me sinto imenso ao te amar e me sinto infinito ao me amar e, se me amo e, consequentemente, te amo meu corpo já não é daqui. a isso chamo libertação.
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@palavraseastros
me sinto imenso ao te amar e me sinto infinito ao me amar e, se me amo e, consequentemente, te amo meu corpo já não é daqui. a isso chamo libertação.
O meu eu teu
eu escolhi escrever esse texto num momento de intensa vulnerabilidade, pós conversa existencial, porque decidi parar de aplicar os clichês maiores nas palavras. eu me sinto bem, eu gosto de viver e tenho uma perspectiva de vida. Daí não mais e tudo parece cair em cima de mim e eu me desespero. O fato é que eu não mudei, isso só foi me destruindo aos poucos: quando eu te conheci eu já tinha perdido parte do meu senso de humor, 80% da minha simpatia, e boa parte da minha vontade de ignorar a minha amargura e querer continuar vivendo. O fato é que inicialmente eu não fui muito sincera com você. Eu passei uma imagem de que eu era firme, e de que eu me sentia invencível. Eu não sou como as outras pessoas. As coisas na minha vida vêm e elas me machucam e deixam rastros que não tenho como apagar. Isso criou em mim traços que eu tenho total consciência de que são insuportáveis. Me fez adquirir minha ansiedade que me mata de dentro pra fora e me rasga e tira minhas qualidades por alguns segundos. Enfim, você sabe do passado. Às vezes eu acordo e não sei exatamente a motivação da quantidade de oxigênio que eu inspiro continuamente. Como se eu fosse um peso a mais muito grande pro mundo. Eu acordo e olho pro lado e você tá dormindo. Você sempre parece tão calmo, tão em paz. Agradeço por ter acordado e ter te visto dormindo em paz. Todo mundo diz que depois de um tempo a gente vai perdendo o gosto, que as coisas vão perdendo a graça, mas toda vez que eu te vejo dormindo do meu lado parece melhor que a última. Toda vez que me encaixo no seu beijinho parece melhor. Mas eu sei que não é, o que melhora é a sensação de ter uma motivação, e de saber que naquele momento eu não fui um peso grande demais pra ser carregado. Eu fui boa e importante o suficiente. Cada vez que você me dá uma palavra de amor e carinho meu coração aquece de felicidade. Parte do meu motor enferrujado funciona de novo, a minha amargura foge, e minha vontade volta. Tudo de te ver dormir. Seu dia nem começou e você já fez o meu.
Esses dois (parte um)
- Me magoa quando você me ignora. - ela disse com um tom meio esbaforido.
- Não foi minha intenção ignorar, você sabe. Eu sou distraído, mesmo. - ele esbanjava uma expressão de tranquilidade.
Uma mente cansada é a mais suscetível a pensamentos profundos. A verdade é que estava cansada. Pode não soar completamente certo, mas pensamentos demais são capazes de cansar a mente e a abrir pro que menos desejamos.
- Eu não sei se tenho segurança nisso mais. - ela disse, e enfim, completou: - Não fuja como você sempre faz. Isso só piora meu fluxo de pensamento.
- Não tô fugindo - ele apertava o volante com um pouco mais de força nos dedos - eu não sei o que eu tenho que fazer pra entender o que se passa nessa sua cabeça, cara.
- Você não tem que entender. Esse é o fato: eu me sinto um fardo tentando te colocar dentro dessa bagunça de pensamentos. - a voz dela passa a ser trêmula. - eu não sei quanto tempo você vai aguentar da minha necessidade de afirmação, nem outras coisas do tipo.
- Eu não preciso entender suas inseguranças pra reafirmar todos os dias que te amo com todas elas. - ele voltava com seu semblante tranquilo. - eu não sinto como se me esforçasse. É quem você é, sabe. Eu gosto de você assim.
Ela olha pela janela o ar melancólico de um dia nublado. Pensa por milésimos de segundo antes de dizer:
- Pra onde vamos?
- Não faço a menor ideia. Você tem sugestões?
Ela não sabia onde iam. Mas sabia que ia ser bom.
O dia em que a dor foi maior que o amor
Há dias especiais, de certa forma lendários; Há dias que são ruins e nos machucam; E existem dias neutros. Para ela, foi um daqueles dias. Um dia neutro. Uma cabeça vazia, reprodutora de uma rotina cansativa mas que já não a afetava desde que criara certa imunidade. Gostava de dizer boa noite aos que amava como forma de carinho, mas se sentia calada. Silenciada de alguma forma por si mesma, com uma dor constante e inexplicável, mas não suficiente para pará-la, e continuava, robotizada, seguindo seu dia, sua tarde, e anoitecia. Naquela noite anoiteceu e levou com ela todo resto de raio de sol de seu coração, o único brilho restante. Descobrira o sentimento, era vazio. Não havia um porquê. Ninguém era culpado de nada. Não eram sentimentos ruins - era só... nada. Naquela noite escureceu e com as estrelas vieram as más ideias e a confusão mental; estava oca e confusa, sem reação, cansada. Mas não abalada. Não... nada. Naquela noite esfriou e com o frio vieram as dores passadas, e ela já não sabia o que fazer tão cheia de... nada. Naquela noite ela não disse boa noite. Nem no dia seguinte disse bom dia.
Porque realmente não conseguia fazer parte desse mundo, mas juro: eu não era uma pessoa completamente ruim. As vezes antes de dormir me sentia uma farsa e então chorava. Não tinha a mesma disposição que meu corpo aparentava. Se eles soubessem como andava me sentindo nos últimos dias diriam que em pouco tempo estariam no meu funeral.
Os porquês de Amélia Roswell. (via animicida)
A minha amiga teve um relacionamento abusivo
A minha amiga teve um relacionamento abusivo. Começou de modo brando. Ele era engraçado, fazia trocadilhos, a fazia bem. Demonstrava interesse e respeito e em poucas semanas foi capaz de conquistá-la do fio de cabelo até a ponta do pé. Ela era frágil, sabia. Ela era frágil pois a vida toda se sentiu insuficiente, pois era insegura, pois não acreditava tanto em si para guardar a própria felicidade: ficou dependente da felicidade dele. Dos sorrisos dele. Da satisfação dele. Dos desejos sádicos dele. Nos comentários das fotos: "melhor casal". Na cabeça dela: eu mereço ser tratada assim. Dois dias sem se falarem. Ela se torturava pois se culpava daquilo apesar de não entender. "Eu adoro esse filme", ela dizia. "Você é tão bobinha", ele respondia com desprezo, e ela afundava da cadeira. Estava infeliz com a insatisfação dele. Precisava satisfazê-lo. Ela não era nada. Ela não lidaria sem ele. Ela era pouco. Ela merecia. Quatro dias sem uma resposta, ela chorava angustiada mas achava que era só uma crise. Cada opinião anulada. Cada sentimento taxado de exagerado. A cada desabafo um apontamento de dedos na cara, "você tá fazendo errado" ele dizia e ela acreditava. Ela não sabia respirar sem sentir essa angústia. Ele elevava o tom de voz "eu não sei o que você quer!!" ela queria amor ela queria atenção ela queria reciprocidade ela queria calma ela queria compaixão ela queria humanidade ela não respirava pois isso a consumia não há vírgulas não há pausas não há suspiros não há tempo para que pense em nada além de que não é merecedora você não merece amor você não é nada você é bobinha... Doente. Ela estava doente. Da alma. Agora separava por pontinhos cada dor aguda que sentia no coração. Gritava por ajuda "como você é desesperada, cruzes", ele dizia. Ele dizia. Ela acreditava. Ela chorava todos os dias. Tinha pesadelo todas as noitas. "Eu o amo", ela pensava. É uma fase. É uma fase. Ela fazia o que ele queria. Ela fazia o que o agradava. Ela chorava depois. Mas tava tudo bem. Ela precisava muito de ajuda. No comentário das fotos: "que lindos". Ela só se livrou quando ele se livrou dela. Chorou. Se sentiu culpada e incapaz de continuar a viver sem uma rédea. Se viu sem chão. Se viu sugada. Hoje é só uma cicatriz. Ontem era uma hemorragia. Essa amiga passa por você todos os dias. Não julgue.
Adeus
O único adeus que te dou é o cessar da minha dor da minha inquietude, do temor estado confuso em que estou É tão cedo para despedir-me se sua aurea não desnudei se seus medos não sanei o longe foi o mais próximo que estive Não quero ter que acenar quando queria o amor o embalo e todo o calor quando eu queria o abraçar Se o imperador já disse "eu fico" por que eu não poderia ficar? com toda a distância me contentar? enquanto fere e eu resisto Me apodero de todas as forças por esse adeus infeliz por essa iminência, por um triz enquanto o sentimento estoura Abaixo os olhos com esforço enquanto provo da proximidade que nunca houve, na verdade eu só pude sentir o gosto Um "adeus" ou um "até logo" suspiro forte e sinto o peso a ideia permanece e não nego o medo da distância que tanto gosto
Eis a diferença entre mar e oceano
Ela é oceano. Amplo, profundo, veia de inúmeros outros mares - mares esses que carrega em seu seio, dia após dia. Mares esses que ficam tão próximos de acidentes geográficos terrestres que suportam a erosão dos solos todos os dias, e das rochas que os habitam - suporta o pó, suporta os resquícios. São resquícios de dias de mar bravo, são restos de toda uma existência e seu movimento quase em constância. Ela é oceano, tem suas fossas. De tempos em tempos, com os movimentos das placas, forma ondas imensas e incontroláveis que geram imensa destruição, mas é puro fenômeno natural, não faz pra ferir ninguém. Sabe que fere. Ela é oceano, guarda memórias, guarda momentos, guarda lixo - carrega-o em todos os seus movimentos, lota-se dele, prejudicando toda a sua vitalidade, composta de espécies que ali vivem. Ela suporta. É internamente infinita. Talvez um dia explodiria com tantas coisas, mas por agora suportava bem. Ela é oceano e não é perfeita - suas superfícies possuem desníveis, que geram mais ou menos profundidades. Isso a resume, em básico. Eis aqui a diferença entre oceano e mar: a profundidade. Não é fácil ser Atlântico em meio a Arais, afinal.
Leveza cura
Todos aqueles momentos em que você sentiu uma extrema agonia e sentiu-se afogando e não podendo fazer nada a respeito acabaram. Acabaram pra você, pra ela. Temos aqui a solução do câncer mundial: resiliência para continuar, leveza para viver. Muitas vezes a vida tem dessas, sabe. Nunca se sabe se (perdoem o marcador temporal clichê) daqui a um ano seremos os mesmos - se é que seremos. Essa dúvida dói, né? Corrompe. Mas dá "gás" para que continuemos, e da melhor maneira que podemos. Todos temos um momento em que somos o pior de nós mesmos (alguns de nós temos vários). É engraçado quando ela ouve a primeira impressão que tiveram dela, principalmente no passado. A achavam durona, mas a verdade é que na aula ela levantava o dedo e pedia pra ir ao banheiro pra se lamentar de pernas cruzadas em cima do vaso sanitário. O fato é que por levar a vida com tanto peso, arrastava um semblante triste: se todos de fato encararmos a doença do mundo, e como nos tornamos ao longo da história pessoas egocêntricas e horríveis, seremos individualmente doentes. O negócio e não levar tanto a sério. Sabe, esse mundão enorme é só uma molécula de potássio sendo bombeada pra dentro de uma célula, e somos muito menores que ele - e a nossa insignificância de fato é capaz de sumir se sentirmos que alguma pessoa enxergou esse mundou enorme (ou um microponto, depende do referencial) de modo diferente por causa de nós. Isso gera leveza. É gratidão o nome disso. Mesmo insignificante, você foi capaz de existir. De abraçar, de gargalhar, de chorar, de sentir demais, de sentir de menos, de sorrir no meio de um beijo, borboletas no estômago, sentir raiva, indignação, curiosidade. E veja só: temos 7 bilhões de companheiros de insignificância. Pegue leve com você mesmo hoje. Você merece ser importante todos os dias, merece ser amado todos os dias, e tudo isso será notado se tratar-se com leveza. A vida perde o sentido às vezes, mas logo você a verá como uma arte neoconcretista: milhares de significados distintos. Quem a vê não julga que tenha tantos sentimentos imensos e tão internos que não possam ser descritos, e que um dia seu estado de inferno era pleno e nem o ar lhe parecia leve. Se você se sentir assim, a procure. Garanto que ela pode conferir-lhe certa leveza pra continuar em seu quase nada individual.
o câncer do século é a pressa a ânsia ganância a falta de empatia que cada vez mais empata e corrói as relações que nem tiveram a chance de existir.
Todos os tipos de loucura
é incrível como podes ser a probabilidade no improvável a lembrança no esquecer o balanço no estável talvez não percebas mas és a quebra da inércia és o thoreau de todos os nietzsches és o grito de toda a oculta resiliência dentre todos os tipos de loucura todo o amargo entranhado na doçura és uma reta fora da tangente és a brisa fresca em meio ao vapor quente posso garantir com toda a avidez que és a doce insanidade imersa na tediosa sensatez em toda a falácia, és a dura verdade te peço a calma, para que entendas: és um rosto nu diante de máscaras que toda a perfeição da vida é uma lenda que mereceste aqueles que te amavam espero que não exista cura para todos os tipos de loucura
Pessoas motivadoras
Sempre fui sua face escura e sombria, mas por ora me sinto claro e cheio de esperança. Espelho o que ela sente. E é assim que ela se sente por agora. Há pessoas no universo (sim, nesse universo confuso e cheio de atritos em que vivemos) que simplesmente fazem a vida valer a pena por existirem. Só um olharzinho vindo de tais pessoas já dá uma alegrada no dia. É inexplicável, mas é puramente baseado na energia que transpassamos, e o quanto estamos dispostos a contraí-la dos outros, também. Ultimamente a peguei admitindo que esteve em seu estado de inferno e finalmente encontra uma maneira de sair disso, e em tempos dei meu primeiro sorriso. Ela tem esse problema de ser esponja e absorver de tudo, mas pelo menos um vez essa característica inconveniente trouxe algo de bom: a paz. Ela agradece. Ela diz que quem faz sabe quem é. São válvulas motivadoras em tempo integral, e só agora, de visão limpa, foi capaz de enxergá-las. Muito obrigado. Ou deveria dizer obrigada?
Ela é a chuva. Apesar das muitas pessoas que a desejam, poucas ficam quando desaba.
Os porquês de Amélia Roswell. (via animicida)