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@perfeita--estranha
eles colocaram a arma na mão do menino sádico. eles colocaram a arma na mão do menino sádico. eles colocaram a arma na mão do menino sádico.
e agora os outros se retraem: o imigrante o negro e todo público lgbt+. oram e pedem para as suas vidas importarem. mas seus vizinhos colocaram a arma nas mãos do menino sádico e agora sorriem felizes por trás de suas cercas (e peles) brancas. eles aceitam o sangue, penso. desde que não respigue no seu jardim. eles aceitam a morte, penso. desde que não entorte suas cercas.
eles aceitam o mal a uma mulher
eles colocaram a arma na mão do menino sádico e vão atirar, eu sei. nem todos os fins estão próximos talvez esse seja o primeiro.
não coloquem a arma nas mãos do menino sádico.
enquanto você o feria e eu assistia de longe ele perdendo de tanto em tanto o brilho que nenhuma pessoa com 20 anos deveria perder, pensei no porquê ele resistia tanto por vocês.
às vezes a gente luta pelo amor em solos secos apenas pela colheita da fé apesar de nada vir
hoje, quando o assisto reconstruir de pouco em pouco as vidas que dentro dele cê destruiu com suas pequenas catástrofes, te vejo pintá-lo com cores de amargura e dor quando é você quando é o teu cinza sabor sangue ferrugem que te pressiona os dias e não ele
e toma aqui uma verdade realmente cruel demais: para esse homem existe o dia depois de você, mas como deve ser triste como deve ser triste saber que aí dentro não existe o dia depois de si mesmo.
eu rio, bem calma e serena. te sobram ameaças, eu sei. te falta o de sempre: amor.
porra, eu tô cansada. e não há mais nada para ser dito. eu sinto sono, fome, sono, fome, vontade de encher a cara, sono e fome. eu trabalho e estudo e sorrio e fodo e como e bebo e acordo e sonho e pego o ônibus e fecho os olhos e durmo e me esqueço e tomo café e rio e comento e escrevo e choro e abro os olhos e lembro. nunca de mim, nem de você. de coisas que esqueci de fazer, de coisas que não preciso lembrar, de atos-enlaços-quisera-minha-vida-ser-um-saco-plástico. tô existindo, vivendo, transbordando. que cansaço-sono-fome
fumando um cigarro ouvindo oswaldo montenegro tentando não pensar nessa história toda deitada na minha cama no escuro do meu quarto de misérias, ai cazuza praticamente nua de calcinha e poucos ou quase todo sonho
eu sou maravilhosa
tenho esse jeito solto de sobreviver e eu me desespero toda vez que o ônibus demora e quase choro e então me salvo cada vez que olho as luzes da cidade em um carro em movimento e tá tocando matogrosso e eu tô firme
maravilhosa
e você me perdeu, mesmo que nunca tenha sido uma disputa. eu sou a puta perfeita, meu amor e você me perdeu. acontece.
você não sai da minha cabeça queria ela no seu colo ou entre suas pernas.
quando você me deixou no aeroporto no meio do ano passado depois de dizer que nunca me amou mesmo tendo feito eu acreditar que amava
quando um número desconhecido apareceu na tela do meu celular e do outro lado a mesma voz calma de quando você me matou por dentro
quando eu li mais um dos seus milhares de e-mails dizendo que sentia muito, que tinha errado muito, que eu não sou o tipo de garota por quem a gente se apaixona de primeira
quando nada nada nada nada que você chegou a fazer de bom por mim foi o suficiente
você jogou consigo mesmo e me perdeu.
e eu ainda encaro a última foto com você pra me lembrar da ferida aberta, pra não esquecer nunca do mal que você me fez, pra não me agarrar nunca mais a um amor partido por não me perceber inteira
você jogou consigo mesmo e me perdeu.
num Rio de Janeiro de inversos, você me colocou nos subúrbios do amor achando que a pobreza me mataria, mas só existe frieza na zona sul
você é uma Copacabana que não chega aos pés de Madureira
(e i’m just too much for you)
cerque-se de pessoas que plantem em você projetos, ideias, sonhos, dias em paz, vidas intermináveis, cheiro de primavera. cerque-se de quem doa não só um abraço, mas serve café, puxa a cadeira pra sentar, explora uma emoção na sua alma. porque são essas pessoas que permanecem, ficam como uma memória que a gente gosta muito e tem vontade de esconder. cerque-se de pessoas que respeitem seu silêncio, ora sabendo da dificuldade; ora permitindo que cê grite porque é preciso. cerque-se de alguém que, sabendo da sua batalha, estende a mão e pede calma.
cerque-se de pessoas que fazem da sua existência uma possibilidade viva de perceber que o mundo fica melhor porque você está nele.
“E com uma letra bem pequena, lá estava escrito no seu epitáfio: Tentou ser, não conseguiu; tentou ter, não possuiu; tentou continuar, não prosseguiu; e nessa vida de expectativas frustradas tentou até amar… Pois bem, não conseguiu, e aqui está.”
— Dom Casmurro.
“Tudo aquilo que você evitou pensar ao dia, simplesmente apareceu na hora que você deita para dormir, você não consegue ignorar.”
— Caio Fernando Abreu.
você ainda tem tanta coisa pra viver não se prenda em alguém que não queira voar com você.
A cura não está no outro.
Ela mora em você.
“Realmente, de um tempo pra cá, tudo mudou.”
— Harry Potter
“Não se mate por aquilo que não te dá vida.”
— Eu me chamo Antônio.