something must’ve gone wrong in my brain
sg-vivi:
A resposta a pegou de surpresa e ela deixou escapar um riso um tanto incrédulo. “Um pouco…” respondeu, ainda rindo do rumo estranho da conversa. “Provavelmente não é a melhor coisa pra dizer pra alguém que você acabou de conhecer, eu acho.” continuou. A frase seguinte dele fez com que uma nova risada lhe viesse aos lábios, uma vez que nem de longe estava acostumada com pessoas tão diretas e verdadeiras em suas respostas. “E se notasse provavelmente não te diria nada, então você tem um ponto.” prosseguiu, igualmente verdadeira. Enquanto ouvia a justificativa dele para o olhar o rosto de Vivian ganhou uma coloração ligeiramente avermelhada e ela virou o rosto para olhar para a barraca de tiros, lembrando-se de seus fracassos de minutos antes. “É um talento nato sabe, errar todos os tiros…” comentou, sem saber ao certo o que dizer. Não devia se sentir tão estranha. Não quando estava tão acostumada com olhares masculinos sobre si; não quando não dava a mínima para nenhum deles. Mas em uma coisa ele estava errado: quem quer que fosse, não era um alguém genérico. Ele tinha alguma coisa diferente dos homens com quem ela convivia, de seus colegas de faculdade, que eram futuros arquitetos quietos e calados ou dos amigos de seus pais, que por vezes falavam tanto e sobre coisas tão desinteressantes, que mais pareciam um exército de robôs. Ele ao menos era honesto no que dizia, só isso já era bastante único. “Não precisa ser tão gentil comigo sobre isso!” ela riu, referindo-se à frase sobre ela estar melhorando. “Não acho que eu poderia acertar um tiro nem que fosse para salvar a minha vida, mas você que é entendedor do assunto por acaso teria alguma dica para uma principiante?”
"Nesse caso ignore totalmente o que eu disse anteriormente. Considere apenas que teve a impressão de me conhecer de algum lugar pelo simples desejo subconsciente de querer me conhecer. Assim soa mais legal, concorda?" O riso acompanhou o dela e o rapaz deu de ombros quando a resposta seguinte veio. "Viu só? É como minha avó dizia, há males que vêm para o bem. Agora eu tô muito mais contente em ser ruim na arte do disfarce. Ficaria bem triste se perdesse a oportunidade de conhecer você, e eu com certeza perderia. Fiquei te olhando e não fazia ideia de como me aproximar." Respondeu com confiança, trabalhando para parecer o mais sincero possível em suas palavras. As sobrancelhas se ergueram numa expressão de surpresa por conta da sinceridade dela. "Então parece que era assim que tinha que ser. Se eu tivesse planejado com certeza não teria dado tão certo." O riso breve deixou seus lábios e ele se manteve com um sorriso no rosto enquanto percebia o corar da face alheia e a ouvia falar. "Eu sou um grande admirador de todos os tipos de talento." O tom usado foi bem humorado, aliviado ao perceber que conseguiu estabelecer um diálogo com ela. "E eu não estou só sendo gentil, juro. Nunca ouviu falar que a prática leva à perfeição? É claro que algumas vezes já nascemos bons em algo, mas quando não somos e queremos nos tornar basta praticar." O sorriso que adornou-lhe os lábios novamente era muito mais singelo, aquela sendo a primeira vez que ele de fato a dizia algo verdadeiro. "Não duvide tanto de si mesma. Eu não achava que poderia me aproximar de você e cá estamos, conversando. Além disso, quando se trata de sobrevivência nós somos capaz de muitas coisas, até mesmo acertar um tiro." Riu de forma suave e breve. "A minha dica pra você é que aceite a minha ajuda pra te ensinar. E sim, isso foi um convite."













