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releitura doze
o amor pode estar naquele abraço apertado no bar do cisso, no dia em que eu tive certeza que você era o meu lugar. porque o amor estava naquele beijo na testa que você me deu quando pensava que eu estava dormindo enquanto a gente voltava da augusta. o amor estava naquela conversa de sussurros na casa da ana. e na conversa depois. o amor sempre esteve aqui quando eu sorrio em te ver sorrir pra mim. o amor sempre esteve em você. o amor sempre esteve em mim, em todos esses dias, em todos os dias em que meu coração quis rasgar o peito para estar com você. porque tu me fez ver um outro mundo. e não fez só isso, tu construiu um novo mundo para nós. porque você é imensidão. você me dá aquele sentimento que não me cabe. mas não precisa caber. você quebra os meus relógios, quebra todos os relógios que existem por aí. você para o meu tempo só para eu poder olhar pra você. mas disso tudo eu já sabia desde a primeira vez. eu só quis ser sua. quero que você possa entender essa coisa linda que me causa. você é meu caos. mas você é sempre o meu cais. é onde inevitavelmente eu vou parar. é meu destino certeiro. você é meu cais nesse mar de sentimentos que me deu. porque nós podemos ir além. sim, eu tive medo até de mim. tive medo do quão grande isso foi, das proporções que me tomavam toda vez que tu chegava. mas agora, vê se chega pra ficar. nosso mar já fez tanta tormenta, mas não tem tormenta maior do que quando você não está. você chegou como brisa leve naquela tarde de verão. você também já choveu em mim e regou todo o meu jardim. hoje tu é infinita e me faz sentir assim. carrego a sua melhor parte em mim. e vou. vou por todos os caminhos tortuosos que aparecem, porque sei que você estará lá por fim. porque amor foi eu e você naquele banco da prefeitura com a cidade estagnada enfim.
é sempre essa semana tão corrida em que eu conto todos os dias pra te ver e as horas parecem querer correr mais rápido que a vida. mas os dias parecem nem se importar muito menos perceber que é pra correr no mesmo ritmo louco da cidade que transforma toda essa prosa em realidade e que dá um sopro mínimo de esperança toda vez que se aproxima o final da semana. mas o destino? ele nem se importa o que vai ganhar com isso? mais uma história torta? de entortar caminhos, de esbarrar destinos nas catracas das estações? mas toda vez que nasce o dia nasce também uma alegria que está chegando perto o meu dia de você
transbordar
cê cala tudo ao nosso redor só de trazer seu corpo para perto do meu tu traz essa sensação que eu já sei de cor não sei mais se cabe em mim, acho que já é maior que eu
sim, eu te escrevi mas te escrevi bem do jeitinho que te vi é que te ver sorrir foi o que eu sempre quis e toda vez que acontece tu me deixa mais feliz
é que tu não sai de mim nem de noite e nem de dia daí o único jeito foi tu virar poesia eu nunca te disse, mas adoro o momento em que te vejo que aí tu desenha uma linha tênue em mim, entre o caos e o desejo
encontrar você foi destino certeiro, foi como encontrar dias consecutivos de sol em janeiro. porque em meio a tantas chuvas de verão na cidade, são dos dias de sol que eu mais sinto saudade.
mas ainda tem os dias nublados que parecem não passar, daí eu espero o tempo abrir, o nosso dia chegar. então olho pela janela vez em quando só pra ver, se hoje é dia de preguiça ou é dia de te ver.
amor de porta de bar
acendo um cigarro e revivo aquela nossa noite. você estava atrasada e os ponteiros do relógio pareciam fazer força para ficar no mesmo lugar. o céu já anunciava a chuva que estava por vir, mas nada de alguém anunciar a sua chegada. essas suas chegadas... elas fazem alvoroço no meu pobre coração. tudo o que eu queria era que você percebesse que eu talvez só estivesse ali por você. eu não sabia ao certo se era por isso mesmo, mas tinha dias que eu só precisava do seu sorriso leve, de uma conversa sobre qualquer assunto só para acalmar e esquecer um pouco do meu caos. e toda vez que você chega eu tento disfarçar esse sorriso bobo, esse impulso louco de querer que você more em mim. mas você me leva a tantos lugares sem nem mesmo deixar de estar ali que eu queria sempre ter te conhecido. e essa minha alma de poeta insiste em querer te transformar em poesia, mas eu não deixo não. só que você exala versos que eu quero que sejam meus, que fazem eu querer ter uma estrofe para você todos os dias. daí tu me olha sorrindo enquanto eu penso nisso, e talvez você quisesse que essas palavras soltas num papel contassem sobre você. e eu quero tanto que você queira isso também..
às vezes quando cê vem até penso que enlouqueço, cê chega me tirando do sério, me virando do avesso. gosto dessas tuas vindas, do jeito que as coisas acontecem contigo, e eu me desfaço no teu abraço, te fazendo de abrigo.
não sei se quero te fazer poema, já que com a gente o destino não sabe quando redigir o roteiro. tu se encaixa em mim e eu já nem me sinto tão pequena, tem dias que eu só quero morar no seu cheiro.
florescer
faz tanto tempo que eu já nem sei mais se cabe lembrar. mas baby, tu sabe que dentro de mim cabe mais que o infinito. chegastes tão depressa que levou-me o inverno da alma, aquele que eu carregava há mais de uma estação. tu sabes também que fez meu jardim voltar a florir, não somente por ser primavera, mas também por fazer os pássaros voltarem a cantar por aqui. já estavas comigo em todo lugar, a partir do momento que te vislumbrei no primeiro raio de sol dessa estação. desde então, tu esquentou meu coração e me fez virar canção por todo lá e cá.
estação da luz
pelo início da primeira conversa com a sua voz meio rouca, e pelo toque quente da sua mão gelada, da maneira que nas paredes da cidade te boto louca, ao infinito de tempo que dura essa madrugada.
quem sabe, pelo que ainda há de vir, por tantos outros desses teus gemidos um tanto contidos, talvez outros que tu ainda terá de resistir, num amanhã de desejos anoitecidos.
é que vagar por aí na noite escura, de olhar a excitação nos olhos teus, de tão pouco e tão de perto ter conhecido um pouco da tua loucura e sem mais nem menos ter que dizer adeus.
versinho da saudade
ela é paz e eu cidade, quando eu mais preciso é que ela me invade. vem e me inunda em plena segunda. faz disso um ritual, quase teatral; um amor atemporal, sem data de validade. e eu, que sou cidade e nunca vou dormir, deixo a minha paz vezenquando ir…
mas ela volta, bate na minha porta e me faz sorrir.
a minha paz é ela quem faz.
1 a.m
tem noites que ainda penso nela antes de dormir. é que tem dias que ela decide dar o ar da graça nesse meu ir e vir. ela tem mania de fazer isso sem ser convidada, daí resolve dar uma volta na minha mente com aquela saia rodada. no começo eu sempre tento fingir que foi só uma coincidência passageira, dou um aceno bobo e só sorrio quando ela já se afastou da nossa fronteira. meu coração acelera no peito depois de ter parado de bater por um segundo, fico pensando onde há um caminho tão longo que eu não cruze mais com ela nesse mundo. mas se ele realmente existir, não é por lá que eu quero andar. afinal, o que seria de mim se não fosse ela no caminho do meu sonhar?
minha casa é onde eu estiver na minha paz
minha solitude alcança lugares que eu não saberia nem chegar. minh’alma vaga sempre no centro de onde todas as coisas acontecem. seu silêncio ensurdecedor às vezes abafa meus sentidos e eu fico sem saber por onde vim e onde eu queria chegar. tu passará um dia na mesma hora e lugar onde eu estarei. tento não carregar tuas coisas quando penso em me mudar. é bagagem extensa. mas uma vida inteira não cabe numa mala. o primordial é só para sobreviver. já não me alimento de memórias de você. o líquido que desce na garganta é conquistado em cada bar de esquina que aparece em meu caminho. um lar é construído por memórias boas, portanto, são poucos os cômodos da minha casa em que você é bem vinda. a vida é feita dessas coisas; mudanças de bairro, cidade e país. mudanças de planetas e até galáxias quando é preciso ir. meu caminho não vê fronteira de norte ou sul; de eu ou você.