Vesti meu jeans preferido, regata curta, meu salto nude e fui pra rua, eu precisava sentir o cheiro da noite, o vento na cara, parei naquele bar que a gente sempre parava, e por ironia pedi uma cachaça, eu nunca fui de beber cachaça, mas queria brindar, eu adoro o barulho do salto estalando no asfalto, ele anuncia minha chegada, solitária, porém muito viva e intensa, cada passo eu sabia o rastro que eu deixava, o cheiro de pimenta rosa, típico e de sempre, você se acostumara, sensação de soltura, de libertação, a vida anda sendo tão dura, a gente tem estado tão em contramão, os finais de ano me fazem lembrar daquela lua de dezembro, que prometi a um deles que cruzaria o país para encontra-lo, cômico mas eu ainda me lembro, aquela minha inocência era de se invejar, hoje eu tenho tanta inveja, pois perdi, perdi muito coisa, cada um que vem e vai, eu perco algo, e ganho em dobro, não queria esses ganhos, como não queria essas perdas, esperteza demais endurece a gente, malícia demais as vezes vira maldade, tanta oportunidade... comentei esses dias dela, a vontade coça, mas o medo do Karma é maior. Semana passada voltei triste, o salto estalava na ladeira, anunciando que eu voltava, eram 7 da manhã, aquele sereno frio que só tem aqui, as minhas roupas não eram compatíveis com aquele clima, nem o meu rosto era o mais agradável, era nitida a cara de dia seguinte, meu coração estava apertado, e minha cabeça o tempo todo dizendo que eu deveria parar, que tudo isso não estava certo, que eu mereço um amor inimaginável, ai imediatamente veio ele a minha cabeça. Eu me contento com tão pouco, desisto na primeira barreira, deveria ir até o fim. Talvez ele valha os extremos, talvez ele realmente esteja apaixonado como diz. Me falta paciência. A solidão é tão latente, que me faz duvidar. A vida da tantas voltas que me faz desandar. Meu amor é tão dele que não exito em perdoar.
Durmo e sonho com o cheiro dele, enquanto ele mente, eu acendo um cigarro, ele escreve, eu ignoro, eu não gosto de ouvir o que eu quero, gosto de ouvir a verdade. Mas ele ainda me quer sentando na cara dele. Ele ainda quer meu gosto na boca. E não desprende, não solta, quem sempre se arrepende do que diz e volta? Eu.