♚ — queens of our own world — ♚
Isobel sentia dó da noiva de Mihail.
Não gostaria, mas era tudo o que vinha em sua mente quando pensava nela. Catharina tinha sido tirada de sua terra e vindo para um lugar desconhecido, apenas para chegar em Belônia e encontrar a nação infestada de hereges e seu futuro esposo se tornando um deles. Se fosse ela no lugar da castelhana, iria exigir que o compromisso acabasse e arrumaria um marido católico, que seguisse o verdadeiro Deus. Mihail era um fraco, e mesmo sem a conhecer, Isobel sabia que Catharina merecia coisa melhor. Muito melhor que seu primo.
Porém, não estava lá para se lamentar pela escolha dos reis de Castela. Estava lá para mostrar à princesa o castelo e lhe informar sobre os costumes da corte, para que ela pudesse se adaptar rapidamente. Isobel pensava que as duas não seriam tão diferentes assim, afinal, todas as cortes sempre tinham algo em comum. O primeiro passo era achá-las, e depois mostrar as diferenças. Ela estava acostumada a lidar com estrangeiros. Se dirigiu aos aposentos da princesa, batendo levemente na porta três vezes. Não era necessário, mas tinha esse costume desde que era uma menina. Esperou pacientemente do lado de fora. Entenderia se Catharina estivesse fazendo outras coisas e demorasse um pouco.
O amanhecer em Belônia era o símbolo de seu sacrifício. Dia após dia sendo feita refém por aquela aliança, torcendo para que um dia seu pai permitisse que retornasse ao reino de onde saiu. Ao olhar pela janela não via indivíduos de sua nação caminhando além dos muros do castelo. A entrada de suas damas não era acompanhada pelo som suave e familiar do bom dia em castelhano. Devia traduzir cada palavra em sua cabeça antes de se comunicar. Embora fosse uma mulher letrada que conhecia profundamente mais de um idioma, não era seu desejo passar a vida toda sem poder manter um diálogo em seu idioma. Voltaria à sua terra? Era a herdeira, tinha este dever. Porém, era incapaz de saber se Mihail valorizaria as terras de sua família. Além disso, futuro de seu território era imprevisível uma vez que os mouros ameaçavam as suas fronteiras de maneira insistente. Por conta disso, o nascer-do-sol que durante tanto tempo foi protagonista em suas paisagens favoritas, havia se tornado seu pior inimigo.
Suas damas de companhia entravam e saiam. Traziam roupas e acessórios, outras ficavam e penteavam seu cabelo ou realizavam tarefas semelhantes. Era bom que estivessem ali, pois não tinha energia o suficiente para realizar estas atividades. Ao terminar retiraram-se silenciosamente. Haviam feito um bom trabalho. Catharina sabia que a obrigação de uma princesa era manter-se encantadora independente de seu humor. Sempre que saía pelas portas do seu quarto exibia um sorriso, agradar a todos era sua tarefa como noiva. Não estava pronta para realizá-la. O som das batidas na porta deixou claro que não era uma opção. Abriu as portas para encontrar a princesa de Belônia.
“Bom dia, Vuestra Alteza.” Cumprindo seu papel, dizia cada palavra com aparente entusiasmo. “Es bueno verla. Está belíssima hoje.” Não mentia. Tinha aversão ao seu marido, não a cada indivíduo do palácio. A princesa era uma companhia agradável.

















