É a segunda vez que visito este lugar mágico e místico. O silêncio é enorme, mas a floresta parece viva. É daqueles lugares que você para em frente às ruínas e fica sem acreditar que está frente às mesmas pedras que foram carregadas, esculpidas e posicionadas por mãos de pessoas que viveram há mais de dois mil anos. Como o tempo devia passar diferente, como as relações humanas e divinas eram outras, como a integração das pessoas com aquela terra, montanhas e água era especial. Parece uma viagem no tempo sensorial, apesar de hoje só encontrarmos algumas ruínas rasas.
A área sagrada possui um conjunto de templos em formatos e posições peculiares, que levaram os pesquisadores à conclusão de que os locais eram também santuários de observação astronômica. Entre os lugares de adoração dácia, um dos mais interessantes é o Grande Santuário Circular, usado para realizar algumas observações celestes, e também como calendário solar. Um segurança local me mostrou na minha primeira visita a Sarmizegetusa há alguns meses, que há a marcação dos dias da semana pelas rochas ao redor do templo circular: segunda a sábado como rochas na vertical, e domingo como uma rocha na horizontal (pode se ver mais de perto na 5a foto). Ele me mostrou também uma grande pedra em forma de disco que dizem ser para sacrifícios de animais, com sulcos entalhados para escoar o sangue. E ainda apontou no chão alguns pequeninos grãos torrados, quase imperceptíveis, próximos às ruínas, que segundo ele são dos tempos anciãos. Dói um pouco pensar que uma civilização tão próspera e rica de cultura praticamente desapareceu juntamente aos seus costumes, cantos, ferramentas, lendas, histórias, celebrações, roupas, adornos e afins, mas Sarmizegetusa parece que ainda carrega algo do que eles foram, e em pleno 2018 permanece sendo um sagrado santuário dácio.