Notando o sorriso do outro ela se tranquilizou um pouco, não queria tomar conclusões precipitadas, mas ser abordada assim tão cedo por um rapaz, nem sempre podia ser algo bom. Ouvindo calmamente o que o desconhecido tinha a dizer, a morena assentia vez ou outra, entendendo o que ele queria com a foto. “Ah sim, entendi! Desculpa pelo meu jeito, é que às vezes uns caras estranhos abordam as mulheres por aqui, e nunca se sabe.” Explicou brevemente, esperando não ter ofendido o rapaz nem nada do tipo.
Olhando para o lado brevemente, na exata direção em que sua casa ficava, ela ponderava se seria uma boa ideia. Deixando as orbes castanhas passarem da rua para o caderno em sua mão ela decidiu que não haveria problema. Afinal, ela mesma vinha desenhando a rua e algumas pessoas que passavam por está sem qualquer pedido antes, seria hipocrisia sua negar a foto.
Fechando seu caderno, mas marcando a página de sua pequena obra com o lápis ela assentiu para o rapaz. “Por mim tudo bem, parece legal o que está tentando fazer.” Acrescentou verdadeiramente interessada, adorava retratar os cenários na cidade, sabia como podia ser mágico em determinados horários. “Eu… Deveria ficar aqui, ou?” Questionou buscando certa explicação do outro, uma vez que não queria arruinar o trabalho deste. “Está estudando fotografia ou é sua profissão mesmo?” Indagou tentando ver se reconhecia o outro do campus, mesmo que seu curso fosse o de Arquitetura ainda havia alguma chance de tê-lo visto por lá, caso o mesmo frequentasse a instituição.
“Eu é que peço desculpas por me aproximar dessa forma, de verdade, não foi minha intenção te assustar” Noah falou, sorrindo sem graça e tentando se retratar. “É meio cedo demais, mas é que eu não queria perder a oportunidade, essa fotografia parece gritar para que eu a registre” ele explicou, tentando não parecer um louco psicótico ou algo assim.
Noah não deixou de notar o caderno nas mãos dela, hesitou um pouco, porém resolveu perguntar. “Desenhista? Foi mal, é que notei o seu caderno e seu lápis... Desenhar é um talento que eu admiro demais. Então dois artistas se encontraram nessa rua em uma manhã qualquer? Que mundo pequeno, não?” brincou. “Eu posso ver seu desenho? Digo, se quiser mostrar, é claro, não precisa mostrar se não quiser, é sua arte, afinal” ele pediu. “Eu não saio mostrando todas as minhas fotografias também, tem coisas que fazemos para nós mesmos, por hobby” ele disse de modo compreensivo. Seria interessante ver o olhar que outra pessoa estava tendo daquelas ruas, principalmente o modo como ela registrava esse olhar no caderno. Seriam duas visões de uma mesma rua, aquilo atiçou a curiosidade dele. “Mas eu arriscaria dizer que você trabalha com esse talento de desenhar. Estou certo?” perguntou.
O jovem puxou sua câmera da mochila e acariciou a parte de cima, aquele era seu objeto mais precioso. Ele era apaixonado pelo que fazia. Conseguia se imaginar sem qualquer coisa nesse mundo, mas não conseguia se imaginar sem fazer o que amava. Então sorriu com carinho e devoção pelo trabalho que exercia. “É minha profissão mesmo, sou fotógrafo profissional há alguns anos” ele contou, então tirou seu cartão de dentro da carteira e estendeu na direção dela. “Noah Morrison, a seu dispor” ele se apresentou.
“Obrigado, é gratificante quando compreendem o meu trabalho. E eu prometo que assim que tirar a foto, vou te mostrar como ficou, se não gostar, posso apagar e refazer a fotografia... Você só precisa continuar fazendo exatamente o que estava fazendo, é só fingir que eu nem estou aqui. A intenção é fotografar algo mais espontâneo, sabe?” Noah explicou, conseguindo enxergar sua foto ali. Ela parecia uma pessoa artística, como se seu talento emanasse ao redor dela, era isso o que ele gostaria de capturar na imagem. “Não se preocupe, eu sou muito inconspícuo, você nem vai notar que eu estou aqui te fotografando, sou quase um fantasma” ele brincou, se posicionando.