Exatamente nesse dia, há uns meses atrás, eu conheci o Pedro. Não foi nada demais, não teve festa, fogos de artifício, balão de ar quente ou carro de som na rua. Mas eu deveria saber que aquela história dele sobre o Instagram ser ruim de conversar era apenas desculpa para conseguir meu número. Não foi nada demais, Pedro só pediu meu número, embora eu tenha certeza que ele não sabia que dali em diante me teria também. Eu não tenho muito o que falar do Pedro. Talvez, Pedro me conheça mais do que eu conheça ele. Pedro tem um sinal no pescoço e um outro, perto do quadril. Eu gosto de imaginar passando meus dedos bem devagar por todo esse espaço que tem entre os dois sinais. Que, a propósito, é um belo espaço. Pedro tem um belo corpo. Pedro também usa óculos, embora o perca mais do que realmente use. Por baixo disto, há um olhar intenso. Eu gosto quando o Pedro me olha. Nas vezes que ele para e apenas fica ali, me olhando, eu me sinto a garota mais sortuda do mundo. Os olhos pretos mais lindos do mundo olhando para o maior caos que já tenha visto, e ainda assim, conseguir enxergar beleza e deixar tudo colorido. Pedro, apesar de tudo de ruim que já viveu, enxerga beleza nas coisas. Uma beleza tão grande quanto suas mãos. Pedro tem mãos lindas - mas talvez, eu seja suspeita a falar, pois sou apaixonada por mãos (especialmente, aquelas). No entanto, apesar das coisas lindas que o Pedro tem, o que eu acho mais bonito é o seu coração. Pedro tem um grande coração. Um coração lindo, puro, que só quer amar e poder ser amado. Mas não se engane. Pedro já sofreu demais. O coração dele o que tem de lindo, tem de cicatrizes. Pedro tem medo. Muito medo. Medo de amar e ser amado. Carrega consigo dores, quase amores e um passado perturbado. Mas, apesar disso, Pedro tem esperança. Esperança de um dia encontrar alguém, de um dia se encontrar, e especialmente, de um dia ser feliz. Eu trocaria tudo isso para que o Pedro tivesse também a certeza do quanto é lindo. Pedro é lindo. De todas as formas, jeitos e situações. Se Pedro pudesse ser definido em uma palavra, eu diria que Pedro é amor. Ou pelo menos, o que eu imagino ser o amor. Apesar do que dizem por aí, o amor não é um conto de fadas e muito menos um bicho de sete cabeças. O amor é lindo. Ele carrega com si leveza, sorrisos bobos quando se está lavando a louça, uma playlist com músicas clichês no Spotify e uma voz que te acalma e sempre te faz pegar no sono. Pedro, sem dúvida nenhuma, é amor. Pedro é um dia de domingo chuvoso, quando você fica deitada debaixo da coberta, e é tão bom ali que você nem lembra que precisa acordar cedo para trabalhar no dia seguinte. Pedro é quando você toma banho e se deita, depois de ter passado o dia limpando a casa, e sente aquele cheiro de casa limpa e dever cumprido, e é tão bom que você nem lembra o quanto está cansada. Pedro é para onde você vai quando quer fugir da sua realidade ruim, porque sabe que ali é um bom lugar e que sempre estará protegida. Pedro é de quem você fala quando está bêbada em uma cidade que não é a sua com várias pessoas que não conhece direito. Pedro é lar. Um lar diferente do seu. Um lar que te acolhe, protege, apoia e ama. Pedro é o amanhã. Um amanhã bom. Um amanhã que existe. Um amanhã para se pensar antes de fazer besteira. Pedro é paz. Uma paz que você sente só de pensar nele, não importando o quão esteja estressada ou tendo um dia ruim. Pedro é o meu amor. Um amor que eu já havia desistido de ter. E agora, eu sinto, vivo e tenho. E eu posso lhe dizer, com toda a certeza, que Pedro é o melhor e mais puro amor que existe. Há um tempo atrás, eu conheci o Pedro. E não foi nada demais. Era uma quarta feira qualquer de um mês qualquer de um ano qualquer. Mas mesmo assim, Pedro que não era nada demais, acabou sendo tudo. Talvez, o amor realmente seja isso. Um dia qualquer, deitada em uma cama qualquer, numa cidade qualquer. Com a diferença que o amor não é uma pessoa qualquer. O amor é o Pedro.
Sobre o amor ter aparecido pra mim em uma tarde chuvosa de um dia qualquer.















