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Amei 💖
A modéstia é descentralizada. É interna e saciada. Ela não precisa provar nada a ninguém. Porque a sua identidade já está segura. Eis o contraste entre o ego e a modéstia: o ego vê uma ameaça e não tolera uma desvantagem,mesmo que momentânea. A modéstia vê inspiração,sem que isso,ative o sentimento de inferioridade.Ela escolhe a paz dos bastidores ao invés do barulho do palco.
Neutralizar o outro ou tentar ofuscar está intimamente ligado à falta de modéstia e ao ego inflado.
O ego precisa de platéia,de comparações e da sensação de estar acima de alguém. Se o ego não encontra ninguém pra superar ele se sente vazio e ameaçado. Ele é egocêntrico. Tudo é sobre ele. Se você mostra algo para a pessoa, o ego dela traduz como:" Está fazendo isso pra me provocar, então vou atrás de algo melhor." Pra evidenciar, a todo custo, que o dela é muito melhor. Ela distorce a realidade para ser o centro.
A estrada da admiração observa os valores,o estilo de uma outra pessoa e sente admiração. Ela tenta crescer e aprender do próprio jeito. A estrada da inveja sai da beleza do que o outro faz e vai pra dor da própria ferida. Gera competição e cópia.Como ela não consegue tolerar a distância entre o que você é e o que ela não consegue ser,ela tenta encurtar essa distância copiando ou tentando superar. A imitação dela no fundo, é uma admiração que adoeceu.Há uma linha muito tênue entre as duas. Elas nascem do mesmo ponto de partida,mas tomam caminhos espirituais e emocionais, completamente opostos.
Inveja não é só querer o que é do outro, entristecer-se pelo que ele tem e você não ou não querer que ele tenha algo. Mas imitar efetivamente tudo que o outro faz na tentativa desesperada de superar sempre,para não ficar por "baixo". É a inveja por imitação e competição na tentativa de anular a exclusividade do outro. O desejo de apagar! Há uma famosa frase que diz:" A imitação é a forma mais sincera de lisonja." Mas no caso, a intenção não é homenagear o outro,mas sim, neutralizar. Ela tenta, a todo momento, transformar a sua singularidade em algo comum. Isso é muito comum nos dias atuais.
Porém, normal não.
Penso no Coletivo?
A diferença entre a empatia abstrata (o discurso) e a empatia praticada (a ação do dia a dia).
1. O "Coletivo" Abstrato vs. O Indivíduo Real
É muito fácil e confortável amar "a humanidade" ou defender causas no papel. O "próximo", de forma genérica, não desinstala a nossa zona de conforto, não tem opiniões contrárias às nossas e não exige esforço de convivência.
O problema surge quando esse "próximo" ganha rosto, cheiro, uma história diferente e senta do nosso lado. Ali, a caridade deixa de ser um conceito bonito e passa a exigir esforço social, quebra de preconceitos e doação de tempo.
2. O Fenômeno do "Tribalismo" (O Espelho)
Instituições, inclusive as religiosas, deveriam funcionar como pontes, mas frequentemente operam como espelhos. As pessoas tendem a buscar os seus iguais — aqueles que têm a mesma configuração familiar, o mesmo padrão de vida ou o mesmo discurso.
• A foto da família: Funciona como um selo de "olha como sou bem-sucedido dentro do padrão esperado". Compartilhar alguém de fora exige validação do outro, o que muitos não estão dispostos a dar.
• A mesa/banco vazio: Sentar ao lado de um "avulso" gera desconforto porque exige iniciar uma conversa, lidar com o imprevisto e, acima de tudo, exercitar a alteridade (olhar o outro como ele é, e não como gostaríamos que fosse).
3. A "Sinalização de Virtude"
Infelizmente, em muitos ambientes sociais e religiosos, existe uma cobrança implícita por parecer bom, correto e caridoso. Isso cria a "sinalização de virtude": a pessoa adota o vocabulário do acolhimento, faz doações ou prega sermões belíssimos, mas a sua vida prática permanece estritamente restrita ao seu núcleo de privilégio e conforto (sua própria bolha familiar).
Em resumo:
É a clássica separação entre discurso institucional e prática individual. É muito mais fácil postar sobre o amor ao próximo do que puxar assunto com a pessoa que está sozinha no canto da sala.