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@ceciliando
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@cathexis__
Eu amo a calmaria rotineira de sentir seu cheiro quando me refugio no vão do seu pescoço. E de pensar que tudo bem as horas correrem enquanto nós desejamos pausar o relógio, contanto que você ainda faça meu peito aquietar num abraço. Deixo para paixões passageiras as explosões de adrenalina, gosto do nosso sossego de quem tem a vida toda para desatinar pelo mundo e, por isso, não há pressa senão a de se encontrar a cada fim de dia.
Minha ansiedade se desfaz com tuas mãos espalmadas no peito, então percebo que o mundo não vai se romper na próxima taquicardia. O calendário não vai me engolir e as semanas não são o último ato do roteiro.
Pensar no teu nome não me traz o desalento de quem feriu por egoísmo mal calculado. Você me olha como quem decora cada detalhe e penso que é bonito ser amado por quem também quer ouvir sua voz cansada antes de adormecer.
É bonito ser amado de volta.
G.
É tão bonito pensar que alguém ainda me lê. Logo eu, que nunca soube bem o porquê escrevo.
wuthering heights (2011, dir. andrea arnold)
when hands touch..
Nota de Cecília, II.
Aprendi ainda menina que é possível saciar a saudade de momentos fugazes. Ao fechar os olhos, deixo o pensamento vagar sem pressa. Não me prendo a detalhes mundanos como horas e datas, mas ao cheiro e tato que anseio. Me vem o odor de café e perfume, o tic tac do relógio e mãos inquietas na mesa. Lembro de confissões ao pé d’ouvido e minha literatura sem pressa, não há nada além do desejo de ouvir frases que causam sorrisos. Há sons de recordações em cada cômodo. Seguro firme entre os lençóis e sinto uma, duas, três vezes as palpitações nas costelas. Há quem sempre passeie por instantes felizes, nomes que aquietam, toques que aniquilam. Gosto de pensar no amor quando estou prestes a cair no sono, traço ações cotidianas, me reinvento. Recordo tua respiração inquieta no breu do quarto e desejo que aonde esteja tenha amor.
G.
eclode no peito todas as palavras, todos os gestos, o que vem de você
todos os dias.
G.
“Descansa; porque quem é amado não finda, e você nunca deixará de ser”.
G
Café, Paris, 1959
Saul Leiter
Stephen Boyd & Juliette Greco in The Big Gamble
Meu avô chora de amor. Pelos dias. Pelas passagens. Pela vida que anda mais ligeira que seus passos. Repete seus relatos com o mesmo carinho de quem conta um acontecimento recente. Se permite sentir cada momento como a primeira vez, e nos faz sentir apego por detalhes que não são nossos, mas parte de si.
Ele olha com atenção e fala do sertão como se fosse cotidiano. Lembra de dias doídos como fatos consumados que já não doem, não era nada senão a realidade. Vovô é daqueles valentes que nem notam, o são só de viver. Eu seguro suas mãos ásperas de uma vida calejada de trabalho e sinto todo o afeto de quem ama cada parte do caminho que o trouxe até aqui.
Viveu histórias ímpares. Ainda pensa que não foi suficiente. Escuta as mensagens dos filhos, cheios de carinho e afeto, e chora.
Meu avô ainda chora de amor.
G.