Entre cartas de baralho
Venha, vou lhe contar Do valete que perdi Ouça, preciso falar Nas marcas me rendi Entrei sem saber as regras Tracei uma estratégia E segui sem culpa Sem rodeios apostei a alma As cartas dadas Como o cheiro que fica A mesa posta Como lembrança que transborda Na mão, meu valete de paus Na mesa, suas promessas Em você, o meu erro Respirei seguro Apostei no meu valete Mas perdi nos blefes Jogando na caçada de afeto Me fiz coringa Como numa ultima cartada Naquele desespero de quem sede Tampei seus buracos Lhe enchi de coragem Dei afeto a quem nem sentia Servi a tudo Entre o ganhar e o perder sobrevivi das promessas Entre as suas jogadas de ilusão me restou o lugar da última opção
-Bernardo













