a gente é tudo aquilo que deixamos passar e tudo aquilo que não deixamos. a gente é o peso da nossa vivência e a da não vivência. a gente é o peso de existir.
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a gente é tudo aquilo que deixamos passar e tudo aquilo que não deixamos. a gente é o peso da nossa vivência e a da não vivência. a gente é o peso de existir.
algumas feridas não foram feitas para serem fechadas.
Nessa correria que é a vida meus pés já estão calejados e cada passo que eu dou é em falso, mas enquanto caminho, mesmo manca, aproveito a paisagem.
Laura.
e eu continuo a preencher o meu vazio com qualquer coisa que me faça vomitar em entrelinhas tudo o que eu já senti.
Lembro de quando e como te conheci, lembro da sua timidez de conversar em chamada, lembro que você tocava para eu dormir, lembro de como eu morria de vergonha de dormir com você porque eu gemia enquanto dormia e você não se importava, lembro quando escutei sua voz pela primeira vez, lembro quando te vi pela primeira vez, lembro de como eu sempre falava que você era a melhor pessoa do seu signo, lembro de tudo, de todos os erros que cometi e de como o tempo não foi favorável para nós. Eu lembro que fomos lindos enquanto duramos, por muitos porquês, mas principalmente porque formávamos algo maior do que já éramos quando sozinhos. Você sempre foi minha casa e eu, tola, me fiz desabrigada.
Laura.
Eu precisava escrever. Eu preciso escrever, não sobre você, mas sobre tudo o que ocorre quando achamos que conhecemos alguém. No final das contas quem realmente conhecemos se nós mesmos mudamos constantemente? E no momento eu não sei se algum dia eu realmente te conheci, mas eu juro, juro que você me pareceu tão real e eu precisava pensar que podia conhecer além do que se pode ver. O que foi mais real que achar que conhecia você foi a dor de quando descobri que conhecer alguém é tão impossível como apagar a memória de quem eu achava que você podia ter sido.
Laura.
Eu acho que qualquer pessoa que se apaixona é uma aberração. É uma coisa louca para fazer. É mais ou menos como uma forma de insanidade socialmente aceitável.
Her.
As pessoas, nas sua grande maioria, cobram que todos estejam decididos o tempo todo, mas esquecem que temos nossas indecisões e frustrações. O que devemos cobrar dos outros é indecisões, porque só assim acabamos decididos.
Lauras.
entre tantos vícios, entre tantos amores, a tua voz.
2h28 Estamos em um silêncio que nem os mais sábios saberiam descrever. Eu sinto tua respiração. E mesmo estando longe, te sinto aqui perto. Tua respiração ecoa por dentro dos meus ouvidos e não sei como parar. Como uma garota de 16 anos pode sentir tanto por outra pessoa? Como o ser humano se sacia só com um sentimento enorme por uma só pessoa? Espero que você durma logo para que eu não tenha que romper as nossas respirações com um “eu te amo” que seria tão pouco pro infinito que sinto por ti. Eu te amo, meu corpo diz. Eu sinto o cheiro da tua alma dentro da minha, sinto você que me domina por inteira. E escuto tua respiração que para mim deveria ser o hino da paz. Eu queria pegar um avião agora e te dizer todas as coisas clichês do mundo. Dizer que você reconstruiu a minha esperança nas pessoas e que você é tão lindo e tão bom. Teu coração é tão manso e eu só sei te querer, chega a ser egoísmo não querer dividir você com o mundo. E eu amo você (você sem preferiu o “eu amo você” ao “eu te amo”), mas eu também te amo. E amo, amo, amo. Amo como nunca ninguém irá amar alguém. Eu escuto tua respiração e amo ela. Eu suspiro querendo dizer que amo você.
Laura.
Bom, o negócio é que eu te amo. Não por ser quem você é comigo, mas pelas milhares de pessoas que você é, e ainda assim ser você. Todo mundo deseja alguém com quem dividir essa vida cheia de tropeços e eu desejo você. Desejo você como uma criança deseja um ursinho novo, como o bebê deseja o colo da mãe, como o cãozinho abandonado deseja um dono. E é isso que eu sou: um cão abandonado a espera de alguém, de alguém não, de alguéns que unidos fomam você. Eu sempre quis alguém como você e você apareceu. Apareceu e fez meus dias ruins ficarem maravilhosos por ter você ao meu lado. Eu quero você. E repito: eu quero você. Eu quero você, porque sei que não vai ter ninguém igual.
Laura. (via regou)
Mal sabes os certos que o amor contêm mares de loucuras. Mal sabes os certos que não existe uma só maneira de viver. Mal sabes os certos que as melhores palavras saem nas horas erradas. Mal sabes os certos que o erro é inevitável. Mal sabes os certos que o certo não existe. Mal sabes os certos que em todo erro há uma razão. Mal sabes os certos que o errado é visto como certo em outros olhares. Mal sabes os certos que há loucura em estar certo e achar que estar certo já é uma loucura.
Laura. (via regou)
Um dia você deixou escapar que sentia vergonha por nunca ter lido um clássico. Eu fiquei vermelho, confesso!, mas admiti que não dava importância aos livros importantes. Aliás, não me lembro de ter lido nada de muito grandioso nos clássicos. Cá entre nós, eles só servem para dizer que foram lidos ou para você se sentir um cara mais culto em um papo com os mais velhos. Heresia literária: eu li os clássicos para poder dizer com a mais absoluta incerteza que são chatos! Por falar nisso, achávamos chato qualquer livro com mais de 256 páginas e 12 personagens, lembra? Guerra e Paz ainda espera nossos olhos. Se depender da nossa vontade, Moscou morrerá de frio. E, com todo respeito, que se foda Napoleão. Dom Quixote ainda tenta chamar a nossa atenção com aqueles moinhos gigantes. Sancho tem um nome fofo. Meu cachorro teria esse nome. Se fosse um bulldog, claro!. E, pra mim, Cervantes será sempre um restaurante em Copacabana não um livro de bacana! E você ri. E eu também! E a gente se beija. Ah, e eu não me esqueço daquele silêncio homérico quando confessei que não li Ilíada e não entendi porra nenhuma da Odisseia. Prefiro mil vezes o Stanley mandando gregos e troianos fantasiados de macaco pro espaço. Desculpa os palavrões. Se eu me envergonho? Um pouco, confesso. Mas eu li o poema que você escreveu pra mim quando nem sonhávamos em sonhar em estar juntos um dia – se é que já estivemos juntos um dia. E aqueles versos bobos talvez sejam a coisa mais linda que li até hoje. Neruda que me perdoe. Quintana que me desculpe. Drummond que não me julgue. Aquele seu poema é o único clássico que tem espaço cativo e afetivo na minha estante: entre a Liberdade, de Franzen, e o Eu Hei-de Amar uma Pedra, de Lobo Antunes. E é lido todos os dias desde o dia que não nos vimos mais. Quando leio: “Amado, Antônio, o mundo é tão estúpido que as pessoas precisam amar.” Eu tremo. Quando releio “Antônio, amado, o mundo é tão estúpido que eu não posso te amar“. Eu choro. E essa fala ainda reverbera nitidamente feito berro silencioso nos meus tímpanos de menino. Eu ouço a sua voz declamar cada verso, como se fosse rasgar minha memória. E rasga. Um dia você deixou escapar que sentia vergonha por nunca ter lido um clássico. Eu tenho vergonha dos que nunca leram um poema seu.
Eu me chamo Antônio. (via regou)
- Ainda assim - disse o Espantalho -, quero um cérebro em vez de um coração; porque um tolo não saberia o que fazer com um coração se tivesse um. - Fico com o coração - respondeu o Homem de Lata. - Porque cérebro não faz ninguém feliz, e a felicidade é a melhor coisa do mundo
O Mágico de Oz.
Agora eu sei que tenho um coração, porque ele está doendo.
O Mágico de Oz.
E, lembre-se, meu grande amigo sentimental, que um coração não se julga por quanto você ama, mas por quanto você é amado pelos outros.
O Mágico de Oz.
Sei que está preocupado e sofrendo. Posso sentir, mas precisa parar com isso. Eu quero que acabe. Eu quero. Estou cansado, chefe. Cansado de estar na estrada, solitário como um pardal na chuva. Cansado de nunca ter um amigo pra me dizer aonde vai, de onde vem ou por quê. Principalmente, estou cansado de as pessoas serem ruins. Estou cansado da dor que sinto e ouço no mundo todo dia. É muita dor. São como pedaços de vidro na minha cabeça o tempo todo. Você consegue entender?
À Espera de um Milagre.