A life full of troublemakers couldn't be better | POV Part four
O quarto levemente iluminado pela luz de um único abajur estava completamente em silêncio, a não ser pelo sussurrar de respirações suaves e uniformes.
Na grande cama situada no centro do cômodo descansava um bonito casal. O homem tinha o rosto escondido por um braço e mantinha a sua mulher perto com o outro. Um gesto possessivo e protetor, mesmo quando estava inconsciente. Já a mulher, tinha a cabeça apoiada no peito e um braço enrolado na cintura do marido.
Esses eram Noel e Helena. Cinco anos de casamento, oito que estavam juntos. Ainda assim, não poderiam ser mais felizes. Eles tinham seus altos e baixos, mas Noel nunca conseguia ficar chateado com sua esposa por muito tempo. Embora ficasse de mal humor.
Em todos esses anos, nenhum dos dois mudou muito, mas as mudanças que tiveram foram profundas e somente para eles. Noel se revelou um bom pai e gostava de acreditar que um bom marido, entretanto não mudou nada em questão de teimosia. Helena conseguiu superar seu passado e continuou tão "estourada" como sempre foi.
Nesse momento, os dois estavam tão relaxados que pareciam outras pessoas. Mas é exatamente desse jeito que parecem para si mesmos quando estão sozinhos. Pegos por um sono profundo não viram a porta entreaberta, deixada assim por um Noel sonolento quando voltava para a cama. Muito menos a escutaram se abrir nem os passos logo em seguida.
Nas pontas dos pés, tentando não fazer barulho, uma pequena e astuta menina de cabelos castanhos e olhos verdes, atravessou o quarto até o lado da cama.
-- Feliz aniversário, papa! -- exclamou ao mesmo tempo que se jogava no estômago do seu pai.
Noel acordou de supetão ao ter todo o ar dentro dos seus pulmões expulso por sua filha. A qual estava dando risadinhas que mais pareciam sinos ao observar seu pai.
Ao seu lado, Helena se levantou e inclinou-se para dar-lhe um selinho -não tão rápido- antes de sussurrar -- Feliz aniversário, meu amor -- nos lábios do marido. Sorrindo a agradeceu beijando-a e parando só quando a pequena Calli deu uma risadinha estridente e tentou sair de cima de Noel.
-- Ei, ei, ei... Onde você pensa que vai senhorita? -- disse ele a Calli antes dessa se derreter em gargalhadas sabendo o que Noel faria. -- O que você merece? Huh?
-- Não papa! -- gritou tentando se soltar, mas Noel a segurou firme pela barriga e a deitou na cama. Tendo isso feito começou a fazer cócegas na menina que estava ficando vermelha de tanto rir enquanto ele murmurava coisas aleatórias.
Helena ao lado sorria e de vez em quando soltava uma breve risada. Decidindo ser a hora de parar, ela interrompeu a brincadeira dos dois falando:
-- Calli, o que nós combinamos? Lembra do que você tem que falar ao papai? -- disse Helena.
-- Sim! -- exclamou.
-- Você é uma pequena "troublemaker" como sua mãe, não é? -- disse ele com um sorriso amável curvando seus lábios. -- O que você tem a me dizer?
-- A mamãe me fez decorar uma frase. É muito complicada, mas eu me esforcei muito para aprender. -- Calli explicou -- Ela prometeu que iriamos ter somente sobremesas no jantar. -- emendou como se tivesse lembrando a sua mãe da promessa. E pelo olhar que trocaram havia sido exatamente isso. Ele estava perdido para essas duas.
-- Um ótimo incentivo, já vejo. -- declarou no meio de uma risada.
-- Noel! -- reclamou Helena ao dar um leve tapa em seu ombro. -- Deixe a menina continuar.
-- Tha écho̱ éna mikró adelfó. -- disse como se estivesse recitando um poema.
-- Hm... Bonito, mas será que você sabe o significado também? -- perguntou, já que só conseguiu entender um pouco mais de metade da frase.
Seus anos com Helena fez com que seu vocabulário grego aumentasse consideravelmente, principalmente em xingamentos, mas ele ainda não era fluente.
Helena que ainda ostentava um grande sorriso, alias. Seus sinos de alerta tilintaram imediatamente, de qualquer forma, não parecia algo mal.
-- Será que eu quero saber o que significa? -- perguntou fitando ligeiramente a Helena com os olhos entrecerrados., mas Calli já havia começado a falar e ele recebeu um sorriso com um toque malicioso em resposta.
-- Sei sim! -- disse com um pouco de indignação. Às vezes Noel se assustava em como ela era parecida com a mãe. -- A mamãe me disse. Quer dizer que eu vou ter um irmãozinho.
Todas as palavras de Noel sumiram, sua mente ficou em branco. O que ele tinha acabado de escutar? Uma onda de sentimentos já familiares invadiu todo o seu corpo e mente. Olhou mais uma vez para Helena e agora viu um pouco de apreensão em seus olhos.
Lembranças de quando ela lhe contou sobre a gravidez de Calli voltaram a seus pensamentos, momentaneamente o levando ao passado. Ela havia feito a mesma coisa. Sentado em seu colo com lágrimas não derramadas e pedido para que ele repetisse uma frase em grego que ele desconhecia. Ela tinha feito dele o homem mais feliz do mundo naquele dia e ele não pensou que fosse possÃvel ser mais feliz que aquilo. Até agora.
-- Helena... -- foi a única coisa que teve a capacidade de dizer com a voz rouca de emoção.
Chorando abertamente agora ela assentiu, confirmando a sua pergunta.
-- Sim, Noel, nós teremos outro filho. -- disse através das lágrimas.
Noel fez a única coisa que poderia fazer. Tomou sua esposa e filha em seus braços, beijando a primeira ternamente nos lábios e a outra na testa.
-- Nós vamos ter que sobremesas no jantar?
Perguntou a pequena Calli, alheia a bolha de emoções que estavam seus pais. O questionamento inocente fez com que ambos se derretessem em gargalhadas. Momentos assim, era pelo que eles viviam e amavam.
















