o conhecia plenamente, mas ainda era melhor do que alguém que odiasse completamente. “Seria um pesadelo, agradeço por você ser cheiroso. Eu também sou limpinha, antes que fique preocupado, então, pelo menos, mau cheiro não vai ter.” Afirmou, no mesmo tom de brincadeira ostentado pelo loiro. Parecia uma ótima oportunidade para conhecer o rapaz, coisa que não tivera anteriormente, e Valerie nunca fora do tipo que recusava chances de conhecer novas pessoas, muito pelo contrário – sempre fora extremamente aberta para aquele tipo de coisa. “Ainda bem que você gosta, ou eu iria reclamar com todo mundo até me deixarem ficar bem longe de você. Não aceito uma dupla que não goste.” O sorriso se formou no mesmo instante que o dele, juntamente com uma baixa risada. Pelo menos, Nick era divertido, isso não era algo que podia negar até então. “Ainda bem, ou acabaríamos dormindo na grama. Posso tentar ajudar, por sorte, sou canhota.” Deu de ombros enquanto erguia a mão livre, acenando com ela para ilustrar o que dizia. “Inclusive, acho que montar a barraca não é a pior parte. É o resto da noite, e principalmente, dormir com isso. Se transar com esse negócio já é desconfortável, imagina tentar dormir?”
O rosto oscilava nas concordâncias que pretendiam parecer mais sérias, mas ele não conseguia. O sorriso era algo mais natural do que ele podia controlar e havia algo no maior que sempre o deixava mais a vontade de qualquer pessoa que parecia disposta a passar seu tempo com ele - o que não era muito, mas esses pontos que revelavam a carência do loiro não eram o foco da noite. Se tinha algum, seria a sua facilidade de organizar tarefas. — Agora que a gente já deixou estabelecido que rosa é melhor que verde e que nossas mãos dominantes ‘tão livres, bora pensar nessa barraca! A gente já tem a nossa designada ou a gente pega uma no camping e foi? — Qualquer raciocínio mais voltado ao gerenciamento da dupla se perdeu no riso mais expansivo que o garoto deixou escapar. — Ok, é a segunda vez que eu falo de algemas essa semana. O que as pessoas tem com sexo e restrições, hein? É algo comum desse jeito? — Não havia qualquer julgamento na sua voz, pelo contrário. O sorriso dos lábios perfurados era tão livre quanto antes de tocarem naquele assunto.
valxrierm:
No momento em que parara no local indicado para o acampamento, Valerie não demorou muito para observar em volta, em busca de sua dupla. Em sua opinião, aquele era o pior desafio que poderia ter caído, por dar muitas limitações; onde quer que ela fosse, Nick teria de ir consigo, pelo menos até a manhã seguinte. No momento em que o vira, os lábios se curvaram em uma baixa risada, caminhando até o rapaz enquanto balançava a cabeça. “Eu realmente espero que você tenha no mínimo ido ao banheiro antes de vir para cá, porque eu não estou com vontade nenhuma de acabar tendo que te esperar tão grudada em você.” O tom usado era brincalhão, porém, era algo um pouco sério; a incomodava um pouco saber que não poderiam fazer nada sem o outro durante uma noite, e ainda por cima, a diferença de altura discrepante provavelmente dificultaria ainda mais o uso das algemas, que já não seriam as mais confortáveis, especialmente para dormir, na cabeça da mais baixa. “Pelo menos, eu tenho algemas mais confortáveis, ou teríamos que usar aquelas de metal. E seria um caos.” Afirmou, os dígitos caminhando até o bolso da mochila que carregava, retirando dali algemas rosas e felpudas, bem mais agradáveis do que as de metal frio, como ela própria poderia dizer, por experiência. “E eu espero que você saiba como montar uma barraca, porque eu sinceramente não faço a menor ideia.” Deu de ombros, colocando um dos lados da algema na mão direita, estendendo-a para ele. Duvidava que realmente fossem conseguir montar a barraca propriamente estando juntos daquela forma, mas eles deveriam ao menos tentar.
@nickxkava
O sorriso do Kavanaugh era muito mais simples, sem qualquer animação em excesso ou algum temor visível. Otimista como era, a pior situação que havia lhe ocorrido até agora eram aquelas envolvendo o pudor de um ou outra - mesmo naquele caso, nada seria impossível de se contornar com um simples fechar de olhos. — Fui ao banheiro e também tomei banho, porque né? Imagina só se você fica presa com um cara fedorento?! — O riso dele não tinha qualquer seriedade, vindo mais aberto agora que podia fitar Valerie pessoalmente. Eles não tinham qualquer aproximação e durante o tempo gasto no acampamento, ela era uma das que Nicholas ainda não tinha sentado pra conversar. Aquela noite deveria mudar tudo isso, certo? Prontamente a mão esquerda se estendeu na direção da menor. — Bom, sorte sua que eu fico muito bem de rosa. Quer dizer, se fossem algemas verdes eu teria que ir reclamar de você e trocar de dupla, você sabe né? — A careta cheia de pompa que ele forjou não demorou muito para ruir, a pontinha da língua presa entre os dentes quando o sorriso retornou. — Eu sei, sim! Eu sou muito bom nisso, aliás. Mas você vai me ajudar, ok? Se você não segurar umas ferramentas e uns tecidos pra mim, ai ferra tudo!
Nick K. XFILES: Snapchat feed for the first week of January’17 (w/ @alfrcd )
O oscilar positivo da cabeça não demorou muito para ser cessado, afinal de contas se o próprio Kavanaugh estava dizendo que aguentava aquilo, não era ele quem mandaria o menino embora dali para não ter o peso de qualquer dor que ele estivesse sentido nas próprias costas. Quando ouviu o opinar do outro, tudo o que Alfred fez foi se mover até o outro lado, só para poder pegar o violão, o caderno e a toalha dele para trazer para mais perto de onde a barraca estava, estendendo a toalha ali perto para deixar as coisas em cima como tinha antes; uma resposta muda de que ele não precisava se preocupar, já que estava o convidando e aquilo deveria ser demais vindo de Alfred, o outro já deveria saber. Murmurou em concordância, se movendo uma última vez para arrastar o saco de dormir. – Um só, though. Mas da pra abrir ele aí e nós dois conseguimos dividir ele, não é? Se não você pode ir buscar o seu, tanto faz.
Os olhos azuis acompanharam os movimentos alheios enquanto o rapaz reajustava suas coisas, os lábios prestes a se abrirem em protesto pelo modo como ele tocava deliberadamente no seu instrumento sem pedir permissão - mas Nicholas se calou, já que o violão estava a salvo na sequencia, repousado sobre a sua toalha outra vez. O lado irracionalmente apegado com o objeto podia ser mantido em segredo por agora. — Eu divido, só não quero te encher o saco. — Foi ele quem falou pouco dessa vez, dando de ombros. O silêncio se arrastou por um segundo, até que o rapaz se colocasse sentado no gramado, repuxando o tecido da regata de um lado para o outro para tirar quaisquer pedacinhos de grama que pudessem ter ficado por ali. — Como a gente vai fazer isso, dimples? Saco de dormir dentro da barraca, ficar vendo estrela aqui fora só na grama mesmo? Me fala quais eram teus planos antes de eu chegar todo na base da engenharia, aqui. — Ao apoiar os braços sobre os joelhos, estes mais próximos do seu peito, o loiro já tinha o rosto totalmente voltado ao mais velho.
Pensando bem, acho que vi umas pessoas em uma rede uns dias atrás. — Ela franziu um pouco o cenho, não tendo certeza se ela estava lembrando de um sonho seu ou se era algo realmente tinha acontecido. — Eu gosto do balanço no meio do mato! — Defendeu o mesmo em um tom um pouco mais alto, mas acabou cedendo ao menino ao que seu rosto transformava-se em uma breve careta — Mas é, uma rede é mais confortável. — Admitiu pra ele, um riso baixo saindo dos seus lábios com o pedido do mesmo, fingindo que ponderava a ideia com uma feição pensativa. — É, acho que pode ser. — Brincou com o mesmo, com a voz soando distante mas acabou rindo mais uma vez.
O revirar de olhos do Kavanaugh podia se repetir algumas vezes, mas ele se contentou com apenas uma, bem no início de toda aquela defesa do espaço em que havia encontrado a menor. — Creepy as fuck, imagina aquele lugar a noite? Se eu visse uma loirinha se balançando em uma clareira, eu só corria! — Naturalmente, o maior ainda compartilhou do riso dela e o fez até que os dois estivessem juntos bem em frente à casa do lago. Sem esperar por companhia em uma tarde daquelas, Nicholas abriu a porta principal do lugar e já passou a caminhar casa adentro. — Se eu não me engano, tinha uma rede na varanda. Se eu tiver errado, é sofá mesmo. Deal?!
Ia contrariar o outro dizendo que não precisava que ele fizesse tudo sozinho, mas imaginava que não adiantaria falar nada para ele que fosse o fazer desistir de montar a barraca agora, por isso tudo o que Alfie fez foi cruzar os braços na altura de seu peito e esperar pacientemente que o outro lhe pedisse qualquer tipo de ajuda; essa que nunca veio já que ele foi eficiente o suficiente para montar toda a barraca que o Kastrati estava ali há quase duas horas tentando a montar e não conseguia, tudo o que tinha a sua frente era uma grande falha que o loiro não demorou mais do que alguns minutos para a ter completamente pronta e erguida. Se fosse qualquer outra pessoa, Alfred provavelmente se sentiria inferior e sairia, ignorando que primeiramente ele tinha sido o único a pedir por ajuda, mas ele ficou ali, o olhos observando os movimentos alheios como se estivesse aprendendo até ele sumir para dentro da barraca e minutos depois tudo estava pronto. Os olhos semicerrados, os braços que tinham voltado a descansar nas laterais do corpo e a aproximação em seguida apenas para mexer no tecido que cobria a barraca como se desconfiasse do trabalho alheio entregava o quão surpreso ele havia ficado. – Well done. – murmurou com um entregar sutil dos ombros se elevando, antes que a cabeça mirasse o céu e os olhos fossem banhados com o que estava atrás ali aquela noite. – Suas costas ainda estão doendo muito? Um pouco de companhia ia ser legal.
Sem se mover do seu repouso no gramado, Nicholas observou o outro e os testes que ele fazia na barraca com um sorriso nos lábios, pequeno e cheio de um conhecimento que nem era realmente seu. Quer dizer, o que ele sabia sobre o outro senão o pouco que lhe foi confidenciado nas noites anteriores? Ainda assim, aquela desconfiança toda parecia combinar tanto com o outro que o Kavanaugh apenas aceitou, voltando a fitar o céu do anoitecer na sequencia. — Hm, a bit. Mas entre dormir em uma barraca e outra, porque não por aqui? — O rosto voltou a se mover para focar melhor o mais velho, dessa vez o semblante mais ameno em suas expressões. — Mas só se você realmente ‘tiver querendo companhia. Se for uma daquelas horas de querer ficar sozinho, eu entendo, you know? Tive a minha própria reclusão mais cedo, fiquei nadando do outro lado do lago feito babaca a tarde toda. — Um último observar foi lançado à barraca. — Você trouxe saco de dormir?
Uma risada surgir dos seus lábios ao ver a pose que Nicholas fez, já sabendo por aquilo que o menino provavelmente viria com um sermão para si ou algo do tipo, rolando os olhos para o mesmo mas se levantou, guardando o seu celular e o fone de ouvido em seu bolso antes de acelerar seus passos e se aproximar do mesmo, pegando a mão dele. — Eu acho um plano ótima, mas… Aonde vamos achar a rede e uma fogueira? Por que desde o primeiro dia aqui não vi nenhuma fogueira e também não vi nenhuma rede em lugar nenhum. — Ela comentou com um pequeno sorriso.— E ah! só vou aceitar se você cantar pra mim, se não, nada feito.
Com Blue finalmente junto de si, Nicholas conseguia encaminhar seus passos na direção da casa maior e que desde a tempestade não era assim tão usada. Não que ele soubesse, ao menos. — Eu vi uma rede! Mas se ela tiver muito suja ou algo assim, a gente só dá um jeito de ficar lá no sofá da casa do lago mesmo e ai ‘cê descansa. Melhor que um balanço no meio do mato, né?! — O riso era dele, agora, que não hesitou em concordar com a menor. — Eu canto, mas você tem que cantar comigo. Combinado?
A ponte do nariz se franziu automaticamente quando ouviu o loiro julgar a situação da barraca que estava montando, só então olhando em volta e percebendo que tinha provavelmente desconectado mais dos ganchos do que eles já estavam antes e só aquilo fez com que o maior dele soltasse o tecido plastificado da barraca e os braços se juntassem as laterais do torso novamente, um bufar baixinho sendo expulso dos próprios lábios ao exteriorizar totalmente a paciência que tinha perdido totalmente naquela tentativa. “Eu achei que ia ser uma boa ideia,” o som da própria frase agora parecia um pouco cômico para o mais velho, que voltou a atenção para Nicholas novamente. “Você sabe fazer isso? Não é você que tá dormindo numa dessas coisas? Caso contrário eu tô desistindo agora e só jogando um pano no chão pra dormir, porque sinceramente é mais difícil do que construir um carro isso daqui.”
O riso não parou, por mais que tivesse suavizado frente à frustração alheia. Quer dizer, a imagem do outro vinha se formando como uma mais densa na sua cabeça e com aquele traço vinham os esteriótipos tão contraditórios à cena atual. Então o outro não era assim tão autossuficiente? A descoberta foi positiva para o mais novo, que não tardou para estender sua toalha em uma parte mais limpa daquele gramado, abandonando por lá o violão e o caderno de composições. — Chega pra lá, eu sei montar essas coisas mesmo não curtindo dormir nelas. — Ainda com a sombra de um sorriso nos lábios - porque tudo parecia cômico o suficiente para o rapaz, agora - Nicholas se agachou em frente à barraca e passou a esticar e repuxar o tecido até deixá-lo plano. Levou alguns segundos, mas logo ele tinha a barraca posta exatamente como ela deveria estar e as mãos buscaram pelas demais ferramentas necessárias para fincar os pinos no solo macio. Vez ou outra o garoto precisava colocar ambas as mãos sobre algum pino, forçar o peso do corpo sobre o mesmo e só então conseguia a firmeza que queria, mas nada excessivo. Quando a base toda estava fixa, foi a hora de se meter no tecido ainda murcho no chão, através da abertura, e levar consigo a armação metálica que deveria ser passada nos vincos do tecido até que ele tomasse a forma esperada. Ele se demorou um pouco mais por ali, mas alguns minutos depois Nicholas conseguia engatinhar pra fora da barra e terminar deitado na grama mesmo, o sorriso orgulhoso quase amplo demais no rosto. — Done! Mas se é pra dormir por aqui, vai ser meio besteira não aproveitar a falta da camada de sujeira. Quer dizer, olha pra isso! — Ainda começava a escurecer, mas já era possível ver o começo das estrelas que pontilhariam o céu onde o mais novo apontava.
Eu sei. — A loira respondeu em um riso fraco, seus olhos presos na figura do loiro a sua frente mas acabou rolando os olhos para o tom preocupado que Nicholas assumiu em sua pergunta, não que fosse de fato alguma novidade, o menino se preocupava com cada passo que a Blue dava e apesar de as vezes encher-lo por tal coisa, não podia negar que gostava dessa atenção. — Bebidas, o que mais seria? — Perguntou como se fosse óbvio, desviando o olhar dele para seu próprio colo e impulsionando seus pés no chão mais uma vez para fazer o balaço se mover. — Eu sou péssima dizendo não para pessoas, e se eu não estivesse tão cansada eu não teria problema em dar um gole ou outro, mas eu estou mesmo morta hoje.
Ainda com o cenho franzido e, a despeito dele mesmo, o corpo todo irradiando aquela preocupação quando as mãos vieram ao próprio quadril, Nicholas não conseguia deixar de se intrometer. Só um pouco, só porque ele sabia melhor! — Você precisa é de umas horas dormindo, ficar na rede e olhar fogueira igual campista de verdade, Blue. Vem, eu acho uma rede pra gente e ‘cê descansa um pouco. — A mão destra se ergueu, o corpo dele já se voltando na direção da casa do lago. Ele tinha visto uma rede por lá na noite de tempestade, se suas memórias estavam corretas.
alfrcd:
Depois de não ter mais nenhuma previsão de tempestade pela frente, e após aquela noite inteira trancado dentro da cabana dividindo espaço com mais pessoas do que deveria, Alfred tinha decidido que não ia mais passar tanto tempo assim trancado dentro da própria cabana — o que era bem mais fácil falar do que realmente realizar, já que a preguiça era um dos seus pecados mais mortais. Porém a noite estava bonita demais para ser desperdiçada. Achou na cabana principal uma dessas barracas portáteis e decidiu que aquela era sua noite de dormir perto do lago, como um real acampamento seria e com o cenário de todo o seu bem ali a sua frente. Mas, novamente, falar era mais fácil do que realizar e se aquela era a quarta vez que ele tentava montar a tal barraca, não estava contando direito. “Uma ajudinha aqui?” ele pediu pra primeira aproximação que percebeu, quando não estava mais tão concentrado assim onde cada pino realmente ia e tinha desistido de parte do trabalho já feito que parecia totalmente errado.
Para os poucos presentes que conheciam Nicholas além da primeira impressão, não era de se assustar que ele buscasse um tempo sozinho. Com o caderno de composições, uma toalha, o violão e o lado um tanto mais afastado dos alojamentos, foi assim que ele passou horas da tarde ensolarada - aquele ir e vir do lago, se dividindo entre nadar e parar para escrever, só parou quando o Kavanaugh notou que horas eram. Sendo assim, ele se preparou para ir embora, já vestido novamente e com a toalha sobre um dos ombros, as mãos ocupadas com o instrumento e o caderno. Teria seguido diretamente até o próprio alojamento se não pela voz conhecida. — O que você ‘ta tentando fazer ai, dimples?! — O cenho se franziu enquanto o caminho se desviava na direção alheia, a bagunça do tecido de barraca lhe atraindo mais a atenção do que qualquer coisa. — Porque montando essa barraca que não é, né? Que bagunça! — O riso saiu baixinho, mais sorriso do que som ao finalmente fitar o outro mais diretamente.