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1.21 | Salvation
Ele chegou em passos silenciosos, como de costume. Sentou-se ao meu lado tão cautelosamente que por pouco eu não teria notado sua presença. Me viu parada, olhando para a janela fechada como se observasse algo extremamente importante. Ficamos assim por algum tempo, em uma sala consumida pelo silêncio e um pouco fria, mas isso não era problema embaixo do meu suéter de lã. “Faz tempo que não te vejo escrevendo. Esse casaco velho comeu o seu lápis?” - disse, soando extraordinariamente sarcástico. Tentativa fracassada de me fazer rir. Não que eu fosse uma pessoa assim tão fria, mas se o meu “casaco” me aquecia sem problemas, que diferença faria ele ser novo ou não? Apenas torci o canto da boca e dei de ombros. “Eu gostava de ler os seus textos.” - ele continuou. Pensei que uma resposta curta e grossa me livraria daquela conversa sem destino. “Cansei de escrever”, respondi com a voz firme. Para o meu asar, estava sentado ao meu lado um curioso insistente. “Tem medo de que alguém descubra quem você realmente é?” - perguntou em seu típico tom presunçoso. Aquela pergunta me fez pensar. Não por não saber a resposta, mas por não ter certeza se deveria responder. Mas, por que não abrir o jogo? Afinal seria a única forma de voltar à minha solidão tão amada. “Não, isso nunca me preocupou. O que as pessoas pensam do autor após ler um de seus escritos são apenas suposições, conclusões não-definitivas. Enquanto isso, quem escreve desbrava a si mesmo - meu medo é de que eu mesma acabe descobrindo quem eu realmente sou. Poderia ser a minha maior decepção”.
Remontei (via remontei)
carmen carmen doesn’t have a problem?
(7.01)
7.22: There Will Be Blood.
Não é das flores que a garota gosta, é do fato de você ter se lembrado dela.