Eu tive um sonho uma vez.
Ele era alto, usava Ăłculos, tinha cabelos negros e os olhos cansados.
Não lembro direito como começou. Quando percebi, jå estava no meio. E, confesso, foi um sonho maluco. Um completo surto, por assim dizer. Com direito a risadas, beijo na testa, conversas profundas e amor. Muito amor. Um amor puro, inocente. Como duas crianças que se veem pela primeira vez no parquinho e, segundos depois, não conseguem mais desgrudar.
Todo mundo deveria experimentar essa sensação pelo menos uma vez na vida: sentir-se tĂŁo confortĂĄvel com alguĂ©m a ponto de o silĂȘncio tambĂ©m parecer conversa.
Ăs vezes a vida acontece de forma maluca. E, no meio desses acontecimentos, aparecem uns sonhos mais malucos ainda. Pois bem. Eu acordei.
E, quando abri os olhos, o sonho jĂĄ nĂŁo estava mais lĂĄ. Se foi real ou nĂŁo, eu nĂŁo sei. Talvez, com o tempo, eu descubra. Ou talvez eu simplesmente esqueça. Talvez eu sonhe de novo. Talvez vocĂȘ nunca mais apareça.
A Ășnica coisa que sei Ă© que, esta noite, antes de dormir, vou pedir, com todo carinho, ao universo, que um dia eu tenha outro sonho assim.
Nem precisa ser igual.
SĂł precisa ser lar de novo.
CadĂȘ seu Romeu, Julieta?
















