sobre a dor do cansaço mental.
eu sou caçula, fui mimada, cuidada e paparicada, não com bens materiais (nossa condição não era das melhores), mas com afeto.
hoje em dia meu pai relembra que eu já era grande e ainda gostava de dormir no colo dele, éramos grudados.
éramos.
existiu uma projeção e alta expectativa sobre a minha vida, e eu não cumpri. engravidei do meu namorado aos 20 anos, estava na faculdade, tinha um bom emprego, mas nada era suficiente pra suprir a decepção deles comigo. a primeira frase que ouvi foi: você vai sofrer.
tive 30 minutos pra fazer minhas malas e ir embora.
desde então sou eu e Deus, e já se passaram 7 anos depois daquela meia hora.
eu cuido da minha filha, todos os dias, banhos e refeições, cuido do meu trabalho, lido com clientes, com demandas, com noites em claro, reuniões, casa, roupa limpa, eu cuido. ainda arrumo tempo e um jeitinho pra cuidar dos meus amigos, ouvir um desabafo, um choro, uma alegria, uma conquista. mas quem cuida da mãe?
“você não precisa de ninguém”
“você é forte”
“amor próprio é tudo!”
estão todos certos, certamente. mas eu não estou errada em querer ser cuidada. eu perdi isso, mas cresci assim.









