Uma vez, um rapaz trilhava um caminho sem rumo. Sem destino, apenas o trilhava.
Mas ele aproveitava cada desvio que encontrava, explorava-o ao máximo, até não conseguir extrair nada. E apenas com nada ele se tocava de que aquele desvio não o levaria a lugar algum.
Uma vez, esse rapaz tentou seguir um desvio totalmente diferente do que ele tinha experimentado. Ele sabia que podia ser um caminho sem volta, um caminho novo, porém, um tanto esperto que ele fora, a medida que fostes se adentrando nesse caminho, ele foi deixando suas marcas. Para caso fosse necessário, ele conseguisse voltar.
Esse desvio levou tanto tempo, mas tanto tempo. Que as marcas que o rapaz deixou estavam meio que apagadas, quase imperceptível. Ao perceber que aquele desvio não o levaria a lugar algum (mais uma vez) ele e parou.
Parou e pensou duas, três, mais de 5 vezes até perceber que não daria mais.
Com pernas e braços machucados, devido ao caminho ter algumas armadilhas, alguns caules com espinhos, o rapaz voltou.
Mas a volta não foi tão tranquila, foi a mais dolorosa do que ele pode imaginar. Porém ele conseguiu sair, e dessa vez com um olhar diferente, tão diferente que ninguém o reconheceria. E se alguém dos desvios passados, o encontrasse, talvez nem o notasse de tão diferente que ele estava. Talvez fosse esse o objetivo, apenas deixar para trás, aquilo que não o agregou em nada em sua trilha.
O tempo foi passando, e ele foi seguindo sua velha trilha e os desvios que tomou foram totalmente limpos. Sem vestígios, sem marcas. Pois cada desvio que ele tomou depois do último, que o fez mudar, ele seguiu de uma forma sutil, como uma água. Sim, água, quando uma água derrama e cai ela simplesmente não para, ela segue seu caminho, ela ultrapassa barreiras, ela vence qualquer obstáculo. Ela se adapta a qualquer ambiente.
E essa trilha é o seu alicerce. Pois ele sabe que pode construir algo a partir daquele caminho que ele tomou desde o momento que partiu.
Assim, a trilha continua, ainda sem novos desvios. Porém, a luta vai continuar e o próximo desvio que ele tomar talvez seja o último.
Ou talvez não...
“Aproveite os desvios mais difíceis que a vida lhe der. Pois talvez sejam neles que se encontre aquilo que você mais procure”