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Sabe a certeza de que amanhã vai estar tudo bem? Que daqui a pouco tudo passa? Bom, não a tenho.

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@o-b-s-c-u-r-e-c-e-e-r
23:07
Sabe a certeza de que amanhã vai estar tudo bem? Que daqui a pouco tudo passa? Bom, não a tenho.
sua palavra pode custar uma vida
então, se não tem certeza que seu conselho vai salvar alguém, não fale.
abrace-o.
é mais seguro.
estou sempre a um passo do precipício, da desistência
Bilhetes de um suicida: Parte VI
Você está tentando salvar-me de mim mesmo, mas sua alma grita de medo ao encarar o profundo abismo da minha. Seus abraços tornam-se frouxos quando as vozes de minha cabeça explodem em minha boca; minha insanidade é pesada demais para que você a carregue de pernas trêmulas e ombros fragilizados; você tenta achar palavras que confortem uma alma devastada, mas não sou eu quem mais está precisando delas agora; você não tem estômago para suportar toda a esqualidez em mim; e correria quando encarasse o que de fato há por trás de todos os meus falsos sorrisos e palavras ensaiadas. Se eu te mostrasse meus monstros, você fecharia os olhos como uma criança assustada e correria na direção contrária a mim; porque nem você e nem ninguém pode me salvar; eu sou o meu monstro; minha própria penitência. Estou fadado ao martírio de minha consciência; e esta é uma assassina silenciosa e impiedosa.
R-etalho.
Bilhetes de um suicida: Parte V
Às vezes me pego pensando em como seriam as coisas quando a morte me embalasse em seu alento final. Coisas do tipo “quem seria o primeiro a perceber?” ou “será que perceberão?”
Me pergunto se quando a verdade finalmente aparecesse, eles então entenderiam todos os sinais que deixei; e aí eu imagino todas as cenas da “peça” da minha vida, sem que o “personagem principal” esteja na trama. Eu adoraria ver como todos eles se sentiriam ao saber que eu fui embora sem dizer adeus e pra nunca mais voltar; que fui embora e levei quase tudo comigo. O que lhes deixei foi pouco e não vai durar muito tempo, afinal o cérebro não armazena lembranças eternamente, por mais maravilhosas que sejam, estas tendem a perecer e cair no esquecimento. E quantos aos meus bilhetes, estes logo serão depredados e então serão esquecidos num porão alheio, rotulado como “as palavras de um garoto perturbado, que tragou sua vida como se fosse maconha”.
Se me esforçar bastante posso reproduzir em minha mente, o som da arma sendo engatilhada e então pressionada contra minha cabeça. E aí penso em como apertar o gatilho seria maravilhoso e a lembrança do eco de um disparo soa como alívio para minh'alma; como uma corneta que é tocada anunciando o fim de uma guerra, o som da arma anunciaria o fim dos meus dias ruins.
Sem lágrimas, sem dor e principalmente sem vida. Um dia, serei só um garoto atracado à morte; prestes a cair no eterno esquecimento; um dia…
R-etalho.
Bilhetes de um suicida: Parte IV
A vida torna-se meramente nada quando penso em toda a grandiosidade da morte; vida, o que é vida? A vida é uma grande merda que é nos dada sem que sequer a peçamos; vida, é uma senhorita inconveniente que chega sem convite e se vai sem aviso. Enquanto a morte, Ah! A morte é o antídoto para o veneno da vida; é o escape perfeito da armadilha que é viver; a ideia de morte sempre acalmou toda a tempestade que a tal vida causou. Eu nunca quis viver, e à cada dia que se passa o ato de simplesmente morrer me parece mais convidativo; a morte é o atrativo que deposita em meu âmago uma generosa dose de conforto e esperança; é o paraíso dos meus dias de cão.
ps: antes que se lamentem por mim, lamentem por si mesmos, por viverem esta vida infeliz e miserável; lamentem pelos sonhos que morreram ao longo do caminho e pelos amores que faleceram tão prematuros; lamentem pela vida e toda o seu sistema injusto, mas jamais lamentem pela minha morte, por que esta me libertou do que vocês tentam sair em vida; inutilmente, é claro.
R-etalho.
Bilhetes de um suicida: Parte III
Me cansei da monotonia e de todas estas horas vagas que têm, continuamente me matado aos poucos. Cansei-me do nada; de fazer nada e principalmente de ser nada. Estou farto de viver no mundo da imaginação; preso em minhas ideologias fúteis, que para nada mais servem se não para distrair uma mente suja com tendências suicidas. Já não tenho forças para dissimular a felicidade em meio ao caos linear que minha vida se tornara. A rotina tem sido o meu inferno particular que me queima o peito e afoga-me no imenso vazio; eu tento gritar e pedir ajuda, mas no fundo eu sei que de nada vai adiantar, até porque ninguém irá escutar; estou sozinho como sempre estive em toda a minha vida; aliás, solidão é a única coisa que levarei desta vida quando a morte chegar; a mesma solidão que me tomou em seus braços, quando fui entregue aos meus dias de cão; embalou-me ao som de uma doce canção de ninar que dizia assim:
Dorme neném,
que a morte vem pegar,
aliviando tuas dores,
sem pressa, ela virá.
R-etalho.
Bilhetes de um suicida: Parte II
Magnético.
Tudo nessa vida é magnético; algumas coisas se atraem e outras se repelem; mas este é o natural da vida; afinal, todas estas idas e vindas; estes amores e desamores; todos os começos e “fins”, estão ligados ao magnetismo da vida. Normalmente as pessoas são atraídas pelo desejo único de viver, não importam as circunstâncias, todos almejam manter-se vivos no jogo da vida; e bem longe da tão temida morte; é como se cada ser neste mundo tivesse um polo atrativo para vida, e um repulsivo para a morte; eu, por outro lado, sinto exatamente o oposto disso, o desejo de viver me espanta; o que me atrai mesmo é a morte; todos os dias tenho pensado que seria melhor me entregar a esta força maior que tomara conta de meu ser, e que me puxa aos poucos dia após dia; a ideia de ceder a esta força me conforta e tem sido o meu abrigo em meus piores momentos; às vezes chego até a pensar, que talvez meus polos estejam invertidos e meu campo magnético um tanto fragilizado. Talvez eu já esteja condenado a viver neste eterno vai e vem, sendo atraído sempre pelas coisas “erradas” e repelindo as “certas”, como se eu fosse um erro imperceptível da física, que não participa de fórmulas tampouco se encaixa em equações da matéria. Então vivo aqui, dias iguais de eterna luta contra o campo magnético onde a vida e a morte são os polos principais de atração e repulsão; sonhando com o dia em que finalmente, algum fator externo seja forte o suficiente para despolarizar meus polos e destruir o campo magnético que me envolve; desligando-me de uma vez, do caótico campo magnético da vida.
R-etalho.
Bilhetes de um suicida.
A vida é uma grande prisão,
a qual só saímos, de fato, livres por meio do suicídio. A morte em si não liberta, já que a escolha, provavelmente, não foi sua. E muito embora minha'alma grite por liberdade; por enquanto, prefiro ser prisioneiro.
R-etalho.
A onde foi que eu dei errado?
Perdón por ser tan inestable
(…) Permaneça com suas paredes. elas são o amor mais verdadeiro. construa onde ninguém constrói. é o último caminho que resta.
Trecho do poema Estar sozinho, de Charles Bukowski. (via descompasso)
Foi a última vez, E tudo saiu de órbita, Perdeu o sentido, Sem saber se existo, Sinto que o final lhe cabe, Porque o que era bom, se foi, Nos perdemos, Em meio à tantos contratempos, O disco riscado não toca mais nossa canção, Você olha outras pessoas que te cercam, E eu desfruto de novos sabores, cores, sensações, O mundo me espera, Meu peito acelera, por está estrada eu vou.
nuagedereves