[03/07/26] [AUTOFICÇÃO] [TREINO LITERÁRIO]
Semana longa, noites de sono picado, coração frio.
Havia dificuldade em sustentar o personagem que ele havia construído.
A mania lhe puxava pelo pé, obrigava-o a regular seu emocional o colocando para dormir a cada oportunidade que tinha. Não havia mais tempo de decisão longo, chegava em casa mal havia tempo para se alimentar antes do corpo apagar. Ao conseguir um assento no ônibus lá vinha o caminho trilhado no cochilo.
Estava emocionalmente exausto, o corpo suportava o frenesi da vida, a mente tropeçava.
Enquanto se recuperava não produzia, produzir criava um desgaste não compatível com a recente necessidade de sobrevivência, a frustração vinha, o velho artifício, a metáfora: o vagalume personificando a inspiração zigzagueando seu quarto, inalcançável, etéreo e sem a virtude da realização.
Para onde foi a sua voz? Para onde foi a sua vez de ser iluminado pelo sol?
Ele passa os dedos entre seus fios de cabelo, inquieto, insatisfeito.
E lá estava ele novamente, cuspido pela rotina, casa, ônibus, metrô, escritório, o vai e vem que atenua as cores na roupa do bardo, o abafador que enfraquece a vibração das canções.











