Vlad Miroshnikov, ‘Old Trees’, 2019 Oil on Canvas, 110 x 110 cm
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Vlad Miroshnikov, ‘Old Trees’, 2019 Oil on Canvas, 110 x 110 cm
Bruh
“A veces creo que el mal lo es todo y que el bien es sólo un bello deseo del mal”
— Antonio Porchia
Sometimes I believe that evil is all and good is just a beautiful desire of evil.
Piet Mondrian, Almond and Apple Blossom Trees, 1911-1912
os fluxos
São Paulo afternoon
São Paulo afternoon
By the townwall, 1800, Caspar David Friedrich
https://www.wikiart.org/en/caspar-david-friedrich/by-the-townwall
êxtase - aldir blanc / djavan
Eu devia ter sentido o teu rancor mas tava doido no jogo do Vasco, Eu fiquei cego na estrada de damasco e armei num botequim, virei a mesa tava em êxtase que nem santa teresa
Eu devia ter partido a tua cara mas eu era um são sebastião flechado mais um seu zé mané, ungido e mal pago escada pro céu na rua da passagem aura marginal do morto na garagem
Barrabás, querubim, pinel eu, xará, um bárbaro arataca saqueando roma eu, xará, um bêbado babaca em estado de coma eu, xará, o cordeiro de deus, o bode expiatório. a testemunha ocular que não tem nada a ver. o condenado que não tem nada a perder o mordomo na chanchada de suspense o presunto na baixada fluminense
há uma doçura proibida
uma beleza para a qual apenas a sorte raramente concede o privilégio de ver
e quando não for a sorte será apenas a imaginação
se não se quiser apelar ao abuso e subjugar a fortuna
a ainda assim existe essa beleza
cujo encanto alguma vez nos tocou os olhos
e que hoje dói mais do que nunca o não poder vê-la outra vez
e talvez não poder vê-la nunca.
não há pior dor que essa.
aquele anjo de pureza está morto.
mas haverão tantos ícones
haverão tantas reminiscências
mas a nenhum lugar irá levar-te a nostalgia
e não importa o quanto se prostre diante desses ícones e essas reminiscências
aquele anjo de pureza está morto
e não há como ressuscitá-lo.
você somente pode encontrar o seu cadáver nos esgotos da fortuna subjugada
tentar cogitar uma aventura sentimental insólita
viver o drama de uma paixão proibida
sabendo o preço que seria se fosses pego
e não só você teria de pagar
você pode sonhar estes sonhos prenhes de desassossego
sabendo que para eles não há nenhum remédio que acalme a ansiedade suprema
aquele anjo de pureza está morto
ele está três vezes mais inatingível
se você quiser ir atrás dele e encontrá-lo
você terá de entregar sua vida e morrer também
pois você não terá nenhuma vida se chegar a encontrá-lo
terá de viver as escondidas
tratando de guardar e proteger esse delicado ser dos encantos sublimes
do contato com tudo o que há de mundano
e os anjos terão de se dobrar ao tempo
terminará por envelhecer e se deteriorar e se tornar humano
aquele anjo de pureza está morto
não tente violar esse cadáver.
E então erguem-se as tais estátuas.
Enfileram-se as formas do que ja foi
E dói
Uma dor não sentida, apoética.
Talvez nunca mais vejamos anjos
Corremos o risco de, ao vê-los, nos petrificarmos,
Nós, o liso do mármore.
Nem estátua.
"Toda uma pequena mitologia tende a nos fazer acreditar que o prazer (e singularmente o prazer o texto) é uma idéia de direita. À direita, expede-se para a esquerda, com um mesmo movimento, tudo o que é abstrato, aborrecido, político, e as pessoas guardam para si o prazer: sejam bem-vindos entre nós, vocês que chegam enfim ao prazer da literatura! E à esquerda, por moral (esquecendo-se os charutos de Marx e Brecht), suspeita-se, desdenha-se qualquer "resíduo de hedonismo". À direita, o prazer é reivindicado contra a intelectualidade, o clericato: é o velho mito reacionário do coração contra a cabeça, da sensação contra o raciocínio, da "vida" (quente) contra a "abstração" (fria): o artista não deve, segundo o sinistro preceito de Debussy, "procurar humildemente causar prazer"? À esquerda, opõe-se o conhecimento, o método, o compromisso, o combate, à "simples deleitação" (no entanto, e se o próprio conhecimento fosse por sua vez delicioso?). Dos dois lados, a idéia bizarra de que o prazer é coisa simples, e é por isso que o reivindicam ou o desprezam. O prazer, entretanto, não é um elemento do texto, não é um resíduo ingênuo; não depende de uma lógica do entendimento e da sensação; é uma deriva, qualquer coisa que é ao mesmo tempo revolucionária e associal e que não pode ser fixada por nenhuma coletividade, nenhuma mentalidade, nenhum idioleto. Qualquer coisa de neutro? É fácil ver que o prazer do texto é escandaloso: não porque é imoral, mas porque é atópico." Rolando Barthes em "O Prazer do Texto" Tradução por J. Guinsburg
Obscenidades, a natureza beijando a natureza penetrando a natureza gozando a natureza suja e limpa e corre abraçando o que quase chegou a ser
Fere a voz que esperneia o nome. Cousa nenhuma pode romper o céu como a liberdade que desejo. E se liberto estou, então, para mim, não se pode fazer nada além de um gracejo, um aceno, um último ressoar de ares porque a volta não é pretendida. De meus dizeres mais profundos, todos tinham em si a novíssima metafísica do silêncio, esse mistério de longos braços e pernas, de duradouras carícias sentidas na alma. Tudo o que digo deseja grande intimidade com as palavras, mesmo que, após o toque, haja a fuga, a corrida para tão longe de onde estou e do que sou, para dois quarteirões depois do remoto. Há medo sem origem revelada. Meu óbito é interior. Existe um chamado que não consigo discernir que tem de mim um grito engaiolado na garganta. Não sei. Escrevo palavra por palavra até que surja um entendimento, até que alguma mínima compreensão perfume minha pele e me proteja desse frio de ser tão estranho à si mesmo. Caminho desconfortavelmente, sem qualquer rumo, na estrada de ninguém, até que eu me pergunte o que restou de mim. Mas após o quê? Tudo é tão escuro, ou se tornou, e eu me desvi, sumi diante de meu reflexo. Minha carne, que pouco era e muito queria ser, já não se perturba mais com a ausência do toque. Não há regalo para minha pele. Já não sou um inteiro ou um todo, e sim partes do que desconheço, um estrangeiro, detrito cósmico. Que grande e inviolável confusão causa meu nome na boca das pessoas - o que me deixa todo invulgar. Imagine agora o que causa o meu corpo e sua imagem, que é puro sonho, mas que, diante de parcos olhos, nada são e nada se tornam. Noite nenhuma guardou os meus segredos. Estrela nenhuma quis saber de mim. Conhecer-me-ão somente a terra e sua fome. Que cousa terá nome de cousa? Que nome dou para o que conheço como meu, de mim, para todo o espaço? Agora, estou suspenso, sem lembrança boa como consolação. Ah, a brutassuavidade. O calor abafado de meu quarto andou me matando ontem e amanhã…Hei de ser triste, mas só com um pouco de tristeza, pois mesmo não havendo as cerejeiras na janela de meu quarto…Não consigo balbuciar. Quão embaraçoso é perder o fôlego logo na partida. Há o concreto, sabes? Há uma vasta insensibilidade, uma fraqueza imensa em mim que não transpõe nem alcança nada. Algo se põe na minha noite, deixando apenas a palavra e eu. E mesmo mal sabendo sentir, o medo veio às minhas pernas. Sob trêmula luz da vela soçobrada por brisa nenhuma, no quarto derramado na total opacidade dos dias, um milagre acontecera: o sentir do moço robusto. E fiz disso um confabulêjo real. Excerto desconhecido.
Thomas Junghans - Platonischer dialog
O híbrido, o absurdo, o mais comum de sempre
The hybrid, the absurd, the most common of everytime
São paulo, noite
Andando por aí ouvindo caos, deixando a coisa entrar, fundindo pensamentos com momentos vazios. Deixo que os anjos e os demonios que caminham sobre o dia de hoje falem. Eu apenas recordo.
(by nikoletta bati)
Avança sem uma única alma o mundo, vivo.
Goes on without one solely soul the world, alive.