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Um simples fato sobre sentir-se fraco: com o passar dos anos, você se cansa. E, mesmo sabendo que independente de seus esforços não haverá mudanças (a não ser que sejam para pior), a ociosidade faz com que você tente. Porque ter esperança, apesar de inútil, é melhor do que não ter nada.
Foi por isso que o albino decidira sair de casa naquele dia malditamente ensolarado. Ao contrário do habitual, não procurou cobrir o máximo possível do corpo, não pretendia evitar seu tórrido vilão. Depois de dezessete anos, sentia-se pronto - ou próximo disso - para encará-lo. Quando botou os pés para fora de casa, trajava uma regata e calças de tecido leve. Estava descalço e, pela primeira vez, sentiu o sol debaixo dos pés.
Enquanto caminhava, um devaneio sobressaiu-se aos outros. Um devaneio sobre a praia. Afinal, um dia de sol bem aproveitado, era um dia de sol passado na praia. Dominique nunca pisara em uma antes.
A areia debaixo dos pés causava uma sensação estranha, porém gostosa. Sentia cócegas, apesar de não rir. O sol já se encontrava no centro do céu naquele horário, e as queimaduras pelo corpo albino eram mais que visíveis. Cada passo equivalia a dor. No entanto, a dor já não significava tanto para o rapaz, que estava um tanto amortecido e outro tanto embriagado pela luz.
Caminhou durante tempo demais pelo litoral, tempo suficiente para chegar ao final daquele lugar.. Quando por fim voltou a focar-se no que o cercava, encontrou-se numa elevação e, ao aproximar-se da borda, avistou inúmeras poças brilhantes abaixo.
Os olhos vermelhos arregalaram-se em surpresa e deleite, nunca vira água reluzir daquele modo antes. E, infantilmente, questionou-se se aquela era algum tipo de magia das praias. E bem, talvez fosse, fantasia nunca falhava em surpreendê-lo.
De alguma maneira, soube que aquela água seria capaz de amenizar a dor que se alastrava por seu corpo. Poderia fugir do Sol sem esconder-se dele e, movido por coragem e covardia, o albino pulou.
A dor foi sendo substituída por um formigamento que, apesar de indolor, era estranho. Sentia que seu corpo estava derretendo, para logo então voltar a se formar. Demorou algum tempo para que a sensação parasse e, quando voltou a emergir, o Sol já havia cedido seu lugar a Lua.
Balançou a cabeça ao sair da água, espalhando respingos por todos os lados. A cabeça estava límpida, como se o liquido azulado da poça tivesse sido capaz de lavar sua mente. Sabia que algo havia mudado, apesar de não saber o quê.
Com o movimento, fios vermelhos caíram-lhe sobre os olhos e demorou para que o rapaz percebesse que os fios provinham de sua própria cabeça. Excitado e hesitante voltou o olhar para o espelho que as águas paradas formavam, e estacou com o que viu refletido.
Porém a surpresa logo foi substituída pela compreensão. E o cenho desfranziu-se quando sorriu. Um sorriso vitorioso que sequer sabia possuir. Nada no mundo lhe agradaria mais do que perder os traços que herdara da mãe, sempre desejara expurgar aquela fraqueza...
...E finalmente, havia conseguido.









