um resumo sobre “Concreto”
Isso é concreto?
Empenha-se aqui em dissolvê-lo, questionar a sua solidez, denunciar a sua fragilidade. Em demonstrar um desejo crítico frente às coisas e valores instituídos por uma rede de argumentos carregados de valor. Expressar o paradoxo de um sujeito que não reconhece mais o mundo como tal, o concreto como sólido quando somos constantemente expostos à sua fragilidade. Criar um abismo entre você e a contemplação. É o convite a descentralizar o olhar, mudar as coisas do lugar, isso é inevitável. Não há um ponto fixo. O que é concreto?
O presente autor não é nenhum filósofo, é apenas um diletante das palavras e sons - a Palavra o deu vida. Ele escreve para organizar os pensamentos [inquietações]. É um privilégio e uma responsabilidade pra ele estar aqui e ainda ansiar por outra cidadania. Anseio que o perturba em sua composição – por entre o cimento e a brita, no íntimo das suas convicções, afundando na água. Cada ser tem a sua jornada. Sobre a jornada, ela não é sobre ser o vencedor, não quero sempre vitória e perder a glória de romper!, não da maneira que todos dizem que se tem que vencer a qualquer custo. Pra esses o autor é o lado oposto, ele vive do absurdo de ser a fé sua vitória. Ele acredita no incrível. Dá importância ao que dizem ser ridículo. Ele se apega ao concreto. E na ruptura, ele regozija!
Aqui não serão encontrados resultados ou muitas certezas, isso pode ser um arranjo perigoso para os mais sensíveis. Aqui é um processo enquanto agarra-se com todas as forças à eternidade – a única certeza que se tem. Aqui é onde a ruptura começa.
Causa espanto reparar que há quem ache que não é cidade. Que a cidade está mais na forma. Mas a cidade é muito mais do que aquilo que se vê. A cidade não é o que está posto, é o que está se formando. Todos os dias, num desconforto de não aceitar a cidade só pela sua imagem é preciso descoisificá-la e nesse processo se perder e deixar-se encontrar diversas vezes. Nisso está o Caminho. Entre o céu e o chão. A Verdade vai moldar esse concreto ao longo da caminhada. O que é concreto?
Concreto
Composição que reúne areia, brita, cimento e água e que se torna firme, como pedra. Em concreto se constrói muitas coisas feitas pra serem duráveis. Ser vivente, feito pra ser como o concreto, uma composição de convicções, princípios, paixões e, quando há espaço, Espírito Santo.
Convicções são como areia no concreto. Ela é importante, mas está ali não como o principal. Muitas vezes se perde um pouco delas quando acontecem rupturas, que são inevitáveis no processo de Ser. A areia está só pra preencher os pequenos espaços vazios, tornando o concreto mais resistente. Assim funcionam as convicções,
Paixões são como cimento. É o que dá liga, o que une todos os elementos. Todo desejo por eternidade envolve paixão. Temos no coração o anseio por eternidade.
Princípios são como brita. É a parte incorruptível. É a integridade. Na ruptura podemos perder fragmentos de areia, sofrer abalos no cimento mas a brita continua ali, indivisível.
O Espírito Santo é como a água. Sem água somos só elementos inúteis, vazios em propósito, vivendo para si mesmo e incompletos. A água dá razão à nossa composição, forma identidade e dá um propósito ao concreto.
Quando ainda estamos em processo, sendo rompidos por angústia ou paz, nessa compressão e tração na experiência da vida, no romper se perde principalmente areia. Nossas convicções são as primeiras a sofrerem o inquérito e não permanecerem as mesmas. Mas Ele é fiel, que com seu amor nos recompõe e continuamos o edifício com ainda mais paixão, que nos cria bases ainda mais sólidas, com mais brita. Quando todas essas coisas são ajustadas por Ele, nosso concreto está mais plenamente convencido a cada romper. Sendo cada vez mais perseverante, de glória em glória, brilhando até ser dia perfeito. Onde o edifício vai estar pronto, faltando em nada.
Ser diligente é tirar corpos de prova desse concreto, e rompê-los, expor suas motivações. Pois há tempo de ser concreto, e tempo de romper; tempo de ser concreto, e tempo de ser moldável; tempo de ser concreto, e tempo de amar; tempo de ser quem você é, tempo de ser concreto.
O que é romper?
Romper é não permanecer inteiro no esmagador encontro com a Verdade. Romper é ser exposto. O que estava dentro, a sua composição e as proporções vêm à tona. Enquanto nosso concreto é formado, é preciso tirar corpos de prova pra testar a resistência, saber como vai a composição. Esses corpos secam, e depois disso são postos à prova até romper. De tempos em tempos, faço testes, tiro corpos de prova desse concreto em constante processo.
As antíteses congraçam
O preço da sabedoria é a inquietação, e os que a procuram são os mais atingidos por questões inexplicáveis à alma mas que só o Espírito entende, talvez pela tamanha profundidade de imersão. Então, aqueles que querem a sabedoria, tem que buscar discernimento no Espírito Santo porque junto com a sabedoria, vem as dores de alma, e as decepções, e a angústia de romper, ser exposto à luz e você se vê ainda menor mediante tudo.
A fé é convicção daquilo que se espera, a esperança do que não se vê. Um paradoxo absurdo, “as antíteses congraçam”, já dizia Manoel de Barros. A fé não pressupõe estética, ela está em busca da verdade, onde reside a Beleza, o sublime. Transversal a argumentos e discussões instituídas em prol da imagem, ela busca o motivo. Ela é muito mais alta – ou mais profunda, ela convive no paradoxo da existência. Ainda assim ela é concreta. (No chão que oferece para se viver em paz e antítese).
Por fim, entre todos os absurdos e convicções, inquietações e angústias, as efemeridades e a eternidade; uma coisa sempre fica de pé: tema a Deus.









