Cadê o Bonde que Passava Aqui?
A ocupação Cadê o bonde que passava aqui? aconteceu no Largo da Batata entre os dias 21 de maio e 02 de junho de 2019 e contou, para além da instalação do Bonde Monumento – principal obra projetada pelo projeto – com outras pequenas intervenções no espaço e uma programação voltada para a ativação constante do território. Foram oficinas, rodas de conversa, apresentações musicais e exibições ao ar livre do documentário Cadê o bonde que passava aqui? que aconteceram diariamente durante os quatorze dias de ocupação. O conjunto de intervenções artísticas apresentadas durante este período funcionou como uma plataforma de diálogo entre o público e o conteúdo levantado durante a pesquisa, convidando os passantes e frequentadores a conhecer um pouco mais sobre o Largo, suas histórias e memórias.
Encontrar, interagir, partilhar, incluir, abrir-se sensorialmente ao lugar e aos outros. Cadê o bonde que passava aqui? não foi apenas uma exposição sobre o Largo da Batata. Foi, na verdade, um ímpeto de expor o próprio Largo, sua arquitetura, seus usos, o fluxo das pessoas e seus encontros. Foi a rememoração de tantos que passaram por esse espaço, uma busca pelas lembranças pessoais e pelas camadas esquecidas da história da cidade.
Como principal intervenção, um elemento estranho foi inserido à paisagem do Largo, incitando a curiosidade a respeito do trilho que pouca gente sabe de onde veio ou porque foi parar ali. O bonde funcionou como centro da ocupação, abrigando toda a programação e revelando em sua estrutura, através de uma instalação sonora e de fotografias de acervo, um outro tempo da cidade.
As fotografias – pertencentes ao acervo do Esporte Clube de Pinheiros e a Coleção Jurandyr Índio do Brasil – foram engavetadas em caixinhas manipuladas pelos visitantes, revelando um tempo sedimentado pela mão do progresso. Ao entrar no bonde, era possível escutar a instalação sonora da artista Luisa Puterman, que conduzia histórias a partir das vozes, paisagens, rios, mercados e bondes que não existem mais na região.
O bonde contava também com uma cabine móvel que, com a orientação das educadoras, percorria o território ativando elementos presentes no Largo. Um passeio lúdico que revelava e questionava sua arquitetura e fluxos, passando também por outras intervenções temporárias criadas para a ocupação.
Em meio ao deserto de concreto as educadoras Maria Galdino e Roberta Campi permaneciam propondo as ações educativas da ocupação. Um espaço que convidava à permanência, à contemplação, à troca e a criação artística coletiva por meio da escuta e do diálogo.
Ao conjunto de pequenas intervenções artísticas criadas no terreiro, demos o nome Do apagamento à Bandeira. Passando pelo Monumento a Aldeia de Nossa Senhora de Pinheiros, pela Igreja Nossa Senhora de Monte Serrate até chegar a Bandeira do Brasil, as intervenções questionavam a história dos elementos presentes neste espaço. De que modo os primeiros habitantes de Pinheiros se encontram representados na paisagem atual? Qual o nome deste monumento e a quem ele homenageia? De que maneira ideologias políticas e ideológicas se manifestam nos espaços públicos da cidade?