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@ophionvenom
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Oberon Kallan Ophion, a moodboard.
nxm3rm4id:
@ophionvenom
Não era incomum ver Nerea fora dos portões de ANA quando tinha tempo livre. Era difícil ficar longe do oceano por muito tempo, mas estar no lago era um consolo aceitável, por mais que sua pele pedisse pela água salgada a banhando. Naquele dia a temperatura da água estava agradável, os raios do sol penetravam-no de forma que era possível observar claramente o fundo do lago com todos os seres aquáticos ali presente, era como se estivesse em outra parte de casa, uma parte meio estranha na verdade. O som de alguém de aproximando fora ouvido no momento em que emergiu da água, os olhos captaram a figura masculina se aproximando do lago, não demorou muito para reconhecer a silhueta de Oberon, no entanto, se viu surpresa ao vê-lo por ali. Nerea se aproximou da margem de forma lenta, não tinha certeza se ele havia a visto, mas iria se fazer presente com toda certeza.
“Não sabia que esse réptil gostava de água.” disse já emergindo completamente, mostrando-se parcialmente visto que lógicamente sua cauda ainda se via submersa. “Como está, Oberon, acho que é a primeira vez que te vejo por aqui.”
A calmaria que repousava sobre os ombros do feérico enquanto distanciava-se de ANA após finalmente comparecer a algumas extracurriculares na Academia era temporária. Era em silêncio e solitude que o rapaz caminhava, olhando sempre para frente e nunca para baixo em direção ao lago. Não costumava visitá-lo com frequência, mas havia algo naquelas água paradas que possuíam alguma propriedade para propiciar-lhe um momento de resguardo de sua própria natureza passional. Ou ao menos, era o que pensava antes de parar há alguns centímetros da beirada do mesmo, os olhos sobre as águas límpidas, trêmulas. Podia ver alguns peixes pequenos nadando ali próximos, a espera de algum alimento que caísse em sua superfície, pequenos girinos ao seu redor. Não era a água em si que o atraía, mas a possibilidade de estar tão próximo de um elemento que anulava o seu, ainda que se em conjunto, também pudessem tornar-se uma arma de calor. O seu reflexo brilhava na água, límpido e claro, ausente de qualquer mácula após ter tido suas feridas amenizadas por Ronan e ter utilizado glamour para que todo o resto ficasse escondido, estava impecável utilizando-se trajes típicos dos Falcons, indicando que recém havia deixado a Academia. Contudo, seus olhos mudaram de direção quando viu uma figura silenciosa emergir, com olhos curiosos que encaravam-lhe. Ophion exibiu um de seus sorrisos ladinos ao reconhecer a figura de Nerea no interior do lago, seu habit natural. Não era a primeira vez que enxergava sua cauda, no entanto, erauma das raras ocasiões que a via completamente confortável em um local que lhe pertencia, diferente do território acima da superfície. Não podia dizer que reconhecia o sentimento, desde o assassinato de seus pais, nem Elfhame e tampouco a corte Unseelie pareciam-lhe como algo favorável à sua presença.
“ —— Existem muitas coisas sobre esse réptil que não são de seu conhecimento, Vossa Alteza. ” Arqueou uma sobrancelha, mantendo-se fora d’água e de pé, ainda que Nerea estivesse parcialmente submergida no interior do lago. Entretanto, o rapaz ousou dar um ou dois passos para o interior do lago, molhando suas botas de combate, sem de fato importar-se com tal fato. Havia um magnetismo em Nerea que o direcionava até ela, mesmo na ausência da utilização da capacidade de seduzir indivíduos que essa ostentava. “ —— Infelizmente, não estou em meu melhor estado, creio que deva ser a ressaca estendida do baile... ou do dia anterior. ” Desviou o olhar brevemente. De certa forma, a relação de ambos permitia certa sinceridade da parte de Ophion, uma vez que essa não esava estagnada apenas em algo supérfluo. Ás vezes, porém, ele desejava que estivesse. Seria mais fácil de lidar do que expressar a verdade quando essa perguntava-lhe com sinceridade como estava. Ophion, retornou a observar a princesa, dessa vez, com água até os joelhos, porém decidindo parar por ali: não sentia-se confortável em molhar suas asas muito além daquilo. “ —— No entanto, tomei a decisão certa ao dirigir-me até o lago, já que a sua companhia sempre melhora meu humor. ” Não mentia, no entanto. A personalidade de Nerea era como uma brisa fresca e úmida, assim como o jogo que pertencia a ambos, lhe era de grande interesse. “ —— Posso assumir que vem aqui com frequência, então? Aliás, como você está, Vossa Alteza? ”
madcfsteel:
@ophionvenom / Ainda que o baile tivesse passado e todo o burburinho sobre o anúncio do rei tivesse se dissipado como uma grande nuvem de poeira, Jorg ainda não havia superado. Ele sentia os olhares quando ele passava e se os procurasse eram afastados rapidamente numa tentativa vã de discrição, tudo aquilo o irritava profundamente, mas não podia partir para cima dos fofoqueiros e lhe cobrar satisfação, ainda que esta fosse sua vontade. Por fim, tinha decidido que superaria tudo aquilo com uma boa garrafa de bebida e isto não era difícil de conseguir, afinal, ele era o príncipe. Tinha assumido, porém, que ninguém o encontraria naquele canto, sentado, sozinho e embriagado, mas enganou-se quando a figura alta de Oberon materializar-se a sua frente. O rapaz sempre fora uma boa companhia de copo e, por isto, Jorg não recusou sua companhia naquele momento, mesmo que fosse apenas para beberem em silêncio por longos minutos antes de uma nova figura aparecer para atrapalhá-los. “Eu sugeri que não convidasse mais ninguém, Oberon.” A voz embargada de Jorg não deixava transparecer o fato dele estar chateado com a interferência de seu momento melancólico. “Não queremos mais companhia, pode ir embora.” Espantou o terceiro com a mão, num gesto bastante débil diante da embriaguez.
Para o inferno com as consequências. Foi o que pensou quando aceitou o convite de dirigir-se à taverna, disposto a encher a cara em companhia do Greenbriar que sentava-se ao seu lado. Era verdade que Oberon tentava passar a maior parte de seu dia sóbrio, por questões necessárias ao seu treinamento, mas a dependência era como um peso que envergava seus ombros e tornava-o mau-humorado quando na ausência de álcool. Talvez, se contasse as doses que bebia poderia controlar o quão afetado seria pela bebida. Era o que todo bêbado acabava pensando, no final. Ainda assim, contrariando a voz de Nicodemus que lhe corrigia no fundo de sua mente, Oberon finalizou talvez o terceiro copo da noite, em silêncio. Jorg não era um indivíduo muito aberto sobre suas questões próprias, o unseelie sabia bem disso, mas não havia paredes tão seguras que o álcool feérico não pudesse rebaixar para pelo menos, conseguir uma mera olhada: ele podia atestar tal fato, sendo parecido com o amigo naquela mesma situação. Esperava, então, que esse fizesse seu efeito, tornando-os mais leves e propensos a proferir palavras com a ausência de um filtro confiável, o silêncio era apenas parte que antecedia a situação. Ophion, porém, teve sua atenção chamada antes de iniciar qualquer dialógo, franzindo o cenho diante das palavras balbuciadas por Jorg. Ele não precisou se virar para perceber que possuíam uma nova companhia, semicerrando os olhos. “ —— Não que eu seja conhecido por respeitar o que me falam para fazer, mas esse convidado não é meu. ”
A mão fechou-se ao redor do copo de cor vítrea entre seus dedos, finalmente virando-se para olhar quem se aproximava. A face estava coberta pela metade por um lenço negro, os olhos pareciam possuir uma frieza que Oberon reconhecia, havia enxergado-a no próprio reflexo, há alguns anos. O álcool, porém, retardava os seus reflexos e suas ações, assim como Jorg parecia bem mais afetado pela substância do que ele. “ —— Ô, porra. ” As palavras e baixo calão deixaram seus lábios antes de empurrar o Greenbriar sem cerimônias para o lado, ao vislumbre fantasmagórico do brilho de uma arma forjada em ferrro. Aquilo não era uma mera briga de bar. Mas Oberon estava afetado o suficiente para que um corte fosse realizado em sua mão antes de retirá-la da frente. Com o copo seguro em suas mãos, o unseelie direcionou-a ao topo da cabeça do atacante, quebrando-o em estilhaços ao atingí-lo, somente adquirindo a atenção o mesmo para si. “ —— Se formos assassinados aqui, foi muito bom beber contigo todos esse anos, pal. ” As palavras que deixaram seus lábios eram em tom de provocação, ocasionada pela falta de filtro adquirida pelo álcool. Ophion mentalmente ofendeu a si mesmo pela falta de seus reflexos velozes diante daquela situação, não havia ninguém mais além de si mesmo para culpar quando sentiu um soco atingindo-o no maxilar. Ao invés de parecer surpreso, porém, ele exibiu um sorriso. Dor era combustível.
Na ponta de seus dedos surgiam chamas dançantes e prontas para serem lançadas no terceiro, mas seria perigoso demais visto que poderia ocasionar um incêndio. Por tal razão, Oberon ao invés de lançá-las, jogou-se sem qualquer discrição sobre o terceiro, com amba as mãos incandescentes tocando-lhe em seu rosto. Era algo que havia aprendido com Nicodemus, mas visto o fato de que estava sob efeito de um entorpecente, seus movimentos foram muito menos graciosos do que o usual. “ —— Nós o matamos... ” Começou a indagar para Greenbriar enquanto tinha o controle por alguns segundos, sabendo que tão logo guardas iriam tomar aquele lugar. “ —— ...ou nós o levamos para questionamento, Vossa Alteza? ” Saber se de fato era somente um atacante ou um profissional parecia ser algo importante.
Mas seu controle durou poucos minutos, já que foi com a ameaça de uma adaga que Oberon largou o atacante e esse, por sua vez, caminhava com a face fumegante na direção de ambos.
“ I love playing really strung out characters, and characters that are really pushed to their limits and losing their mind. I think that’s wonderful. To be able to lose it, in many ways, is just great fun to do. ”
ronanargetlam:
Estava prestes a sair do quarto quando ouviu a batida, seu estômago imediatamente embrulhando. Não queria falar com ninguém, após o que aconteceu na noite anterior, Ronan foi direto para o quarto, não sabia se sentia mais raiva de si mesmo ou de Oberon por ter o obrigado a proferir aquelas palavras, mas praticamente não dormira pensando naquilo, a persuasão do mais velho desenterrou memórias que há tempos não o perturbavam, e durante a noite toda, cada vez que fechava os olhos a sensação de estar preso na escuridão tomava conta de si, o acordando em um sobressalto. Parou de ajeitar suas coisas, observando a porta, quando mais uma batida indicou que quem estivesse do outro lado não iria desistir tão fácil, atravessou o quarto e a abriu, sua expressão fechando-se no mesmo instante. Oberon era a última pessoa que desejava ver, não queria lembrar de tudo aquilo, não queria que ele o julgasse. – Me dê um motivo pra não piorar sua aparência enquanto te expulso daqui. – Não sabia como o outro chegara àquele estado, e apesar de ser um tanto curioso, naquele momento não queria saber.
Ele não esperava uma reação amigável do feérico, felizmente. Quando a sua expectativa da resposta dotada de raiva fez-se presente nos lábios do rapaz, Oberon exibiu um sorriso forçado, uma vez que seus músculos ardiam a cada movimento feito ao modificar uma expressão. Oberon parecia cansado e dessa exaustão vinha a sua vontade de simplesmente explicitar tudo, mas sabia que se arrependeria, no final. Tentar explicar o que fizera sob efeito do álcool na noite anterior, cuja qual não havia sequer pregado o olho até o dado momento apenas tornaria tudo pior, ademais, seu orgulho não o permitiria que o fizesse, de qualquer maneira. Inspirou o ar profundamente, sentindo seu tórax doer ao movimento, havia sido fisicamente e psicologicamente esgotado por enfrentar o usurpador. As ervas de Illidan haviam ajudá-lo a aliviar a dor e sentia um leve frescor em suas feridas, mas ainda assim era incômodo e queria livrar-se da mácula, tanto por vaidade como por cuidado para não se expor publicamente. “ —— Eu gostaria de falar meu belo rosto, no entanto, a minha situação não está tão atraente no momento para tal afirmação. ” Oberon gostaria de manter esse primeiro motivo, mas tinha certeza que a porta seria fechada diante de seus olhos, colocando a mão na mesma antes que Ronan pudesse tentar fechá-la. “ —— ...não gosto de falar sobre, assim como você preferiria que eu não soubesse o que me disse na noite anterior. Ronan... ” Era complicado para Oberon colocar de lado sua arrogância e seu orgulho para pedir alguma coisa, qualquer coisa, mas era egoísta demais para permanecer com aquela aparência. “ —— Argh, não é o melhor motivo, mas você poderia, por favor, me ajudar? Eu não quero chamar mais atenção do que já o fiz na noite passada e pensei que talvez poderia ter seu auxílio... Sinceramente eu não sei porque pensei nisso. ” Por fim, parou de olhar Ronan nos olhos. Ophion não sabia se o feérico havia permanecido tempo suficiente no baile para ter escutado ou visto a maneira como humilhou a figura pública de seu tio perante à Alta Corte, antes de finalizar a noite com as consequências que carregava como mácula em seu corpo.
taedaii:
@ophionvenom
À medida que a noite se aproximava, Taev sabia que teria de se preparar para a primeira aula, considerando o retorno do ano letivo. Ainda sentia os efeitos do baile, e parecia cedo demais considerar voltar para a instituição quando nem mesmo a ressaca havia passado por completo. Para quem tinha passado um ótimo tempo de descaso nos recentes meses, a última coisa que o Thunderspire queria era ter de voltar a ficar confinado numa sala, ouvindo lições repetidas de elfos mais velhos e atrasados. A ANA estava longe de ser um lugar desagradável para alguém como ele num sentido geral, levando em conta seus privilégios, porém, não estava exatamente disposto a retomar o convívio com os Falcons naquele primeiro dia. Eram os membros da facção que faziam com que lembrasse constantemente que não queria fazer parte dela, e que só fazia pela insistência do pai. Talvez já tivesse o plano formado em mente quando desceu para o corredor principal com o crepúsculo, e era irônico que se dirigisse justamente a um dos guerreiros tão logo o avistou, puxando-o para um canto. Somente Oberon estaria disposto a matar aula logo no primeiro dia para fazer algo divertido de fato. “ Vai mesmo entrar aí, Ophion? ” meneou a cabeça na direção da sala de aula, deixando evidente que não a considerava nada atrativa. “ Achei que compartilhasse comigo da ideia de que a primeira semana de aulas é a última de férias ” completou com um sorriso de canto, enquanto segurava o ombro alheio, apertando-o de leve. Não queria parecer desesperado, mas certo é que as coisas não seriam as mesmas se o unseelie recusasse seu convite.
Era a última aula antes do intervalo para o almoço, porém Oberon sentia-se com zero inclinação para ver-se no interior de uma sala de aula. Havia as evitado a manhã toda, sabendo que durante os primeiros dias nada de importante seria falado ou compartilhado além de apresentações de cronogramas e planos de ensino. Sobriedade trazia-lhe um amargo gosto nos lábios, assim como um humor nem tanto apreciável como quando sob efeito da substância psicotrópica. Oberon não podia mentir que não era um viciado, ele sabia que o era, mas ansiava pelo líquido por mais que tentasse manter-se distante para seguir com os treinamentos e conselhos de Nicodemus: levava-os a sério, mas seu organismo falhava consigo mesmo quando desejava o entorpecente. A verdade é que estava ponderando se realmente iria iniciar ali seu ano letivo, quando Thunderspire entrava em seu campo de visão e o levava para um lugar afastado da entrada da sala de aula. Oberon não resistiu, deixou-se ser levado pelo rapaz somente pela curiosidade que atravessava-lhe como um raio e pelas possibilidades que sua mente construía ao imaginar qual era a questão que o outro guerreiro gostaria de ter consigo. “ —— How rude. Normalmente tais propostas indecentes costumam vir depois de um convite para um passeio romântico. ” Não referia-se à Taev em sua frase, mas a provocação fora direcionada ao mesmo, um simples jogo e palavras que permitiam a ironia de suas palavras, seguidas de um sorriso viperino enquanto seus olhos encontravam-se com os do felino. “ —— E qual proposta se passa no interior de sua mente, Thunderspire? Faça-a a interessante e acompanharei-o. ” O feérico ofídico repousou seus dígitos esguios sobre a mão que apertava-lhe o ombro, retirando-a dali levemente desconfortável. Não era avesso à toques quando esses era propícios e vindos em situações específicas, o que não era exatamente o caso da situação ali, a não ser que Taev demonstrasse que assim o fosse, dando um passo na direção do Thunderspire. “ —— A oportunidade de matar aula é sempre bem-vinda, especialmente em sua companhia, Taev. Sinto que não vai desapontar, de qualquer maneira. ”
ocelin:
closed starter to @ophionvenom !!
Escola era algo complicado pra ela. Oce tinha bem mais sorte do que inteligencia, ou melhor, ela gostava de pensar que era apenas mal em provas e testes mas era só estressante e talvez faltar uma aula no primeiro dia não fosse a melhor ideia do mundo, mas era aula de combate e ela só não queria se machucar, coisa que levou a fada a estar escondida no labirinto, sentada ali lendo um livro.
Para quem não havia dormido na noite anterior devido hábitos noturnos, enfrentar a luz diurna parecia extremamente irritante. Felizmente, parte das consequências de suas ações haviam sido eliminadas exteriormente devido a magia e glamour, mas Oberon não sentia-se disposto a comparecer as aulas ou talvez, esperasse que algo mais interessante lhe retirasse da Academia logo no primeiro dia. Parou em uma encruzilhada no labirinto, mas percebeu uma sombra e um banco e decidiu seguir por aquele caminho, finalmente sentando-se no lugar com uma mão na testa, ajeitando suas asas para que essas ficassem confortáveis no assento ao recostar-se no banco. Ainda que houvesse outra pessoa ao seu lado, sinceramente Ophion não via razão em compartilhar qualquer pensamento ou palavra, adquirindo o silêncio como parte de sua sobriedade introvertida.
dcndalia:
Aquele seria o primeiro ano em que Dandalia colocava esgrima como uma de suas extracurriculares. Sempre considerou-se melhor em combate corporal do que com a utilização de armas, mas desde que iniciara seus treinamentos particulares de espada com Nicodemus, a princesa sentiu que deveria dar àquela aula uma chance, afinal estava gostando muito dos treinos e estava ficando cada vez melhor neles. Precisa admitir que parte de si também estava curiosa para presenciar a surpresa no olhar dos alunos que não faziam ideia de suas novas habilidades. Para sua excitação, não precisou esperar muito para tirar a prova. A princesa fora logo selecionada pelo instrutor para disputar com alguns alunos veteranos na aula. Levantou-se do lugar em que estava junto dos outros alunos e colocou-se em frente ao seu primeiro adversário. Concentrou-se no que havia aprendido com o professor a poucos minutos atrás e também com nas dicas dadas por Nicodemus e iniciou a luta quando ouviu a permissão. Em poucos minutos, Dandalia havia vencido. O mesmo acontecera com outros três alunos que se seguiram até que o sinal indicasse o fim daquela aula. Quando notou todos os outros alunos se retirando do recinto, a princesa aproveitou para retirar a máscara exibindo um sorriso satisfeito nos lábios. Tornar-se invencível por um dia era ótimo para inflar seu ego, precisava ser sincera. Soltou o cabelo e usou de sua mão livre para trazê-los a sua forma normal. Seus olhos focaram-se nos de Oberon no segundo seguinte quando a Greenbriar pretendia seguir para o vestiário como os outros alunos. Havia se esquecido que ele também fazia aquela extracurricular. “Pretendia ser o próximo?” Perguntou-lhe com certa diversão. Normalmente, Dandalia não lhe dirigiria a palavra por livre e espontânea vontade daquela forma, mas seu humor estava ótimo naquela tarde. Conversaria, até mesmo, com Thunderspire se fosse o caso. “Não gosto de me atrasar para as aulas, mas não me importo de fazer uma exceção para você, se quiser duelar. Posso pegar leve.” Dandalia era competitiva e precisava admitir que adoraria vencer @ophionvenom, como uma forma de fazê-lo pagar por todas as provocações e comentários engraçadinhos. “O que me diz?”
Começos e inícios lhe soavam extremamente desinteressantes. Pudessem Oberon ter o poder de controlar o tempo, moveria-o em direção ao meio, onde aconteciam os clímax e as resoluções de problemas, desenvolvimentos. Portanto, decidiu pular o primeiro dia de aula na Academia, não que desprezasse as matérias, mas o conhecimento que adquiria através dos ensinamentos de Nicodemus por fora eram mais valiosos para a sua condição e ao que aspirava tornar-se. Normalmente, Ophion, porém, comparecia as extracurriculares de esgrima somente para desdenhar dos outros alunos e competidores, poucos mostrando-se tão hábeis quanto o mais velho na velha arte da espada, ainda que Oberon apreciasse ainda mais o uso furtivo das adagas. Mas, como de praxe, primeiros dias e primeiros contatos eram deprezados pelo rapaz que preferiu ficar sentado como telespectador assistindo aos outros digladiarem-se ao invés de segurar o florete por si só. A figura em victa em questão era a Greenbriar caçula, mostrando-se tão hábil com o florete como aqueles que estavam ali há alguns anos. Oberon cuidadosamente analisava os movimentos da morena, adquirindo conhecimento sobre suas falhas e sobre seus pontos fortes e guardando-os no interior de seu crânio: não saberia dizer para que tal informação seria útil, mas se havia aprendido algo com o mentor era que qualquer observação memorizada poderia ser utilizada em algum momento de sua vida. E, Dandalia, apesar de in victa naquela manhã e possuir movimentos excepcionais, também possuía falhas que poderiam ser exploradas por indivíduos menos honrados ou dispostos a seguir regras como seus oponentes.
Ao fim da aula, Oberon não havia tocado em seu florete de maneira ofensiva, pronto para guardá-lo em silêncio e rumar para atividades mais interessantes, após encarar Dandalia por uma última vez. Direcionava-se, portanto, ao vestiário somente para livrar-se das vestes de esgrima, ainda que não utilizasse a máscara por não ter colocado-se a duelar. Arqueou uma sobrancelha quano a irmã de Jorg apareceu ao seu lado, exibindo um petulante sorriso arrogante e olhos desafiadores pronta para instigá-lo a realizar a sua demanda. “ —— E acabar com a sua felicidade de derrubar todos os oponentes logo no primeiro dia, Vossa Alteza? ” Porém, ele também possuía sua cota própria de orgulho e arrogância, parando na porta para o vestuário com a máscara embaixo do braço. “ —— Seria uma honra, no entanto, prefiro esperar para que desenvolva mais algumas habilidades antes de enfrentar-me, princesa. Não gostaria de destruir seu sorriso. ” O próprio Ophion sorriu, dotado do veneno que se perpetuava em provocação. “ —— Entretanto, foi um belo espetáculo de se assistir, pude analisar todos os seus pontos fortes e aqueles aos quais precisam ser lapidados. Você tem potencial, Dandalia. ” O elogio, porém foi genuíno de sua parte, gesticulando positivamente com a cabeça quando finalizou sua frase. “ —— Seu maior problema, porém, é seguir tudo à risca. E se quiser me desafiar, vai ter que aprender que nem todos costumam jogar limpo. ” Ele precisava de uma proposta que lhe interessasse e no momento, o desafio puramente por capricho do ego da herdeira não lhe soava bom o bastante.
Cruzando o corredor da academia sem muita cerimônia, Ophion não pode deixar de perceber uma voz familiar e conhecida, uma reclamação sobre seu pail. Era Undine, a mesma feérica cuja qual o rapaz estava atento a adquirir a confiança somente para modificar a primeira impressão que ela tivera de si, algo que jamais deveria ter escutado e Oberon não apreciava deixar trabalho mal atado. Por sua vez, ele havia imaginado que mais cedo ou mais tarde teria que exibir alguma vulnerabilidade para que a sereiana se mostrasse mais confortável em sua presença, vê-lo como um simples estudante da Academia, em seu último ano de aprendizado. Por isso parou antes de continuar, seus olhos reptilianos observando o ambiente sem ver a sombra do guardião da jovem, o que achou um milagre visto que esse praticamente a acompanhava até mesmo durante as aulas. Oberon aproximou-se devagar, ainda que soubesse que ela não o veria, mas pelo menos, o escutaria. “ —— Pelo menos você possui um pai, para reclamar dele. ” As palavras eram proferidas em tom e deboche e calculadas, para soar com pesar, que era verdadeiro. Oberon por muito tempo havia parado com devaneios infantis de imaginar seus pais, mas vez ou outra pensava que tipo de parentes eles seriam se estivessem vivos e não fossem ossadas sem vida enterradas em solo unseelie. “ —— Uh, quer saber, ignore meu devaneio. Dessa vez não posso culpar o álcool, porém, pela minha falta de tato, perdoe-me. ” Sorriu de maneira ladina, abaixando os olhos por um momento antes e inspirar o ar em uma maneira dramaticamente pesada.
A sobriedade torna-o ranzinza, introvertido. Oberon parece outra pessoa sem o efeito de álcool, mas também o ansia como alguém desidratado perdido no deserto sente sede. A isso soma-se um humor nada leviano ou maleável, apesar de ainda permanecer ladino e manipulador. Prefere andar pelas sombras, pelos cantos, enquanto segue o conselho de Nicodemus em manter-se afastado daquilo que é seu maior causador de problemas. Oberon precisa estar pronto, ele está quase no final de seu caminho e o controle das paixões parece seu maior obstáculo. Contudo, por alguma razão desconhecida ele vê-se aproximando de @acquamarinus, em silêncio, colocando uma das mãos nos cipós de um dos balanços do jardim, próximo da entrada da floresta. Ali, ainda podiam escutar o som da cachoeira, um local cheio de um elemento tão oposto aquele que possuía. Oberon não tem certeza do porque aproxima-se de Lùisaidh, uma vez que a relação entre os dois era incerta naquele ponto, como ele mesmo havia desejado que se tornasse. Todas as relações que possuía não deveriam ser aprofundadas devido ao caminho que escolhera traçar após seu último ano, elas deviam residir na superficialidade da manipulação de que, algum dia ele poderia tirar proveito de tal relação. Ainda assim, é um caminho longo que ele tem a percorrer, seus olhos repousam na figura da sereia. “ —— Você acredita em destino, Liù? ” Questionou-a de maneira despretensiosa, com um sorriso, dessa vez, genuíno. “ —— Apesar de nós, feéricos, possuirmos tanto conhecimento e magia, destino ainda é uma incógnita. Mas se tal coisa existe, só pode ser um feito dele encontrar-lhe quando procurava algum lugar para ficar sozinho. Há muito mais situações interessantes para serem feitas à dois do que em companhia própria. ”
Apesar do comportamento caótico e selvagem, Ophion possuía seus momentos e quietude, como as cinzas de chamas que consumiram todo o seu combustível. Diante da última conversa que tivera com Nicodemus, resguardou sua ira de maneira fria, para uma próxima combustão. Sentia, porém, que precisava de silêncio, isolamento para colocar os pensamentos em ordem. Ora, Oberon seguia conselhos dados á si pelos mais velhos, não era idiota em não o fazer e Nico havia aconselhado-o a tirar um tempo para si próprio. A sua passionalidade era algo que deveria ser controlado, caso quisesse conquistar seus objetivos, direcionada para as situações e aos momentos corretos. Por sua vez, vestiu roupas casuais para caminhar entre as árvores da floresta, o cheiro de orvalho fresco da manhã refrescando seu olfato, encontrando um local distante o suficiente para recostar suas costas e fechar os olhos, sabendo que estava sendo seguido. Seu treinamento havia desenvolvido-lhe uma observação precisa de seu ambiente, portanto, escutou os passos atrás de si por mais furtivos que tivessem sido, apesar de não saber de quem o era.
Diante da ameaça do lorde Unseelie, Oberon havia permanecido extremamente atento, sabia que a ameaça à sua vida existia, porém as vezes questionava-se porque o tio ainda não havia atentado novamente contra si após todos aqueles anos. Retirou do cinto a adaga que sempre carregava consigo, esperando pela oportunidade para atacar seu seguidor. Em dois segundos, o rapaz virava-se e frente com o indivíduo, colocando uma mão na nuca alheia e a arma rente á epiderme alheia. Não havia hesitação em seus olhos, muito menos uma expressão de brincadeira. Ele estava completamente sério, mas desejava ver a face de quem o seguia antes de impedir que o ataque acontecesse ao reverso. Contudo, ao enxergar olhos conhecidos, fisionomia de uma feérica que pertencia á corte Seelie, sua expressão pareceu se suavizar levemente e afastou tanto a lâmina quanto a si mesmo de @aclyns, dando alguns passos para trás. “ —— Deveria ter se apresentado ao invés de me seguir, Gylledhia, não é inteligente seguir outro guerreiro de maneira tão furtiva a não ser que pretenda atacá-lo. É essa a sua intenção? ” Questionou-a, com uma sobrancelha arqueada, mas sem sua típica face ou maneira ladina de agir. Maneava a adaga com seriedade em suas mãos, assim como olhava-a sem modificar a sua expressão. “ —— Sinceramente, eu não queria atacá-la, mas você me fez imaginar que poderia ser alguém em meu percalço desejando retirar a minha vida. ”
Ophion só podia imaginar qual fora o motivo da vez que o levara a ser chamado pela orientação e poderia até mesmo exibir sinais claros de ira, se a orientadora não fosse Analya. De certa maneira, Oberon imaginou por si só que a visita poderia render-lhe alguns bons frutos, soubesse ele como ordenar as palavras e manipulá-las da maneira certa. Assim que foi chamado para adentrar no escritório, em silêncio caminhou até a poltrona de frentr a @glttergold, sentando-se como se pertencesse ao local de maneira extremamente despreocupada. Contudo, era extremamente crescido para crer que era qualquer motivo relacionado de fato aos estudos, sua mente apenas direcionava-o para imaginar que deveria ter algo relacionado à sua corte, ao seu nome, ao seu tio ou até mesmo ao Alto Rei para ter sido chamado ali. Analya era filha do Greenbriar que havia pessoalmente chamado-o para fazer parte de seu Círculo das Sombras, um segredo que acreditava que nem ao menos seus herdeiros sabiam, uma vez que o que faziam mostrava-se mais obscuro que o que era feito em nome do exército de Elfhame abertamente. Viu ali, então, a oportunidade perfeita para investigar as intenções da princesa, fazia parte da sua missão, mas também das suas intenções, assim como a confiança dos herdeiros que poderiam ser o próximo monarca e seu próximo chefe. “ —— Vossa Alteza, estou a sua disposição caso precise de algo. Alguma coisa aconteceu? ”
Não era o que Oberon havia esperado escutar de @ronanargetlam quando inadvertidamente decidiu utilizar a sua capacidade de persuadir outrém sobre o rapaz. Esperava um conteúdo muito mais simplório do que algo com tamanha profundidade e por tal razão havia deixado-o sozinho, sem saber como reagir. Também, como o faria se vivenciava uma situação tão similar quanto à de Ronan? E expor a si mesmo não era algo que apreciava, Oberon escondia a si próprio atrás de paredes grossas demais para deixar qualquer um passar por elas. Sentia que havia derrubado algumas delas quando Ronan expôs dois fatos e de uma maneira tão forte que havia impactado-o o suficiente para que fosse um dos gatilhos para humilhar seu tio e ter como consequência os cortes e hematomas em sua face. Não podia aparecer pelos corredores daquela maneira, inúmeros questionamentos seriam feitos e ele preferia fugir de qualquer um deles. Por sua vez, Ophion sabia que Ronan tinha a habilidade de curar e apesar de Illidan tê-lo auxiliado com os ferimentos em parte, eles ainda eram visíveis e era algo que o rapaz preferia que não estivessem. É claro que um glamour para escondê-los poderia ser utilizado, mas nem todos ali na academia estava suscetíveis à magia, portant precisava de algo definitivo, sem conta na própria vaidade que o fazia odiar cada centímetro de pele e escamas maculadas pelo toque abusivo do tio. Por tal razão estava parado no batente da porta de Ronan, minutos antes de iniciar-se as primeiras aulas do dia, após bater três vezes na mesma, esperando alguma resposta. É claro que Ronan poderia não estar ali e teria que virar-se com seu glamour e perguntas inadequeadas do que podiam enxergar através da magia, mas havia esperança de que o feérico de pele esverdeada estivesse ali. E talvez, a escolha de ir até ele ao invés de qualquer outra pessoa como Nerea ou Lúisaidh fosse por conta da conversa que deixara inacabada e da identificação do passado e desejos que também pareciam consumir a Ronan como a si mesmo.
Poderia ter evitado as aulas daquele dia, escapado delas como quem se foge do hospício, mas no final do dia retornar a ANA, com o objetivo de treinar suas habilidades, em silêncio. Sempre que podia, sempre que a pista de esgrima e de treinos estava sozinha, Oberon apreciava poder usá-la por si só para testar seus reflexos, movimentos, ainda que treinar duelos se um parceiro de fato fosse algo relativamente irrelevante. A magia e o glamour permitia que seu alvo parecesse mover-se golpeá-lo, mas era um truque da mente visto que o obejto fixo ainda era seu oponente. Aquilo servia mais como uma maneira de concentrar em algo que não a si mesmo, a focar sua mente em uma raiva resguardada que ardia tão quente como o fogo que fazia-lhe presente em suas mãos quano utilizava-se das artimanhas pirocinéticas. Era hábil com espadas e adagas, como se tais armas fossem uma extensão do próprio braço, mas a espada era mais formal enquanto que a adaga era uma arma de ladrões e assassinos, algo que utiliza em seus treinos com Nicodemus, para ser furtivo, como uma sombra. Na academia, porém, fazia uso da espada e essa cortava o ar em um som agudo, atingindo o alvo, enquanto ele movia-se livre, contra o alvo glamourizado para que parecesse com um oponente verdadeiro. Oberon, percebeu, no entanto, uma presença em seu sentido anti-horário, às dez horas no relógio.
Talvez fosse o frenesi de estar en garde, mas o rapaz virou-se e sequer olhou para a frente ao ver o indivíduo que se aproximava, virando a arma e o próprio corpo para apontá-la para a garganta da pessoa. Finalmente, porém, exibiu um sorriso viperino quando observou uma figura feminina extremamente peculiar. A mesma era certamente nova em Elfhame, uma figura distinta como a que seus olhos agora analisavam teriam sido notada por si antes de qualquer coisa. Ophion, por sua vez, olhou-a de cima a baixo, ainda segurando a espada apontado ao pescoço alheio, sem redimir-se ou retirar a ameaça. “ —— Eu perguntaria-lhe quais são as sua últimas palavras, contudo, pouparei a sua vida. ” Havia um tom jocoso em suas palavras, enquanto abaixava o objeto pontiagudo, forjado em ferro inoxidável e retirava-o a ameaça explícita á mulher a sua frente, sem nem ao menos saber de quem se tratava. “ —— Poderia saber o nome da mulher a qual foi capaz roubar a minha atenção de meu treino com a espada? ” ( @galatcus )
A ardência finalmente começou a incomodá-lo conforme os primeiros sinais de inchaço e dor surgiam após os ferimentos que adquiriu ao final do baile. Haviam muitas pessoas a qual Oberon poderia decidir e pedir por ajuda, mas no final, preferiu perambular sem razão, após limpar-se na beira do lago e encontrar a figura de Scylla, que em nada ajudou a melhorar o seu humor. O feérico não gostava de exibir suas vulnerabiliades, de certa maneira possuía em sua mente maneiras como contornar questionamentos sem precisar explicitar a verdade em toda a sua complexidade. Evitou qualquer lugar em que pudesse deparar-se com figuras conhecidas, especialmente e Minthe e Nicodemus, ainda que tivesse certa ideia de que Illidan provavelmente daria língua nos dentes. Seus olho cruzaram o horizonte e podia ver que o sol estava para nascer e ele não havia sequer pregado os olhos até o momento: com certeza perderia o primeiro dia de aula. No entanto, não seria uma grande novidade para alguém como Oberon, jamais preocupou-se em ser exemplo de responsabilidade. Estava próximo da Academia e de suas residências, tardando a retornar para a casa de Nicodemus one sabia que seria questionado pelo outro como se não houvesse amanhã. Ao longe, no entanto, enxergou a figura de @illindinho e em um ato impulsivo, Oberon aproximou-se do rapaz, talvez curioso, talvez com a intenção de questioná-lo se poderia ajudá-lo com a situação em que se encontrava presente e o mais velho colocou uma mão no ombro do outro feérico. “ —— Illidan. ” Chamou-lhe a atenção, abaixando o queixo para que tentasse evitar que esse olhasse em seu rosto machucado, sabendo que seria impossível evitar questionamentos e arrependeu-se na mesma hora de ter se aproximado o feérico, rodeado de borboletas que seguiam-o cegamente.
O sangue pingava de seu nariz, assim como dos cortes abertos pela adaga e chicote de seu tio. Oberon havia de fato revidado, conseguiu retirar grossas gotas escarlate da face do usurpador e vê-lo queimar com suas chamas, contudo, a experiência do outro e seu poder o fizeram mais uma vez cativo de sua própria ira. A cena que fizera no final do baile foi punida de maneira física e apenas não sentia dor pelo fato de estar intrinsecamente dopado com álcool feérico e com a adrenalina liberada em seu sangue, fazendo com que esse fosse bombeado mais rápido e a dor fosse quase anestesiada. Ophion andava pela floresta, os pés quebrando os galhos sem sentido algum de discrição ou silêncio como quando em condições normais o faria, anunciando sua presença sem cerimônias. Sua intenção era andar até o lago para livrar seu rosto do sangue que misturava-se ao tecido negro das vestes e não fazia-se ser visto, felizmente. Quando aproximou-se do lago, em sua beirada enxergava seu reflexo e podia ver o quão estragado estava seu rosto e respirou fundo. Ele deseja quebrar algo, mas o alvo de sua ira parecia inatingível, ao menos por enquanto, enquanto não tivesse habilidade suficiente, enquanto não tivesse influência suficiente, aquele que dizia-se seu tio continuaria ileso de todos os seus crimes. Ao menos Minthe estava à salvo, ou gostaria de pensar assim, pois suas cenas, seu comportamente inadequeado na maioria das vezes existia para evitar que ele sequer olhasse para o lado e a enxergasse. Quando se abaixou, porém, para tocar na água, o rapaz viu uma ondulação na superfície do lago, algo quase imperceptível, mas que seus olhos reptilianos lhe permitiam enxergar em período desprovido de luz. Sabia que não estava sozinho, custava-lhe agora saber de quem tratava-se o indivíduo que parecia confortável demais no interior do lago. ( @margarinadoreana )