lend me ten thousand eyes, and i will fill them with prophetic tears.
não é surpresa contar com a presença de NINA LIEU PAVLOVNA no instituto de rosis esse ano ! todos sabem que ela é uma VENEFICU da ordem dos ORACULO , vinda da CHINA , porque aqui as fofocas correm rápido . ouvi dizer que apesar de seus VINTE E CINCO anos , ela pode ser bastante IMPERTINENTE quando está de mau humor , mas sua DEVOÇÃO compensa .
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› geral.
nome: nina lieu pavlovna.
apelidos: pavy , nin.
idade: 25 anos ; libra , ascendente em peixes.
nacionalidade: região de lassa , china.
ordem: oraculo.
traços positivos: elegante , modesta , leal , zelosa.
traços negativos: maçante , desconfiada , enigmática , impulsiva.
› resumo.
nascida na china, nina é filha de camponeses: uma mãe chinesa e um pai russo, imigrante que buscou fugir da grande fome que devastava seu país. terceira filha do casal, inicialmente não foi poupada dos trabalhos braçais, mas quando começou a falar coisas estranhas, seus pais começaram a deixá-la em casa.
falava besteiras, que eram ignoradas com risos dos adultos, mas que quando começaram a se tornar realidade mais do que o normal começaram a preocupar. a cada vez que seus olhos se fechavam por tempo demais e então frases confusas começassem a sair de sua boca, os risos iam diminuindo e os olhares se desviando. o grande problema, claro, estava no fato de que os homens do imperador caçavam incessantemente qualquer um que apresentasse ou se associasse com venéficus, que era o que temiam e se confirmava que era.
os pais tentaram fugir com ela para outra vila, mas antes foi pega a força pelos outros camponeses e marcada a ferro quente para que aqueles que os encontrasse soubessem o que ela era. aos 10 anos, o pai a tomou pela mão, a guiando pela floresta e então a largando sozinha, a abandonando. num território extremamente perigoso, a criança teve seus poderes postos em pausa enquanto lutava para sobreviver: coisa que só acreditou que realmente iria acontecer quando atravessou a fronteira com a índia. uma feiticeira acabou por a encontrar e quando viu seus dons decidiu a entregar para os oraculo.
os oraculo não só a acolheram, mas também perceberam seus dons e rapidamente a mandaram para o instituto de rosis. aprendeu a não tratar suas profecias com desprezo, começando a tomar orgulho de seu dom, e se adaptou melhor do que o esperado – mas acima de tudo, desenvolveu um senso de lealdade para com os oraculo extremo, orgulhoso e se dedicando total e completamente aos seus ensinamentos e tradições.
a pavlovna se desenvolveu numa mulher com charme, elegância e desenvoltura, ainda que não soberba. suas profecias e jeito de as compartilhar ainda são vistas com estranheza e o acontecimento súbito destas por vezes a tornam uma companhia que cansa, mas que lhe confere um ar de mistério e esotérico. pensa pouco antes de agir e se vê quase sempre dando razão aos sentimentos, mesmo sendo alguém que demora para confiar.
› poderes.
parte da ordem dos oraculo, nina demonstrou aptidão natural a precognição desde criança, e é seu maior e mais poderoso dom e também o que lhe vem mais facilmente – tem o treinado desde que chegou no instituto, com 11 anos, e já é capaz de ter visões futuras detalhadas e das quais não esquece (que acontecem na forma de presença, onde por um instante se vê num local e presencia o acontecimento; com anos de treinamento passou a conseguir adentrar e visualizar cada vez melhor essas visões) mas ainda falha em provocar tais manifestações prontamente, se não tiver algum estímulo físico ou mental e quase todas as vezes é obrigada a esperar tais simplesmente acontecerem. também se manifesta na forma de premonições, sensações que recebe, especialmente quando em contato direto com alguém ou algum objeto.
a clarividência vem em segundo lugar na sua lista de dons, de maneira alguma desenvolvida como a precognição, mas que anda dando mais atenção, na tentativa de a aprimorar. dependendo sempre do uso de cristais ou cartas e da presença da pessoa ou de um objeto relacionado ao que se deseja descobrir – essas visões ainda são nebulosas e difíceis de se decifrar.
é uma boa estudante de adivinhação astrológica, gastando bom tempo traçando mapas astrais e fazendo horóscopos por diversão. fora isso, tem aptidões básicas e iniciantes para os outros dons estudados pelos oraculo.
› fatos.
carrega no alto das costas, do lado direito, uma cicatriz em formato de v que foi feita a força quando criança. não dói, e ela não liga muito, ainda que não costume mostrar.
pensa muito pouco nos pais, e, na verdade, os perdoou. entende que colocava em risco a família inteira e sabe que, na situação deles, provavelmente faria o mesmo. não sente saudades, no entanto, de suas origens.
não é particularmente ambiciosa, mas quando se deixa sonhar se imagina como líder dos oraculo, dando continuidade a todas as tradições.
inclusive, suas profecias são um tanto quanto enigmáticas, o que é um problema para aqueles que as recebem. ela não as interpreta, apenas entrega.
é uma grande seguidora do equilíbrio, e, apesar de achar excessivo o tratamento de alguns países com os venéficus, não se opõe a condição de servi-los.
nas última férias, nina desapareceu por um tempo sem dar notícias e voltou estranha. agindo mais enigmática que o normal, aqueles que a conhecem bem conseguem ver que algo aconteceu.
› aulas.
optativas: línguas mortas e exploração de cavernas.
extracurriculares: astrologia, desenho e pintura, gastronomia e arquearia.
› biografia.
teria a santa ignorância em algum momento sido mais bem proveitosa do que no crescimento incomum de nina? o sangue meio eslavo herdado do pai imigrante já era destoante o suficiente em meio ao povo da mãe, ainda que as feições desesperançosas parecessem vir de um gene em comum, e o desenrolar de sua língua terminava de a pôr à margem da precária sociedade que lhe forçavam a chamar de lar.
a cada promessa dita e, então, cumprida – fosse maldição, fosse benção – a nata inocência e descabimento infantil eram julgados e condenados culpados, sem grande alarde. mas a cada ano crescido e vivido, as tochas da punição chegavam mais perto na medida que os sussurros infaustos viajavam longe.
mal tinha qualquer consciência e já lhe seguia o fardo de ser considerada um nascimento astroso. o celebrar da primeira década em terra fora marcado pela prova viva de que o desequilíbrio jazia em si, e forjado em ferro foi, no puro sentido, a marca que teria que lhe acompanhar até seu fim, a marca que a anunciava como alvo de subjugação.
houveram copiosas lágrimas que lhe impediam de ver, conforme o caminho congelado a sua frente lhe era exposto e a mão firme do pai lhe soltava e abandonava. lhes custariam o pescoço, somente ouvir o que não conseguia impedir de proferir e sua existência já era dada como ínfima, seu destino, ainda que não o visse, dito traçado. nem os ancestrais poderiam ajudar – eles a renegariam, de sangue sujo, impuro, alma maculada e amaldiçoada.
em tons suplicantes, as palavras que lhe acompanharam não eram mais sentenças e sim preces para que o sol brilhasse só mais uma vez nos olhos amendoados. árduos dias, jamais esquecidos, foram passados correndo e fugidos dos homens jurados de um Imperador que gostaria de ver todos de seu tipo reduzidos a cinzas, ainda que mal entendesse qual o tamanho mal que lhe acometia para merecer tanta punição.
tremores e clamores só cessaram quando sem saber cruzara a fronteira da terra do sol nascente, saindo, quase, intacta sua maior vitória – sua maior sorte, um dos seus a encontrar e acolher.
a venéficu, mera aventureira no local perigoso e inexplorado, a pôs sob seus cuidados grosseiros até lhe entregar para quem realmente entenderia o que fazer. os oraculo estenderam a mão e a puxaram para um mundo do qual sabia que jamais seria capaz de escapar.
nutrida e não exausta, as malditas previsões voltaram a ser parte do vocabulário e sua precisão tão impressiva que lhe disseram que só lhe restava um lugar para estar: o instituto de rosis. a inadequação a tal lugar tardou a deixar o corpo esquelético e mente nebulosa, mas quando o fez deu lugar a quem seria chamada de uma grande promessa.
sentindo pertencer, o sangue mestiço foi esquecido e se tornou mero objeto à passo que o fazia ser puramente da ordem, o ritualístico sendo sua normalidade – a sina, então, motivo de orgulho e possível soberba. seus ditos passaram a ser recebidos com reverência.
felina, pavlovna cultivou charme, elegância e desenvoltura, capacitada de amedrontar (ou meramente estranhar) e abonançar sem grande alarde. o desejo pelo topo, ainda que contido e silenciado por um mínimo e inexplicado restante de temor que restava de seus dias em um lugar que lhe rejeitara e não pertencia mais, conferindo ambição e destreza para que portas lhe fossem abertas sem a necessidade de um telekis sequer.
a mocidade carregada no olhar, no entanto, desapareceu após um sumiço inexplicado no período de férias. os trejeitos usuais ainda a restam, mas a esquisitice exala e confunde, principalmente quando o misticismo que então só transparecia nas falas proféticas agora parece se esparramar descontroladamente.















