Diário de um cidadão brasileiro - parte I
13:00, aqui estou. Um copo de água bem gelada para estancar a sede após o almoço. Água que julgo eu provir do planeta Terra mesmo, agora que já descobriram a possibilidade de água líquida em Marte, daqui a pouco começam a vender água industrializada marciana. Pela janela admiro o céu, parece que vai chover, mas na verdade a chuva mesmo espero a dias; e o que recebo são rápidos chuviscos que, como dizia minha avó vão “apagar a poeira do chão”. Ligo a TV e a mudança de canal é mania visceral. Não há nada que me favoreça dizer: uma bela programação na TV brasileira; misto de fofocas sobre famosos, alegria daqueles que não têm vida própria e passam horas a saber o que outros estão fazendo e notícias catastróficas de um mundo que não parece ser o que vivo pois com tal índice de criminalidade propagado é um perigo abrir a janela ou sair na rua; se 10 morressem a cada minuto ainda assim não se explicaria todo o alvoroço criminal. Realmente o número de militares no Brasil precisa ser quintuplicado. O silêncio é quebrado pelo barulho de uma pequena escola aqui nos fundos. Fico a me perguntar: onde a educação brasileira vai chegar? Só escuto os gritos de uma professora impaciente com os alunos: “tem gente batendo o pé errado... não batam palma ainda... calem a boca... vamos novamente” e a música recomeça. É essa educação que queremos? Talvez sim, vamos criar uma geração que é expert em dança medieval, mas tão tola quanto as víboras que nada fazem senão rastejar à procura de alimento. Se é que vão encontrar alimento. O país se assola cada vez mais na pobreza velada pelos programas sociais que são idealizados mas que na verdade não contribuem para a ascensão de um país emergente. Já não podemos cuidar nem mesmo dos que nasceram aqui e ainda somos obrigados a ouvir a presidanta falar em plenário, no Discurso de Abertura da Assembleia Geral da ONU que estamos abertos a receber todos os imigrantes que queiram trabalhar e ajudar o país a crescer e blábláblá... Talvez o mundo secreto do Palácio do Planalto os receba como empregados e garanta sua sobrevivência porque aqui fora, na dura realidade, trabalho mesmo não há. “O Brasil não vive problemas estruturais graves e sim problemas pontuais”; penso estar na hora de resolvê-los então, se bem que a corrupção só é resolvida nos belos discursos, quer problema mais pontual que esse? Mas felizmente tudo se resolverá porque “nós não temos meta. Quando atingirmos a meta, dobramos a meta e quando atingirmos a meta dobramos de novo.” Chega de discursar sobre política, é assunto fadado ao fracasso; a moda agora é whatsapp, facebook, tindler e sei lá mais o que. Viva a era moderna da comunicação unitária e dos mundos paralelos...












