eu tô com seu cheiro em mim mesmo depois de seis horas em que nos tocamos. é assim que a gente sabe que a pele aconchegou a lembrança de alguém? é assim que a gente sente que está se apaixonando - porque a pele capta o gosto, o tom, a cor da íris, a maneira de falar. é assim que a gente começa uma outra história de amor? (a palavra pesa um pouco para todo o começo, mas quero acreditar nisso que chamo de amor mas que poderia chamar de batata, pra mim é a mesma sensação gostosa: quando você acorda e apenas sabe que aquela pessoa existe). é dessa maneira corriqueira que, de repente, tudo vira estado de graça e o mundo passa a ser menos pavoroso? quando a gente colide em alguém que também colidiu na gente e gostou da colisão? eu gosto de quando você deita nos meus ombros e suspira. parece que o mundo se torna menos mundo. parece que os planetas se alinham e câncer/aquário já não parecem tão distantes assim - e se forem, não me importa também. eu não acredito em signo, você sabe. mas eu acredito em você, em nós. quando você coloca a mão na minha cintura sinto uma constelação me observar como pássaros que veem os metrôs de São Paulo passarem. a sua mão em mim me tira o medo, o trauma, a vontade de resistir. eu não quero resistir a você e isso é um fator matemático proeminente da paixão. calma. de novo: eu quero gostar de você. sem ganhos ou conceitos de reciprocidade. apreciar a obra de arte que você é enquanto fala. porque você sempre acha que está falando demais, mas eu amo quando você diz um simples “oi”. pois eu quero gostar de você, já que a vida passa depressa e desapercebida e nunca mais vou encontrar outra pessoa que toca minha pele e abre um espaço literário, uma possibilidade de dias mais calmos, um olhar manso sobre o amor como você fez. quando você coloca sua boca na minha e germina em mim uma espécie de consolo. algumas coisas são tão más, no entanto você é tão bom. quando sinto que posso permitir o toque já que ele não queima - e tantos outros já me queimaram. gostar de alguém e permitir o gosto é se certificar de que, embora haja traumas, há também uma vontade imiscível de tentar. e eu tento sim. por você, pela pessoa grande que você é, por aquilo que construímos em horas e não volta atrás. gostar de alguém é um caminho que não volta, sabia? não há como olhar para trás e se arrepender, esvaziar a mente, seguir a vida e fim. você ama alguém e imediatamente suas células sabem o endereço de onde vive, o péssimo paladar para comidas estrangeiras, o ótimo para comida brasileira, por que prefere ir por aquele caminho, qual sabor da luz que carrega. amar é uma escolha e eu resolvi gostar de você porque você me é bom. sem dificuldade, minhas células gravaram a maneira como você se movimenta quando está comigo; como anda enquanto segura minha cintura, certo do sentimento; quando olha no fundo dos meus olhos e fica permanentemente amparado pela concepção de nós dois. eu vou voltar por você quantas vezes a vida me permitir. o destino é uma sorte compartilhada. foi lindo te ver entrando no meu espaço e a sensação do seu perfume descansando no meu olfato é das poesias mais improváveis que vai acontecer comigo. e que bom que você me gostou de volta. nossas células se tocaram e tudo pareceu menor. gostar te permite ser gigante.

















