karlmarximo:
“ ––– Olá, você!” Cumprimentou o primeiro que encontrou pela frente. O ataque dos dragões havia deixado todos apreensivos e apavorados ––– menos os suicidas ––– e levado vidas consigo. Mas, haveriam de reconhecer a bravura dos alunos que corajosamente haviam enfrentado as feras ––– e isso incluía, claro, as garotas. Veja, os homens, como Juan, serviram apenas de escudo humano para que elas lutassem bravamente, mas ora, isso a mídia não mostrava! Não na sociedade patriarcal machista fascista no qual elas viviam. Os homens, como sempre, haviam roubado o seu lugar de fala. Então, o grupo das fortes mulheres, Sonya, Verena, Runa, Briana e Ursula ––– diga-se de passagem, nenhuma nunca havia empunhado uma faca ––– haviam feito camisetas estampadas com a frase ’Lute como uma garota’. O empoderamento feminino precisava ser enaltecido! “ ––– Você quer contribuir para o reconhecimento do poder feminino aqui em Avalon? Estamos vendendo camisetas, e esperamos muito que, depois desse caos, as mulheres lutadoras tenham seu devido reconhecimento e lugar de fala na sociedade.”
Se havia uma coisa irritava Kali, essa coisa era a falta de decoro. E isso, é claro, incluia a falta de senso na hora de lidar com tragédias. Longe da indiana advogar por uma abordagem apolítica que não olhava para as características sociais e econômicas daqueles que haviam sido afetados, afinal, tudo era político e tudo era localizado. Costumava se deixar levar, às vezes, pela preocupação acerca do destino de países liderados, no futuro, por esse ou aquele nobre que parecia meter os pés pelas mãos na hora de escolher onde investir o seu capital político. Esse não era o caso de Sonya, é claro. Felizmente. Se dependesse do timing da ruiva, as decisões suas poíticas como governante só conseguiriam ser mais desastrosas caso aliasse, à falta de senso, um gosto por redes socias de rápida comunicação e pela divulgação de fetiches pouco conhecidos. A Russa, apesar de influente, não era da família real e seu discurso não parecia encaixar com os ideias de um povo tão conservador quanto o russo. Isso, é claro, caso alguma das suas muitas anotações feitas em aula sobre o país estivessem corretas. ❛ —— Gostaria sim.” Vestiu seu melhor sorriso, inspecionando as camisetas com as pontas dos dedos enquanto tentava não olhar para o rosto de Sonya. Temia acabar soltando uma risada. ❛ —— Não é muito meu estilo esse tipo de camiseta... mas imagino que estão planejando doar a renda arrecadada para um fundo de preteção à mulher ou para um abrigo àquelas que ficaram desamparadas depois da destruição de Shangri-La... ou algo do gênero. Imagino que você deva ter experiência nesse tipo de ação e saiba me responder melhor. E o tecido parece agradável para usar de pijama, então, se for para ajudar a população carente, por que não?”












