writing straight with crooked lines | mordred and petra
Ouvia com interesse enquanto a mulher comentava sobre sua experiência como healer. “Confesso que já fui um desses pacientes teimosos, e por isso os healers têm a minha admiração.” Comentou, em tom de desculpas. Acreditava ser comum á profissão o desejo de voltar ao campo o mais rápido possível. “Emocionante é uma forma de ver, eu acho. Mas já estou fora da ação em si há algum tempo, meu trabalho agora consiste mais em direcionar como as operações vão ser executadas.” Respondeu, um riso escapando-lhe os lábios ao pensar em como, ainda trabalhando a maior parte do tempo em um escritório, seguia vivendo quase sempre em alerta. Sua atitude tinha motivo, claro, não era raro que os agentes do departamento se tornassem alvos após executar uma operação contra um bruxo ou bruxa mais bem conectado. Nesses casos, as salas do Ministério podiam até fornecer alguma proteção, mas não era possível passarem o tempo todo nelas. “Eu também estava bastante nervoso, e é bom saber que estamos no mesmo barco. Tem algum tempo que eu não faço esse tipo de coisa, encontros e tudo mais.” Deu um sorriso simpático, satisfeito por saber que as coisas pelo menos estavam indo bem. Seu raciocínio foi interrompido pela chegada do garçom com a garrafa de vinho que havia pedido. Após degustar brevemente a bebida, deu o sinal de aprovação para que os copos de ambos fossem cheios. Deu um longo gole, apreciando a leve queimação que descia pela garganta. Embora o sabor fosse suave o bastante para não causar uma reação forte, era inegável que a bebida tivesse sua potência.
Pousando a taça sobre a mesa, deu mais um sorriso para a mulher antes de prosseguir. “Nos últimos anos eu fiquei completamente dedicado a cuidar dos meus filhos, até fiquei um tempo afastado do trabalho. São dois, Zahira e Vihaan, Zah tem apenas oito, mas meu pequeno V completou doze nas últimas férias.” Começou a contar, evitando propositalmente trazer à tona as memórias dolorosas que envolviam a situação que ocasionou aquela tomada de decisão. Aquele era um dia para relaxar, como seus irmãos estavam sempre insistindo que fizesse, e não deixar o mau humor, que frequentemente vinha quando lembrava do que tinha perdido, consumir sua mente. Ainda assim, falar dos filhos era algo que sempre trazia um pouco de calma ao homem, e não era um grande exagero dizer que as crianças agora tomavam conta de boa parte de sua vida. Entre os filhos e o trabalho concentrava-se quase que por completo a dedicação de Mordred. “Com Vihaan em Hogwarts, minhas desculpas para evitar as tentativas de me arranjarem alguém acabaram. E devo dizer, estou feliz de estar aqui.” Concluiu, sabendo que suas palavras eram honestas. Estar na companhia de Petra parecia mais natural do que podia imaginar, e seu nervosismo estava aos poucos sumindo, mesmo sem o auxílio do álcool.
“Não me diga que você é desses pacientes que não seguem corretamente as recomendações médicas?”, comentou em um tom divertido. Em todos aqueles anos de emprego Petra já tinha aprendido algumas técnicas para lidar com alguns pacientes mais teimosos que não aceitavam os cuidados necessários e que achavam que estavam bem o suficiente para deixar o hospital, e até mesmo em casos opostos em que os pacientes não queriam deixar o St. Mungus. De qualquer forma era um trabalho que necessitava de tato social para lidar com algumas situações de seu dia a dia. “Algo me diz que você está sendo um pouco modesto a respeito das atividades que você realiza, e admito também que estou curiosa pensando como deve ser te ver em ação”, a bruxa estava gostando de conhecer um pouco mais sobre Mordred Baxter e na medida em que o tempo passava sentia-se cada vez mais a vontade com ele. Era fácil de conversar com o homem e Ivanova estava gostando de conhecer mais a respeito dele e sobre o que ele fazia. “Não me lembro com exatidão a última vez em que fui a um encontro, e ter alguém que consegue me entender é ótimo! Estou mais tranquila e a vontade do que poderia imaginar”, a bruxa aproveitou para pegar a taça de vinho que o garçom tinha acabado de deixar na mesa, e deu um gole na bebida sentindo o gosto suave e saboroso.
Petra abriu um sorriso ao ver Mordred falando sobre os seus filhos. Como mãe ela entendia como era se preocupar com os filhos e se doar pra cuidar deles, sem contar que isso lhe dava uma abertura para falar sobre o Isaac. Um dos maiores receios dela era sair com alguém que não lhe desse abertura para tocar naquele assunto, ou que não gostasse de crianças, mas aquele não parecia ser um problema para o bruxo sentado à sua frente. “Por anos o Isaac vem sendo uma das principais coisas da minha vida, inclusive já abri mão de algumas coisas para cuidar dele, mas algo que me ajuda é ter minha avó por perto”, ainda mais nos primeiro anos na vida de Isaac a presença da avó de Petra tinha sido uma benção na vida dela, ajudando Ivanova a cuidar do filho. Além do mais, sem a presença da avó em sua vida, dificilmente Petra conseguiria organizar sua rotina como mãe e haler no St. Mungus. “Agora o pai do Isaac está mais presente na vida dele, e isso está sendo de ótima ajuda, sem contar que o próprio Isaac sentia falta de uma figura paterna na vida dele”, mencionou com cuidado aquele assunto. Trazer Sean à tona no meio de um encontro não era lá uma das opções mais inteligentes, e menos ainda contar sobre o passado turbulento dos dois e das brigas constantes que tinham por conta de Isaac. Mordrer não precisava saber de todos aqueles detalhes, pelo menos não no momento. “Eu também estou feliz de estar aqui e de ter dado uma chance para esse encontro. Você é uma ótima companhia, e tem um ótimo gosto para vinhos”.