Não era novidade para Tommy o quanto a noite o fazia bem, o clima, o barulho dos insetos, as estrelas. Tudo fazia Tom se sentir melhor durante a noite. Talvez pelo fato de conseguir usar suas habilidades melhor, era mais fácil esgueirar-se nas sombras durante a noite. Insônia não era o nome, mas o rapaz não gostava de dormir naquele horário, preferia mais aproveitar da noite do que simplesmente dormir. Mesmo que fosse apenas viajando em seus pensamentos.
E essa era uma dessas noites. Por causa dos horários do colégio, Tom teve que se adequar ao novo costume e dormir na sua parte favorita do dia. Mas aproveitava o máximo até onde podia ir, no milésimo de segundo que pudesse ficar acordado contemplando os céus. Aquela era uma das noites mais bonita que já tinha visto em Órion.
O rapaz se encontrava no teto do observatório, bem na beira onde o telescópio se abria ele estava deitado sem se preocupar com nada. Admirava as estrelas e como tudo se formava, não era um bom conhecedor dos astros, mas gostava de vê-las lá no céu. Isso o ajudava a pensar em casa, na casa que não teve. Pensava onde estaria sua mãe e seu pai naquele momento, se estavam vivos ou não. Como seria o lar que teria se tivesse os dois, como ele seria se fosse criado pelos dois, qual nome teria. A esperança de um dia encontrá-los nunca morreu.
Foi um estralo da porta de entrada que o tirou de seus devaneios. Sem se mover, o rapaz se camuflou onde estava, apenas girando seus olhos para ver quem vinha numa hora dessas naquele local. E descobriu uma linda jovem que caminhava com um caderno em sua mão e se sentava em um dos bancos.
Sem fazer nenhum barulho, Tom ficou a observar a garota abrir o objeto e sorrir encantada com o visual que tinha o céu. Isso fez o garoto fraquejar, nunca pensou que apenas um sorriso iria fazer aquele efeito nele, sentiu uma formigação em seu estômago, sem entender o que estava acontecendo. Aquele sorriso havia o pegado de jeito, nunca tinha se encantado por alguém assim de cara, ela nem ao menos sabia de sua presença ali.
De maneira sorrateira, ele se teleportou para um canto escuro da sala. Poderia apenas sair dali sem que ela percebesse, mas a vontade de se aproximar era mais forte que ele, era como se tivesse hipnotizado. Aos poucos ele foi se aproximando, sem fazer nenhum barulho. E com a ajuda da sua invisibilidade ele se posicionou no banco ao lado dela sem que ela notasse. — Isso é um diário? — Permitiu-se falar, quebrando totalmente o silêncio dali e se revelando para a jovem.