Domingo à noite
O primeiro dia da semana
É sempre o mais vazio
O espaço que você aquecia
Hoje permanece frio
No corpo que você preenchia
Existem vãos
E eu me questiono se foram em vão
Todos os domingos
Segundas
Terças
Quartas
Quintas
Sextas
Sábados
Todas as rotações
Uma fração da translação
E toda a revolução
Que você causou na minha órbita
Busco a resposta,
mas as páginas estão em branco.
Busco os seus sorrisos na minha memória,
mas eles estão borrados pelo meu pranto.
Busco cicatrizar a ferida da saudade,
mas quanto mais eu tento, menos estanco.
Pergunto-me sobre os seus domingos
Sobre os seus risos
Sobre seus planos
Sobre os próximos anos
E sigo contando
Quantas voltas em torno do sol serão necessárias
Para que as nossas linhas do tempo se cruzem
Para que cesse a saudade de escala planetária









