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O Fim? - Índice de textos
Chegou o momento em que eu digo “adios” ao Tumblr. Não porque não tenha mais o que falar, mas porque acho que eu já coloquei tudo o que eu deveria aqui.
Hora ou outra eu ainda postarei alguns textos aqui e imagens, mas acho que nada será “serio”. Ainda pretendo escrever sobre O Argumento da Consciência, mas sou completamente leigo nele. Se alguém tiver interesse, recomendo o trabalho de J. P. Moreland. Também pretendo atualizar os textos (responder a mais objeções, atualizar informações e corrigir erros de português) e talvez criar um site no futuro.
Agora, para o final, vou colocar aqui um índice dos textos:
Os Argumentos em favor da existência de Deus:
- Argumentos que usam evidencias da ciência:
O Argumento Cosmológico Kalam
O Argumento Teleológico
- Argumentos que usam filosofia:
O Argumento Cosmológico Leibniziano
O Argumento Moral
O Argumento Ontológico Modal
Respostas a argumentos naturalistas:
O Problema do Mal e do Sofrimento
Como pode um Deus amoroso mandar pessoas pro inferno?
Seria Deus um Monstro Moral? Entendendo “problemas éticos” do Antigo Testamento.
Verdade e Moralidade – Relativos ou Absolutos?
(Nota: muitos outros argumentos foram respondidos no texto do Argumento Ontológico)
Evidencia para o Cristianismo:
A Credibilidade Histórica do Novo Testamento
A Trindade explicada e mostrada no Antigo e no Novo Testamento
Jesus Cristo – “Homem de Deus” ou “Homem e Deus”?
As Evidencias Históricas da Ressurreição de Jesus
Respostas a mal entendidos relacionados ao Cristianismo:
Seria o Cristianismo uma Escravidão?
Seria o Cristianismo Ruim?
Seria a evolução incompatível com o Cristianismo?
Textos aleatórios antigos (eu não gosto muito de alguns desses textos e mudei de opinião sobre outros. Mas talvez ajude alguém):
Razão, Amor e Liberdade – Apenas em um universo Teista
Respondendo a Super Interessante sobre Jesus
Razões da Esperança
Cristianismo e o Sentido da Vida
Afinal, existem coisas de criança?
Porque Marco Feliciano e outros NÃO são Cristãos
Porque não acredito em Horóscopo
Textos sobre amor:
O “Falso amor” gerado pela geração de perdidos
A burrice egoísta da sexualização digital
A imaterialidade do amor e o naturalismo
O absurdo do ciúmes exagerado
A Adorada Friendzone
Os Grandes Erros dos “Falsos Romances” Atuais
Foi isso. Espero ter sido útil pra alguém =P
Fiquem com Deus!
Jesus Cristo - "Homem de Deus" ou "Homem e Deus"?
Quem foi Jesus? Com essa mesma pergunta eu comecei meu texto sobre a historicidade da ressurreição de Cristo. O que eu explorei naquele texto foram as evidencias históricas para esse fato, evidencias que são aceitas não apenas por historiadores crentes mas por descrentes também. De acordo com Gary Habermas, praticamente 100% dos historiadores aceita que Jesus existiu, foi crucificado e os discípulos tiveram experiências com aparições de Jesus após sua morte. E 75% aceita a historicidade do tumulo vazio. [1]
Nesse texto, irei explorar o que Jesus disse e fez e tentar chegar a um veredicto sobre quem Ele era: Homem, "homem de Deus" ou "Homem e Deus"?
Apesar de eu ter explorado um pouco os ditos de Jesus no meu texto sobre a Trindade, resolvi ir mais a fundo nesse texto, apresentando um caso para sua divindade e respondendo a objeções de outras religiões.
Antes de começar, quero que fique claro que no texto a seguir eu não pretendo ofender ninguém de nenhuma posição. O texto será focado em defender a divindade de Cristo, então vou tentar responder a alegações de Espíritas e Muçulmanos. Também quero deixar claro que esse texto é para pessoas que crêem em Deus independente de sua religião. Afinal, por que um texto sobre a divindade de Cristo interessaria a uma pessoa que não acredita em Deus? No entanto, se você for naturalista, o convido a ler o texto para ter um entendimento melhor do assunto.
Deus?
Fica evidente nos evangelhos que Jesus disse e fez varias coisas “maravilhosas”. Sobre quem Ele era, Jesus tentou em varias ocasiões demonstrar quem era:
Messias
A pergunta “por que Jesus foi crucificado?” é uma pergunta fácil de responder. De acordo com os evangelhos, Jesus foi crucificado sob acusação de blasfêmia por dizer ser Deus.
Apostolo Paulo sempre se referia a Jesus como “Jesus Cristo” ou “Cristo Jesus”, mostrando que esse titulo lhe foi dado logo no inicio, e que os discípulos criam nisso. Mas, se Jesus nunca se disse que era o Messias, de onde eles tiraram essa idéia? A crença Judaica era a de um Messias que iria restabelecer o trono de Davi. Como Dr. Craig apontou:
“De fato, ele não restabeleceu o trono de Davi em Jerusalém; em vez disso, foi crucificado por seus inimigos. Mesmo a crença de que Deus o havia ressuscitado dos mortos não teria levado seus seguidores a vê-lo como Messias, pois simplesmente não havia qualquer ligação entre a ressurreição e a condição de Messias. Somente se a crucificação de Jesus fosse resultado direto de sua alegação de ser o Messias sua ressurreição teria levado seus seguidores a vê-lo como o Messias ressurreto.” [2]
Na verdade, existem até ditos de Jesus que mostram que ele pensava ser o Messias. Ele diz:
Jesus e os seus discípulos dirigiram-se para os povoados nas proximidades de Cesaréia de Filipe. No caminho, ele lhes perguntou: "Quem o povo diz que eu sou? "
Eles responderam: "Alguns dizem que és João Batista; outros, Elias; e, ainda outros, um dos profetas".
"E vocês? ", perguntou ele. "Quem vocês dizem que eu sou? " Pedro respondeu: "Tu és o Cristo".
Jesus os advertiu que não falassem a ninguém a seu respeito. (Marcos 8:27-30)
Outra parte dos evangelhos que mostram o que Jesus pensava de si mesmo encontra-se em Mateus 11.1-6 e Lucas 7.19-23:
enviou-os ao Senhor para perguntarem: "És tu aquele que haveria de vir ou devemos esperar algum outro? "
Dirigindo-se a Jesus, aqueles homens disseram: "João Batista nos enviou para te perguntarmos: ‘És tu aquele que haveria de vir ou devemos esperar algum outro? ’ "
Naquele momento Jesus curou muitos que tinham males, doenças graves e espíritos malignos, e concedeu visão a muitos que eram cegos.
Então ele respondeu aos mensageiros: "Voltem e anunciem a João o que vocês viram e ouviram: os cegos vêem, os aleijados andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos são ressuscitados e as boas novas são pregadas aos pobres;
e feliz é aquele que não se escandaliza por minha causa". (Lucas 7:19-23)
A resposta de Jesus vem de profecias feitas em Isaías 35.5-6; 26.19; 61.1.
Utilizando os critérios de constrangimento, adequação histórica e da coerência com outros materiais autênticos, junto ao fato de serem fontes antigas, nos dão bons motivos para crer que esse episodio aconteceu.
Há também uma correlação entre João 8:58 com Êxodo 3:14, quando Jesus se chama de “Eu Sou”. Quando Jesus diz “Eu Sou”, no original esta escrito “ego eimi”, que também é usado em Mateus 14:27/Marcos 6:50/João 6:20:
Jesus, porém, lhes falou logo, dizendo: Tende bom ânimo, sou eu, não temais. (Mateus 14:27)
Porque todos o viam, e perturbaram-se; mas logo falou com eles, e disse-lhes: Tende bom ânimo; sou eu, não temais. (Marcos 6:50)
Mas ele lhes disse: Sou eu, não temais. (João 6:20)
Onde esta escrito “sou eu”, no original em grego é usado “ego eimi”, o mesmo usado em Êxodo 3:14, onde Deus disse:
Disse Deus a Moisés: "Eu Sou o que Sou. É isto que você dirá aos israelitas: Eu Sou me enviou a vocês". (Êxodo 3:14)
Em outras passagens em João, Jesus também usa “ego eimi” (João 8:24, João 13:19 e João 18:6). Por isso que em João 8:59 os Judeus pegaram pedras pra jogar em Jesus. Porque acreditavam que Ele estava blasfemando contra Deus se dizendo igual a Ele.
Filho do Homem
Jesus também se dirige a si mesmo como “O Filho do Homem”. Alguns acham que isso quer dizer que Jesus esta se referindo a sua humanidade, mas na verdade é o oposto, ele esta afirmando dia divindade. Como Craig Blomberg colocou:
“Olhe, ao contrário da crença popular, ‘Filho do Homem’ não se refere originariamente à humanidade de Jesus. Pelo contrário, trata-se de uma alusão direta a Daniel 7.13,14. [...] Veja, portanto, o que Jesus faz quando aplica a si mesmo a expressão ‘Filho do Homem’. Estamos diante de alguém que se aproxima de Deus, na sala do trono celestial, alguém a quem é concedida autoridade e domínio universais. Isso faz de ‘Filho do Homem’ um título de grande exaltação, e não de mera humanidade.” [3]
William Lane Craig diz:
“É muito comum a idéia de a expressão ‘Filho do Homem’ ser usada em referência à humanidade de Jesus, assim como a expressão contrária, Filho de Deus, remeter à sua divindade. Acontece que a realidade é o oposto.
O Filho do Homem era uma figura divina do livro de Daniel, no Antigo Testamento, que surgiria no final do mundo para julgar a humanidade e reinar para todo o sempre. Portanto, autodenominar-se Filho do Homem seria, na verdade, reivindicar para si a divindade.” [4]
Em Daniel 7:13-14 é descrito uma figura divina como o Filho do Homem:
Eu estava olhando nas minhas visões da noite, e eis que vinha nas nuvens do céu um como o Filho do Homem; e dirigiu-se ao ancião de dias, e o fizeram chegar até ele.
E foi-lhe dado o domínio, e a honra, e o reino, para que todos os povos, nações e línguas o servissem; o seu domínio é um domínio eterno, que não passará, e o seu reino tal, que não será destruído. (Daniel 7:13-14)
Em Marcos 14, Jesus cita a passagem em Daniel 7 pra mostrar que era uma figura divina:
O sumo sacerdote lhe tornou a perguntar, e disse-lhe: És tu o Cristo, Filho do Deus Bendito?
E Jesus disse-lhe: Eu o sou, e vereis o Filho do homem assentado à direita do poder de Deus, e vindo sobre as nuvens do céu. (Marcos 14:61-62)
Alem disso, no Antigo Testamento, o ato de voar nas nuvens é apenas para Deus (Isaias 19:1; Salmos 68:4; 68:33; 104:3; Deuteronômio 33:26). William Craig diz:
“Na visão de Daniel, a figura descrita se parece com um ser humano (“alguém parecido com filho de homem”), mas ele “vinha nas nuvens” e “foi-lhe dado domínio, e glória” que devidamente pertencem a Deus somente.” [5]
Filho de Deus
Messias e O Filho de Deus estão relacionados. Mas o que Jesus disse especificamente sobre o titulo “Filho de Deus”?
Considere primeiro a parábola em Marcos 12.1-9:
"Certo homem plantou uma vinha, colocou uma cerca ao redor dela, cavou um tanque para prensar as uvas e construiu uma torre. Depois arrendou a vinha a alguns lavradores e foi fazer uma viagem.
Na época da colheita, enviou um servo aos lavradores, para receber deles parte do fruto da vinha.
Mas eles o agarraram e espancaram, e o mandaram embora de mãos vazias.
Então enviou-lhes outro servo; e lhe bateram na cabeça e o humilharam.
E enviou ainda outro, o qual mataram. Enviou muitos outros; em alguns bateram, a outros mataram.
"Faltava-lhe ainda um para enviar: seu filho amado. Por fim o enviou, dizendo: ‘A meu filho respeitarão’.
"Mas os lavradores disseram uns aos outros: ‘Este é o herdeiro. Venham, vamos matá-lo, e a herança será nossa’.
Assim eles o agarraram, e o mataram, e o lançaram para fora da vinha.
"O que fará então o dono da vinha? Virá e matará aqueles lavradores e dará a vinha a outros. (Marcos 12:1-9)
Nessa parábola, a vinha é um símbolo para Israel, o dono é Deus, os agricultores são os lideres religiosos Judeus e os servos os profetas. O dono pensa que, após os agricultores matarem seus servos, se ele enviasse seu amado filho, eles o respeitariam. Mas eles o mataram por ser o herdeiro da vinha.
Não há historiador que não reconheça a autenticidade dessa parábola, já que ela também esta presente no documento favorito dos céticos do Seminário Jesus, “O Evangelho de Tomé”, o que a torna atestada de forma independente. Ela também contém ligações com Isaías 5, que estavam em uso no tempo de Jesus. Também é altamente improvável que tenha se originado nos tempos posteriores, pelaigreja cristã primitiva, já que o tema presente na parábola sobre quem deveria ficar com a vinha depois dos agricultores a tomarem não era discutido pelos primeiros cristãos, na que Roma destruiu Jerusalém em 70 d.C. Alem disso, como não há referencia a ressurreição do filho do agricultor, não pode ter sido uma visão dos primeiros Cristãos por não estar de acordo com sua crença sobre Jesus. Craig Evans diz:
“Quando entendido adequadamente e em todo o contexto, tudo sobre a parábola dos agricultores maus – incluindo seu contexto nos Evangelhos do Novo Testamento – argumenta a favor de que ela se originou em Jesus, não na igreja primitiva.” [6]
Essa parábola nos diz que Jesus via a si mesmo como o único filho de Deus, diferente dos profetas. O filho não pode ter sido adicionado depois pelos cristãos à parábola por ela ficaria sem clímax e sem motivação.
Jesus também disse que ninguém conhece o Pai senão o Filho, e ninguém conhece o Filho senão o Pai (Mateus 11:27; Lucas 10:22). Essa afirmação é bastante provável de ser autentica, já que vem da fonte antiga usada por Mateus e Lucas. Outra coisa que favorece sua autenticidade é que essa passagem diz que o Filho não pode ser conhecido. Mas os primeiros cristãos do movimento pós ressurreição pregavam que podemos conhecer o Filho (Filipenses 3.8-11). Então é improvável que essa passagem tenha sido criada pelos cristãos posteriores.
Outra passagem que nos diz que Jesus dizia a si mesmo como o Filho de Deus é Marcos 13.32, onde ele diz:
Contudo, quanto ao dia e à hora, ninguém sabe, nem os anjos no céu, nem o Filho, somente o Pai.
Como essa passagem demonstra ignorância do Filho, ela provavelmente não foi inventada pela igreja posterior. O constrangimento dessa passagem fica evidente quando vemos que Mateus a reproduziu (Mateus 24:36), mas Lucas a omite. Alem disso, muitos copistas de Mateus a omitiram (mas foi mantida nas melhores copias). Como Marcos também cita esse dito de Jesus, temos um atestamento múltiplo.
Profecias
Se eu lhe mostrasse o seguinte texto, você diria que se trata de quem?
Vejam, o meu Servo agirá com sabedoria; será levantado e erguido e muitíssimo exaltado.
Assim como houve muitos que ficaram pasmados diante dele; sua aparência estava tão desfigurada, que ele se tornou irreconhecível como homem; não parecia um ser humano;
de igual modo ele aspergirá muitas nações, e reis calarão a boca por causa dele. Pois aquilo que não lhes foi dito verão, e o que não ouviram compreenderão. [...]
Foi desprezado e rejeitado pelos homens, um homem de tristeza e familiarizado com o sofrimento. Como alguém de quem os homens escondem o rosto, foi desprezado, e nós não o tínhamos em estima.
Certamente ele tomou sobre si as nossas enfermidades e sobre si levou as nossas doenças, contudo nós o consideramos castigado por Deus, por ele atingido e afligido.
Mas ele foi transpassado por causa das nossas transgressões, foi esmagado por causa de nossas iniqüidades; o castigo que nos trouxe paz estava sobre ele, e pelas suas feridas fomos curados.
Todos nós, tal qual ovelhas, nos desviamos, cada um de nós se voltou para o seu próprio caminho; e o Senhor fez cair sobre ele a iniqüidade de todos nós.
Ele foi oprimido e afligido, contudo não abriu a sua boca; como um cordeiro foi levado para o matadouro, e como uma ovelha que diante de seus tosquiadores fica calada, ele não abriu a sua boca.
Com julgamento opressivo ele foi levado. E quem pode falar dos seus descendentes? Pois ele foi eliminado da terra dos viventes; por causa da transgressão do meu povo ele foi golpeado.
Foi-lhe dado um túmulo com os ímpios, e com os ricos em sua morte, embora não tivesse cometido qualquer violência nem houvesse qualquer mentira em sua boca. [...]
Pois ele carregou o pecado de muitos, e intercedeu pelos transgressores.
Qualquer um que conheça o mínimo sobre Jesus diria que esse texto fala sobre Ele. Mas, o que pensaria se eu te dissesse que esse texto é Isaías 52:13-15; 53:3-9, 12, escrito 700 anos antes de Jesus nascer?
Alguns Judeus dizem que o “Servo” é Israel, mas essa hipótese contem pelo menos três erros:
1- O Servo é dito como sem pecados. Dizer que Israel toda é sem pecados é ir contra o Antigo Testamento inteiro, já que nele é dito que Israel pecou ao quebrar os mandamentos de Deus.
2- Diferente de Israel, o Servo é um cordeiro que, sem nenhuma resistência, se entrega.
3- O Servo morre como substituto pelo pecado dos outros. Mas Israel não morreu e nem paga pelos pecados do mundo.
Essas não são as únicas profecias cumpridas. O fato de Jesus ter entrado em Jerusalém montado em uma jumentinha uma semana antes de sua morte também se trata de outra profecia:
Alegre-se muito, cidade de Sião! Exulte, Jerusalém! Eis que o seu rei vem a você, justo e vitorioso, humilde e montado num jumento, um jumentinho, cria de jumenta. (Zacarias 9:9)
Alguns podem dizer que essa entrada levaria Jesus a prisão imediata, mas esse não deve ter sido o caso. Jesus entrou sem aparentar estar portando armas e, de acordo com Marcos 11:11, Ele apenas observou as coisas e foi embora.
Há mais de 64 profecias que Jesus cumpriu ao todo. [7]
Poderiam ser coincidências? Creio que seja impossível. De acordo com Peter W. Stoner, a probabilidade dessas profecias se cumprirem por acaso era de 1 em 1.000.000.000.000 elevado a 15. [8]
Os evangelhos poderiam ter sido alterados? Também é improvável. Os documentos foram escritos em datas muito próximas dos acontecimentos, impedindo embelezamento. Como Louis Lapides disse:
“Quando os evangelhos começaram a circular, ainda viviam pessoas que tinham visto essas coisas acontecer. Alguém teria dito a Mateus: ‘Você não sabe se as coisas aconteceram assim. Tentamos viver de modo justo e verdadeiro, portanto não nos manche com uma mentira’. [...] Eles teriam dito: ‘Eu estava lá, e os ossos de Jesus foram quebrados pelos romanos depois da crucificação’. Mas, apesar de o Talmude referir-se a Jesus em termos pejorativos, nem ao menos uma vez alega que o cumprimento de profecias foi falsificado.” [9]
Poderia então ter sido intencional? Afinal, Jesus conhecia o Antigo Testamento. No entanto, essa também não é uma boa alternativa.
Talvez para algumas poucas profecias isso fosse possível, mas muitas outras são praticamente impossíveis. Como Jesus iria fazer o Sinedrio pagar 30 moedas de prata a Judas? Seu lugar de nascimento? Sua execução? Os soldados jogando dados por suas roupas? Suas pernas não quebradas? Planejar sua ressurreição?
Atos de Deus
Jesus não apenas disse ser Deus, mas também agiu como Deus, como aceitar adoração (Mateus 8:2, 14:33; Lucas 24:52; João 9:38; Hebreus 1:6) e perdoar pecados (Mateus 9:2-6; Marcos 2:6-12; Lucas 5:17-26). A Bíblia diz que apenas Deus pode perdoar nossos pecados (Isaias 43:25; Atos 8:22; 1Reis 8:38), mas Jesus também disse que tinha essa autoridade. Quanto a adoração, em diversas ocasiões Jesus aceitou que o adorassem. Como Norman Geisler e Frank Turek disseram e listaram:
“A despeito do fato de que tanto o Antigo quanto o Novo Testamentos proíbem a adoração a qualquer coisa que não seja Deus (Êx 20.1-4; Dt 5.6-9; At 14.15; Ap 22.8,9), Jesus aceitou adoração em pelo menos nove ocasiões. Essa adoração foi prestada por: um leproso que foi curado (Mt 8.2); um dirigente da sinagoga cuja filha foi curada (Mt 9.18); pelos discípulos depois de uma tempestade (Mt 14.33); uma mulher Cananéia (Mt 15.25); a mãe de Tiago e de João (Mt 20.20); um endemoninhado geraseno (Mc 5.6); o homem cego que foi curado (Jo 9.38); todos os discípulos (Mt 28.17); Tomé, que disse: ‘Senhor meu e Deus meu!’ (Jo 20.28).” [10]
Com tudo o que Jesus disse e a forma como agiu, não seria possível ser um homem comum. Como C. S. Lewis colocou:
“Entre aqueles judeus, repentinamente surge um homem que sai falando por aí como se ele mesmo fosse Deus. Afirma perdoar pecados. Diz que sempre existiu. Diz que julgará o mundo no final dos tempos. Vamos deixar uma coisa clara. Entre os panteístas, como os indianos, qualquer um pode dizer que é uma parte de Deus ou um com Deus: não haveria nada de muito estranho em relação a isso. Esse homem, porém, uma vez que era judeu, não poderia estar se referindo a esse tipo de Deus. Na linguagem daquele povo, Deus significava um ser fora do mundo, que o fizera e que era infinitamente diferente de qualquer outra coisa. Quando você entende isso, percebe que aquilo que esse homem diz foi, de maneira bem simples, a coisa mais chocante que jamais fora pronunciada por lábios humanos.” [11]
Milagres
Os milagres ocupam tanto espaço nos evangelhos que não podem ser ignorado como se fossem fabulas. Há um consenso entre os estudiosos do Novo Testamento de que Jesus, se não realizou milagres, fez algo que fizesse seus seguidores pensarem que ele havia os realizado. O estudioso alemão Wolfgang Trilling escreve:
"Estamos convictos e consideramos historicamente correto que Jesus de fato realizou milagres [...]. Os relatos de milagres ocupam tanto espaço nos evangelhos que é impossível que tudo isso pudesse ter sido subseqüentemente inventado ou transferido para Jesus" [12]
John Méier disse que Jesus como milagreiro “possui tanta confirmação histórica quanto quase qualquer outra afirmação que possamos fazer sobre o Jesus histórico” [13]. Em Mateus 11.4-6 Jesus mandou que os discípulo enviassem uma resposta a João batista, mandando-os dizer que “os cegos vêem, os paralíticos andam, os leprosos são purificados e os surdos ouvem, os mortos são ressuscitados e aos pobres é anunciado o evangelho”. James Dunn diz:
“Quaisquer que sejam os ‘fatos’ aqui, é evidente que Jesus acreditava ter operado cura em casos de cegueira, paralisia e surdez – de fato, não há razão para duvidar de que ele acreditava que leprosos haviam sido curados em seu ministério, e pessoas mortas, restauradas à vida.” [14]
Por esse motivo, é certo que Jesus pensava tem o poder de operar milagres, e a maioria dos estudiosos concorda com isso. William Lane Craig diz que "o fato de que a obra miraculosa pertence ao Jesus histórico não é mais discutido" [15]
Os milagres de Jesus tem um significado especial. É uma alegação implícita de Sua divindade. Howard Kee, estudioso do Novo Testamento, especialista nos estudos dos milagres dos Evangelhos, diz que na crença judaica antiga, baseada no Antigo Testamento, Deus era aquele que viria para curar as doenças de Israel. O fato de Jesus vir e curar as doenças de Israel sem a necessidade de médicos e remédios mostra que Jesus veio para assumir o papel de Deus [16]. Compare isso com 2Reis 5.7 onde é dito:
Assim que o rei de Israel leu a carta, rasgou as vestes e disse: "Por acaso sou Deus, capaz de conceder vida ou morte? Por que este homem me envia alguém para que eu o cure da lepra? (2 Reis 5:7)
Jesus se mostra como o aquele que esta no lugar do Deus do Antigo Testamento.
A Relação de Jesus com o Pai
Jesus tratou Deus como Pai em varias ocasiões (Marcos 14.36; Mateus 11.25,26; Lucas 10.21; Mateus 26.42; Lucas 23.34; João 12.27,28). Jesus usava a palavra em aramaico “abba”, que significa Pai (Marcos 14.36), um termo familiar. Com isso, Jesus se dizia um filho intimo de Deus. Embora Jesus tenha ensinado seus discípulos a orar a Deus por “abba”, ele não se juntava a eles na oração “Nosso Pai...”. Diferente deles, ele se referia a Deus como “Meu Pai”. Em João 20:17, Jesus diz:
“Estou voltando para meu Pai e Pai de vocês, para meu Deus e Deus de vocês”
Conclusão 1
Portanto, é evidente que Jesus afirmava que era Deus. Não só afirmava, mas também tentou demonstrar varias vezes com milagres e cumprimento de profecias.
Homem?
Agora, imagine se seu vizinho ou qualquer outro conhecido dissesse que “é o primeiro e o ultimo”, que perdoa os seus pecados, que é a luz do mundo, que tem autoridade sobre os céus e a terra. O que você pensaria? Certamente pensaria que ele é um louco ou que estava brincando. Como C. S. Lewis disse:
“Estou tentando impedir aqui que qualquer um realmente diga as coisas tolas que as pessoas costumam dizer sobre Ele: ‘Estou pronto para aceitar Jesus como um grande professor de moral, mas não aceito a afirmação de que ele é Deus’. Isso é algo que não devemos dizer. Um homem que fosse simplesmente homem e dissesse esse tipo de coisas que Jesus disse não seria um grande professor de moral. Seria, em vez disso, um lunático — ou estaria no mesmo nível do homem que diz que é um ovo cozido — senão, seria o próprio Demônio do inferno. Você precisa fazer sua escolha. Ou esse homem era, e é, o Filho de Deus, ou então ele é um louco ou algo pior. Você pode calá-lo, considerando um tolo; você pode cuspir nele e até matá-lo como se fosse um demônio; ou então pode cair a seus pés e chamá-lo de Senhor e Deus. Mas que ninguém venha com um ar paternalista sem sentido sobre o fato de ele ser um grande professor humano. Ele não deixou isso aberto a nós. Ele não pretendia fazer isso.” [17]
No entanto, Jesus não disse que não era homem. Cristãos acreditam que Jesus era tanto homem quanto Deus, e isso é mostrado no Novo Testamento.
Jesus era o Deus encarnado, a segunda pessoa da Trindade, e por estar em um corpo de natureza humana, ele possuía algumas limitações.
Objeções a divindade de Jesus
Céticos dirão que a passagem em Mateus 19.17 onde Jesus diz que “só Deus é bom” quando um homem o chamou de bom, mostra claramente que Jesus não se dizia Deus. No entanto, essa interpretação esta errada. Jesus não estava dizendo que não era Deus, mas estava confirmando sua divindade e vendo se o homem tinha noção do que estava dizendo. Como Norman Geisler e Frank Turek apontaram:
“Com efeito, Jesus está perguntando: ‘Você percebe o que está dizendo quando me chama de bom? Você está dizendo que eu sou Deus?’. Isso fica aparente com base no contexto, porque, apenas alguns versos depois, Jesus refere-se a si mesmo como o ‘Filho do homem’ que vai ‘assentar em seu trono glorioso’ e que permitirá que os discípulos julguem com ele (Mt 19.28).” [18]
Outra objeção comum é quando, em João 14.28, Jesus diz “o Pai é maior que eu”. No entanto, isso é um mal entendimento do que é a Trindade. A Trindade não são três Deuses ou três formas de Deus, mas sim Três pessoas em uma essência Divina, sendo todas as Três inteiramente Deus. Essas três pessoas são O Pai, O Filho e O Espírito Santo. Jesus compartilha da Natureza Divina, mas ele também possui uma Natureza Humana. Quando Jesus se tornou homem, ele não tirou sua divindade, mas acrescentou a humanidade.
Com isso, podemos ver que, quando Jesus disse que o Pai era maior que ele, não estava dizendo que era inferior, mas sim que suas funções eram diferentes, mas suas essências são iguais.
Outra objeção viria da passagem citada acima, onde Jesus diz não saber o dia nem a hora de seu retorno, e isso parece ser uma contradição com a doutrina da Trindade.
A maioria dos cristãos diria que isso se deve as limitações de Jesus em seu corpo humano. Ele também sentiu fome, dormiu e descansou e sentiu dor. Como dividia duas naturezas, ele cooperou com as limitações impostas por sua natureza humana. Hebreus 2:9 diz:
...aquele que por um pouco foi feito menor do que os anjos, Jesus, coroado de honra e glória por ter sofrido a morte, para que, pela graça de Deus, em favor de todos, experimentasse a morte.
Então, as escrituras nos mostram que Jesus se voluntariamente sofreu as limitações de ser humano. Essa é a explicação que a maioria dos cristãos vão dar. Mas há problemas com ela. Jesus disse que apenas o Pai sabia, mas por que não o Espírito Santo?
Se você olhar o contexto completo em Marcos 13 e Mateus 24 e o contexto cultural, uma nova resposta aparece.
Na cultura Judaica antigas, o casamento era quase sempre arranjado. Depois de o casamento ter sido arranjado, o noivo fazia os preparativos na casa de seu pai onde ele e sua esposa iriam viver. O costume dizia que o pai do noivo iria decidir quando os preparativos estavam terminados e a casa pronta para o jovem casal se mudar pra la. O que significa que apenas o pai sabia quando seria o tempo do noivo se juntar a sua noiva. Mas isso não significa que o noivo não sabia o tempo certo. O casamento era um grande evento na época, bem maior do que atualmente, era um grande evento em comunidade. Isso significa que as pessoas tinham que se preparar antecipadamente para o evento, e reservar um tempo de seu trabalho diário. O dia tem que ser conhecido semanas antes, para que as pessoas pudessem ajustar seus horários para o casamento. Preparativos, como reserva de comida, também tinha que ser preparado com antecedência, já que não havia refrigeração ou supermercado. Todos sabiam quando o casamento estava chegando, no entanto, era costume em respeito ao pai e ao noivo dizer que apenas o pai sabia quando o noivo ficaria com sua noiva.
Com isso em mente, um novo entendimento de Mateus 24.36 e Marcos 13.32 aparece. Jesus não estava dizendo que ele e o Espírito Santo não sabiam quando os eventos de sua volta aconteceriam, estava explicando com o que a tribulação seria parecida. Onde todos sabiam o tempo do casamento, mas apenas o Pai diria quando aconteceria. [19]
Conclusão 2
Temos até aqui então, um Jesus disse ser Deus e fez coisas de Deus. Mas que também tinha uma natureza humana que o limitava em algumas ocasiões.
Espiritismo – Jesus foi só um “Homem de Deus”?
Vamos avaliar aqui os ensinamentos dos espíritas, especificamente do livro de Allan Kardec. Todas as informações Espíritas daqui foram tiradas do livro Obras Póstumas, no capitulo onde Kardec avalia a Natureza de Cristo.
Milagres – A Ciência explica?
Vou deixar de lado as alegações de que outras religiões possuem milagres e vou me focar mais na afirmação de que a ciência pode explicar os milagres.
Agora, essa afirmação só pode ter sido um “tiro de desespero”. É obvio que vários milagres de Jesus não podem ser explicados pela ciência. A ressurreição de Jesus, por exemplo, não pode ser explicada cientificamente. Mas talvez Kardec responda com a “ressurreição espiritual”, a qual falarei mais pra frente.
Kardec diz principalmente que a psicologia explica tudo, mas essa alternativa possui diversos erros. O psicólogo Gary Collins expõe os erros:
“Em primeiro lugar, há o problema de hipnotizar uma grande multidão. Nem todas as pessoas são igualmente suscetíveis. Os hipnotizadores de palco adotam um tom de voz macio e observam, na platéia, aquelas pessoas aparentemente mais sugestionáveis. São estas que ele escolhe como voluntárias, pela pronta resposta à hipnose. Em grupos grandes, muitas pessoas apresentam maior resistência. Quando Jesus multiplicou os pães e os peixes, havia 5 mil testemunhas presentes. De que maneira ele poderia ter hipnotizado a todas? Em segundo lugar, a hipnose não costuma funcionar com céticos e gente que duvida. Como, então, Jesus hipnotizou seu irmão Tiago, que duvidava dele, mas que mais tarde viu o Cristo ressuscitado?
Como foi que ele hipnotizou Saulo de Tarso, o inimigo do cristianismo que nem mesmo havia se encontrado com Jesus e só o viu depois de ressurreto? Como pôde hipnotizar Tome, cético o bastante para não acreditar na ressurreição até que pôs os dedos nas marcas dos cravos nas mãos de Jesus? Em terceiro lugar, no que diz respeito à ressurreição, a hipnose não é capaz de explicar o túmulo vazio.” [20]
Veja as curas de Jesus também. Em Lucas 17 ele curou 10 leprosos e um homem com a mão atrofiada em Marcos 3. Eles foram curados instantaneamente. Mesmo que Jesus pudesse te-los hipnotizado, a hipnose acabaria e seus discípulos acabariam descobrindo a verdade.
As Palavras de Cristo
Nessa parte, Kardec utiliza versículos que supostamente provam que Jesus diz que não é Deus. Sem querer ofender os Espiritas, mas praticamente tudo esta fora de contexto e fora do entendimento histórico da época. Usemos como exemplo João 8.42:
Disse-lhes Jesus: "Se Deus fosse o Pai de vocês, vocês me amariam, pois eu vim de Deus e agora estou aqui. Eu não vim por mim mesmo, mas ele me enviou.
Kardec diz que esse e outros versículos onde Jesus diz que vem de Deus provam que ele não é Deus. No entanto, isso é falso. Na verdade, é o contrario. Como Emerson de Oliveira apontou:
“Em todos os momentos vemos que Jesus fazia tudo em uníssono com o Pai, não que era inferior a Ele. Jesus veio de Deus, portanto, tinha a mesma natureza que Ele. Não foi criado, mas era co-existente com Deus. A palavra grega para vim, em grego, é exelthon, que significa aqui seu exeleuxis divino, ou origem do Pai, por comunicação com a essência divina, assim como a união do divino logos com a natureza humana. Cristo não veio de Si mesmo, como os falsos profetas (Jr. 23.21). Cristo não era só um humano pregador, mas Deus feito carne no meio de nós.” [21]
Como dissemos antes, no mesmo capitulo Jesus diz “antes de Abraão, Eu Sou”. (João 8.28), clara referencia ao nome que Deus usou em Exodo.
Allan Kardec diz;
“O dogma da divindade de Jesus se baseou na igualdade absoluta entre a sua pessoa e Deus, pois que ele próprio é Deus. É este um artigo de fé. Ora, estas palavras, que Jesus tantas vezes repetiu : Aquele que me enviou, não só comprovam uma dualidade de pessoas, mas também, como já o dissemos, excluem a igualdade absoluta entre elas, porquanto aquele que é enviado necessariamente está subordinado ao que envìa. Com o obedecer, aquele pratica um ato de submissão. Um embaixador, falando do seu soberano, dirá : Meu senhor, aquele que me envia; mas, se quem vem é o soberano em pessoa, falará em seu próprio nome e não dirá: Aquele que me enviou, visto que ele não pode enviar-se a si mesmo. Jesus o disse em termos categóricos : Não vim de mim mesmo; foi ele quem me enviou.
Estas palavras: Aquele que me despreza, despreza aquele que me enviou, não implicam absolutamente a igualdade, nem, ainda menos, a identidade. Em todos os tempos, o insulto a um embaixador foi considerado como feito ao próprio soberano. Os apóstolos tinham a palavra de Jesus, como este a de Deus.” [22]
Nós temos que entender que esses versículos não devem ser entendidos em seu significado literal nem avaliados fora de contexto. Kardec claramente não entende o que é a Trindade. Jesus é Jeová. A Trindade é um Deus que é Três Pessoas. A relação entre Jesus e o Deus Pai é que, em sua natureza humana, Jesus é inferior ao Pai. Mas sua Natureza Divina é igual ao Pai. (isso já foi explicado mais acima).
Agora, com esse entendimento, podemos ver como Kardec não entende a doutrina da Trindade. Jesus não disse que era inferior a Deus, mas sim que sua Natureza Humana o limitava. Não apenas isso, mas quase todos os versículos citados por Kardec estão fora de contexto. Ele não avalia os versículos da divindade de Cristo. Veja como exemplo João 14.28, um dos mais usados contra a Divindade de Cristo:
Vocês me ouviram dizer: Vou, mas volto para vocês. Se vocês me amassem, ficariam contentes porque vou para o Pai, pois o Pai é maior do que eu.
Agora, isso esta completamente fora de contexto, já que pouco antes, Jesus diz que ele é igual ao Pai:
Eu e o Pai somos um (João 10.30)
Em João 14.28, Jesus não estava se referindo a sua Natureza, mas sim de sua condição. Ele quis dizer que estava submetido, mas não que era submetido. Em sua condição humana, Jesus passou fome e sentiu dor. Mas sua Natureza Divina não sentiu essas coisas.
Kardec avalia vários versículos de João, mas quando João diz que mostre a divindade de Cristo, Kardec simplesmente diz que era a “opinião de São João”. Agora, novamente, sem querer ofender, mas isso é bem estúpido. Você não pode simplesmente só aceitar o que Jesus disse nos evangelhos, as interpretações dos apóstolos também são importantes para o entendimento completo de quem era Jesus. Mas mesmo que aceitemos só o que Jesus disse, podemos ver claramente que Jesus se disse igual ao Deus Pai e essas falas são autenticas, já que passam pelos critérios de confiabilidade (como mostrado acima, critérios como a fala ser embaraçosa, vir de múltiplas fontes, ser antigo, etc). Kardec simplesmente ignora esses ditos.
João 17.3 diz:
Esta é a vida eterna: que te conheçam, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste.
Emerson comenta:
“Em Jo.17.3 estaria Jesus retirando a Si mesmo da divindade? Kardec, conhecendo ou não grego, não sabe que exelthon (que se traduz por “venho”) dá o sentido de Encarnação. Kardec confunde a todo momento a Pessoa de Cristo como Mediador, inserindo que Ele só fosse um homem. A Trindade não são três deuses mas três Pessoas num Deus. Jesus tinha a dupla natureza: humana e divina, que os espíritas confundem. ‘A mesma justaposição aqui de Jesus Cristo com o Pai é uma prova, por implicação, da Divindade de nosso Senhor. O conhecimento de Deus e uma criatura não pode ser a vida eterna e esta ligação de um com o outro seria inconcebível’” [23]
Os Titulos de Filho de Deus e Filho do Homem
Kardec diz:
“O título de Filho de Deus, longe de implicar igualdade, é, muito ao contrárìo, indício de uma submissão. Ora, ninguém é submetido a si mesmo, mas a alguém.
Para que Jesus fosse, em absoluto, igual a Deus, fora preciso que ele existisse, como Deus, de toda a eternidade, isto é, que fosse incriado. Ora, o dogma diz que Deus o gerou desde toda a eternidade; mas quem diz gerou diz criou. Fosse ou não desde toda a eternidade, ele não deixa por isso de ser uma criatura e de estar, como tal, subordinada ao seu Criador. É a idéia que implicitamente se contém no termo Filho.” [23]
Agora, aqui ele esta simplesmente enganado. O termo “gerar” não significa que Jesus foi criado, mas sim que Deus o livrou da morte o ressuscitando. A Segunda Pessoa da Trindade foi “gerada” na encarnação, em sua manifestação em carne.
Ele diz que “Filho do Homem” significa que Jesus estava dizendo que não era divino, e ele cita varias passagens de Ezequiel. No entanto, como citado acima (onde eu expliquei o que significava Filho do Homem), mostrei que Jesus fez uma referencia a Daniel, onde ele claramente diz ser aquele que viria nas nuvens, algo reservado apenas a Deus.
(Recomendo o artigo de Emerson de Oliveira, do Logos Apologética, para uma refutação mais completa. Link no final)
A Ressurreição de Jesus – Espiritual ou Física?
O conceito de ressurreição dos espíritas diz que Jesus ressuscitou espiritualmente, mas não fisicamente. Eles dizem que Jesus teve seu espírito materializado.
Essa posição, no entanto, enfrenta um problema insuperável, chamado: O Tumulo Vazio.
Como eu disse no inicio do texto, o tumulo vazio é aceito por 75% dos historiadores como um fato sobre o Jesus Histórico. Deixe-me listar as evidencias:
- Pra começar tanto cristãos quanto judeus sabiam o local do tumulo, então seria impossivel começar um movimento proclamando a ressurreição se o tumulo estivesse ocupado ainda. Qualquer um chegaria e diria “o corpo esta aqui”.
- O relato de Marcos nos da a entender que sua fonte é antiga, provavelmente antes de 37 d.C., uma data muito proxima pra ser corrompida por lendas, se fosse mentira qualquer um a teria desmentido, tornando assim impossivel pra embelezamento. A expressão “no primeiro dia da semana” mostra uma tradição antiga. Já a tradição dos primeiros Cristãos mostrada por Paulo, diz que o tumulo foi descoberto “no terceiro dia”. O que se sucede é que a tradição dita por Marcos é ainda mais antiga, anterior a contagem do terceiro dia.
- Marcos também escreve de forma simples, sem sinais de embelezamento ou lendas. Em comparação, os evangelhos apocrifos, escritos muito depois, nos dizem sobre homens com cabeças que vão até o céu e cruzes falantes, claramente corrompidas por lendas tardias.
- O relato nos quatro evangelhos de que mulheres descobriram o tumulo vazio reforça sua historicidade. Mulheres não eram aceitas como testemunhas pra nada no primeiro seculo, muito menos na sociedade judaica. Então por que colocar mulheres como descobridoras do tumulo? Qualquer fonte lendária colocaria discípulos homens, como Pedro ou João.
- Alem de tudo isso, na epoca ninguém afirmava que Jesus ainda estava no tumulo, sempre se perguntavam o que havia acontecido com o corpo. Os judeus antigos até inventaram a história de que os guardas haviam adormecido e os discípulos haviam roubado o corpo! Como é dito em Mateus:
Enquanto as mulheres estavam a caminho, alguns dos guardas dirigiram-se à cidade e contaram aos chefes dos sacerdotes tudo o que havia acontecido.
Quando os chefes dos sacerdotes se reuniram com os líderes religiosos, elaboraram um plano. Deram aos soldados grande soma de dinheiro,
dizendo-lhes: "Vocês devem declarar o seguinte: ‘Os discípulos dele vieram durante a noite e furtaram o corpo, enquanto estávamos dormindo’.
Se isso chegar aos ouvidos do governador, nós lhe daremos explicações e livraremos vocês de qualquer problema".
Assim, os soldados receberam o dinheiro e fizeram como tinham sido instruídos. E esta história se divulgou entre os judeus até o dia de hoje.
Mateus 28:11-15
Por que fariam isso? Porque sabiam que o tumulo estava vazio.
Essa observação final de Mateus mostra que ele estava preocupado em refutar uma explicação difundida pelos Judeus.
William Ward, da Universidade de Oxford, disse:
“Todas as evidencias estritamente históricas que temos são a favor [do tumulo vazio], aqueles estudiosos que rejeitam deveriam reconhecer que eles o fazem com outra base que não é a da história cientifica.” [25]
Essas não são as únicas evidencias, deixei uma por ultimo propositalmente.
O Credo repassado por Paulo em 1Corintios 15.3-5 remonta a uma tradição bem antiga, que historiadores crêem que veio no maximo 5 anos após os eventos da ressurreição de Jesus:
Pois o que primeiramente lhes transmiti foi o que recebi: que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras,
foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras,
e apareceu a Pedro e depois aos Doze.
Repare que Paulo diz que ele foi sepultado e depois ressuscitou, o que implica sua crença no tumulo vazio.
Mas a outras objeções a essa hipótese de ressurreição espiritual:
- Dado o conhecimento judaico da época, os discípulos jamais sairiam por ai proclamando a ressurreição de Jesus. Para um judeu, a ressurreição era um evento que só aconteceria depois do fim do mundo, onde todos seriam ressuscitados. Mas eles não tinham crença nenhuma em uma ressurreição isolada como a de Jesus. Meras aparições eram evidencia, não de que a pessoa estava viva, ou que havia ressuscitado, mas sim que a pessoa estava morta mesmo.
- Apostolo Paulo claramente acreditava na ressurreição física. Ele não ensinava apenas na “imortalidade da alma”, mas sim a ressurreição do corpo. Em 1Corintios 15.42-44, Paulo mostra as diferenças entre o corpo terreno e o corpo após a ressurreição:
Assim será com a ressurreição dos mortos. O corpo que é semeado é perecível e ressuscita imperecível;
é semeado em desonra e ressuscita em glória; é semeado em fraqueza e ressuscita em poder;
é semeado um corpo natural e ressuscita um corpo espiritual. Se há corpo natural, há também corpo espiritual.
Talvez o final seja confuso e alguns pensem que Paulo quis dizer que há o corpo natural e o espiritual, mas isso é um mal entendido. A palavra traduzida por “natural” (psychikos) significa literalmente “da alma”. Evidentemente, Paulo não quer dizer que nosso corpo natural é feita da alma. William Lane Craig diz:
“Ao usar essa palavra, ele quer dizer ‘dominado pela natureza humana ou pertencente a ela’. De igual modo, quando ele diz que o corpo da ressurreição será ‘espiritual’, ele não quer dizer ‘feito de espirito’, mas ‘dominado pelo Espírito ou dirigido para ele’. É o mesmo sentido da palavra ‘espiritual’ quando dizemos que alguém é uma pessoa espirituosa” [26]
Quando ele diz “homem natural”, quer dizer “homem dirigido peara a natureza humana”, não “homem físico”. E “homem espiritual” é “homem dirigido para o Espírito”, não “homem invisível”. E ele diz isso em 1Corintios 2.14-15:
Ora, o homem natural (anthropos psychikos) não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente.
Mas o que é espiritual discerne bem tudo, e ele de ninguém é discernido.
Então, tanto os relatos nos evangelhos, quanto a crença e o credo passados para Paulo mostram aparições físicas. Alem disso, aparições espirituais não explicariam o tumulo vazio.
Objeção – Há outras ressurreições na Bíblia!
Note que essas não são ressurreições para o corpo eterno, mas apenas “revivicações”, onde o corpo revive, mas morrerá novamente. Outras confusões podem aparecer com os relatos de pessoas que foram levadas vivas ao céu, mas isso é obviamente diferente de uma ressurreição dos mortos.
Islamismo – Seria Jesus apenas um Profeta?
Antes de falar disso, quero dizer que adoro meus amigos muçulmanos (só tenho uma amiga, mas enfim...). Mas devo falar a verdade quando se trata da Verdade. Se o Cristianismo for verdade, as outras religiões são falsas, e eu não quero pessoas vivendo o que pode ser mentiras. Temos que avaliar a evidencia e ir até onde ela aponta, não crer em algo por nossa preferência pessoal.
De acordo com o estudo dos ditos (especialmente a parábola da vinha e dos carpinteiros), Jesus se dizia diferente de um mero profeta, como explicado la em cima. Islâmicos podem objetar dizendo que até agora eu apenas usei a Bíblia, mas não fiz menção nenhuma as passagens de Jesus no Alcorão. Vou explicar os motivos a seguir:
- Maomé (Muhammed) não foi testemunha ocular dos eventos.
- O Alcorão foi escrito 600 anos depois dos eventos. Já a primeira carta do Apostolo Paulo do Noto Testamento foi escrita 15 anos depois.
- Os Evangelhos foram escritos entre 30 a 50 anos depois, tempo muito curto para lendas.
-O Credo passado a Paulo data de no maximo 5 anos após os eventos.
Essas seriam objeções quanto a credibilidade dos documentos, mas há mais problemas históricos no Alcorão: A Crucificação de Jesus.
Como eu disse no inicio, praticamente 100% dos historiadores, mesmo os mais céticos do Seminário Jesus dizem que a crucificação é um “fato indiscutível” [27]. O fato de que Jesus foi crucificado é um dos fatos mais certos sobre a vida de Jesus de Nazaré. Nos evangelhos é dito que Jesus foi condenado por blasfemea pelas autoridades Judaicas, por se proclamar o “Rei dos Judeus” ou o Messias, e depois enviado para ser julgado pelos romanos. Paulo e o livro de Atos dos Apostolos, duas fontes biblicas independentes, também confirmam a crucificação. Mas também temos confirmações extra-biblicas, como os manuscritos do historiador judeu do primeiro seculo Flavio Josefo, Mara Bar Serapian, o Talmude Babilonico, Tacito, entre outros. Com Josefo e o Mara Bar Serapian aprendemos que os lideres judeus fizeram uma acusação formal contra Jesus e participaram dos eventos sobre sua crucificação. Do Talmude Babilonico sabemos sobre o envolvimento judaico no tribunal. Com Josefo e Tacito sabemos que Jesus foi crucificado pelas autoridades judaicas sob a sentença de Poncio Pilatos.
O estudioso do Novo Testamento, Luke Johnson da Universidade de Emory diz:
“O apoio para o modo de sua morte, seus agentes, e talvez coagentes, é esmagador: Jesus encarou julgamento antes de sua morte, foi condenado e executado por crucificação” [28].
A historiadora Paula Frederickson diz:
“A crucificação é o fato particular mais forte que temos sobre Jesus” [29]
Mas e a hipótese de que alguém tomou o lugar de Jesus? Essa hipótese tem outros grandes problemas.
De acordo com o Alcorão, alguém (tradicionalmente dizem que foi Judas) tomou o lugar de Jesus na cruz, e Allah fez com que essa pessoa se parecesse com Jesus. O problema com essa hipótese é que ela faria de Deus um mentiroso. Ele fez com que pensassem que Jesus havia morrido, então suas aparições pós-morte seriam dele mesmo e o Cristianismo nasceu por causa de uma mentira de Deus, fazendo pessoas irem pro inferno por causa dessa mentira.
Outro problema: de onde os discípulos tiraram a idéia de ressurreição? Jesus, como profeta de Allah, teria os alertado de que estava vivo.
Alem disso, essa teoria é baseada no Evangelho de Barnabé, escrito 500 anos depois dos eventos.
Outra hipótese que tornaria Allah um mentiroso e é implausível, é a hipótese de que Jesus não morreu, mas aparentemente morreu. Essa é altamente improvável.
Alexander Metherell foi perguntado se existia a minima possibilidade de Jesus ter sobrevivido, e diz:
“De jeito nenhum. Lembre que ele já estava em choque hipovolêmico da grande perda de sangue mesmo antes de a crucificação começar. Ele não poderia ter fraudado a morte, porque você não pode representar que não está respirando por muito tempo. Além disso, a lança enfiada em seu coração teria resolvido a questão de uma vez por todas. Os romanos também não estavam a fim de arriscar a própria vida deixando Jesus sair vivo dali. [...] Eu lhe digo que isso é impossível. É uma teoria fantasiosa sem nenhuma base factual possível.” [30]
Shabir Ally, apologista muçulmano, argumenta que Jesus sobreviveu e que enquanto estava no tumulo, Allah o levou ao céu. Mas essa hipótese também tornaria Deus um mentiroso e responsável por varias pessoas irem para o inferno como cristãs, já que teria sido graças a ele que os primeiros cristãos vieram a crer na ressurreição. Ambas as hipóteses tem esses problemas e outros. Quer dizer, todas as testemunhas se enganaram? Se Jesus não morreu, então por que tumulo estava vazio?
Objeções de Reza Aslan – “Cinco mitos de Jesus”
Jesus não é mencionado fora do Novo Testamento? – Falso. Jesus é mencionado em fontes extra-biblicas Romanas, Judaicas e Cristãs. Mas essa objeção assume que os evangelhos não são fontes confiáveis. O que é pura ignorância. Estamos falando de documentos escritos independentes e quatro biografias de Jesus escritos no primeiro século quando as testemunhas ainda estavam vivas.
“Mito” 1 – Jesus não nasceu em Belém, mas sim em Nazaré– É verdade que existe um numero de estudiosos que acha que Jesus não nasceu em Belém. Mas temos que lembrar que o nascimento em Belém é atestado independentemente múltiplas vezes no Novo Testamento.
Lucas foi companheiro de viagem de Paulo e entrevistou diversas testemunhas oculares dos eventos da vida de Jesus, e é bem possível que ele tenha entrevistado Maria, a mãe de Jesus, já que sua narrativa é feita em cima da perspectiva de Maria. Já Mateus narra sob a perspectiva de José.
“Mito” 2 – Jesus era filho único – Reza diz que, apesar de isso ser uma posição da Igreja Católica, no N.T. Jesus tinha irmãos e irmãs. Mas isso não é um erro do N.T., mas sim um erro da Igreja posterior.
“Mito” 3 – Jesus não teve 12 discipulos? – Reza Aslan diz que os doze discípulos eram próximos de Jesus, mas que ele tinha um grupo muito maior. Não entendo o que isso afeta a credibilidade do N.T. Existia o grupo chamado de “Os Doze”, que tinham essa denominação mesmo com onze membros após a morte de Judas. Mas também haviam outros discípulos. E daí?
“Mito” 4 – Jesus não teve um julgamento diante de Pôncio Pilatos? – Reza diz que o Pilatos da história jamais faria algo do tipo, ele simplesmente mandaria matar os judeus que discordassem dele e, portanto, o retrato de Jesus e Pilatos nos evangelhos é falso.
Isso é simplesmente ignorância. Sabemos de Flavio Josefo, historiador do primeiro século, que quatro anos antes de Jesus ser apresentado a Pilatos, quando Pilatos assumiu Roma, ele ordenou que instalassem imagens do Imperador em Roma. Então, os Judeus fizeram grandes protestos para que essas imagens fossem retiradas pois ofendia sua sensibilidade contra imagens. Pilatos então ordenou que os soldados tirassem suas espadas e matassem os Judeus. Mas os Judeus disseram que preferiam morrer do que comprometer suas crenças. Então, Pilatos, vendo que algo ruim estava prestes a acontecer, desistiu e retirou as estatuas.
Esse é exatamente o mesmo Pilatos que vemos no Novo Testamento. Quando os Judeus disseram que se ele não julgasse Jesus ele não era amigo de César, Pilatos viu que as coisas poderiam acabar ruins, desiste e manda Jesus para a cruz.
“Mito” 5 – Jesus não foi colocado no tumulo de José de Arimatéia? – O engraçado sobre isso é que esse é outro fato sobre Jesus que é um dos mais aceitos pelos historiadores e críticos do Novo Testamento.
O sepultamento por José de Arimatéia é atestado em fontes múltiplas e independentes. José de Arimatéia provavelmente não é uma invenção cristã. O motivo pra isso é porque ele era membro do Sinédrio Judaico que condenou Jesus. Os cristãos no inicio da igreja não se davam muito bem com os lideres judeus. Não haveria por que dos cristãos inventarem uma pessoa do “grupo inimigo” que fez algum bem a Jesus. Qualquer fonte lendária ou tardia colocaria os discípulos ou membros da família de Jesus o colocando no tumulo.
De acordo com John A. T. Robinson da Cambridge University, o sepultamento de Jesus em sua tumba é “um dos mais antigos e melhor-atestados fatos sobre Jesus”. [31] [32]
Um Argumento para a Trindade
Contrario a crença de que a Trindade não faz sentido, ela na verdade faz muito mais sentido do que um deus unitário. Pessoas que pensam que a Trindade não faz sentido normalmente não a entenderam, pensam que é um Deus que são três Deuses. Mas como vimos não é esse o caso.
A Trindade nos ajuda a entender como amor perfeito é possível pela eternidade, mesmo havendo só um Deus. Pense nisso: Se Deus é unitário, e amor perfeito só existem entre duas ou mais pessoas, como pode Deus ter amor perfeito antes da criação? O unitarista pode dizer que o amor perfeito de Deus é seu amor por sua criação, mas a criação nem sempre existiu e isso tornaria Deus dependente de Sua criação. A única forma de resolver esse dilema, é com a Trindade.
Podemos argumentar então:
Premissa 1 – Se Deus existe, Ele deve ter amor perfeito.
Premissa 2 – Amor perfeito só pode existir entre duas ou mais pessoas.
Premissa 3 – Deus existe.
Premissa 4 – Apenas a Trindade é um Deus que é três pessoas.
Conclusão – Portanto, apenas a Trindade pode ser Deus com amor perfeito.
Conclusão
Vimos então que:
- Jesus disse que era Deus
- Jesus tinha natureza Divina e Humana
- A Natureza Humana de Jesus o limitava em alguns aspectos
- Jesus não foi um mero “enviado de Deus” ou “Profeta”
- A Ressurreição foi física.
- O Alcorão contem erros históricos.
- Apenas a Trindade pode ser um Deus de Amor Perfeito.
Outros textos relacionados:
A Trindade explicada e mostrada no Antigo e no Novo Testamento
A Credibilidade Histórica do Novo Testamento
As Evidencias Históricas da Ressurreição de Jesus
Texto de Emerson de Oliveira respondendo a Allan Kardec:
Logos Apologética - O espiritismo e a divindade de Cristo – uma refutação a Allan Kardec
Material utilizado:
William Lane Craig – Em Guarda: Defenda a fé cristã com razão e precisão
William Lane Craig – Apologética Contemporânea: A Veracidade da Fé Cristã
Frank Turek e Norman Geisler – Não tenho dé suficiente para ser ateu
Lee Strobel – Em Defesa de Cristo
Fontes
[1] – Gary Habermas, Risen Jesus and Future Hope, p. 9-10.
[2] - William Lane Craig, Em Guarda – Defenda a fé cristã com razão e precisão, p. 220
[3] – Craig Blomberg entrevistado por Lee Strobel, Em Defesa de Cristo.
[4] - William Lane Craig, The son rises: historical evidence for the resurrection of Jesus, p. 140
[5] – William Lane Craig, Em Guarda – Defenda a fé cristã com razão e precisão, p. 231
[6] – Craig Evans, Fabricating Jesus, p. 138
[7] – Algumas dessas profecias em: Believe: Profecias que Jesus Cristo Cumpriu - http://mb-soft.com/believe/tth/proph.htm
[8] - Peter W. Stoner, Science Speaks, p. 109.
[9] – Lous Lapides entrevistado por Lee Strobel, Em Defesa de Cristo.
[10] - Frank Turek e Norman Geisler, Não tenho dé suficiente para ser ateu, p. 256
[11] – Clive Staples Lewis, Cristianismo Puro e Simples, pp. 67-68
[12] - Paul Copan & Ronald T. Acelli, “Jesus' Resurrection, Fact or Figment? A Debate Between William Lane Craig and Gerd Lüdemann”, p. 181.
[13] - John P. Meier, “Um judeu marginal: repensando o Jesus histórico”.
[14] – James D. G. Dunn, Jesus and the Spirit, p. 60. Sobre a autenticidade da passagem, Witherington, Christology of Jesus, p. 165
[15] - Paul Copan & Ronald T. Acelli, “Jesus' Resurrection, Fact or Figment? A Debate Between William Lane Craig and Gerd Lüdemann”, p. 181.
[16] – Comentários feitos na discussão da palestra de Kee na conferencia “Christianity challenges the university” em Dallas, fevereiro de 1985.
[17] – Clive Staples Lewis, Cristianismo Puro e Simples, pp. 69
[18] - Frank Turek e Norman Geisler, Não tenho dé suficiente para ser ateu, p. 260
[19] – Inspiring Philosophy, Why Didn’t Jesus & the Holy Spirit Know the Hour? - https://www.youtube.com/watch?v=sfdozI26lQQ
[20] – Gary Collins, entrevistado por Lee Strobel, Em Defesa de Cristo.
[21] – Logos Apologética: O espiritismo e a divindade de Cristo – Uma refutação a Allan Kardec - http://logosapologetica.com/o-espiritismo-e-a-divindade-de-cristo-uma-refutacao-a-allan-kardec/
[22] – Allan Kardec, Obras Póstumas, p. 155
[23] – Logos Apologética: O espiritismo e a divindade de Cristo – Uma refutação a Allan Kardec - http://logosapologetica.com/o-espiritismo-e-a-divindade-de-cristo-uma-refutacao-a-allan-kardec/
[24] – Allan Kardec, Obras Póstumas, p. 182
[25] – William Ward, “Christianity: A Historical Religion?”, p. 93-94
[26] – William Lane Craig, Apologética Contemporanea, p. 366
[27] - Robert Funk, fita de vídeo do Jesus Seminar.
[28] - Luke Timothy Johnson, The Real Jesus (San Francisco: Harper San Francisco, 1996), p. 125.
[29] - Paula Frederickson, observação durante uma discução na sessão "The Historical Jesus" no encontro anual da Society of Biblical Literature, 22 de Novembro de 1999
[30] – Alexander Metherell, entrevistado por Lee Strobel, Em Defesa de Cristo
[31] - John A. T. Robinson, “The Human Face of God”, p. 131.
[32] - The Historical Jesus: William Lane Craig vs Reza Aslan - https://www.youtube.com/watch?v=i8FNTRvJjMc#t=714
Imagem - Inspiring Philosophy, "Is Christianity Evil?"
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Mais um pra coleção :P #GodsNotDead #RiceBroocks #apologetics #apologetica #DeusNãoEstaMorto
#GodsNotDead
Verdade e Moralidade - Relativos ou absolutos?
Eu sempre achei que era obvio que o contrario de verdadeiro era falso. Por essa razão, não dei muita atenção ao tema até hoje. Pensava que as pessoas conseguiriam enxergar os erros desse relativismo.
Recentemente, porem, tenho me deparado com mais pessoas que dizem que “não existem verdades absolutas” e por essa razão decidi escrever um texto sobre o assunto.
Todos nós exigimos a verdade a todo o momento:
- Pais querem que seus filhos contem a verdade.
- Queremos a verdade quando lemos a bula de um remédio.
- Queremos que os culpados sejam verdadeiramente condenados
Em vários momentos, por diversos motivos, sempre queremos a verdade. Mas já percebeu que existem assuntos que, apesar de terem um impacto enorme no mundo, as pessoas resolvem se tornar relativistas com relação a eles? Nosso mundo tem se tornado relativista principalmente com relação a dois assuntos: Religião e Moralidade.
Parece que as pessoas tem medo de saber se esses dois assuntos possuem uma verdade. Se existe uma religião verdadeira, então temos que nos curvar a ela para evitar problemas após a morte. (Claro que ser “obrigado” a seguir o Cristianismo, por exemplo, seria contrario a doutrina do mesmo).
Se existe uma lei moral objetiva, um jeito certo e errado de se viver, então nós deveríamos parar de ser egoístas e achar que certos e errados são relativos.
Ao que me parece, pessoas “relativizam” esses dois tópicos para se sentirem confortáveis. No entanto, as pessoas parecem não perceber as conseqüências de seus atos.
As diferenças entre as visões de mundo – Podem todas elas serem verdadeiras?
Vamos ver três diferentes visões de mundo:
Teismo – Acreditam que há um Deus, que criou tudo e é ativo no mundo:
- Cristianismo
- Islamismo
- Judaísmo
Panteísmo – Acreditam que tudo é Deus:
- Hinduismo
- Budismo
Ateísmo – Acreditam que não há Deus.
Os Cristãos crêem em uma Trindade: Pai, Filho e Espírito Santo – Três pessoas que são um Deus.
Os Muçulmanos crêem que Alah é Deus, um Deus unitário, para eles, Jesus nunca foi morto ou crucificado e era apenas um profeta.
Os Judeus crêem apenas na existência do Deus Pai (apesar da Trindade estar implícita no Antigo Testamento)
No entanto, é logicamente impossível que todos estejam corretos. Seus conceitos de Deus são bem diferentes. Veja outro exemplo sobre vida pós-morte:
Os Cristãos crêem em céu e inferno, e crêem que a única salvação é através de Jesus.
Os espíritas (apesar de se dizerem cristãos, estou os separando pela idéia diferente nesta parte) e alguns panteístas crêem que depois da morte reencarnamos.
Os ateus crêem que nossa existência acaba. Não vamos nos arrepender do que não fizemos, vai tudo acabar. Não seremos julgados. Não seremos nada.
Mas não podem todos estar corretos. Podem todos estar errados, mas não todos corretos. Se o Céu e o Inferno forem verdadeiros, quando um ateu morrer ele dirá “Não pode me mandar pro inferno, já que pra mim ele não existe”?
Frank Turek e Norman Geisler disseram:
“A alegada ressurreição de Cristo é outro exemplo. Os cristãos afirmam que Jesus ressuscitou dos mortos, enquanto os muçulmanos dizem que Jesus nem mesmo morreu. Mais uma vez, uma dessas visões está certa e a outra está errada. Como podemos saber qual delas é a certa? Avaliando cada uma dessas afirmações conflitantes supostamente verdadeiras em relação à comprovação histórica.” [1]
Ao contrario do que muitos tem ensinado por ai, a verdade não é relativa. Se algo for verdade, é verdade pra todos. Não deveria haver necessidade de dizer o obvio: O contrario de verdadeiro é falso.
Se eu vou ao banco e digo que quero sacar 10 mil reais e ele diz que só tenho 5 mil, eu não posso dizer “isso é verdade pra você, mas não pra mim!”.
As verdades sobre a verdade:
- A verdade não pode ser inventada, mas sim descoberta. Ela existe mesmo que ninguem saiba.
- A verdade transcende culturas. Se algo é verdade, é verdade pra todos, mesmo que algumas culturas não acreditem nela.
- A verdade é imutavel. Mesmo que nossas crenças sobre a verdade possam mudar, a verdade não muda.
- A verdade não pode ser mudada por crenças. Alguem pode acreditar com toda a sinceridade que o sol gira em torno da Terra, mas essa pessoa estará sinceramente errada.
- A verdade não pode ser afetada pelas atitudes de quem as professa.
- Todas as verdades são absolutas. Até mesmo as que parecem ser relativas (Ex.: “Eu estou com frio”, pode parecer relativo, mas o fato de que eu estou com frio é absoluto.)
Não é porque as pessoas tem opiniões e crenças diversas que não existe uma verdade absoluta.
Suponha que você encontra dois amigos que acabaram de sair do cinema e você pergunta se o filme foi bom. Um deles diz “sim” e o outro “não”. Você sairia dizendo “obrigado, isso foi muito util!”?
Para saber a verdade, temos que avaliar as evidencias e razões que tornam essa verdade, e fato, verdade. Por exemplo, os argumentos cosmologico, teleologico e ontologico podem nos dizer que é racional crer que Deus existe e que sua existência é mais provável do que não. A ressurreição de Cristo, se ocorreu, torna o Cristianismo uma verdade absoluta (links para textos com esses argumentos e as evidencias da ressurreição no final do texto)
Através de dedução e indução podemos descobrir algo como sendo altamente provável. Podemos deduzir, por exemplo:
1- Todos os homens são mortais.
2- Socrates é homem.
3- Portanto, Socrates é mortal.
A Tatica do Papa-Legoas - Argumentos que cometem suicídio
A tática do Papa-Legoas consiste em aplicar a afirmação de uma frase a ela mesma, demonstrando assim que a frase é falsa em si mesma. Seria como se alguem dissesse “Eu não consigo falar uma palavra em portugues!”.
O relativista não percebe, mas suas afirmações de verdade relativa são falsas em si mesmas. Veja:
Não há verdades absolutas!
R: Essa afirmação é uma verdade absoluta?
Verdade é relativa!
R: Essa verdade é relativa?
O que é verdade pra você é verdade pra você, mas não pra mim!
R: Essa afirmação é verdade pra todo mundo?
Duvide de tudo!
R: Devo duvidar dessa afirmação?
Não existem certezas absolutas!
R: Tem certeza absoluta disso?
E essa tática pode ser usada com outras afirmações falsas:
Não julgue os outros!
R: Então por que esta me julgando por julgar os outros?
Só devemos acreditar naquilo que tem evidencia!
R: Você tem evidencia pra isso?
Só devemos acreditar naquilo que pode ser cientificamente provado!
R: Essa afirmação pode ser cientificamente provada?
Toda regra tem exceção!
R: Existe exceção pra regra de que toda regra tem uma exceção?
O que os relativistas querem dizer na verdade é que “a verdade é que não existe verdade”, o que refuta a si mesmo.
Immanuel Kant é um exemplo: Ele afirmava que ninguém podia conhecer o mundo real afirmando conhecer alguma coisa sobre ele, que o mundo real é impossível de ser conhecido.
David Hume dizia que só deveríamos acreditar naquilo que possui evidencias empíricas, mas essa afirmação não pode ser verificada empiricamente.
Relativismo Moral
Tenho visto muitas pessoas gritando aos quatro ventos que querem seus direitos e dizendo que não existem certos e errados absolutos. O que eles não percebem são as consequências de suas crenças relativistas: Se não há certos e errados absolutos, então você não tem direito e pedir seus direitos. Você não pode valorizar seu direito de crer que não há valores morais.
Me lembra a história do estudante que escreveu um trabalho enorme, bem montado, com uma bela capa azul, onde ele argumentava que não existiam certos e errados, justiça e injustiça, etc. Ele entregou seu trabalho ao professor, era um ótimo trabalho. No dia seguinte, o professor entregou o trabalho ao aluno com um 0 bem grande e escrito em baixo “não gosto de capa azul”. O aluno então foi a sala do diretos reclamar “Como assim não gosta de capa azul?? Isso não é justo! Isso esta errado!”. Então o professor disse “O que? Não é esse o trabalho que diz que não existe essa coisa de certo e errado, justiça e injustiça?”. Imediatamente o aluno percebeu que estava errado, e o professor mudou a nota pra 10, já que, apesar de errado, era um excelente trabalho.
Mas esse é o menor dos problemas, como Geisler e Turek disseram:
“Se ensinarmos aos alunos que não existe certo ou errado, por que deveríamos nos surpreender com o fato de um grupo de alunos atirar em seus colegas de classe ou de ver uma mãe adolescente abandonando o filho numa lata de lixo? Por que eles deveriam agir da maneira "certa" quando nós ensinamos que não existe essa coisa de "certo"? [...]Se você puder matar o conceito de verdade, então poderá matar o conceito de qualquer religião ou moralidade verdadeiras. Muitas pessoas de nossa cultura têm tentado fazer isso, e os últimos 40 anos de declínio moral e religioso demonstram seu sucesso. Infelizmente, as devastadoras conseqüências de seus esforços não são apenas verdade para eles, mas também para todos nós.” [2]
Ateus que conhecem a defesa da fé sabem que a existência de uma lei moral objetiva seria prova da existência de Deus. Pois se existe uma lei moral, deve existir um legislador. Como Richard Taylor disse:
“... dizer que algo é errado porque […] é proibido por Deus, é […] perfeitamente compreensível para quem crê num Deus legislador. Mas dizer que algo é errado […] embora não exista Deus para proibi-lo, não dá para entender […]O conceito de obrigação moral [é] ininteligível sem a ideia de Deus. As palavras permanecem, mas o seu sentido se foi” [3]
E se não há esse padrão, como podemos dizer que Hitler estava errado? Como podemos dizer que o machismo é errado? Como podem dizer que a homofobia é errada? Como podem dizer que impor uma religião às pessoas é errado?
Se não há esse padrão, são apenas opiniões, e não valem nada. Se esse padrão, se essa lei moral não existe:
- Hitler não estava errado.
- Não há nada errado em jogar bebes pela janela.
- Machismo não é moralmente errado.
- Torturar pequenos bebes por diversão não é errado.
- Não há diferença entre tolerância e intolerância.
- Não existem políticos corruptos.
- Não existe justiça e injustiça, respeito e desrespeito.
- Preconceito não é errado.
- Não existem direitos humanos.
- As cruzadas religiosas não foram erradas.
- Seu/sua namorado (a) pode de trair e não terá nada errado.
- Entrar no cinema com uma metralhadora automática e atirar em todo mundo não é errado.
Existem algumas confusões que relativistas fazem quando se trata de moralidade. Nós não devemos confundir:
Absolutos morais com comportamento mutavel – Um erro comum é confundir comportamento com valor. É uma confusão entre aquilo que é com o que deveria ser. O que pessoas fazem pode mudar, mas o que deveriam fazer, não.
Absolutos morais e percepção mutavel de fatos – Usemos como exemplo as bruxas, que eram sentenciadas como assassinas no seculo XVIII, mas não são mais. O relativista diz que os valores mudaram, já que não matamos mais as bruxas. Mas essa afirmação deles esta incorreta. O que mudou não foi o principio de que assassinato é errado, mas a compreensão de se as “bruxas” podem ou não matar pessoas com suas maldições. Agora não acreditamos mais que elas podem fazer isso. Outro exemplo, na Índia é errado matar vacas, mas isso é porque la eles acreditam que as vacas são a reencarnação de seus ancestrais. Tanto la quanto aqui é errado assassinar nossa bisavó. Algumas tribos de canibais matam e comem pessoas de fora da tribo, mas isso porque, pra eles, pessoas de fora da tribo não são humanas. Essas pessoas (assim como Hitler) tem que arranjar alguma desculpa pra desumanizar seus alvos.
A escravidão já foi permitida pela lei civil, hoje sabemos que é errado. O que nos levou a essa mudança? Se a moral é definida pela lei civil, então se a lei disser que não há problema em matar pessoas, não existirão mais assassinatos? Sem a Lei Moral, apenas mudamos de regras. C. S. Lewis disse:
“No momento em que você diz que um conjunto de idéias morais pode ser melhor que outro, na 'verdade você está mensurando ambos de acordo com um padrão, dizendo que um deles conforma-se melhor a esse padrão do que o outro. Contudo, o padrão que mede duas coisas é, de certo modo, diferente de ambas. Você está, de fato, comparando ambos com alguma moralidade real, admitido que existe uma coisa chamada Certo real, independentemente daquilo que as pessoas pensam, e que as idéias de algumas pessoas aproximam-se mais desse Certo real do que outras. Pense da seguinte maneira: se as suas idéias morais podem ser mais verdadeiras e as dos nazistas menos verdadeiras, então deve haver alguma coisa — alguma moralidade real — para que elas sejam consideradas verdadeiras.” [4]
Absolutos morais e aplicação deles em determinada situação - É comum alguns professores de filosofia usarem uma pequena história para mostrar que não existe uma lei moral e que tudo é relativo. Veja esse exemplo: Existem cinco pessoas tentando sobreviver em um bote salva-vidas projetado para levar apenas quatro pessoas. Se uma pessoa não for jogada no mar, todos morrerão. Os alunos discutem o dilema, propõem diferentes soluções e, então, concluem que seu desacordo prova que a moralidade deve ser relativa.
O que o professor e os alunos não percebem, é que esse dilema prova o oposto. Se não houvesse uma lei moral absoluta, não haveria um dilema. As pessoas diriam “ah, joga qualquer um no mar. Quem se importa?”
Uma ordem absoluta (o que) e uma cultura relativa (como) - Há também quem diga que moral difere de cultura pra cultura. Não, não diferem. O que difere é o que eles acham que é valoroso e suas opiniões sobre isso. Mas opiniões podem estar erradas. Se uma cultura acredita que matar seis milhões de Judeus é moralmente certo, isso não torna o ato certo. Quando avaliamos o relativismo cultural em relação a moral, o que muda não é o que cada cultura faz, mas como fazem.
Absolutos Morais e desacordos morais – Usemos como exemplo o aborto. Geisler e Turek escrevem o seguinte:
“De fato, em vez de fornecer um exemplo de valores morais relativos, a controvérsia sobre o aborto existe porque cada lado defende o que acha ser um valor moral absoluto: proteger a vida e permitir a liberdade (i.e., permitir que uma mulher "controle seu próprio corpo"). A controvérsia dá-se em relação a quais valores se aplicam (ou assumem precedência) à questão do aborto. Se os não nascidos não fossem seres humanos, então o valor pró-liberdade deveria ser aplicado na legislação. Contudo, uma vez que o não nascido é um ser humano, o valor pró-vida deveria ser aplicado na legislação, pois o direito de uma pessoa à vida sobrepõe-se ao direito de outra pessoa à liberdade individual (o bebê não é simplesmente uma parte do corpo da mulher; ele tem seu próprio corpo, com seu código genético único, seu próprio tipo sanguíneo e seu gênero). Mesmo que houvesse dúvidas quanto ao momento em que a vida se inicia, o benefício da dúvida deveria ser concedido à proteção da vida — pessoas racionais não atiram com uma arma a não ser que estejam absolutamente certas de que não vão matar um ser humano inocente.” [5]
Fins Absolutos (valores) e meios relativos – Usemos como exemplo os pobres: os liberais acham que o melhor jeito de os ajudar é com o governo dando assistencia. Mas os conservadores acham que isso criaria dependencia, preferindo então estimular oportunidades economicas, dessa forma, os pobres podem ajudar a si mesmos.
Perceba que o fim é o mesmo (ajudar os pobres), mas os meios são diferentes.
Conclusão
Relativismo nos leva a conclusões absurdas, e são apenas rotas de fuga de pessoas com medo da realidade. O relativista moral, muitas vezes, segue esse caminho para continuar com seus atos imorais (e ao ler isso, achará que estou errado ao falar mal dele).
Outros Textos:
O Argumento Cosmologico Kalam
O Argumento Teleologico
O Argumento Moral
O Argumento Ontologico Modal
O Argumento Cosmologico de Leibniz (Argumento da Contingencia)
A Ressurreição de Cristo
Como Pode um Deus amoroso enviar pessoas para o Inferno?
Fontes:
[1] – Frank Turek e Norman Geisler, Não Tenho Fé Suficiente para ser ateu, p. 16
[2] – Idem., p. 28
[3] - Richard Taylor, Ethics, Faith, and Reason (Englewood Cliffs, NJ: Prentice Hall, 1985), 90, 84
[4] – Mere Christianity, p. 25
[5] - Frank Turek e Norman Geisler, Não Tenho Fé Suficiente para ser ateu, p. 140
Como pode um Deus amoroso mandar pessoas pro Inferno?
Pode um Deus amoroso mandar pessoas ao inferno? E aqueles que nunca ouviram falar de Jesus? Esse é o tipo de pergunta que persiste em nos perseguir. Mesmo entre aqueles que são Cristãos, a “tortura” da imagem do inferno parece ser demais pra ser um lugar onde um Deus amoroso enviaria as pessoas. O sofrimento eterno parece, muitas vezes, ser injusto.
Devo admitir que por algum tempo essas perguntas me perseguiram, eu não conseguia pensar que um dia, alguns de meus amigos e alguns parentes queridos iriam para um lugar tão horrível. Mas o meu problema e o problema das outras pessoas com a doutrina do inferno é que esses questionamentos são emocionais, não intelectuais. Não há inconsistência lógica entre as frases “Deus é todo-amoroso” e “Deus envia pessoas pro inferno”. Mas devem ser notadas algumas coisas antes de prosseguir com o esclarecimento e as respostas que encontrei. Primeiro, uma objeção a doutrina do inferno não é uma objeção a existência de Deus. Os espíritas, por exemplo, creem em Deus mas não crêem em céu e inferno. Algum dia eu posso dizer o porque de eu achar que eles estão errados, mas esse não é o propósito desse texto.
Segundo, o inferno não é “um mar de fogo e lava” onde Deus tortura as pessoas pela eternidade e se diverte com isso. O inferno é a separação completa de Deus.
Deus não é apenas todo-amoroso, mas também é a justiça perfeita. Com isso em mente, se o inferno não existe, então um novo pensamento surge: “Como pode, um Deus perfeitamente justo, enviar pessoas, como Hitler, para o céu?”. Mas espere um minuto, você então pensa “eu nunca matei ninguém, nunca roubei também!”. A Bíblia diz que todos falharam moralmente perante Deus, chamando essas “falhas morais” de pecados, ninguém esta no padrão necessário para ser salvo. A Bíblia diz:
“Como está escrito: “Não há nenhum justo, nem um sequer;” (Romanos 3:10)
“Todos se desviaram, tornaram-se juntamente inúteis; não há ninguém que faça o bem, não há nem um sequer” (Romanos 3:12)
“…pois todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus” (Romanos 3:23)
Em varias partes é dito que a alma pecadora deve morrer e que as conseqüências do pecado são a morte. Então, o ser humano deve viver sob a lei e ser moralmente perfeito. O único problema, é que ninguém consegue. Ou seja, ninguém merece o paraíso. Você nunca matou, mas já mentiu pra alguém, já encobriu os erros de alguém, não alertou um amigo sobre seus erros, já mentiu para seus pais, fere seu corpo (acasa do Espirito Santo) com álcool ou come em excesso, já olhou pra outra pessoa (as vezes casada ou em um relacionamento) com desejo sexual, entre varias outras coisas. Todos nós falhamos. Mas espere, isso significa que Deus vai enviar todos para o inferno?
Deus providenciou uma maneira a qual todos nós podemos ser salvos, mas depende apenas de nossa escolha: O sacrifício supremo de Jesus por nossos pecados e sua ressurreição como garantia da vida eterna. Basta aceitarmos Jesus em nossas vidas, nos arrepender de nossos pecados e tentar ser o melhor que pudermos, com Jesus em nós (Clique aqui para ver as evidencias da Ressurreição de Jesus). Jesus é a resposta para o dilema amor-justiça de Deus. Como William Lane Craig diz:
“Mesmo sendo culpados e merecendo a morte, Deus ainda nos ama. As vezes as pessoas tem a idéia de que Deus é algum tipo de tirano cósmico que fica la no alto, pronto para nos pegar. Mas esse não é o entendimento Cristão de Deus. […] Jesus morreu em nosso lugar. Ele voluntariamente levou sob si mesmo a sentença de morte dos pecados que nós merecemos.” [1]
O desejo de Deus é que todos sejam salvos. Como é dito no livro do Profeta Ezequiel:
"Teria eu algum prazer na morte do ímpio?, palavra do Soberano Senhor. Pelo contrário, acaso não me agrada vê-lo desviar-se dos seus caminhos e viver?" (Ezequiel 18:23)
"Pois não me agrada a morte de ninguém; palavra do Soberano Senhor. Arrependam-se e vivam!" (Ezequiel 18:32)
"Diga-lhes: ‘Juro pela minha vida, palavra do Soberano Senhor, que não tenho prazer na morte dos ímpios, antes tenho prazer em que eles se desviem dos seus caminhos e vivam. Voltem! Voltem-se dos seus maus caminhos! Por que iriam morrer, ó nação de Israel? ’" (Ezequiel 33:11)
Aqui (ainda na época do Antigo Testamento), Deus mostra como não gosta dos caminhos errados que as pessoas seguem. A única solução que Deus encontrou foi enviar Seu Filho, a Segunda Pessoa da Trindade, para morrer em nosso lugar. E nossa esperança esta em aceitar ou rejeitar Cristo, a escolha é sua. Deus não envia as pessoas ao inferno, são elas mesmas que seguem esse caminho.
Com tudo isso dito, uma outra pergunta aparece: Por que Deus não criou seres humanos que são livres, mas fazem sempre o certo e que aceitam a Cristo?
É importante ter em mente, que Deus ser onipotente não significa que ele pode fazer o que é logicamente impossível. Deus é onisciente, o que significa, não apenas que sabe tudo, mas que também é perfeitamente racional, e absurdos lógicos são coisas irracionais, são palavras ou proposições contraditórias. E isso não é uma diminuição do poder de Deus, até a Bíblia diz isso:
Tiago 1:17: “Toda boa dádiva e todo dom perfeito vêm do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança, nem sombra de variação”.
Deus não pode mudar, pois é perfeito, tornando-o imutavel. Um ser imutável mudar é logicamente impossível e contrario a natureza de Deus.
Tito 1:2: “Em esperança da vida eterna, a qual Deus, que não pode mentir, prometeu antes dos tempos dos séculos”.
Deus não pode mentir, pois mentir é uma imperfeição e Ele é perfeito. Um ser perfeito cometendo uma imperfeição é logicamente impossível.
Vê? Absurdos lógicos não podem fazer parte das ações de Deus, pois Ele é a base de toda a lógica. Sem lógica não há ordem e sem ordem nada faz sentido, incluindo a própria existência. Então, Deus não pode criar coisas como “solteiros casados”, “triângulos de quatro lados”, etc. E é logicamente impossível fazer agentes livres, sem a capacidade de fazerem escolha.
Há outra coisa a ser dita aqui: Acreditar que Deus existe é extremamente diferente de acreditar em Deus. Apenas crer que Deus existe não é o bastante, até os demônios crêem que Deus existe:
“Tu crês que há um só Deus; fazes bem. Também os demônios o crêem, e estremecem.” (Tiago 2:19)
Veja essa parábola contada por Jesus:
"Havia um homem rico que se vestia de púrpura e de linho fino e vivia no luxo todos os dias.
Diante do seu portão fora deixado um mendigo chamado Lázaro, coberto de chagas;
este ansiava comer o que caía da mesa do rico. Em vez disso, os cães vinham lamber as suas feridas.
Chegou o dia em que o mendigo morreu, e os anjos o levaram para junto de Abraão. O rico também morreu e foi sepultado.
No inferno, onde estava sendo atormentado, ele olhou para cima e viu Abraão de longe, com Lázaro ao seu lado.
Então, chamou-o: ‘Pai Abraão, tem misericórdia de mim e manda que Lázaro molhe a ponta do dedo na água e refresque a minha língua, porque estou sofrendo muito neste fogo’.
Mas Abraão respondeu: ‘Filho, lembre-se de que durante a sua vida você recebeu coisas boas, enquanto que Lázaro recebeu coisas más. Agora, porém, ele está sendo consolado aqui e você está em sofrimento.
E além disso, entre vocês e nós há um grande abismo, de forma que os que desejam passar do nosso lado para o seu, ou do seu lado para o nosso, não conseguem’.
Ele respondeu: ‘Então eu lhe suplico, pai: manda Lázaro ir à casa de meu pai,
pois tenho cinco irmãos. Deixa que ele os avise, a fim de que eles não venham também para este lugar de tormento’.
Abraão respondeu: ‘Eles têm Moisés e os Profetas; que os ouçam’.
‘Não, pai Abraão’, disse ele, ‘mas se alguém dentre os mortos fosse até eles, eles se arrependeriam’.
Abraão respondeu: ‘Se não ouvem a Moisés e aos Profetas, tampouco se deixarão convencer, ainda que ressuscite alguém dentre os mortos’ “. (Lucas 16:19-31)
Quem leu o Novo Testamente pode perceber que Lazaro é o único personagem com nome em todas as parábolas, enquanto o homem rico não tem nome. O que isso quer dizer? Timothy Keller nos diz:
“Na Israel daquele tempo, o homem rico não poderia ser um ateu ou um pagão. O homem rico acreditava no Deus da Bíblia, orava para o Deus da Bíblia, obedecia a lei do Deus da Bíblia, mas ele esta no inferno sem um nome. Por que? Verso 25, Abraão diz ‘lembre-se que em sua vida você teve as coisas boas, você já as teve!’ As coisas que você constrói em sua vida, você as têm. Filósofos, por muitos anos, tem falado sobre ‘Sommum Bonum’- O Maior Bem de sua vida. Qual o seu maior bem? Qual a coisa pelo qual você realmente vive? Qual a coisa que é seu bem mais valioso? O que é aquilo que da sentido a sua vida? O que é aquilo que lhe da o sentido de quem você é? […] Esse homem TEVE suas coisas boas. Status e saude eram a base para a identidade. E agora que seu status e sua saúde se foram, não há mais ‘ele’ sobrando. Ele era um homem rico ou nada.” [2]
Soren Kierkergaard diz que a definição tradicional de pecado é “quebrar a lei de Deus”, mas não apenas isso. Pecado também é quando se constroe sua identidade em qualquer coisa que não seja Deus. Tratar essas coisas como se fossem Deus. Veja os fariseus, por exemplo: Eles serviam como seus próprios “senhores” e “salvadores”, pois buscavam sua própria salvação. Eles pensavam “Somos bons, então Deus tem que nos abençoar, tem que responder nossas orações, tem que nos dar uma vida boa, tem que nos levar ao céu.”. Eles não construíam sua identidade em Deus, mas sim em sua performance moral. Sua religiosidade extrema os destrói. Por dentro eles estão cheios de orgulho e rigidez. Eles pensavam em sua posição como religiosos, assim como muitos hoje pensam “se eu tiver aquilo, eu serei importante e terei valor”.
Mesmo que você acredite no Deus da Bíblia, ore para o Deus da Bíblia e obedeça as leis do Deus da Bíblia, se o sentido de sua vida esta depositado em dinheiro, carreira, talentos, etc. o que você realmente adora é outra coisa. Se nossa alma adora outra coisa, e nossa alma é eterna, então essa coisa, no final, se torna o inferno. Essa é a metáfora do fogo. Você tem seus vícios, mas se constroe sua vida toda em cima dela, acaba se tornando escravo dela. E quando algo fica no caminho do seu vicio, quando perde esse vicio, você ao invés de ficar desanimado, você se odeia. Se odeia pra sempre. Esse é o inferno. Sua vida de auto-prazer que te controla para sempre. Você fica nessa prisão pela eternidade, sem saber pra onde esta indo e como seria de outra forma. Mas, como disse C. S. Lewis, as portas do inferno estão fechadas por dentro. Pois você esta constantemente pensando “não é tão ruim”, “eu posso agüentar”, “ninguem me entende”.
Veja o homem rico da parábola, ele continuamente pede para Lazaro o servir, como se ele ainda fosse um homem rico. Como Tim Keller notou, ele não pede pra sair do inferno, ele pede pra Lazaro ir até la servi-lo. E ele não consegue aceitar que aquilo que ele construiu sua vida, se foi.
C. S. Lewis escreveu:
“A longo prazo, a resposta a todos aqueles que se opõem a doutrina do inferno é em si mesmo uma questão: ‘o que esta pedindo que Deus faça?’ Para limpar seus pecados do passado e, a todo custo, dar a eles um novo começo? […] Ele fez, no Calvário. Perdoa-los? Mas eles não pedem perdão. Para deixa-los em paz? Temo que seja isso que ele tenha feito.” [3]
Uma outra pergunta que pode aparecer é: Mas e quanto aqueles que nunca ouviram falar de Jesus? A objeção, no entanto, falha. Como disse, Deus é a perfeita justiça, então obviamente ele não julgaria essas pessoas por não saberem o que deveriam fazer. Deus julgará eles a como responderam a revelação geral na natureza e a lei moral em seus corações:
"Pois desde a criação do mundo os atributos invisíveis de Deus, seu eterno poder e sua natureza divina, têm sido vistos claramente, sendo compreendidos por meio das coisas criadas, de forma que tais homens são indesculpáveis" (Romanos 1:20)
"De fato, quando os gentios, que não têm a lei, praticam naturalmente o que ela ordena, tornam-se lei para si mesmos, embora não possuam a lei; pois mostram que as exigências da lei estão gravadas em seus corações. Disso dão testemunho também a consciência e os pensamentos deles, ora acusando-os, ora defendendo-os.” (Romanos 2:14-15)
Isso não significa que eles são salvos sem Cristo, mas que o sacrifício de Cristo valeu pra eles também. São como as pessoas do Antigo Testamento, que não tinham consciência de Cristo, mas que foram salvas com base nas informações que receberam de Deus. Dr. Craig tem ainda outra resposta:
"Deus, como ser amoroso e bom, quer que o máximo possível de pessoas seja salvo e que delas se perca o mínimo possível. Seu objetivo, então, é alcançar o equilíbrio ótimo entre essas variáveis, para não criar mais perdidos do que o necessário para atingir certo número de salvos. Mas é possível que o mundo real (que abrange o futuro bem como o presente e o passado) tenha esse equilíbrio. É possível que, para criar o tanto de pessoas que será salvo, Deus também tenha de criar o tanto de pessoas que se perderá. É possível que, se Deus tivesse criado um mundo em que menos pessoas vão para o inferno, então, ainda menos iriam para o céu. É possível que, para alcançar uma multidão de santos, Deus tenha de aceitar uma multidão de ímpios."
"Seria possível refutar que um Deus oniamoroso não criaria pessoas que ele saberia se perderiam, mas que seriam salvas se apenas ouvissem o Evangelho. Mas como sabemos que essas pessoas existem? É razoável supor que muitas pessoas que nunca ouviram o Evangelho não teriam crido nele, mesmo que o ouvissem. Suponhamos, então, que Deus ordenou o mundo de modo tão providencial que todas as pessoas que nunca ouviriam o Evangelho sejam precisamente essas. Nesse caso, quem nunca ouviria o Evangelho e está perdido teria rejeitado o Evangelho e estaria perdido, ainda que o tivesse ouvido. Ninguém, no dia do juízo, ficaria diante de Deus e se queixaria: ‘Muito bem, Deus, então, eu não respondi à tua revelação geral na natureza nem na consciência! Mas se apenas eu tivesse ouvido o Evangelho, teria crido nele!’. Deus, portanto, diria: ‘Não, eu sabia que, mesmo se tivesse ouvido o Evangelho, você não teria crido nele. Assim, o julgamento que faço de você, com base na natureza e na consciência, não é injusto nem desamoroso’." [4]
Mas há uma ultima objeção que pode ser feita: Por que Deus não deu provas claras de sua existência para que todos pudessem acreditar nele e serem salvos? Bom, lembre-se do que foi dito la em cima: Acreditar que Deus existe é extremamente diferente de acreditar em Deus.
Se Deus tivesse dado provas concretas de sua existência logo de cara, poderia ser o caso de que varias pessoas viriam a acreditar que Ele existe, mas não querer ter um relacionamento com ele. Como é dito no canal Inspiring Philosophy:
“Se Deus estivesse no meio da Terra, com todo o Seu poder e gloria, você o adoraria e obedeceria suas leis porque iria ter medo dele e temeria ir ao inferno por ser desobediente. Você só seria bom por que você teria medo de que Deus pudesse te punir. Toda a sua motivação para ser bom não seria porque você ama Deus, ou por ser grato pelo que Ele fez na cruz. Você seria bom porque estaria preocupado consigo mesmo. Em outras palavras, você não seria bom por bondade ou por Deus, mas pelo seu próprio bem. […] Quando você esta apenas pensando em você mesmo, você se absorve. Medo te faz pensar em si mesmo, e pensar apenas em si mesmo é o que te envia para o inferno. […] Você estaria apenas pensando em si mesmo e em como se livrar do inferno. Suas ações mudariam, mas seu coração não mudaria. […] O que muda seu coração é aprender o que Deus fez por você na cruz, conhecendo o maior ato de amor que já aconteceu na história. Que é quando Deus vai por vontade própria para a cruz, mesmo sem merecer. […] Você ve que mesmo merecendo o inferno, Deus tomou isso para Ele. ” [5]
Pessoas crêem que o caminho para o céu é apenas viver uma vida boa e seguir as regras, mas esse pensamento de “faço o bem, trabalho duro, então Deus tem que me abençoar” esta errado. Esta apenas pensando em si mesmo e tentando usar suas ações morais para forçar Deus a abençoar você.
Se Deus ficasse visível em seu trono no meio do planeta, você veria a Ele e a seu reino, mas não o quanto Ele te ama, apenas teria medo. O pensamento das pessoas seria como se dissessem “Quero te dar orgulho Deus, não porque eu te amo, mas porque eu quero ser abençoado”.
Jesus veio ao mundo em um corpo fraco e sofreu pelos nossos pecados para ter um relacionamento conosco, não para que tenhamos medo dEle. Porque ele te ama mais do que você consegue imaginar, e ele não quer estar em um relacionamento onde você apenas se preocupa com a sua própria segurança. Ele te ama e quer que você o ame de volta.
Deus da Sua revelação individual a cada um de nós. Uma analogia seria aquela pessoa que você ama, mas não te ama de volta. Você a da flores, envia cartões e da chocolates, mas se ela não corresponde e você a ama de verdade, você a deixa livre. Você não ama Deus, Ele não ira te forçar a amá-lo. Você não quer estar com Deus agora, não vai querer pela eternidade.
“Eis que estou à porta e bato. Se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei e cearei com ele, e ele comigo.”
Apocalipse 3:20
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Seria o Cristianismo uma Escravidão?
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Fontes
[1] - Reasonable Faith: Can a Loving God Send People to Hell? The Craig-Bradley Debate - http://www.reasonablefaith.org/can-a-loving-god-send-people-to-hell-the-craig-bradley-debate#ixzz333qtZZq7
[2] - Tim Keller- Hell: Isn’t the God of Christianity an angry Judge? - https://www.youtube.com/watch?v=YmTAotnklKI
[3] – C. S. Lewis, The Problem of Pain, p. 128
[4] – Reasonable Faith, “Como é possível Cristo ser o único caminho para Deus?” - http://www.reasonablefaith.org/portuguese/como-e-possivel-cristo-ser-o-unico-caminho-para-deus
[5] - InspiringPhilosophy - Why There is No Proof of God - https://www.youtube.com/watch?v=CBu_Jw61UZE
Por que existe algo ao invés do nada? - Argumento Cosmológico Leibniziano
O ser humano, ao contrario dos outros seres vivos, é a única criatura no universo que pergunta “Por que?”. Talvez a pergunta mais profunda que nós possamos fazer seja “Por que existe algo ao invés do nada?”.
Imagine que você anda pela floresta e no meio das arvores e folhas, encontra uma bola translúcida. Você imediatamente se pergunta “por que essa bola esta aqui?”. Agora, imagine que essa bola é do tamanho de uma casa. A mesma pergunta aparece. Ou que a bola é do tamanho do planeta... Mesmo problema. E que tal do tamanho de todo o universo? A mesma pergunta permanece.
Esse exemplo, dado por Richard Taylor, mostra que qualquer coisa que exista deve ter uma explicação para sua existência. Taylor diz:
“Isso ilustra uma crença metafísica que quase parece fazer parte da própria razão, mesmo que apenas alguns homens pensem nisso; a crença de que há uma explicação para a existência de qualquer coisa, alguma razão do por que isso deve existir ao invés de não. A não-existencia de algo [...] nunca requer uma explicação; mas a existência requer [...] Se alguém perguntasse por que não há e nunca houve uma grande bola translúcida, a resposta obvia seria perguntar por que deveria haver.” [1]
Esse é o “Principio da Razão Suficiente” (PRS) do filosofo Gottfried Wilhelm Leibniz: Todo o fato que acontece, ou tudo o que existe, deve ter uma explicação para a sua existência. A explicação de algum fato se deve a alguma outra coisa ou fato, esses fatos que requerem explicação são chamados de “contingentes”. Há também aquelas coisas que dependem de si mesmas, quer dizer, sua explicação se deve a sua própria natureza. Por exemplo, muitos matemáticos e alguns filosofos acreditam que números existem necessariamente, devem sua explicação a sua própria natureza. Se formos ver algo contingente, como o fato de que a bola esta na floresta, obviamente alguém a colocou la. Essa verdade depende de algo externo para a sua existência.
O PRS não pode ser negado. Se negássemos que qualquer coisa que exista tem uma explicação para a sua existência, estaríamos atacando a própria ciência, já que não podemos aceitar que algo possa brotar do nada sem uma explicação. Nossos pensamentos e conclusões também devem ter explicações do por que ocorrem. Seria estranho negar a conclusão de que o PRS funciona, mas aceitar a conclusão de sua negação. Nossas conclusões sempre têm como explicação a nossa razão. Como Alexander Pruss diz:
“... uma vez que admitimos que algum estado de coisas contingentes não tem explicação, um cenário completamente novo de ceticismo se torna possível: não há nenhum demônio enganando você, mas seu estado percentual esta ocorrendo por nenhuma razão [...] Assim, nós não podemos nem dizer que violações do PRS são improváveis se o PRS é falso” [2]
Mas agora vem a grande pergunta: Por que o universo existe? Talvez algum cético diga que o universo é uma dessas coisas que existem necessariamente. No entanto, esse não deve ser o caso, dados vários motivos filosóficos. Para algo ser necessário, deve ser imutável, quer dizer, deve ser como é em todos os mundos possíveis. No entanto, não há nada ilógico em crer que o universo poderia ser diferente. Podemos perfeitamente imaginar um mundo possível onde não tenha objetos no universo todo. De acordo com o Princípio da Incerteza de Heisenberg, podemos ver que diferentes medidas de partículas poderiam ser feitas por um observador, resultando em algo diferente. Um exemplo para explicar melhor: Os sapatos que esta usando agora, poderia ser de aço? Claro que alguém poderia ter feito esses sapatos de aço, no entanto a pergunta é: Esse mesmo sapato que você usa nesse exato momento, poderia ser de aço? A resposta obviamente é não. William Lane Craig diz:
“Certamente as coisas são naturalmente contingentes no sentido de que a continuidade de sua existência depende de vários fatores, inclusive de massas de partículas e de forças fundamentais, temperatura, pressão, nível de entropia, etc. [...] É fácil imaginar a não existência de qualquer um dos objetos que vemos no mundo; na verdade, antes de certo ponto no passado, quando o universo era muito denso e quente, nenhum deles existia. [...] Contudo, se assim for, disso se segue que o universo não existe em decorrência de uma necessidade de sua própria natureza, uma vez que um universo constituído de um conjunto totalmente diferente de quarks (partículas fundamentais) não seria um universo igual ao nosso.” [3]
Outro coisa que torna algo necessário seria a eternidade, contudo, hoje temos bons motivos para crer que o universo teve um inicio. Pense nisso: Se o universo é eterno, isso significa que o numero de eventos passados é infinito. Mas se o numero de eventos passados fosse infinito o evento atual jamais teria chegado.
Hoje em dia, no entanto, temos evidencias de que o Universo não é eterno e teve o inicio em um evento que é chamado de “Big Bang”. Uma dessas evidencias é a descoberta da expansão do universo. Alexander Friedmann e Georges Lemaître, utilizando os cálculos da Teoria da Relatividade de Einstein, previram que o universo estava expandindo. Em 1929, Edwin Hubble confirmou essa previsão, mostrando que as luzes das galáxias distantes se deslocavam para extremidades vermelhas, esse deslocamento foi interpretado como efeito Doppler, onde fontes de luz recuavam da linha de visão. Se “rebobinarmos” a história do universo e revertermos essa expansão, chagaríamos a um ponto onde não existia absolutamente nada, nem espaço, nem matéria.
Em 2003, Alexander Vilenkin, em conjunto com Arvind Borde e Alan Guth demonstraram que qualquer universo em expansão não pode ser eterno no passado. Alexander Vilenkin afirma:
“Diz-se que o argumento convence homens racionais, e a prova convence até mesmo os irracionais. Agora que temos a prova, os cosmologistas não podem continuar a se esconder atrás da possibilidade de um universo eterno no passado. Não há escapatória, precisam enfrentar o problema do nascimento cósmico.” [4]
Outros modelos foram propostos para tentar desviar da necessidade de um inicio absoluto mostrado no modelo padrão, mas nenhum desses modelos teve sucesso. Como o modelo oscilante, modelo de flutuação do vácuo, o modelo de inflação caótica, entre outros. Mas esses modelos são repletos de problemas e, mesmo se tiverem sucesso, não escapam de um inicio absoluto.
Em 2012 Vilenkin mostrou que outros modelos cosmológicos falham em tentar desviar de um inicio absoluto. Vilenkin diz:
“Nenhum desses cenários pode ser eterno no passado.” [5]
“Todas as evidencias que temos dizem que o universo teve um inicio” [6]
No entanto, mesmo se o universo for eterno a pergunta permanece: Por que esse universo eterno existe? Ou se existir um multiverso, por que existe um multiverso, ao invés de nada?
Leibniz nos convida a imaginar vários livros de geometria sendo copiados pela eternidade. Esse regresso infinito não explica o porquê desses livros existirem. Similarmente, se o numero de eventos passados no universo for eterno, ainda temos que achar uma razão suficiente para a existência do universo eterno. Como Richard Taylor diz:
“Deve ser notado que não responde a pergunta, por que algo existe, dizer por quanto tempo essa coisa existiu. Um geólogo não supõe que ele tenha explicado por que há rios e montanhas meramente dizendo o quão velho eles são. [...] Mesmo que nós suponhamos que algo, como o sol, por instancia, tenha existido pela eternidade, e nunca ira ter um fim, ainda assim nós não podemos concluir disso que ele existe por sua própria natureza. Se, o que é muito duvidavel, o sol tenha existido pela eternidade e nunca acabará, então é possível que seu calor e luz também tenham existido pela eternidade e nunca acabarão; mas isso não nos mostraria que o calor e a luz do sol existem por sua própria natureza. Eles são obviamente contingentes e dependem do sol para existir, sendo eles sem começo e eternos ou não” [7]
Podemos então admitir que deve haver uma explicação do por que essa realidade existe e essa explicação se deve em um fato necessário, já que, se fosse contingente, necessitaria de outra explicação, levando a um numero de explicações infinitas.
- Dado o fato de que o universo (ou até mesmo multiverso) abrange toda a realidade material, temporal e espacial, a explicação de sua existência se deve a algo que transcende a matéria, o tempo e o espaço. Só há dois possíveis candidatos que se encaixam nessa descrição: Um objeto abstrato ou uma mente sem corpo. Já que um objeto abstrato não pode explicar nada, muito menos um universo, a única explicação plausível é uma Mente Transcendente, eterna e necessária.
- Natureza não pode ser a explicação do universo natural, seria como dizer que você é a explicação de si mesmo.
- Essa explicação também deve ser um agente pessoal. Pois, se fosse apenas um conjunto de coisas necessárias, como poderia explicar uma realidade contingente como o universo? Se a explicação fossem forças impessoais necessárias, seu efeito seria continuamente necessário também. O único jeito de uma explicação necessária ter como efeito algo contingente como o universo, é se essa explicação for um agente pessoal.
Portanto, a explicação deve, necessariamente, um agente pessoal transcendente. Essa explicação é exatamente o que chamamos de Deus, o qual a explicação de Sua existência esta em sua própria natureza.
Podemos argumentar então:
Premissa 1 – Tudo o que existe tem uma explicação para a sua existência; ou por necessidade de sua própria natureza ou em uma explicação externa.
Premissa 2 – Se o universo tem uma explicação para a sua existência, essa explicação é Deus
Premissa 3 – O universo existe.
Premissa 4 – Portanto, o universo tem uma explicação para a sua existência. (de 1 e 3)
Premissa 5 – Portanto, a explicação para a existência do universo é Deus. (de 2 e 4)
Conclusão – Portanto, Deus existe.
Outro motivo para podermos dizer que Deus é uma explicação plausível para universo é que a afirmação da Premissa 2:
“Se o universo tem uma explicação para a sua existência, essa explicação é Deus.”
É logicamente equivalente ao que os naturalistas sempre disseram:
“Se o ateísmo é verdade, o universo não tem explicação para a sua existência.”
Possíveis Objeções
A objeção de Peter Van Inwagen – Como pode algo contingente ser explicado por algo necessário? Se algo necessário causa seu efeito, então seu efeito deve ser necessário também
Aqui, Van Inwagen falha pois acha que o argumento diz que cada explicação deve implicar o fato que explica. No entanto, apesar desse ter sido um erro no argumento original de Leibniz, esse não é um erro nessa versão. A premissa 1 foi justamente formulada para concertar esse erro, já que apenas requer que tudo que existe deve ter uma explicação. William Lane Craig diz:
“... o teista poderia manter que para cada coisa contingente existente, há uma explicação do porque essa coisa existe. Ou novamente, ele poderia afirmar que tudo o que existe tem uma explicação para sua existência, ou na necessidade de sua própria natureza ou em uma causa externa [...] essas são versões mais modestas, não-paradoxicas, e aparentemente mais plausíveis do PRS. Então, a objeção feita por Van Inwagen erra o alvo – ou, mais precisamente, é mirada em outro alvo” [8]
Então, essa objeção falha pois a premissa 1 não diz que uma explicação deve implicar a coisa que esta explicando, apenas que ela explique o porque dessa coisa estar ali.
Um dia poderemos explicar o universo completamente em princípios contingentes
O problema é que princípios contingentes, ou científicos, não podem ser a razão do porque algo existe. Alexander Pruss responde:
“Um principio não pode por si só puxar seres para a existência de um chapéu mágico metafísico, já que o próprio principio deve ser verdade de alguma coisa e a verdade em virtude de alguma coisa.” [9]
Princípios são apenas descrições de como as coisas são, eles não se mantem como a razão para a existência de coisas concretas.
Apenas as coisas dentro do universo tem explicações, o universo existe inexplicavelmente
Essa objeção comete a “falácia do táxi”, que quer dizer, você não pode descartar a premissa 1 como um táxi assim que chega a seu destino. Seria arbitrário dizer que o universo é exceção a regra.
Mas então, qual seria a explicação de Deus? Bom, como já foi dito la em cima, a explicação Dele deve ser em sua própria natureza, por motivos já mencionados.
É impossível o universo ter uma explicação
O naturalista pode dizer que a explicação do universo teria que existir antes do universo, mas que antes do universo não existia nada e que a explicação teria que ser nada, assim sendo impossível para este ter uma explicação. Essa objeção, no entanto, é bastante falaciosa, já que essa afirmação assume que o universo material é tudo que existe, sem nenhuma prova, evidencia ou razão para se crer nisso. Ou seja, essa objeção assume que o ateísmo/naturalismo seja verdade, assim, comete de petição de principio.
Conclusão
Dadas as objeções fracas, o Argumento da Contingência (ou Argumento Cosmológico de Leibniz) nos leva a conclusão lógica de que a melhor explicação para a existência do universo (mesmo se fosse eterno) se deve a um ser necessário, o qual chamamos de Deus.
Texto Relacionado:
O Argumento Cosmológico Kalam
Fontes
[1] – The Cosmological Argument: A Defense - http://mind.ucsd.edu/syllabi/02-03/01w/readings/taylor.pdf , p. 1
[2] - The Blackwell’s Companion to Natural Theology, p. 28 (Ou pode ser lido aqui de graça nesse link - https://bearspace.baylor.edu/Alexander_Pruss/www/papers/LCA.html)
[3] – William Lane Craig, Apologética Contemporânea, pp. 104-105
[4] - Alex Vilenkin, Many Worlds in One: The Search for Other Universes, New York: Hill e Wang, 2006, p. 176.
[5] – Did the Universe have a Beginning? Alexander Vilenkin - https://www.youtube.com/watch?v=NXCQelhKJ7A
[6] - A.Vilenkin, citado em “Why physicists can't avoid a creation event,” por Lisa Grossman, New Scientist
[7] - The Cosmological Argument: A Defense - http://mind.ucsd.edu/syllabi/02-03/01w/readings/taylor.pdf , pp. 3 e 5
[8] - Reasonable Faith Q&A with William Lane Craig #132: Leibniz’s Cosmological Argument and the PSR - http://www.reasonablefaith.org/leibnizs-cosmological-argument-and-the-psr
[9] – The Blackwell’s Companion to Natural Theology, p. 79 (Ou pode ser lido aqui de graça nesse link - https://bearspace.baylor.edu/Alexander_Pruss/www/papers/LCA.html)
Seria o Cristianismo uma Escravidão?
Por que qualquer pessoa iria querer se tornar cristã? Você não perde toda a liberdade? Ao invés de fazer o que quiser você tem que viver sob as regras que Deus lhe deu. Como alguém pode gostar disso? Esses são pensamentos que céticos tem sobre o Cristianismo e eles parecem pensar que nós desistimos de toda a nossa liberdade. Mas Paulo diz em sua carta aos Gálatas que temos liberdade em Cristo. Como pode isso? Como pode o Cristianismo ser a liberdade? A verdade é que nós Cristãos achamos mais liberdade em Cristo, do que vivendo sem Ele. Isso porque “liberdade” é um pouco mais complexo do que o que nós tradicionalmente pensamos sobre isso.
O filosofo Isaiah Berlin escreveu um documento chamado “Two Concepts of Liberty”, onde ele mostra que existem dois tipos de liberdade: A liberdade negativa e a liberdade positiva [1]. Liberdade negativa é o que nós tradicionalmente pensamos: O que nós somos capazes de fazer dentro de nossa capacidade, ou quantas opções nós temos disponíveis. Por exemplo, eu sou livre para deixar o mouse e teclado agora e ir para as ruas, ou posso ir na cozinha fazer um lanche. Tenho diversas opções disponíveis. É isso o que nós normalmente pensamos quando pensamos no que é ser livre. É quando nós somos livres para fazer como quisermos, sem restrições, ou liberdade de restrições. Mas há um senso melhor de liberdade, o que ele chama de liberdade positiva, e isso é o que os humanos verdadeiramente tentam obter. Liberdade positiva é o que nós somos livres para nos tornarmos. É a liberdade para nos tornarmos algo melhor ou achar um propósito fundamental, que nos da paixão e razão para viver. Para ilustrar, nesse exato momento, você não é livre para ser um homem de negócios rico. Mas se você fizer disso o seu propósito, você vai dedicar sua vida a isso, restringindo você mesmo para alcançar esse objetivo. Trabalhar duro e usar tempo valioso para então experimentar a liberdade positiva, se tornando algo melhor, sendo preenchido com um propósito. Mas para chegar la, você terá que desistir de todo o tipo de liberdade negativa. Para alguns de seus amigos, que preferiram dar a seus desejos mais liberdade negativa e viver “o momento”, talvez pareça que você é um escravo desse propósito que esta tentando alcançar. Mas para você, você estaria experimentando um melhor senso de liberdade, um que você esta sendo preenchido com propósito e sentido, se tornando algo melhor para se preencher com satisfação e um melhor senso de vida. Quando você conquista essa sensação de liberdade positiva, você também encontra em si mesmo mais liberdade negativa disponível, do que se você nunca tivesse se obrigado a se tornar alguém com mais conhecimento, controle e habilidades. Nesse sentido, melhorando a nós mesmos também nos liberta da ignorância, desejos menos racionais e de curta gratificação. Liberdade positiva nos leva a uma vida melhor. Com uma melhor liberdade de desejos menores, e melhor satisfação.
Na verdade, todos nós tentamos obter liberdade positiva de alguma forma. Crescendo como uma pessoa mais madura intelectualmente, nos da a mais liberdade do que teria sido se nós nunca tivéssemos restringido nossa liberdade negativa disponível a nós. Um grau no Ensino Medio é mais livre do que o abandono da escola. E todos nós desejamos nos tornar algo melhor e obter um propósito que nos liberta para um maior senso de vida. Seja nos dedicando a uma carreira, uma causa social, uma paixão, um membro da família ou uma missão espiritual, todos nós buscamos alguma coisa para nos libertar para um melhor senso de liberdade e satisfação. Mesmo que nós estivermos buscando nos lugares errados, há algo em todos nós buscando liberdade e propósito em alguma coisa maior do que nós somos agora. Apenas tendo liberdade negativa, não nos da aquilo que desejamos e é por isso que buscamos um senso maior de liberdade. O que Cristãos perceberam é que tentar conquistar esse propósito nunca vai funcionar.
Quando nós tentamos encontrar propósito e experimentamos uma liberdade mais profunda em algo, nós temos que trabalhar por isso. Leva tempo e dedicação. No entanto, o que encontramos é que nunca é o bastante.
Se você construir sua vida em uma carreira, isso lhe dará um senso de propósito e liberdade positiva, mas você terá que continuar trabalhando nisso para continuar avançando. Uma sensação de satisfação nunca estará la, porque sempre há mais para ganhar ou mais áreas para crescer. Você se torna um escravo disso porque nunca há um ponto final. Apenas um desejo que te consome para se manter avançando e aprimorar a si mesmo. Se você tentar encontrar liberdade positiva em uma causa ou paixão, isso lhe dará a sensação de conquistar alguma coisa, mas não ira te preencher com a garantia que você precisa, que você é mais do que apenas valores disponíveis. O propósito em uma causa, como uma carreira, é construído em quão bem você faz isso, ou como isso progride. E se você começar a falhar, ou falha em alcançar isso, então você perdeu a única coisa para a qual você estava vivendo e seu mérito com isso. Mas e que tal achar satisfação em alguém amado? Como uma esposa ou uma criança? O que temos que encarar é que eles são humanos assim como nós, que também tem defeitos e nunca serão tão perfeitos como nós queremos que eles sejam. Quando nós estamos colocando neles todos os tipos de padrões que eles nunca serão capazes de alcançar, nós ou perdemos eles ou encaramos que eles nunca viverão de acordo com o padrão que queremos. Tentar encontrar propósito em alguém amado ou vivendo através de seu filho, fará você encarar as conseqüências inevitáveis de que eles não são altruístas ou feitos apenas para te preencher. Colocar seus maiores propósitos em outro ser imperfeito apenas lhe trará de volta mais imperfeição.
O que nós encontramos como Cristãos é que, não importa o que você procure, você nunca se preencherá com a garantia que precisa. Pois você ira ou falhar por seus próprios defeitos ou falhará em encontrar aquilo que você realmente precisa. Mas como Cristãos, nós achamos liberdade positiva em Cristo. Ao invés de ter que conquista-lo por seu trabalho ou sacrifício, já foi pago por nós. Ao invés de ter que trabalhar para isso e lidar com seus defeitos, a inabilidade de algum dia ser bom o bastante, o amor de Cristo é dado gratuitamente e pagou por tudo. Ao invés de tentar achar amor e liberdade em um ser imperfeito, nós achamos liberdade no único ser perfeito, que sabia que nós nunca seriamos capazes de encontrar preenchimento verdadeiro, se isso fosse baseado no que nós fizemos. Nós sempre falharíamos e nunca nos preencheríamos e nos satisfaríamos se isso fosse baseado em nossas próprias obras. E é por isso que ele veio e foi para a cruz para derrotar nossos pecados. Ele viveu a vida perfeita por nós. Em seu amor, nós encontramos preenchimento. Nós não temos que merecer ou trabalhar por isso. Mas ao invés disso, saber que somos amados por quem nós somos. Que através de Seu sacrifício somos feitos completos. Sem nossos defeitos ficando em nosso caminho ou nos segurando. Liberdade em Cristo tira de nós a escravidão que qualquer um tem que encarar em outro lugar, pois não há nada que precisa ser conquistado. Então não somos escravos de nosso próprio trabalho ou esforço, mas amor e preenchimento são dados gratuitamente ao que somos. O que isso significa é que, ao invés de tentar encontrar liberdade positiva em uma paixão, causa, carreira ou em algum outro ser humano, já nos foi dado um propósito, e libertos no único ser perfeito. Como Cristãos ao invés de usar os outros como meios para preencher nossos propósitos, nós podemos descansar no amor e garantia de Cristo. Podemos fazer o bem, sem a necessidade de usar isso como motivo oculto para nos preencher. Podemos amar assim como Cristo nos amou.
Então, quando céticos dizem que querem nos libertar da “escravidão do Cristianismo”, o que eles não percebem é que eles não estão oferecendo verdadeira liberdade positiva a nós. Mas sim, um retorno a um lugar onde nós nos vemos como menos do que somos e escravos de auto-gratificação e desejos que não nos preenchem. Embora eles achem que estão nos libertando em um senso positivo para nos tornar algo melhor, Cristãos encontraram verdadeira liberdade no amor e conhecimento de Cristo. Que nos preenche de uma forma que nada mais consegue ou pode fazer.
Então, seria o Cristianismo uma escravidão? Muito pelo contrario. Há verdadeira liberdade positiva e propósito encontrados em Cristo, que nos preenche com garantia de amor e aceitamento. O amor de Deus é dado livremente a nos liberta de procurar isso em lugares que nunca conquistaremos isso. Já nos foi fado gratuitamente o aceitamento de Deus, nós não temos que merecer isso ou provar nosso trabalho, como alguém teria se procurasse em qualquer outro lugar. E isso nos libertou e nos equipou para usar nossas vidas para espalhar essa mensagem de esperança e liberdade. Recebendo o amor e a liberdade de Cristo nós fomos preenchidos de uma forma que nada mais pode, e nos da o que precisamos para realmente fazer desse mundo um lugar melhor. Sem ter que usar isso como um motivo oculto para nos preencher.
Fazer o bem não é mais um meio para um fim, mas o fim em si mesmo. Quando nós como Cristãos verdadeiramente nos rendemos a Cristo, somos livres para buscar o bem nessa vida, e dedicar a fazer esse mundo um lugar melhor, sem precisar usar isso para nos preencher. Verdadeira liberdade esta em conhecer a Cristo e conhecer o que Ele fez por nós. Nada mais vai te preencher ou ao menos se comparar a isso.
“Eu vim para que tenham vida, e a tenham com abundância.
Eu sou o bom Pastor; o bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas.”
João 10:10-11
Traduzido do vídeo:
InspiringPhilosophy – Is Christianity Slavery? - https://www.youtube.com/watch?v=oss10S0GF78
[1] Two Concepts of Freedom - http://www.wiso.uni-hamburg.de/fileadmin/wiso_vwl/johannes/Ankuendigungen/Berlin_twoconceptsofliberty.pdf
É possível que Deus exista? Então Ele deve existir - O Argumento Ontológico Modal
Por volta do Século XI, um homem de nome Anselmo trabalhava em argumentos para a existência de Deus. Anselmo queria um único argumento que provasse de vez a existência de Deus, então ele bolou o que se chama “Argumento Ontológico”, baseado na própria idéia do conceito de Deus.
A versão de Anselmo segue a ideia de que Deus é o maior ser concebível. Se conseguir conceber algo maior do que Deus, então esse será Deus. No entanto, o maior ser concebível não poderia existir somente na mente das pessoas, teria que existir na mente e na realidade, já que é melhor existir na mente e na realidade do que apenas na mente. Colocando em premissas, fica dessa forma:
Premissa 1 – Deus é um ser que nada maior pode ser pensado
Premissa 2 – Coisas existem apenas na mente ou na mente e na realidade.
Premissa 3 – É maior pra um ser existir na mente e na realidade do que apenas na mente
Conclusão – Portanto, Deus existe na mente e na realidade.
O argumento de St. Anselmo foi bem controverso por séculos, pois, apesar de ter certa lógica, não parecia ser “prova definitiva” como pensara. No entanto, a versão que vou defender aqui não é essa, mas sim a versão Modal do argumento, desenvolvida por um dos maiores filósofos da atualidade: Alvin Plantinga.
O Argumento Ontológico Modal
Para se entender esse argumento, é necessário primeiro entender o conceito de mundos possíveis (caso contrario, acabará como Richard Dawkings e 90% dos youtubers que acham que refutaram o argumento). Um mundo possível não é um “universo paralelo” ou um outro planeta, mas sim apenas uma descrição de como a realidade poderia ser. É uma forma de filósofos testarem uma idéia para ver se é lógica, perguntando se pode existir em algum mundo como o nosso.
Há três maneiras de definir um ser ou entidade no argumento ontológico:
Impossível - Significa que não existe em nenhum mundo possível.
(Ex: Triângulos de quatro lados, solteiros casados, etc)
Contingente - Existe em alguns mundos possíveis.
(Ex: Unicórnios)
Necessários – Tem que existir em todos os mundos possíveis.
(Ex: Muitos matemáticos acreditam que números existem necessariamente, que nenhum mundo possível pode não conter números. Outro exemplo seria um quadrado, que tem quatro lados em todos os mundos possíveis.)
Como Deus é um Ser de Grandeza Máxima, ele tem todas as propriedades de excelência máxima ao maximo, que quer dizer que ele tem todas as propriedades que são melhores de se ter. Um Ser de Grandeza Máxima deve ser então: Todo Poderoso (já que é melhor do que ser só poderoso ou fraco), Todo Sábio (já que é melhor do que ser apenas sabio ou ignorante), Todo Amoroso (Já que é melhor do que ser só amoroso ou odioso), entre outros. Ele não pode ter imperfeições e corrupções, já que essas são propriedades de excelência menor. Um Ser de Grandeza Maxima deve ser também Necessário, já que é melhor ser necessário do que contingente. Se fosse apenas contingente, existiria apenas em alguns mundos possíveis, o que o tornaria menor do que é.
Resumidamente, o argumento fica:
Premissa 1 - É possível que um Ser de Grandeza Máxima (Deus) exista.
Premissa 2 - Se é possível que um SGM (Deus) exista, então ele existe em algum mundo possível.
Premissa 3 - Se um SGM (Deus) existe em algum mundo possível, ele deve existir em todos os mundos possíveis (Pois deve ser uma entidade Necessária!)
Premissa 4 - Se um SGM (Deus) existe em todos os mundos possíveis, ele existe no mundo real.
Premissa 5 - Se um SGM (Deus) existe no mundo real, então ele existe.
Conclusão - Portanto, um SGM (Deus) existe.
Apesar de confuso a principio, esse é um argumento bastante poderoso. A única premissa que tem que ser defendida é a primeira, já que as premissas 2 a 6 são incontroversas. A maioria dos filósofos acredita que, se a existência de Deus for meramente possível, então Ele deve existir.
Então, para provar que Deus não existe, seu conceito tem que ser mostrado como logicamente impossível, como o conceito de um solteiro casado ou um quadrado redondo.
Objeções
O Argumento Ontologico incorre petição de principio.
“Petição de principio” é uma falácia lógica ocorrida quando a conclusão de um argumento é considerada provada sem nenhuma nova informação alem da que é dada em apenas uma das premissas. Ou seja, a confirmação é verdadeira pois refere-se a própria afirmação para confirmar a afirmação. Por exemplo:
Premissa 1 – Aquele cara é feio pois não é atraente
Conclusão – Portanto, ele é feio.
Não há nenhuma razão independente da primeira premissa para afirmar que o cara é feio.
Seria esse o caso do Argumento Ontológico? Céticos dizem que sim, pois no argumento Deus é definido como um ser necessário, e tudo o que é necessário deve existir, então Deus deve existir pois é necessário. Como “Deus é necessário, portanto Ele existe”.
Céticos dizem que a primeira premissa é equivalente a conclusão. Então o argumento é reduzido a:
Premissa 1 – É possível que seja necessário que um SGM (Deus) exista
Conclusão – Portanto, Deus existe.
Se esse fosse o argumento, então iria incorrer de petição de principio. Mas isso é uma péssima representação.
A primeira coisa a se notar é que há uma confusão entre “de dicto” e “de re”.
“De dicto” é a necessidade de uma afirmação.
“De re” é a necessidade de algo
A primeira premissa do argumento ontológico afirma que certa afirmação é possível, a afirmação de que um Ser de Grandeza Máxima existe ou que Grandeza Máxima é exemplificada. Não é a afirmação, “é possível que seja necessário que um SGM (Deus) exista”. A afirmação envolve a iteração de duas modalidades “de dicto”.
Há uma confusão de “equivalência lógica” com “sinonímia”. Dizer que “Possivelmente, um Ser de Grandeza Máxima existe” é, de fato, logicamente equivalente com “Possivelmente, é necessário que um Ser de Excelência Máxima exista.”. Mas essas afirmações não significam a mesma coisa. É o significado de uma afirmação que é relevante ao estado epistemico para nós, não suas vinculações lógicas. Uma afirmação pode parecer verdade para nós mesmo se nós não estivermos alerta de suas implicações lógicas. Isso é, portanto, um erro dizer que “’possível necessário’ é o mesmo que ‘necessário’”, se por “é” você quer dizer “significa”.
Vale lembrar que esse é um argumento dedutivo. O argumento é valido através de raciocínio dedutivo, não por processo redutivo. A natureza de um argumento dedutivo é que a conclusão esta implícita nas premissas, esperando para ser explicita por meios de regras lógicas de inferência [1]. Como:
Premissa 1 – Todos os homens são mortais
Premissa 2 – Sócrates é um homem
Conclusão – Portanto, Sócrates é mortal.
Ou seja, a equivalência lógica da conclusão do Argumento Ontológico com sua primeira premissa apenas mostra que esse é um argumento dedutivo valido, não um que cometa petição de principio.
O que parece é que os céticos estão confundindo um argumento que que incorre de petição de principio com raciocínio circular.
Raciocínio Circular é quando uma premissa, tanto implícita quanto explicita, é equivalente a conclusão. Como:
Premissa 1 – A mesma condição de verdade que a conclusão
Premissa 2 – Outra razão conectando as duas
Premissa 3- Outra razão conectando as duas
Conclusão – A mesma condição de verdade que a Premissa 1
Na maioria das vezes é um problema, mas se um argumento quer apenas informar, ao invés de persuadir então não é um problema e pode ser usado. Uma boa maneira que o raciocínio circular é usado é para simplificar dados em uma teoria. Teorias cientificas confiam distintamente nesse tipo de raciocínio circular.
Se um argumento for circular, mas não incorre de petição de principio, e ainda informa, então não é um problema. E é exatamente isso o que o argumento ontológico faz. Ele mostra que a Premissa 1 é logicamente equivalente a Conclusão por raciocínio dedutivo. Vendo a Premissa 1 (É possível que um SGM (Deus) exista) ninguém iria dizer que Deus existe. Mas vendo todo o raciocínio dedutivo do argumento, pode-se ver que a conclusão e a primeira premissa são logicamente equivalentes. Dizer que Deus é possível, é também o mesmo que dizer que Ele existe.
Então, nessa versão do argumento e em outras, o argumento é mais para nos informar da ontologia de Deus, nos dizendo que se ele é Metafisicamente Possível, então ele Necessariamente existe. Mostrar esse ponto obvio e dizer que o argumento incorre de petição de principio, é simplesmente um mal entendido. [2]
A Objeção de Dawkins
Dawkins começa citando Emanuel Kant, que diz que existência não é uma perfeição. Mas, o argumento de Plantinga não pressupõe isso. Então é irrelevante.
Dawkins vai adiante tentando provar que Deus não existe dizendo que um “Deus que criou o universo, enquanto não existe é maior do que um Deus que criou existindo”. No entanto, essa parodia na verdade reforça o argumento. Dr. William Lane Craig diz:
“Ironicamente, essa paródia, longe de minar o argumento ontológico, na verdade o reforça. Porque um ser que criou tudo, embora não exista, é uma incoerência lógica e, portanto, impossível: não há nenhum mundo possível que inclua um ser não existente que cria o mundo. Se o ateu teima em sustentar — por obrigação — que a existência de Deus é impossível, o conceito de Deus teria de ser igualmente incoerente. Mas não o é. Isso dá sustentação à plausibilidade da Premissa 1.” [3]
Dawkins vai em frente e diz que “conseguiu provar que porcos voam adaptando o argumento ontológico”, e diz que para responder, os teólogos tem que recorrer a lógica modal pra demonstrar que ele estava errado.
Fica evidente que Dawkins é quase uma mosca quando se trata de filosofia. O argumento ontológico É um exercício de lógica modal, a lógica do possível e do necessário.
Paradoxo da Onipotência – Poderia Deus criar uma pedra tão pesada que nem Ele mesmo consiga carregar?
Resposta: O problema com essa objeção é que ela assume que Deus pode fazer absurdos lógicos. Onipotência divina nunca significou poder fazer o que é logicamente impossível. Até mesmo a Bíblia diz que tem certas coisas que Deus não pode fazer (ex: Deus não pode mentir, Deus não pode citar o nome de alguém maior que ele, etc). Então, Deus não pode criar coisas como “solteiros casados”, “triângulos de quatro lados”, “políticos honestos”, etc.
Versão Lógica do Problema do Mal
Já respondido em outro texto (Clique Aqui)
O filosofo Peter Van Inwagen escreve:
“Costumava ser muito dito que o mal era incompativel com a existência de Deus. Que nenhum mundo possível poderia conter tanto Deus quanto o mal. Até onde posso dizer, essa tese não é mais defendida.” [4]
William Alston, que foi um professor emérito de filosofia da Universidade de Syracuse, diz:
“O esforço para demonstrar que o mal refuta Deus é hoje reconhecido em quase todos os lados da filosofia como completamente falido” [5]
Problema da Imperfeição
A objeção diz que se existe um criador perfeito, ele não criaria um mundo imperfeito.
O problema é que esse mundo não é imperfeito da perspectiva de todo o universo. Alem disso, dizer que há um mundo imperfeito pressupõe a idéia de um mundo perfeito, e na tradição Judaico-Cristã, cremos que Deus criou um mundo perfeito, mas que se tornou imperfeito quando o pecado entrou no mundo.
Não há evidencia empírica de que Deus exista. Portanto, ele não existe.
O problema é que ausência de evidencia não é necessariamente evidencia de ausência. Por exemplo, em uma situação hipotética onde há um crime, só porque não há evidencia de que o mordomo cometeu o crime, não significa que o mordomo não cometeu o crime. O que nos faz desacreditar em algo, não é a ausência de evidencia, mas sim a evidencia de que não existe algo. Por exemplo, o motivo pelo qual não acreditamos em um bule de chá na órbita entre a Terra e Marte é a evidencia presente de que ninguém lançou tal peça de porcelana no espaço e de que não foi colocada por estra-terrestres.
Alem disso,a frase “Só devemos acreditar naquilo que tem evidencia empírica”, tem alguma evidencia empírica para suportá-la?
Deus não é um ser tridimensional, e não pode ser provado por observação do mundo, apenas por seus efeitos (origem do universo, ajuste do universo, lei moral, etc). Seria como Hamlet tentar provar a existência de Sheakespear.
O argumento apenas requer que seja possível que Deus exista. Para mostrar que não existe não basta dizer que não existe, tem que ser mostrado que é logicamente impossível.
Argumento Ontológico Reverso
Uma parodia do argumento que tenta mostra-lo ao contrario, da seguinte forma:
Premissa 1 - É possível que um SGM (Deus) não exista
Premissa 2 - Se é possível que um SGM (Deus) não exista, então ele não existe em algum mundo possível.
Premissa 3 - Se um SGM (Deus) não existe em algum mundo possível, ele não existe em nenhum mundos possíveis
Premissa 4 - Se um SGM (Deus) não existe em nenhum mundo possívei, ele não existe no mundo real.
Premissa 5 - Se um SGM (Deus) não existe no mundo real, então ele não existe.
Conclusão - Portanto, um SGM (Deus) não existe.
O problema esta na premissa 2, que diz que Deus não existe em algum mundo possível. Mas para isso, ele teria que ser mostrado como impossível. Já que o conceito de um Ser de Grandeza Máxima não foi mostrado como impossível, então ele pode existir em algum mundo possível. Se existe em algum mundo possível, existe em todos.
Alem disso, o Argumento da Perfeição Modal mostra de Grandeza Máxima é possível:
1- Se uma propriedade é uma "propriedade que torna mais excelente",
sua negação é uma "propriedade que torna menos excelente".
2- "Propriedades que tornam mais excelentes" não implicam logicamente "propriedades que tornam menos excelentes"
(Faz sentido, porque como poderia uma "propriedade que torna mais excelente" ser uma "propriedade que torna mais excelente" se exigisse falhas?)
3- A grandeza máxima é a maior [mais excelente] de todas as "propriedades que tornam mais excelente", consequentemente a grandeza máxima não pode implicar sua negação de não-(grandeza máxima).
Numero 3 é importante, porque na lógica modal, é perfeitamente razoável para uma propriedade que é logicamente impossível implicar o seu oposto
Exemplo: Circularidade quadrada.
Uma vez que a "circularidade quadrada” é uma propriedade impossível, então todas as coisas devem negar a "circularidade quadrada". O que significa que tudo implica a "não-circularidade quadrada".
Circularidade quadrada - Impossível
- Então todas as coisas devem negar a "circularidade quadrada"
- Significa que todas as coisas devem implicar a "não-circularidade quadrada". (Incluindo propriedades impossíveis)
- O que significa que "circularidade quadrada" implica (logicamente) a "não-circularidade quadrada"
Se uma grandeza máxima fosse impossível
- então todas as coisas devem negar a Grandeza Máxima
- Significa que todas as coisas DEVEM implicar a "não-Grandeza Máxima" (incluindo propriedades impossíveis, como a própria Grandeza Máxima)
- Portanto, Grandeza Máxima implica em "Não-Grandeza Máxima"
Porém, "Grandeza Máxima" não pode implicar o seu oposto, porque "propriedades que se tornam excelentes" (como a Grandeza Máxima) não podem ser "propriedades que tornam Excelentes" e ao mesmo tempo implicar falhas de "propriedades que tornam menos excelentes". Alem disso, a Grandeza Máxima é a Perfeição e se a perfeição é logicamente absurda, então não podemos definir adequadamente coisas como "mal", "ódio" ou "ignorância" como imperfeições. Alguém pode definir a "ignorância" como uma "propriedade que torna mais excelente", ao lado da "inteligência", o que seria incoerente. Então se a Grandeza máxima é possível, então em alguns mundos há um ser com Grandeza Máxima.
Tentativa de mostrar que um ser físico de grandeza máxima existe
Usaremos como exemplo um unicórnio:
Premissa 1 - É possível que um Unicórnio de Grandeza Máxima exista.
Premissa 2 - Se é possível que um Unicórnio de Grandeza Máxima exista, então ele existe em algum mundo possível.
Premissa 3 - Se um Unicórnio de Grandeza Máxima existe em algum mundo possível, ele deve existir em todos os mundos possíveis.
Premissa 4 - Se um Unicórnio de Grandeza Máxima existe em todos os mundos possíveis, ele existe no mundo real.
Premissa 5 - Se um Unicórnio de Grandeza Máxima existe no mundo real, então ele existe.
Conclusão - Portanto, um Unicórnio de Grandeza Máxima existe.
O problema, é que um ser físico requer espaço para existir. Se fosse Maximamente Grande, existiria até mesmo em um mundo possível onde o universo é apenas um ponto singular. E nesse estado, não poderia existir algo como um unicórnio.
Outra tentativa seria uma Ilha de Grandeza Máxima. No entanto, ela sempre pode ter mais coqueiros ou garotas de hula, então é impossível chegar a Grandeza Máxima. Outro exemplo (usado por Victor Stenger em seu debate com William Lane Craig) uma Pizza de Grandeza Máxima não poderia ser comida. Portanto não seria uma pizza.
Esses são apenas alguns exemplos de parodias com seres físicos, mas você captou a idéia.
Podem haver outros Seres de Grandeza Máxima.
O cético aqui argumenta que poderiam haver mais de um SGM que existem juntamente com Deus. No entanto, se concluirmos que existe um SGM, concluímos também que só deve haver um, pois se houvesse mais de um ser Onipotente, suas vontades iriam entrar em conflito. Se um ser Onipotente criasse um unicórnio, o outro poderia não querer essa existência, o que levaria a um absurdo lógico.
Mas como podemos saber que existe apenas um ser “Todo-Amoroso” e não “Todo-Maldoso”? Bom, C. S. Lewis argumenta que é impossível alguém ser mal apenas por ser mal. O mais próximo seria alguém sendo cruel, no entanto, pessoas só são cruéis para conseguir poder, prazer ou segurança. Mas essas coisas não são ruins de ter, são coisas boas. O mal vem em tentar alcança-los do modo errado. No entanto, diferente do mal, você pode ser bom apenas por ser bom. Você pode fazer um ato de bondade sem esperar nada em troca. Portanto, o mal é apenas a corrupção do bem, tentando alcançar coisas boas pelo método errado. O Criador do Universo deve ser moralmente perfeito, já que o mal não pode existir por conta própria, mas deve ser uma corrupção do bem.
Mas isso nos apresenta outro problema: Já que amor perfeito é apenas possível com duas ou mais pessoas, como pode Deus ser perfeitamente amoroso, se antes da criação não existiam outros seres para serem amados? Seu amor depende da criação?
Não sei como as outras religiões respondem a isso, mas no Cristianismo, cremos em Um Deus que é Três Pessoas. Portanto, o Deus Trinitario da Bíblia pode existir, já que cada uma das Pessoas da Trindade ama e precisa um do outro. Portanto, apenas o Deus da Bíblia é logicamente possível.
(Mais sobre a Trindade clicando aqui)
Substituir Deus no argumento por uma equação matemática não resolvida
Céticos dizem que já que é possível que uma equação matemática (como a Conjetura de Goldbach) seja verdadeira, então a lógica modal deve mostrar que ela é verdadeira. Não podemos mostrar a validade de uma teoria matemática pela lógica modal. Então, por que usaríamos lógica modal para mostrar que Deus existe?
O problema com essa parodia é que não podemos testar infinitamente uma teoria matemática (como a Conjetura de Goldbach) para saber se ela é coerente em algum mundo possível. Mas no caso de Deus, nós podemos saber suas propriedades e avalia-las para ver se Ele faz sentido em algum mundo possível.
São dois tópicos diferentes. Para saber se algo é verdade em algum mundo possível, nós temos que saber tudo sobre esse algo para avaliar se é logicamente coerente ou não. Como não sabemos tudo sobre esses problemas matemáticos não resolvidos, então não podemos dizer se são verdade em algum mundo possível.
Contradição entre a Onisciência e a Onipotência de Deus
Céticos dizem que, já que Deus é onisciente, ele sabe tudo. Isso significa que Ele não pode mudar de ideia, então há algo que Ele não pode fazer. Portanto, Ele não pode ser onipotente.
O problema é que novamente o cético esta assumindo que Onipotência Divina significa poder fazer o que é logicamente absurdo. Onipotência significa que Deus pode fazer qualquer coisa que seja logicamente possível dentro de Sua natureza.
Dizer que Deus não pode mudar de ideia é o mesmo que dizer “Pode um ser que sabe tudo aprender algo novo?”. Um ser onisciente tem que ser perfeitamente racional e absurdos lógicos são contradições irracionais da realidade.
Se Deus sabe o futuro, tudo é predestinado. Então Deus predestinou o mal e é a causa do mal. Portanto, Deus não é moralmente perfeito.
Isso vem de uma forma limitada de ver onisciência. Deus não sabe o futuro, Ele sabe todos os futuros. Ele sabe todas as escolhas que teremos, todas as possíveis decisões que podemos fazer e todos os futuros que possam resultar de cada uma dessas escolhas. Mas ele nos da a liberdade para saber qual possibilidade será realizada.
Outra maneira de responder a essa afirmação é dizer que Deus não esta preso ao tempo. Ele não prevê o futuro do passado, mas vê todo o tempo ao mesmo tempo de fora. Deus não estava sentado um dia e disse “vou criar um universo amanha”.
Pense da seguinte maneira: O passado já é conhecido, o futuro desconhecido mas tem um enorme numero de possibilidades e o presente é a eliminatória dessas possibilidades. O conhecimento de Deus não é um processo determinante do passado. Mas sim um conhecimento do presente que é realizado pelo livre arbítrio.
O futuro para nós é cheio de possibilidades, onde os resultados são conhecidos por Deus. Mas não preditos do passado, e sim “pósdito” do presente e futuro.
“Necessidade” não é uma propriedade de grandeza máxima, já que seres contingentes podem ter propriedades de grandeza máxima alem de existência necessária.
A objeção basicamente diz que seria ridículo dizer que algo contingente, como uma musica de Mozart, que tem algumas propriedades de grandeza máxima, seria melhor se fosse necessária.
No entanto, Peter S Williams diz:
“Isso parece algo estranho de se dizer já que uma peça de musica necessariamente existente não poderia ser também algo composto por Mozart. Esse experimento pede para alguém imaginar uma peça de musica que é e não é um produto de um processo contingente de composição por uma pessoa contingente especifica, o que claramente é uma noção incoerente.” [6]
Necessidade é uma propriedade de grandeza máxima, pra qualquer coisa que possa coerentemente ter isso. Não há motivo para dizer que uma peça de musica é “necessária” nem que logicamente poderia ser. Isso não mostra que Necessidade não é uma propriedade de grandeza máxima, ou que ela não possa ser possuída por um ser.
“O Argumento Ateista Correto”
O argumento proposto por Peter Van Inwegen diz que, já que existem outros seres logicamente possíveis, eles poderiam existir, mas sua existência contrariaria a existência de Deus. Ele é assim:
Premissa 1 - É possivel que exista um mundo não-senciente
Premissa 2 - Ja que um mundo não-senciente não é incoerente, então é um mundo possivel.
Premissa 3 - Se um mundo possivel é não-senciente, então Deus não existe nesse mundo
Premissa 4 - Portanto, Deus não existe nesse mundo
Premissa 5 - Portanto, Deus não é necessario e na verdade é impossivel
Conclusão - Portanto, Deus é impossivel
O grande ponto desse argumento é dizer que, apesar do argumento ontológico ser lógico, alguém poderia formar outro argumento lógico como esse, mas não podem ser os dois verdadeiros.
No entanto, no argumento ontológico, quando filósofos dizem que Deus é possível, não estão apenas dizendo que Ele é possível apenas porque Seu conceito parece logicamente possível. Deus não é apenas logicamente possível, mas também é metafisicamente possível, pois há razões extras para crer nisso. O que isso significa é que, qualquer coisa pode ser logicamente possível se não for auto-contraditorio, enquanto ser metafisicamente possível, é mais restrito do que ser apenas logicamente possível. Então, menos coisas são metafisicamente possíveis que são logicamente possíveis. Mas a regra geral é a de que para algo ser metafísico deve haver razões adicionais alem de ser apenas logicamente possíveis.
Temos que lembrar também que o argumento ontológico é um argumento metafísico, então não podemos criar um argumento na metafísica dependendo de algo ser apenas logicamente possível.
Ao contrario desse argumento, que diz que algo é apenas logicamente possível por parecer coerente, a possibilidade de Deus é também metafísica, pois há razões adicionais para crer isso.
Trent Dougherty diz:
"Ja que todos os esforços para mostrar o conceito de Deus como contraditorio falharam, então eu concluo, um pouco relutante, que Deus existe [...] Agora, eu entendo que a maioria das pessoas isso parece como um truque, mas a maioria das pessoas não esta particularmente acostumada em seguir argumentos logicos, muito menos formas altamente especializadas de calculo logico desenvolvidos por filosofos profissionais [...] O que aqueles que conhecem isso, mas não acreditam em Deus dizem? Eles dizem que o conceito de Deus é incoerente. Eu não vi ainda qualquer argumento levemente plausivel para esse efeito. Até eu ver, o Argumento Ontologico vai ser convincente para mim. Eu devo adicionar que eu sou um convertido nesse argumento. Eu argumentava por anos que o Argumento Ontologico era falho até alguem me mostrar a versão modal. Eu sempre segui a Razão para onde ela levava e, como sempre, ela me levou a Deus." [7]
Alem disso, a probabilidade da existência de Deus aumenta graças aos outros argumentos da teologia natural (cosmológicos, teleológicos, moral, etc). Mas não devem ser como partes de uma corrente única, mas sim fazer parte de um caso cumulativo.
O próprio Alvin Plantinga diz que o argumento não funciona?
Céticos podem tentar citar Plantinga em seu livro “The Nature of Necessity”, onde ele diz:
“Deve ser concedido, no entanto, que Argumento A não é uma peça bem sucedida da teologia natural. Para este último normalmente atrai suas premissas a partir do estoque de proposições aceitas por quase todos os homem são, ou talvez quase todo homem racional. Por isso, o nosso veredicto sobre estas versões reformuladas do argumento de Santo Anselmo deve ser o que se segue. Eles não podem, talvez, ser dito para provar ou estabelecer a sua conclusão”
O problema é que essa citação esta fora de contexto. Plantinga segue dizendo:
“... Mas, já que é racional aceitar suas premissas centrais, elas devem mostrar que é racional aceitar a conclusão. E talvez isso seja tudo o que deve ser esperado de qualquer argumento” [8]
O que Plantinga esta dizendo não é que o argumento é uma perda de tempo, mas sim que o argumento não é feito e não deveria ser usado para provar que Deus existe. Na verdade, nenhum argumento da teologia natural tem esse objetivo. Os argumentos devem ser usados para mostrar que é mais racional crer que Deus existe do que seu oposto.
Conclusão
Apesar de confuso a primeira vista, o argumento é valido e faz exatamente aquilo que é proposto. Já que a existência de Deus é possível, então é mais racional crer que Ele existe do que seu oposto.
Vídeos com mais
InspiringPhilosophy – The Ontological Argument (An Introduction) - https://www.youtube.com/watch?v=RQPRqHZRP68
InspiringPhilosophy – Answering Objections to the Ontological Argument - https://www.youtube.com/watch?v=ixqsZP7QP_o
InspiringPhilosophy – Answering Objections to the Ontological Argument 2 - https://www.youtube.com/watch?v=_JRsHIN5ATY
Referencias
[1] – Reasonable Faith Q&A With William Lane Craig: Does the Ontological Argument Beg the Question? - http://www.reasonablefaith.org/does-the-ontological-argument-beg-the-question
[2] – InspiringPhilosophy: The Ontological Argument (Question Begging?) - https://www.youtube.com/watch?v=FC94N-mZnrM
[3] – Reasonable Faith: O neoateismo e cinco argumentos a favor de Deus - http://www.reasonablefaith.org/portuguese/o-neoateismo-e-cinco-argumentos-a-favor-de-deus
[4] - Peter Van Inwagen, "The Problem of Evil, the Problem of Air, and the Problem of Silence,"Philosophical Perspectives, vol. 5: Philosophy of Religion, p. 135.
[5] - William Alston, "The Inductive Argument from Evil and the Human Cognitive Condition," in Philosophical Perspectives, vol. 5: Philosophy of Religion, p. 29
[6] – “Cambridge Union Society Debate: an Analysis” por Peter S. Williams - http://www.bethinking.org/does-god-exist/cambridge-union-society-debate-an-analysis
[7] - Concise introduction to the Modal Ontological Argument for the Existence of God - http://www.abarnett.demon.co.uk
[8] - Alvin Plantinga, The Nature of Necessity – pp 219-221
Se Deus, por que mal? O Problema do Mal Resolvido.
Talvez o maior obstáculo para se crer em Deus seja o enorme mal e injustiça que há no mundo. O questionamento persiste de tempos em tempos “Se Deus existe, por que existe o mal?”..
A Versão Lógica do Problema do Mal
A versão lógica do problema do mal diz que é logicamente impossível que exista um Deus todo-amoroso e todo-poderoso no mesmo mundo em que há mal. Se existe um Deus bondoso, então ele iria querer se livrar do mal, e se é todo-poderoso, ele tem poder para se livrar do mal.
Vamos avaliar bem pra ver se esse é o caso.
Todo-Poderoso - A Defesa do Livre Arbítrio
De fato, Deus é todo-poderoso, o que significa que pode fazer qualquer coisa com Seu poder. Mas se Deus quer que haja um mundo com pessoas livres, Ele não pode garantir que elas sempre façam as escolhas certas.
Talvez o cético diga “e Deus não poderia criar agentes livres que sempre fazem o certo?”. Na verdade não. Onipotência Divina nunca significou poder fazer o que é logicamente impossível. Já que as leis da lógica foram criadas a partir da lógica de Deus, Ele não poderia ir contra essa lei, se não estaria indo contra a própria natureza. Se Ele fosse contra essa lógica, faria coisas irracionais e, como Ele é perfeitamente racional, não pode fazer coisas assim. E isso não é uma diminuição do poder de Deus. Já que a definição de onipotência divina sempre foi poder fazer o que é logicamente possível. Até mesmo a Bíblia diz que tem coisas que Deus não pode fazer:
“Toda boa dádiva e todo dom perfeito vêm do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança, nem sombra de variação”. (Tiago 1:17)
“Em esperança da vida eterna, a qual Deus, que não pode mentir, prometeu antes dos tempos dos séculos”. (Tito 1:2)
O único filosofo que dizia que Deus podia fazer o logicamente impossível era René Descartes. E se você acha que Deus pode fazer o que é logicamente impossível, então acaba com o problema do mal, já que Deus poderia criar um mundo onde Ele exista, mesmo que nesse mundo seja logicamente impossível que Ele exista.
Absurdos lógicos não são coisas, são apenas palavras que se contradizem em uma frase, como “triângulos de quatro lados”, “solteiros casados”, etc. E é logicamente impossível, criar pessoas livres que não podem fazer escolhas.
Peter Kreeft, filosofo católico, diz:
“...faça de conta que você é Deus e tente criar um mundo melhor em sua imaginação. Tente criar a utopia. Mas você tem de refletir sobre as conseqüências de tudo o que tentar melhorar. Toda vez que você usa a força para impedir o mal, você tira a liberdade. Para impedir todo o mal, você precisa remover toda a liberdade e reduzir as pessoas a bonecos, o que significa que dias então não teriam a capacidade de escolher livremente o amor. Você pode acabar criando um mundo preciso que um engenheiro poderia apreciar — talvez. Mas uma coisa é certa: você perderá o tipo de mundo que um pai iria querer.” [1]
Todo-Amoroso – Menos mal, mas mais bem?
Se Deus é todo-amoroso, Ele iria preferir um mundo com menos mal. Mas, talvez não seja realizável para Deus criar um mundo com a mesma quantidade de Bem, só que com menos Mal. Apenas em um mundo com algum sofrimento pode haver alguns bens únicos:
1- Apenas em um mundo com uma determinada quantidade de mal que um numero de pessoas venham a conhecer Deus e alcançar a salvação eterna.
2- Apenas com sofrimento as pessoas desenvolvem virtudes morais. Virtudes como compaixão, perdão e misericórdia.
3- Sem sofrimento nós não apreciaríamos os momentos bons da vida.
4- Muitas vezes, algum bem maior vem do sofrimento. Nós mesmos temos momentos onde deixamos coisas ruins acontecerem para que um bem maior apareça. Muitas vezes deixamos nossos amigos fazerem bobagens para que aprendam uma lição.
5- Sofrimento muitas vezes é resultado de mal uso do livre-arbitrio.
6- Apenas com o sofrimento nós podemos ser caridosos e amáveis com os outros.
Conclusão 1
Por esses e outros motivos que ninguém mais hoje em dia defende a versão lógica do problema do mal. Como disse o filosofo Peter Van Inwagen:
“Costumava ser muito dito que o mal era incompatível com a existência de Deus. Que nenhum mundo possível poderia conter tanto Deus quanto o mal. Até onde posso dizer, essa tese não é mais defendida.” [2]
E William Alston que foi um professor emérito de filosofia da Universidade de Syracuse, conclui:
“O esforço para demonstrar que o mal refuta Deus é hoje reconhecido em quase todos os lados da filosofia como completamente falido” [3]
A Versão Probabilística do Problema do Mal
A versão probabilística diz que, dada a quantidade de mal no mundo, então é improvável que Deus exista.
Parar o mal?
Mas então, por que Deus não para o mal? Primeiramente, porque iria interferir em nossa liberdade. Se Deus parasse todo e qualquer mal, não seriamos verdadeiramente livres. Seriamos como aquela criança que faz todo o tipo de maldade na escola e quando os pais são chamados eles encobrem o filho e dizem que a culpa é da escola. Suponha que seu filho quebre um vaso e não é castigado, mas você sempre compra um novo. Seu filho aprenderá que fez algo errado? Alem disso, de Deus parasse o mal, ele teria que começar comigo e com você. Qualquer um que ler o Novo Testamento sabe que as exigências de Jesus tornam impossível para um ser humano normal ser moralmente perfeito. Todos nós falhamos em seguir o padrão de bondade de Deus.
Alias, não foi isso que Deus fez no Antigo Testamento? Ele parou o mal, mas a maldade humana sempre o fez retornar. E o fato de Deus não ter acabado com o mal de vez, não significa que Ele não o fará um dia.
Razões morais para permitir o mal?
Talvez Deus tenha razões morais o suficiente para permitir o mal e o sofrimento. O que o naturalista teria que fazer aqui é mostrar que existe um mundo possível que contenha o mesmo numero de bondade e salvação, mas menos mal. Mas como fazer isso? É pura especulação e ninguém nunca conseguiu faze-lo. Willian Alston listou seis limitações cognitivas que faz de nós incapazes de julgar se Deus tem ou não razões morais o bastante para permitir mal no mundo. Que são:
1- Falta de informação. Nossa ignorância quanto ao futuro distante, ou o passado distante. Um sofrimento pareça sem sentido agora, mas terá sentido no futuro. Talvez em outro pais.
2- Complexidade maior do que podemos suportar. Por exemplo, tentar entender diferentes sistemas de leis naturais – as quais diferentes leis da natureza podem operar – nós não temos como saber quais sistemas são possíveis para Deus.
3- A dificuldade de saber o que é metafisicamente possível. Como nós sabemos quais mundos logicamente imagináveis são metafisicamente possíveis?
4- Nossa ignorância quanto a todas as possibilidades.
5- Nossa ignorância quanto a todos os possíveis valores. Quero dizer, tem “bens” desconhecidos, que Deus traz que nós nem sabemos.
6- Os limites de nossa capacidade de fazer julgamentos. Quer dizer, ser capaz de comparar diferentes mundos possíveis com a visão para determinar qual deles seria o melhor.
E ele conclui:
“Nós simplesmente não estamos em posição de dizer que Deus não poderia ter razões morais o suficiente para permitir o mal. E se isso for verdade, a versão probabilística do problema do mal não esta em melhor posição do que o seu lamentável ‘primo lógico.” [4]
Onisciente – Se Deus sabe o futuro, sabe que o mal eventualmente apareceria!
Mas, se Deus sabe o futuro, Ele sabe que o mal eventualmente iria acontecer? Isso vem de uma forma limitada de ver onisciência. Deus não sabe o futuro, Ele sabe todos os futuros. Ele sabe todas as escolhas que teremos, todas as possíveis decisões que podemos fazer e todos os futuros que possam resultar de cada uma dessas escolhas. Mas ele nos da a liberdade para saber qual possibilidade será realizada. Outra maneira de responder a essa afirmação é dizer que Deus não esta preso ao tempo. Ele não prevê o futuro do passado, mas vê todo o tempo ao mesmo tempo de fora. Deus não estava sentado um dia e disse “vou criar um universo amanha”.
Pense da seguinte maneira: O passado já é conhecido, o futuro desconhecido mas tem um enorme numero de possibilidades e o presente é a eliminatória dessas possibilidades. O conhecimento de Deus não é um processo determinante do passado. Mas sim um conhecimento do presente que é realizado pelo livre arbítrio. O futuro para nós é cheio de possibilidades, onde os resultados são conhecidos por Deus. Mas não preditos do passado, e sim “pósdito” do presente e futuro. Deus criou a possibilidade do mal, mas, como é dito em Genesis, primeiramente criou um mundo bom. Nós que nos rebelamos. [5]
Cristianismo aumenta a probabilidade de Deus e o mal coexistirem
Outra coisa a ser lembrada é que o teismo cristão aumenta a probabilidade de Deus e o mal coexistirem. No Cristianismo, o sentido da vida não é a felicidade nessa vida, mas sim o conhecimento e o relacionamento com Deus. Como disse antes, talvez seja apenas em um mundo com determinada quantidade de mal que algumas pessoas venham a conhecer Deus e sejam salvas. Como o filosofo e teólogo Dr. William Lane Craig diz:
“O propósito principal da vida não é a felicidade, mas o conhecimento de Deus. Uma das razões por que o problema do mal parece tão enigmático é nossa tendência a pensar que, se Deus existe, o seu objetivo para a vida humana é a felicidade neste mundo. O papel de Deus é proporcionar ambiente confortável para seus seres humanos de estimação. Mas na visão cristã isso é falso. Não somos os animais de estimação de Deus, e o fim principal do homem não é a felicidade neste mundo, mas o conhecimento de Deus; esse conhecimento finalmente tornará verdadeira e eterna a plenitude humana. Na vida, acontecem muitos males que podem ser absolutamente inúteis quanto à meta de produzir a felicidade humana no mundo, mas não podem ser injustificados quanto a produzir o conhecimento de Deus. O sofrimento de seres humanos inocentes proporciona a oportunidade para dependência e confiança mais profundas em Deus, seja da parte de quem sofre ou daqueles que o circundam. Obviamente, se o propósito de Deus é ou não alcançado por meio do nosso sofrimento dependerá da nossa reação. Reagimos com rancor e amargura contra Deus ou nos voltamos a ele em fé, buscando força para suportar? [...] O conhecimento de Deus é um bem imensurável. Conhecer a Deus, a fonte de bondade e amor infinitos, é bem incomparável, é a plenitude da existência humana. Os sofrimentos desta vida não podem sequer ser comparados a ele. Assim, a pessoa que conhece a Deus, não importa o quanto sofra, não importa quão dolorosa seja a sua dor, ainda pode dizer “Deus é bom para mim”, simplesmente pelo fato de que ela conhece a Deus, um bem incomparável.” [6]
O Argumento do Mal Teista
De acordo com qual padrão dizemos que há mal no mundo? No final, o mal se torna um problema ainda maior para o naturalista do que para o teista. Se admitimos que há mal no mundo causado por pessoas que fazem coisas erradas, estamos admitindo que existe um jeito certo e um jeito errado de se viver, portanto existe uma lei moral. Se existe uma lei moral, então existe um legislador. Qual é a definição de mal? Mal é a corrupção de Bem. C. S. Lewis argumentou que é impossível alguém ser mal apenas por ser mal. O mais próximo seria alguém sendo cruel, no entanto, pessoas só são cruéis para conseguir poder, prazer ou segurança. Mas essas coisas não são ruins de ter, são coisas boas. O mal vem em tentar alcança-los do modo errado. No entanto, diferente do mal, você pode ser bom apenas por ser bom. Você pode fazer um ato de bondade sem esperar nada em troca. Portanto, o mal é apenas a corrupção do bem, tentando alcançar coisas boas pelo método errado. As sombras provam a luz do sol. Pode haver luz sem sombras, mas não sombras sem luz. Um mal objetivo pressupõe que exista um bem objetivo e não existe um bem objetivo sem que tenha um padrão de bom fora de nós mesmos.
Mas e todo o mal na natureza? O problema é que se Deus não existe, então não existe mal. As catástrofes não são más, já que não tem consciência. Mas as conseqüências dessas catástrofes são. No naturalismo, no entanto, o ser humano não tem valor. Não que os naturalistas não dêem valor, mas sim que objetivamente não há valor nenhum. E se catástrofes causam mal, por que se importar com as pessoas? Nietzche, proeminente filósofo ateísta do século XIX, entendia que a morte de Deus significava a destruição de todo o sentido e valor da vida. Se Deus não existe, o que há de especial nos seres humanos? Nesse caso, somos apenas pedaços de carne, meros abortos da natureza, jogados em um mundo sem esperança e perdidos no tempo. Somos meros rearranjos de partículas, nada diferentes de cadeiras ou travesseiros.
C.S. Lewis entendeu isso e escreveu:
“Meu argumento contra Deus era que o universo parecia tão cruel e injusto. Mas de onde tirei a noção de justo e injusto? Um homem não chama uma linha de torta a menos que tenha alguma ideia de uma linha reta. Com o que eu estava comparando esse universo quando eu o chamei de injusto?” [7]
Poderíamos até mesmo fazer uma versão do argumento moral pra existência de Deus baseado no problema do mal. Da seguinte forma:
Premissa 1 - Se Deus não existe, valores e deveres morais objetivos não existem
Premissa 2 - O mal existe
Premissa 3 - Então valores morais e deveres objetivos existem
Conclusão - Portanto, Deus existe.
O Sofrimento do Filho de Deus
Veja só como Norman Geisler e Frank Turek descrevem a crucificação de Jesus:
“O chicote que os soldados romanos usaram sobre Jesus tinha pequenas bolas de ferro e pedaços afiados de ossos de carneiro amarrados nele. Jesus é despido, e suas mãos são presas em um tronco vertical. Suas costas, nádegas e pernas são chicoteadas por um soldado ou por dois em posições alternadas. Os soldados insultam sua vítima. Conforme atingem repetidamente as costas de Jesus com toda a força, as bolas de ferro causam contusões graves, e os ossos de carneiro cortam a pele e os tecidos. À medida que o açoitamento continua, as lacerações atingem os músculos esqueléticos por baixo da pele e produzem tiras de carne ensangüentada. A dor e a perda de sangue antecipam o choque circulatório.
Quando é percebido, pelo centurião encarregado, que Jesus está prestes a morrer, a tortura é finalmente interrompida. O Jesus quase desmaiado é então solto e cai no piso de pedra, que está molhado com seu próprio sangue. Os soldados romanos vêem muita graça na afirmação desse judeu provinciano que afirma ser ele um rei. Jogam uma túnica sobre seus ombros e colocam uma vara em sua mão, como se fosse um cetro. Ele precisa de uma coroa para fazer sua imitação ser completa. Um pequeno feixe de galhos flexíveis cobertos de espinhos é montado no formato de uma coroa e é pressionado em seu escalpo. Mais uma vez, acontece um grande sangramento (o escalpo é uma das áreas mais vascularizadas do corpo). Depois de zombar dele e de atingi-lo na face, os soldados tiram a vara de sua mão e batem com ela na cabeça de Jesus, fazendo os espinhos penetrarem ainda mais na pele.
Finalmente, quando já estão cansados de seu esporte sádico, o manto é retirado de suas costas. Ele já se grudou às roupas ensangüentadas e ao soro das feridas, e sua remoção — do mesmo modo que a remoção descuidada de uma bandagem cirúrgica — provoca uma dor excruciante, quase como se estivesse sendo chicoteado de novo. As feridas começam a sangrar mais uma vez. Em deferência ao costume judaico, os romanos devolvem suas roupas. A pesada viga horizontal da cruz é presa aos seus ombros, e a procissão do Cristo condenado, dos dois ladrões e dos responsáveis pela execução prossegue pela Via Dolorosa. Apesar de seus esforços para caminhar ereto, o peso da pesada travessa de madeira, juntamente com o choque produzido pela enorme perda de sangue, é muito para ele. Ele tropeça e cai. A madeira rústica da travessa provoca um tipo de entalhe na pele lacerada e nos músculos dos ombros. Ele tenta se levantar, mas os músculos humanos foram exigidos além do que podem suportar. O centurião, ansioso para prosseguir com a crucificação, escolhe um observador robusto do norte da África, chamado Simão de Cirene, para carregar a cruz. Jesus o segue, ainda sangrando e suando o suor frio e pegajoso do choque.
A jornada de cerca de 600 metros entre a fortaleza de Antônia e o Gólgota é finalmente completada. As roupas de Jesus são mais uma vez tiradas, restando-lhe uma tira nos quadris, permitida aos judeus. A crucificação começa. Uma espécie de analgésico leve — uma mistura de vinho com mirra — é oferecida a Jesus. Ele se recusa a bebê-la. Simão recebe a ordem de colocar a travessa da cruz no chão, e Jesus é rapidamente jogado de costas, tendo os ombros contra a madeira. O legionário procura a depressão na parte anterior do pulso. Ele introduz um prego de ferro pesado e quadrado por entre o pulso, pregando-o profundamente na madeira. Rapidamente, ele vai para o outro lado e repete a ação, sendo cuidadoso para não deixar os braços muito apertados, mas permitindo alguma flexibilidade e movimento. A travessa vertical é então erguida, e o título "Jesus de Nazaré, rei dos judeus" é pregado na parte superior.
Jesus, a vítima, está agora crucificado. Conforme ele verga lentamente para baixo com mais peso sobre os pregos nos pulsos, uma terrível e excruciante dor é sentida nos dedos, passando pelos braços e vindo explodir no cérebro — os pregos nos pulsos estão fazendo pressão nos nervos medianos. Conforme tenta se empurrar para cima a fim de evitar o prolongamento desse tormento, ele coloca todo o seu peso nos pregos que seguram seus pés. Mais uma vez, é sentida uma profunda agonia por causa dos pregos cortando os nervos entre os metatarsos em seus pés. Nesse momento, acontece outro fenômeno. Conforme os braços se fatigam, grandes ondas de cãibras passam pelos músculos, provocando uma profunda e contínua dor latejante. Juntamente com essas cãibras, vem a incapacidade de se empurrar para cima. Pendurado pelos braços, os músculos peitorais são paralisados, e os músculos intercostais não conseguem funcionar. O ar consegue entrar nos pulmões, mas não consegue ser expelido. Jesus para para se levantar a fim de poder ter um curto período de respiração. Desse modo, o dióxido de carbono diminui em seus pulmões e na corrente sanguínea, e as cãibras diminuem parcialmente. De maneira espasmódica, ele é capaz de se empurrar para cima para exalar e inalar o oxigênio que lhe pode prolongar a vida. É sem dúvida durante esses períodos que ele profere as sete frases curtas que estão registradas.
É nesse momento que tem início as horas de dor ilimitada, ciclos de cãibras e torções, a asfixia parcial, a dor abrasadora à medida que os tecidos são rasgados em suas costas dilaceradas conforme ele se move para cima e para baixo contra a viga bruta da cruz. Então, começa outra agonia. Uma dor profunda e esmagadora no peito à medida que o pericárdio lentamente se enche de soro e começa a comprimir o coração. Está quase no fim — a perda de fluidos nos tecidos alcançou um nível crítico; o coração comprimido está lutando para bombear sangue grosso, pesado e vagaroso nos tecidos; os pulmões torturados estão fazendo um esforço frenético para arfar pequenas golfadas de ar. Os tecidos notadamente desidratados enviam um dilúvio de estímulos ao cérebro. Sua missão de expiação se completou. Finalmente, ele pode permitir que seu corpo morra. Com um último surto de força, ele mais uma vez pressiona seus pés pregados contra os cravos, fortalece suas pernas, respira fundo e profere seu sétimo e último clamor:
‘Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito’.
Jesus passou por tudo isso para que você e eu pudéssemos ser reconciliados com ele, para que você e eu pudéssemos ser salvos de nossos pecados quando declaramos Pai, nas tuas mãos entrego a minha vida.” [8]
Deus não é um cara que fica no céu sentado em uma nuvem vendo as pessoas sofrerem. Ele mandou Seu filho para sofrer e salvar as pessoas de um sofrimento maior.
Conclusão
Se Deus não existe, o problema do mal não tem solução. Estamos todos perdidos. O naturalista quando diz não acreditar em Deus por causa do mal e do sofrimento, não resolve o problema, apenas descarta a única esperança.
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Fontes
[1] – Lee Strobel, “Em Defesa da Fé
[2] - Peter Van Inwagen, "The Problem of Evil, the Problem of Air, and the Problem of Silence,"Philosophical Perspectives, vol. 5: Philosophy of Religion, p. 135.
[3] - William Alston, "The Inductive Argument from Evil and the Human Cognitive Condition," in Philosophical Perspectives, vol. 5: Philosophy of Religion, p. 29
[4] - William Alston, "The Inductive Problem of Evil and the Human Cognitive Condition," Philosophical Perspectives, vol. 5: Philosophy of Religion, , pp. 59,61
[5] - Inspiring Philosophy: Answering Objections to the Ontological Argument (Part 2) - https://www.youtube.com/watch?v=_JRsHIN5ATY
[6] – William Lane Craig, Reasonable Faith: O problema do mal - http://www.reasonablefaith.org/portuguese/o-problema-do-mal
[7] - Clive Staples Lewis, “Cristianismo puro e simples”, p. 51
[8] – Norman Geisler e Frank Turek, “Não tenho fé suficiente para ser ateu”, p. 391
Falta "em guarda" e "em defesa de Cristo" ai, mas é minha coleçãozinha de apologética :P #apologetics
#apologetica #apologetics #oldtestament #antigotestamento #ethics #morality #paulcopan
Seria Deus um monstro moral? - Entendendo "problemas eticos" do Antigo Testamento
Quando comecei a ler a Bíblia, não pude deixar de notar uma diferença grande entre as atitudes de Deus no Antigo Testamento e no Novo Testamento. Por um grande período de tempo, eu até mesmo me neguei a crer que eram o mesmo. Mas depois de estudar o contexto histórico da época, o que se passava da região e os povos vizinhos, compreendi melhor o que acontecia e porque de Deus agir dessa maneira.
Primeiro, temos que lembrar que sem Deus não existe “bom e mal” e “certo e errado” objetivos. Sem Ele não existe um padrão de bondade imutável acima da humanidade ou um criador da lei moral. Se não existe objetivo pra humanidade, então não há jeito certo e errado de se viver. Então ao mesmo tempo em que se diz que “Deus aparentemente é mal no AT”, se entra em uma contradição. Até podem dizer “Ele é mal de acordo com o meu padrão”, oh, legal. Mas nesse caso é apenas sua opinião. Ou poderia dizer que moralidade é algo pra sociedade. Nesse caso, estaria dizendo que os nazistas não estavam errados. Como disse Richard Taylor:
“dizer que algo é errado porque […] é proibido por Deus, é […] perfeitamente compreensível para quem crê num Deus legislador. Mas dizer que algo é errado […] embora não exista Deus para proibi-lo, não dá para entender […]O conceito de obrigação moral [é] ininteligível sem a ideia de Deus. As palavras permanecem, mas o seu sentido se foi” [1]
Se nós temos deveres morais de fazer o certo, deve existir uma lei moral. E se existe uma lei moral, existe um legislador. No entanto, se temos obrigações morais que vem de Deus (sabendo ou não), então Deus tem obrigações com quem? O autor da vida pode dar vida, tira-la e devolve-la.
E mais uma coisa, apenas dizer que “Deus parece mal no AT”, não é um argumento contra, é apenas uma afirmação escondida de “prefiro não acreditar neste Deus”.
Se existem atrocidades no Antigo Testamento o que isso significa? Que Deus não existe? Que Jesus não ressuscitou dos mortos? Obviamente não. (Clique aqui para ver as evidencias da ressurreição)
No texto a seguir, não vou falar de tudo, mas falarei dos seguintes pontos que parecem irritar mais as pessoas:
- As nações mortas ou atacadas? (Ex.: Cananeus e egipcios)
- Sacrificar Isaque?
- E a Lei mosaica?
- Apoio à escravidão?
- Machismo na Bíblia?
Vamos ser claros aqui:
1- No começo, a criação é algo bom. Homens e mulheres deveriam viver em harmonia. Não há referencia a assassinato, escravidão, patriarquia ou sacrifício. Essas coisas são resultados da rebelião dos humanos contra Deus, criadas por humanos. No inicio o ser humano caiu em pecado por sua vontade própria e se separou de Deus, criando um mundo com mal e sofrimento. A maioria das coisas no Antigo Testamento não faz parte do ideal da criação, mas são conseqüências da queda do ser humano e, por causa disso, algum aparente mal se tornou necessário para botar ordem.
2- As leis e narrativas do A.T. devem ser lidas em seu contexto completo para se ter a verdadeira interpretação.
3- De acordo com a Bíblia, ninguém é inocente. Apostolo Paulo diz: Pois todos pecaram, e destituídos estão da gloria de Deus. Também diz que ninguém estará indesculpável perante Deus (Romanos 1:20).
Nações mortas?
O julgamento é o ultimo recurso para Deus. Ele deu 400 anos de avisos para os cananaues pararem com suas praticas de sacrifícios infantis, bestialidade, incesto, estupros, etc. Se você visse coisas assim, não iria querer para-los?.
Em Sodoma e Gomorra, Abraão intercedeu para Deus pelo bem dessas nações:
“E chegou-se Abraão, dizendo: Destruirás também o justo com o ímpio?
Se porventura houver cinqüenta justos na cidade, destruirás também, e não pouparás o lugar por causa dos cinqüenta justos que estão dentro dela?
Longe de ti que faças tal coisa, que mates o justo com o ímpio; que o justo seja como o ímpio, longe de ti. Não faria justiça o Juiz de toda a terra?
Então disse o Senhor: Se eu em Sodoma achar cinqüenta justos dentro da cidade, pouparei a todo o lugar por amor deles.
E respondeu Abraão dizendo: Eis que agora me atrevi a falar ao Senhor, ainda que sou pó e cinza.
Se porventura de cinqüenta justos faltarem cinco, destruirás por aqueles cinco toda a cidade? E disse: Não a destruirei, se eu achar ali quarenta e cinco.
E continuou ainda a falar-lhe, e disse: Se porventura se acharem ali quarenta? E disse: Não o farei por amor dos quarenta.
Disse mais: Ora, não se ire o Senhor, se eu ainda falar: Se porventura se acharem ali trinta? E disse: Não o farei se achar ali trinta.
E disse: Eis que agora me atrevi a falar ao Senhor: Se porventura se acharem ali vinte? E disse: Não a destruirei por amor dos vinte.
Disse mais: Ora, não se ire o Senhor, que ainda só mais esta vez falo: Se porventura se acharem ali dez? E disse: Não a destruirei por amor dos dez.”
Gênesis 18:23-32
Noé, por 120 anos orou pelas pessoas antes que Deus os julga-se com o dilúvio.
Os profetas do Antigo Testamento, que proclamavam um julgamento iminente, mostravam como Deus era misericordioso, lançando sobre o povo um chamado de arrependimento. Na verdade, em todos os casos em que as pessoas demonstraram arrependimento, Deus mostrava misericórdia (Jonas 3; Josué 2)
A destruição causada por Deus, nunca foi resultado de uma limpeza étnica. As destruições tinham como objetivo a limpeza da idolatria. Até os assírios e os babilônicos perseguiram o povo de Deus porque estes caíram na idolatria.
Outro ponto que devemos evitar é afirmar “eu encaro a Bíblia literalmente”. A Biblia não é pra ser lido de forma literal, mas sim como literatura. Há coisas na Bíblia que não foram escritas para serem lidas de forma literal. A Bíblia é repleta de vários tipos de literatura ou gêneros. Temos literaturas de gêneros históricos, poéticos, proféticos, apocalíptico, biografias, cartas, etc.
Os cananeus, não eram um “povo qualquer”, eles eram terríveis. Ofereciam bebes como sacrifício, o povo vivia em imoralidade sexual e adoravam deuses falsos. Um dos deuses dos Cananeus era Anath. Veja o que William Albright, arqueólogo e estudioso biblico, diz sobre a imagem dessa deusa:
“O sangue era tão profundo que ela entrava nele até os joelhos – ou melhor, até o pescoço. Sob seus pés haviam cabeças humanas, acima de suas mãos, mãos humanas voavam como gafanhotos. Em seu deleite sexual, ela se decorava com cabeças suspensas enquanto anexava mãos a sua cintura.
Sua alegria nos talhos é descrito como: ‘O fígado incha com o riso, seu coração estava cheio de alegria, o fígado de Anath (estava cheio de) exultação’. Depois, Anath estava “satisfeita” e lavou suas mãos em sangue humano antes de prosseguir a outras ocupações.” [2]
Você acha que um povo que servia a essa deusa, fazia coisas boas?
Alem disso, no antigo oriente médio eram muito usados exageros e hipérboles, como em Josué, quando é dito pra “não deixar nenhum sobrevivente”. Era muito comum, quando uma nação conquistava outra, dizerem como se fosse uma proclamação de vitória “não deixamos vivo nada que respirava”. É como quando um time de futebol diz antes do jogo “vamos destruí-los!” ou depois do jogo “nós destruímos eles!”. Essa é a linguagem usada no livro de Josué. Agora pense nisso: Como podem ter matado a todos, se nas paginas seguintes ou em livros posteriores, ainda existem cananeus vivos? O que se segue é que a ordem dada por Deus não foi de “estraçalhar os inimigos”, mas sim expulsa-los daquelas terras.
Paul Coulter diz:
“Não era bem o caso de um genocídio (o extermínio de um grupo étnico) mas na verdade uma remoção forçada da terra de Canaã. O julgamento de Deus era primeiramente para que os Cananeus pudessem perder sua terra por causa de suas praticas religiosas detestáveis e para preservar a pureza da adoração de Israel a Ele.” [3]
E a ordem de matar os homens midianitas?
Temos que entender que os homens eram os principais inimigos de Israel em uma guerra. As mulheres seduziam esses homens e faziam rituais cheios de orgias e adultério para adorar Baal.
E a ordem de salvar as mulheres virgens?
Seria isso uma “carta branca” para “usa-las”? Não. Elas eram salvas justamente por nunca terem se envolvido nestes rituais imorais.
Essas nações iam invadindo a terra do povo de Israel, e o grande perigo era seus costumes invadirem mais e mais o povo de la, tornando-os iguais e com o tempo possivelmente piores.
E os egípcios e suas crianças?
Temos que entender que os egípcios escravizavam e castigavam brutalmente os Israelitas. Eles não eram um povo “simpático” e legal.
Na doutrina da salvação judaico-cristã, quando uma criança morre ela é imediatamente enviada ao paraíso, pois não teve tempo de pecar ou se fez algo foi inconsciente. Se as crianças continuassem vivas, se tornariam iguais aos egípcios e, consequentemente, iriam para o inferno eterno (pretendo falar da doutrina do inferno em outro texto). E, se os pais fossem mortos, as crianças acabariam morrendo abandonadas e sozinhas.
“Ain mimimi então porque aborto é errado?”. Porque nesse caso, existem diversos mundos possíveis ainda não realizados que podem acontecer com as crianças. Alem disso, aborto cria um assassino (o medico responsável) e cúmplices (pais ou apenas a mãe e outros envolvidos).
(O site Logos Apologetica tem um texto respondendo argumentos a favor do aborto > Clique aqui)
E o sacrifício de Isaque?
Isaque ainda era uma criança, e Deus estava ordenando que Abraão o matasse? Lembre-se que Deus parou Abraão antes dele matar Isaque.
Estudiosos da Bíblia notaram que o tema central entre Gênesis e Deuteronômio é a Fé. Abraão representa a parte positiva, Moises a negativa. Abraão tinha fé sem a lei de Moises e, por causa de sua confiança na promessa de Deus, foi declarado “correto” por Deus. Moises falhou em sua fé, mesmo vivendo sob a lei.
É significante destacar que Abraão foi declarado correto por Deus por sua fé, antes da lei. Mesmo sem a lei, Abraão manteve a intenção da lei porque vivia pela fé.
Moises tinha a lei mas falhou na fé, isso fez com que ele não pudesse entrar na terra através do Jordão.
O tema importante da confiança profunda que Abraão tinha em Deus e dua grande fé ajudaram a moldar a identidade e o entendimento próprio de Israel. Em Êxodo 20:20, Moises diz: “Não tenham medo! Deus veio prová-los (nasah), para que o temor (yir’ah) de Deus esteja em vocês e os livre de pecar.”. Essas duas palavras fazem uma ligação com Gênesis 22. Abraão foi testado e por essa ordem mostrou que temia a Deus
Sara, esposa de Abraão não podia ter filhos, por isso Abraão teve um filho com outra mulher, chamado Ismael. Deus, porem tinha outros planos e prometeu a Abraão e a Sara que ambos teriam um filho que viria de seus dois corpos, não apenas de Abraão. Por causa da intervenção miraculosa de Deus, Isaque nasceu.
Ismael não agüentou seu pai agora ter um filho legitimo, e Sara queria que Ismael e sua mãe fossem embora. Isso deixou Abraão em um dilema. Por um lado, Sara ficaria calma, por outro, Ismael e sua mãe correriam sérios riscos de vida abandonados. Mas Deus acalmou os medos de Abraão, garantindo a ele que Ismael não iria morrer e que iria multiplicar os descendentes de sua mãe. Sem essa garantia de Deus, Abraão não teria enviado Ismael e sua mãe. Todas as provações de Abraão foram suportadas por sua fé, ele tinha fé de que Deus deixaria tudo bem: Seu filho com Sara (que não podia ter filhos), abandonar Ismael (foi garantido que ele não morreria) e sua mãe (garantido que teria vários descendentes). Paul Copan observa:
“Aparecem quatro coisas sobre Deus em Seu trabalho por Gênesis 22. Primeiro, nós percebemos imediatamente o fato de que Deus esta testando Abraão. Deus não pretendia que Isaque fosse sacrificado. [...] Segundo, mesmo o comando difícil para Abraão é acalmado pela ternura de Deus. As diretrizes de Deus são incomuns: ‘Por favor, toma o teu filho.’ – ou em outras traduções ‘Toma, eu lhe imploro, o teu filho’. Deus é gentil enquanto da uma ordem difícil. Esse tipo de comando divino é raro. [...] Deus entende a magnitude desta tarefa difícil. [...] Uma terceira indicação do bom caráter de Deus aparece em Sua fidelidade. Deus lembra Abraão de ‘seu filho, seu único filho, que você ama, Isaque’. O reconhecimento da aliança de Deus é aparente: A promessa divina para Abraão não poderia ser cumprida sem Isaque. Abraaão deve manter suas coisas em mente: seu amor profundo por Isaque é bom e correto, e as circunstancias a respeito do nascimento de Isaque claramente mostram que Deus estava cumprindo sua promessa de aliança a Abraão. [...] Um quarto lembrete da fidelidade de Deus é Deus mandando Abraão para a montanha na região de Moriah – deriva da palavra hebraica ra’ah, ‘ver, mostrar’. [...] o local ‘onde eu vou te dizer’ esta ligado ao chamado inicial de Deus a Abraão para ‘ir’ para ‘a terra que eu vou mostrar a você’. Abraão também sabia das provisões de Deus para Ismael e Agar quando eles saíram pela primeira vez. Agar disse (usando a mesma palavra hebraica ra’ah), ‘Você é um Deus que vê’. Então na própria palavra Moriah (‘provisão’) nós temos uma dica de salvação e libertação. Em tudo isso vemos a ternura da fidelidade de Deus acalmando a dureza de Seu comando. Como se Deus estivesse dizendo para Abraão ‘Eu estou testando sua obediência e fidelidade. Você não entende, mas à luz de tudo o que eu lhe disse, confie em mim. Nem mesmo a morte vai anular a promessa que eu lhe fiz’[...] Nós não podemos separar a promessa de Deus em Gênesis 12 e 17 do comando de Deus em Gênesis 22” [4]
Copan observa mais uma coisa:
“A história de Abraão e seu ‘único filho’ Isaque na verdade pronuncia Deus Pai oferecendo Seu sacrifício redentor como ‘segundo Isaque’ – Seu único Filho (João 3:16) [...] Deus envia seu Filho ao mundo para carregar a maldição e alienação de Israel e da humanidade na cruz” [5]
A lei mosaica e escravidão
Ela foi criada com um propósito para a época. Nós vemos varias coisas do A.T. que foram abandonadas com o passar do tempo, como a circuncisão, por exemplo. No A.T., certas coisas foram finalmente cumpridas e finalizadas no Novo Testamento com a vinda de Jesus.
As outras nações, como os cananeus, não eram julgadas por quebrar a lei mosaica, mas por quebrar verdades morais fundamentais que todo o ser humano conhece.
Era um mundo com uma economia baseada na escravidão, com cidades sempre em guerra, com casamentos poligâmicos para a continuidade de suas famílias.
Chris Sinkinson diz:
“A Lei do A.T. regulariza essas coisas. Escravos agora são tratados como gente (Êxodo 21:2-11). Eles receberam direitos e agora não são vistos como meras possessões. Escravos Hebreus agora podiam comprar sua liberdade. [...] Em comparação com a lei Babilônica, a Israel do A.T. era uma luz para as nações” [6]
Quando você compara a lei mosaica com outras leis de povos da época, você nota uma grande diferença: pessoas são tratadas como pessoas, não como propriedades. A lei de Moises já começa com ela afirmando que serventes são pessoas diferentes, e não propriedades.
Em outras leis do antigo oriente médio, quando alguém cometia algo errado o punido era a mulher ou filho, mas no A.T. a pessoa punida é aquela que faz o ato errado.
Nós temos na Bíblia os primeiros relatos históricos de escravos sendo tratados como pessoas para sua própria segurança e não apenas como algo de interesse de seus mestres.
Antigo oriente médio: O tratamento geral de escravos podia ser muito bruto e escravos estavam tipicamente a mercê de seus mestres. No Código de Hamurabi por exemplo, é dito que se um escravo fugir e alguém ajudar, esse alguém deve ser morto.
Antigo Testamento: Apesar de ainda haver problemas, houve varias melhorias com relação ao resto do Antigo Oriente Médio. Haviam punições limitadas e atitudes mais humanizadas com relação aos escravos/servos. Por exemplo, quando um escravo tentava fugir ele não poderia voltar.
Machismo na Bíblia
Quando falamos de Bíblia próximo a feministas radicais, logo vem um grito de raiva e julgamentos por parte delas. Por que Sarah chamava seu marido de “mestre” (Gênesis. 18:12)? Porque as garotas hebraicas pertenciam a “casa de vosso pai” (Levidico 22:13)? Por que uma mulher israelita era considerada cerimonialmente impura por 40 dias depois de dar a luz a um garoto e 80 dias a uma garota? Por que mulheres não podiam fazer parte do sacerdócio de Israel? E todas aquelas concubinas? E o casamento levirato? Vamos dar uma olhada melhor nesses tópicos ao longo do texto.
Primeiro de tudo: Muitos consideram Jesus um feminista. Jesus rompeu com vários estereótipos da época em relação as mulheres e mostrou varias vezes como elas eram importantes pra ele. O Ideal Original (Gênesis 1-2) não era superioridade do homem.O inicio do livro, Gênesis 1-2, mostra a visão ideal da mulher. Deus cria homem e mulher em sua imagem (Gênesis 1:26-27). Eva é criada a partir da costela de Adão (Gênesis 2:22), uma imagem que simboliza o companheirismo, não alguém superior ou inferior. Casamento e sexo são a união do casal (ambos se tornarão uma só carne).
Embora Gênesis 1-2 fale da igualdade ideal do relacionamento homem-mulher, algumas leis envolvendo mulheres podem deixar algumas pessoas “com o pé atrás” quanto a Bíblia.
A Igualdade da Mulher
Lendo o A.T. vemos dois paralelos importantes:
1- Estruturas sociais patriarcais
2- A honra das mulheres como iguais, incluindo matriarcas e lideres mulheres em Israel.
De um lado, os pais têm responsabilidade legal de serem os “chefes de família”. Quando uma filha ou esposa faziam votos, essas promessas tinham que ser aprovadas pelo pai/marido (Números 30). Isso representa mais do que uma proteção para a mulher ou a filha. Atitudes sociais são difíceis de serem derrubadas, especialmente no antigo Oriente Médio. Atitudes patriarcais eram fortes no antigo Oriente Médio, atitudes que vão bem longe da igualdade mostrada na criação. Gênesis 2:24 afirma que o homem tinha que deixar seus pais e se “apegar” a sua esposa como uma parceira. Mas a queda da humanidade afetou bastante os relacionamentos humanos. Sara seguia os costumes do Oriente Médio e chamava seu marido de “meu senhor” (Gênesis 18:12). Ela deu sua serva Hagar a Abraão pra eles terem um filho, já que ela não podia (Gênesis 16:3), outra pratica comum no antigo Oriente Médio.
Por outro lado, essas atitudes patriarcais distorcem fortemente grandes afirmações de dignidade e igualdade das mulheres. Mulheres/esposas eram honradas iguais a seus maridos/pais, e muitas matriarcas ajudaram a liderar Israel e a comandar famílias. Muitas passagens falam de proteção e cuidado com as viúvas e mulheres divorciadas. Deus se preocupa com a justiça para as viúvas e outros membros vulneraveis da sociedade como órfãos e estranhos não-israelitas. Deus sempre fala que ele esta do lado dos fracos e indefesos. (Êxodo 22:22; Deus. 10:18; 14:29; 24:17; etc).
Estruturas patriarcais tinham uma forte influencia na sociedade Israelita, mas mesmo assim nós vemos varias passagens no A.T. que falam sobre a igualdade:
Genesis 1:27 Criou, pois, Deus o homem ã sua imagem; ã imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.
Genesis 2:24 Portanto deixará o homem a seu pai e a sua mãe, e unir-se-á ã sua mulher, e serão uma só carne.
Exodo 20:12 Honra a teu pai e a tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o Senhor teu Deus te dá.
Levidico 19:3 Temerá cada um a sua mãe e a seu pai; e guardareis os meus sábados. Eu sou o Senhor vosso Deus.
Proverbios 6:20 Filho meu, guarda o mandamento de, teu pai, e não abandones a instrução de tua mãe;
Proverbios 18:22 Quem encontra uma esposa acha uma coisa boa; e alcança o favor do Senhor.
Proverbios 19:26 O que aflige a seu pai, e faz fugir a sua mãe, é filho que envergonha e desonra.
Proverbios 23:22 Ouve a teu pai, que te gerou; e não desprezes a tua mãe, quando ela envelhecer.
Proverbios 23:25 Alegrem-se teu pai e tua mãe, e regozije-se aquela que te deu ã luz.
Canticos 6:3 Eu sou do meu amado, e o meu amado é meu; ele apascenta o rebanho entre os lírios.
O A.T. também esta cheio de poderosas matriascas que eram muito valorizadas e exerciam uma grande influencia. Mulheres como: Sara, Agar, Rebeca, Raquel, Lia, Tamar, a princesa egípcia, Miriã e as sete filhas de Jetro (sogro de Moises), Zipora (esposa de Moises), Débora, Rute, Naome, Abigail, a mulher em Provérbios 31 entre varias outras.
A lei cerimonial também dizia que a mulher não só era igual ao homem, como também tinham as mesmas responsabilidades. A lei levitica sobre o adultério vale para os dois, sem distinção.
Textos que falam sobre a inferioridade da mulher?
Críticos costumam falar sobre uma parte do A.T. que diz que homens podem levar suas mulheres a um sacerdote e acusa-la de adultério, se ele simplesmente suspeitar do fato. Normalmente, eram necessárias duas ou três testemunhas pra uma acusação, mas nesse caso, a única testemunha é a “suspeita do marido”. O castigo? E os críticos perguntam: “Por que mulheres não podem fazer o mesmo com os homens?”.
O problema é que, dado o contexto do versículo (Números 5), temos todos os motivos pra crer que essa lei também se aplica aos homens. Antes de chegar nessa passagem, vemos que estão falando dos Israelitas (Números 5:2) e “homens OU mulheres” (Números 5:6; Números 6:2). Alem disso, a corte do sacerdote era arranjada para a proteção e defesa da mulher, não para humilhá-las. Essa lei protegia mulheres de atos violentos de seus marido ou problemas arbitrários quanto a divórcio.
Impureza no nascimento?
Levidico 12:1-8 diz que se a mulher der a luz a um menino ficará impura por 40 dias e se for menina por 80 dias. Os críticos dizem que essa passagem revela o baixo status social das mulheres. Não, esta errado. Mais dias pra mulheres na verdade indicam um tipo de proteção para as mulheres ao invés de um sinal de inferioridade, e para preservar as mulheres Israelitas dos rituais sexuais religiosos dos Cananeus. No politeísmo do antigo Oriente Médio, os rituais tinham bastante ênfase na fertilidade.
Também pode ser por causa de higiene, do fluxo sanguíneo. A mãe experimenta sangramento vaginal no nascimento, mas esse sangramento é comum em garotas recém-nascidas.
Casamento Levirato?
De acordo com a lei, quando o marido morre a viuva se casa com o irmão mais velho solteiro do marido, para seguir com o nome da família.
Primeiro: Quando uma viúva se casava com o irmão do marido falecido, isso a ajudava a manter a propriedade dela. Se ela se casasse com alguém de fora, corria o risco de perder tudo.
Segundo: Embora o homem pudesse recusar, isso era desencorajado. Se ele recusasse a viúva podia pedir seus direitos.
O que Jesus disse?
Alguns fariseus aproximaram-se dele para pô-lo à prova. E perguntaram-lhe: "É permitido ao homem divorciar-se de sua mulher por qualquer motivo?" Ele respondeu: "Vocês não leram que, no princípio, o Criador 'os fez homem e mulher' e disse: 'Por essa razão, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e os dois se tornarão uma só carne'? Assim, eles já não são dois, mas sim uma só carne. Portanto, o que Deus uniu, ninguém separe". Perguntaram eles: "Então, por que Moisés mandou dar uma certidão de divórcio à mulher e mandá-la embora?" Jesus respondeu: "Moisés permitiu que vocês se divorciassem de suas mulheres por causa da dureza de coração de vocês. Mas não foi assim desde o princípio. Eu digo que todo aquele que se divorciar de sua mulher, exceto por imoralidade sexual, e se casar com outra mulher, estará cometendo adultério".
Mateus 19:3-9
Conclusão
- Não há verdade moral sem Deus.
- Devemos conhecer os povos julgados.
- Devemos avaliar a situação em seu contexto geral.
Mais informações:
Muitas partes foram traduzidas e adaptadas do livro “Is God a Moral Monster”, de Paul Copan.
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Fontes:
[1] - Richard Taylor, Ethics, Faith, and Reason (Englewood Cliffs, NJ: Prentice Hall, 1985), 90, 84.
[2] - Albright, Archaeology and the Religion of Israel, John Hopkins 1968, p.77
[3] – Bethinking: Old Testament Mass Killings - http://www.bethinking.org/bible/old-testament-mass-killings
[4] – Paul Copan, “Is God a Moral Monster?”, pp. 47 – 48
[5] – Paul Copan, “Is God a Moral Monster?”, p. 51
[6] - Bethinking: Unapologetic Christianity – Is God a Monster? - http://www.bethinking.org/god/unapologetic-christianity-is-god-a-monster
Seria o Cristianismo ruim?
Um dos argumentos usados pelos Neo Ateus hoje em dia é o que diz que as religiões, como o Cristianismo, são más, ruins para a sociedade, e precisam ir embora para o beneficio da humanidade. No entanto, ninguém consegue apresentar algum argumento em favor, apenas afirmam como se fosse um fato, quando na verdade, as evidencias nos mostram o contrario.
Não apenas as pesquisas cientificas demonstram que o cristianismo é benéfico para indivíduos e sociedades, como também há estudos que dizem que o Cristianismo ajudou a construir o mundo em que vivemos atualmente [1]. E não são poucas evidencias, mas diversos pontos que podem ser feitos, que mostram o bem que o Cristianismo nos fez.
O primeiro que devemos esclarecer, é o fato de ter havido pessoas que disseram ser seguidoras de Cristo que cometeram atos maléficos e terríveis, dizendo que estão fazendo isso pelo beneficio de Cristo e Seu reino. Isso deve ser condenado pelo mal que é, pessoas más cometendo atos maus. Mas o erro dos Neo Ateus é atribuir a causa desses atos ao Cristianismo, como se estivessem simplesmente assumindo que essas atrocidades têm que ter vindo dele, quando na verdade há outros motivos que foram as causas. Isso é conhecido normalmente como um erro de atribuição. Um psicólogo social tem se dirigido ao movimento dos Neo Ateus por cometerem esse erro [2]. Esse erro seria como se eu dissesse que o ateísmo foi a única coisa que fez com que Stalin e Mao se tornassem ditadores assassinos. Não seria melhor olharmos pra todos os fatos que podem ter os tornado maus, ao invés de dizer que sua crença em Deus fez com que eles matassem milhões de pessoas?
O argumento todo é destruído quando vemos que Jesus ensinou amor e paz, ao invés de guerra e tortura. Soren Kierkegaard percebeu que essas pessoas não poderiam ser cristãs, pelo simples motivo de serem completamente opostos ao que Cristo ensinou. [3]
Jesus ensinou a dar a outra face (Mateus 5:39), amar seus inimigos e orar por aqueles que te perseguem (Mateus 5:44) e quando as brigas começarem, ao invés de participar, ir embora (Mateus 24:16). O Apostolo Paulo ensinou a viver em paz, se importar com suas famílias ( 1 Tessalonicenses 4:11; 2 Tessalonicenses 3:12) e viver em paz com todas as pessoas. (Romanos 12:18). Como é dito no livro “Misreading Scripture with Western Eyes”:
“Precisamos parar de escrever escrituras pelo lado das bombas. Nós temos que ser confiantes de que tal pratica não corresponde ao critério WWJD (What Would Jesus Do) […] Cristãos deveriam repetir o salmista: ‘por muito tempo eu vivi entre aqueles que odeiam a paz. Eu sou pela paz; mas quando eu falo, eles são pela guerra’ (Salmos 130:6-7)” [4]
Qualquer pessoa que se diz seguidora de Cristo, mas declara guerra em seu nome, claramente não segue seus ensinamentos. Mas uma visão distorcida do Cristianismo é completamente oposta ao que ele deveria ser. Se isso for verdade, então aqueles que dizem estar matando em nome de Cristo, não poderiam estar seguindo os ensinamentos de Cristo. Como diz John Lennox:
“[Os novos ateus] indesculpavelmente confundem males do renegado Christendom com os ensinamentos de Cristo, e pensam que violência é parte da fé cristã; quando a fé cristã mesmo na verdade explicitamente repudia a violência e a exploração religiosa. Os Novos Ateus deveriam estas aplaudindo Cristo, não o condenando” [5]
Ironicamente, críticos seculares do Cristianismo estão usando morais baseadas no Cristianismo para denuncia-lo. O historiador C. John Sommerville argumenta em seu livro que as visões morais anteriores ao surgimento do Cristianismo eram bem diferentes do que as pessoas têm hoje em dia, e que o Cristianismo é responsável por moldar nossas visões morais no oeste.
Para ilustrar isso, Sommerville mostra sociedades pré-cristãs, como os Anglo-saxões, que eram sociedades baseadas na honra, onde conseguir respeito e honra dos outros era a coisa mais importante, que mudou com a vinda dos monges Cristãos que tinham orgulho de caridade, serviços, e colocar os outros antes de si mesmo. Ele pergunta aos estudantes, se eles vissem uma velha senhora com uma bolsa nos braços, por que é errado roubar dela? A resposta dos anglo-saxões, e outras sociedades baseadas na honra, seriam: “Se você pegar do fraco, você será desprezado porque ninguém vai respeita-lo se você não se respeitar primeiro”, o que é claramente uma ética que egocêntrica. Enquanto a resposta dos estudantes, era que isso era errado porque causava dano e perturbação para a senhora. Sommeville argumenta que o Cristianismo mudou nossas visões éticas das idéias baseadas na honra para sociedades que valorizam humildade, paz, serviço aos outros e amar ao próximo. Então se você pensa que é mais ético se importar com seu próximo ao invés de sua própria honra, você deve agradecer ao Cristianismo. [6]
Dr. Os Guiness diz:
"Se Jesus nunca tivesse nascido nós não teriamos Francis de Assisi, nem William Wilberforce nem Madre Teresa. O mundo seria um lugar muito cruel." [7]
O Cristianismo também deu impulso a ciencia no mundo ocidental, de acordo com vários historiadores. Eles dizem que as religiões pagãs que acreditavam que o mundo estava repleto de mistérios sobrenaturais, deuses naturais, fadas e outros seres místicos. Enquanto aqueles de se seguravam aos valores judaico-cristãos, não viam o mundo dessa maneira. Para eles o mundo era o trabalho de um engenheiro cósmico. O sol não era um deus, mas sim uma “lâmpada” que seguia as leis de um Criador. Os animais não deveriam ser adorados, mas estavam a mercê do homem. A expansão dos valores judaico-cristãos desencantou o mundo e deu a ele uma visão cientifica. Para os Cristãos, tudo seguia uma lei natural que foi dada por um legislador.
Jerry Newcombe diz:
“Todo o principal ramo da ciência que foi criado, foi originado por pessoas que acreditavam na Bíblia. Eles acreditavam que estavam, nas palavras de Johannes Kepler, pensando os pensamentos de Deus, atrás dele” [8]
E.O. Wilson pergunta, por que a ciência não cresceu na China? Eles tem bem mais tecnologia que a Europa.
Wilson concluiu:
“De provavelmente ainda maior importância, estudiosos Chineses abandonaram a idéia de um ser supremo com propriedades pessoais e criativas. Nenhum Autor da Natureza Racional existiu em seu universo; consequentemente, os objetos que eles meticulosamente descreviam não seguiam princípios universais, mas ao invés disso operavam por dentro de uma regra particular seguido por essas entidades em ordem cósmica. Na ausência de necessidade imperiosa para a noção de lei geral – pensamentos na mente de Deus, por assim dizer – pequenas ou nenhuma pesquisa era feita por eles.” [9]
O Cristianismo, longe de ser prejudicial para a sociedade, ajudou a construir a ética e a ciência moderna.
O Cristianismo foi fundamental para o mundo ocidental também. Dr. Paul Maier diz:
“Não foi acidente, foi a igreja cristã que sozinha manteve a cultura humana viva no mundo medieval primitivo quando a sociedade foi toda para o sul, por assim dizer, quando nós tivemos uma queda na civilização após as conquistas bárbaras. Se não fosse a igreja cristã, através de seus monges copiando pacientemente seus manuscritos para as bibliotecas do mosteiro, tendo as escolas catequéticas associadas aos capítulos da cátedra, eu não saberia o que poderia ter acontecido com a cultura clássica, talvez nós perdêssemos ela toda.” [10]
Então, essa idéia do Cristianismo ser prejudicial é um conto de fadas sem fundamento.
Mas talvez queiram argumentar que o Cristianismo é ruim para a sociedade agora, e previne a sociedade de seguir à diante. Mas pesquisas cientificas também mostram o oposto a essa idéia. Dezenas e dezenas de estudos mostram que a religião é extremamente benéfica e promove comportamento ético de diversas formas diferentes. Para ser justo, há alguns estudos que dizem que mostram que a religião não esta relacionada a nenhuma melhora no comportamento ético. No entanto, há diversos outros estudos que mostram que a religião melhora o comportamento ético, e também há estudos de meta-analise que é o maior e mais preciso tipo de estudo que há. Um estudo de meta-analise combina o resultado de todos os estudos que tem sido feito sobre o assunto para identificar os padrões entre vários resultados de estudos diferentes. Eles até mesmo incluem estudos que mostram o efeito oposto. Após combinar todos os resultados em um, o efeito global de cada estudo combinado é determinado. Então, o que o estudo da meta-analise diz sobre a religião ser benéfica? Um estudo de 2009 que na verdade olhou varias meta-analises feitas no mundo ocidental onde o cristianismo prevalece e os valores judaico-cristãos são encorajados, teve esse resultado:
“Em uma analise meta-analitica de 147 lados de efeitos independentes, foi descoberto que religiosidade estava associada com menor taxa de sintomas de depressão […] uma meta-analise de 2 décadas concluiu que a religiosidade era positivamente associada com estar bem […] Uma analise meta-analitica mais recente de 49 estudos também concluiu que formas ‘positivas” de doação religiosa também estavam associadas positivamente com os resultados das medidas de resultados psicológicos positivos, como a satisfação com a vida e a felicidade, e negativamente associados com as medidas de resultados negativos, como ansiedade e depressão. […] Uma meta-analise de 60 efeitos revelou que a religiosidade esta associada com baixas taxas de crime e delinquancia, e esta ainda mais fortemente associada com baixas taxas de ‘vitimas’ de crimes como jogos de azar e uso de drogas. […] uma meta-analise de 15 estudos na associação de religiosidade e conquistas escolares nos jovens da Black and Hispanic American descobriu que religiosidade era positivamente associada com notas mais altas e melhores conquistas em provas” [11]
Eles também mostram:
-Em uma analise meta-analitica que religiosos casados são mais prováveis de se manterem casados (pág 70).
-Outra analise meta-analitica mostra que gentileza e conscientizarão também estão relacionadas com a religiosidade. (pág 73).
-Outra ainda que religião esta assimilado com a diminuição dos níveis de psicoticismo (pág 73)
-Religiosidade também tem efeito extremamente positivo em ser respeitoso, útil, responsável, educado, respeitoso aos idosos e desfrutar da vida (pág 78)
Entre vários outros beneficios que a religião traz a sociedade.
Andrew Sims diz:
“Os efeitos vantajosos das crenças religiosas e espirituais em saúde mental e física é um dos melhores segredos mantidos na psiquiatria e medicina em geral. Se as descobertas de um numero enorme de pesquisas nesse tópico tivesse ido na direção oposta, e tivesse sido descoberto que a religião danifica sua saúde mental, seria matéria de capa em todo o mundo” [12]
O ateu Phil Zuckerman diz:
“Há muito que eu admiro e respeito sobre o Cristianismo. Se eu tivesse que escolher 3 coisas que eu penso quando penso no Cristianismo, eu pensaria primeiro em amor, eu pensaria em segundo em paz e em terceiro no perdão. Acho que esses são elementos essenciais do Cristianismo […] e acho que eles deveriam estar no coração de qualquer sociedade civil. E eu absolutamente concordo que o Cristianismo contribuiu muito com as civilizações em termos de progresso moral e não há duvida de que Cristãos doam mais hoje em dia em termos de caridade e voluntariedade…” [13]
É idiotice dos “neo ateus” dizer que o Cristianismo é prejudicial, quando fez tão bem e faz tão bem. Os “neo ateus” ou são puramente ignorantes na ciência e não se incomodam em procurar, ou estão enganando pessoas com o propósito de avançar em sua agenda anti-religião.
Note 3 coisas:
1- Não estou dizendo que pessoas não religiosas vão ter o efeito oposto, ou que todas as pessoas religiosas do mundo ocidental vão ter esses efeitos positivos. Temos que lembrar que sempre tem exceções. Há um enorme numero de pessoas não-religiosas que vivem vidas perfeitamente descentes. O que estou dizendo é que o Cristianismo tem um efeito positivo enorme nas sociedades, e dizer que não é assim, é ignorância.
2- Mesmo se você não crê no Cristianismo, não pode negar esses efeitos positivos sobre nós.
3- Se você pensa que a religião vai sumir um dia, então devo avisá-lo de que isso provavelmente não irá acontecer. Michael Blume publicou um estudo onde ele argumenta que a evolução favorece a religiosidade de forma tão forte para seu crescimento em efeitos procriativos, que a religião ficou estabilizada em nossos genes. [14]
Então religiões como o Cristianismo não estão indo a lugar nenhum, nem seus efeitos benéficos a sociedade. Graças a Deus.
Instituições de caridade:
http://www.stellasvoice.org/ http://www.ijm.org/ https://www.traffick911.com/ http://www.hopegivers.org/ http://www.worldvision.org http://www.machinegunpreacher.org/
Traduzido de:
Inspiring Philosophy: Is Christianity Evil? –
https://www.youtube.com/watch?v=dgESPmh-TxY
(Se algum dos links de videos abaixo estiver offline, olhe o video acima)
Textos relacionados:
Valores Morais e Deveres objetivos – Porque sua existência leva a Deus.
Fontes primarias:
[1] - Michael E. McCullough & Brian L. B. Wiloughby “Religion, Self-Regulation, and Self-Control: Associations, Explanations and Implications” - http://www.psy.miami.edu/faculty/mmccullough/Papers/Relig_self_control_bulletin.pdf
[2] - Amarnath Amarasingam, “To Err in their Ways: The Attribution Biases of the New Atheists” –
http://www.academia.edu/474478/To_Err_in_their_Ways_The_Attribution_Biases_of_the_New_Atheists
[3] - Soren Kierkegaard “Attack upon Christendom”
[4] - E. Randolph Richards & Brandon J. O’Brien “Misreading Scripture with Western Eyes”, p. 185
[5] - Dr. John Lennox “Gunning For God: Why the New Atheists are Missing the Target”, p. 68
[6] - C. John Sommerville “The Decline of the SecularUniversity” Page 63-70
[7] - What if Jesus Had Never Been Born? –
https://www.youtube.com/watch?v=uHLioeL9dYk (38:46)
[8] - What if Jesus Had Never Been Born? –
https://www.youtube.com/watch?v=uHLioeL9dYk (28:28)
[9] – E. O. Wilson, “Consilience: The Unity of Knowledge”, p. 31
[10] - What if Jesus Had Never Been Born? –
https://www.youtube.com/watch?v=uHLioeL9dYk (18:55)
[11] - Michael E. McCullough & Brian L. B. Wiloughby “Religion, Self-Regulation, and Self-Control: Associations, Explanations and Implications”, pp. 69, 70 - http://www.psy.miami.edu/faculty/mmccullough/Papers/Relig_self_control_bulletin.pdf
[12] – Andrew Sims, “Is Faith Delusional?”, prefacio.
[13] – Phil Zuckerman on Christianity –
https://www.youtube.com/watch?v=2bSzPEYBBnQ
[14] – Michael Blume, “The Reproductive Benefits of Religious Affiliation” - http://www.blume-religionswissenschaft.de/pdf/ReproductiveReligiosityBlume2009.pdf