vou-me embora, desta vez,
é a sério.
não quero o lenço branco ondulante
apenas o silêncio
de quem não se despediu.
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❣ Chile in a Photography ❣
YOU ARE THE REASON

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@oldvows
vou-me embora, desta vez,
é a sério.
não quero o lenço branco ondulante
apenas o silêncio
de quem não se despediu.
seguem sem nós
e os joelhos remoem
grãos, mas,
ao virar da esquina ainda
vejo um rosto familiar
a morte que promete
voltar
a minha boca serve
-te calada
o prazer de um silêncio
sempre e só
apenas obediente
enterra os punhos
na carne que rosna
pois a dor, essa,
não tem fome
estar tão só que
a sombra nem escurece
e o caminho
não ouve os nossos passos
12 months analog (2020) - May / June
12 months analog (2020) - May / June
12 months analog (2020) - May / June
12 months analog (2020) - May / June
mas será que morremos verdadeiramente se ninguém lamentar a interrupção da nossa existência? ou ficamos apenas estendidos, seja esquecidos, em valas comuns sem uma lágrima conhecida para humedecer o nosso nome e um arranjo floral de qualquer combinação colorida e cheirosa que sirva de pista para o último sítio na terra onde a nossa presença corporal foi avistada.
12 months analog (2020) - May
12 months analog (2020) - May
12 months analog (2020) - May
12 months analog (2020) - May
12 months analog (2020) - May
12 months analog (2020) - May
Aqui, como já lhe disse, fabricamos vidas. Pegamos em personagens de papel, finas como as páginas onde vivem, e damos-lhes existência. O ideal é ter personagens de terra, mas para isso precisamos de as fazer viver entre os homens, fazê-las ir às compras, fazê-las expor as suas criações, exibir os seus pensamentos, serem citadas, serem faladas. Ouça, Sr. Marlov, a existência é feita de testemunhos. Sem isso não há nada. O "outro" é quem faz com que nós existamos. Sem percepção, não há nada. Esse est percipi, dizia Berkeley com toda a razão: ser é ser percebido. Nós existimos porque há testemunhos, há espelhos por todo o universo. As relações com o "outro" é que nos criam a nós. Não há barulho quando não há ninguém para o ouvir.
A Boneca de Kokoschka (2010) de Afonso Cruz