Se minha infância foi solidão e pura imaginação. Aqui a coisa começa ficar complicada. Eu não sei em qual momento em me tornei a adolescente que se odiava, mas isso foi real na minha vida.
Eu comecei odiar com todas as forças meu pai, me tornei uma menina nervosa e brava, que se escondia atrás de um crosta dura. Eu tentava ser melhor que os meninos para que eles não mexessem comigo. Eu nunca era escolhida por ser a menina bonita, então eu queria que eles tivessem medo de mim. Mas quando estava no meu quarto eu estava escrevendo cartas de amor, músicas apaixonadas. Eu tirei a pinta do meu rosto que fazia com que as crianças me zoassem muito, comecei alisar minha franja com ferro de passar e deixava meu cabelo baixinho molhado para não fazer volume. Eu passava um lápis preto no olho e um pó compacto que pegava da minha mãe. Eu nunca soube sensualizar, sempre fui meio esquisita, em dias que não queria me arrumar prendia meu cabelo em um rabo de cavalo baixo e franja estilo emo pranchada na frente, já cortei minha franja curta demais por diversas vezes e tinha que usar tic tac para disfarçar. Nessa época eu comecei criar mentiras que as vezes até eu acreditava, como de ter uma tia rica que havia me dado uma bolsa chique e cara, as pessoas contavam histórias grandiosas eu tinha que contar histórias ainda maiores. Eu mentia sobre ter muitas dores de cabeça para ir embora da escola que ficava período integral. Um belo dia cansada de me esconder, algumas meninas me incentivaram a entregar uma das cartas que fiz para o tal Hugo a quem eu era apaixonada, talvez estivéssemos na 6 série e já fazia 4 anos que eu era apaixonada nele, o menino inteligente, que fazia judô e tinha muitos amigos. Elas entregaram minha carta, meu coração parecia que ia explodir, mas essa não foi o pior parte, quando entrei na sala de aula, lá estava ele lendo a carta para todos os amigos em voz alta e fazendo piada, depois rasgou a carta e jogou pela janela. Eu fingi não me importar, xinguei quem estava dando risada, fingi uma dor de cabeça e fui embora, chorei tanto naquele dia. Parecia que algo dentro de mim foi morto ali. Daquele dia em diante eu só supria raiva por ele e disse que nunca mais ia gostar dele.
Mas eu me apaixonei outras vezes, pelo Bruno, pelo Max jogadores de futebol cheios de si que achavam que eram o rei do mundo, para eles também escrevia cartas e também entreguei uma para o tal Bruno que talvez tenha sido mais estupido que o Hugo e nem leu a carta, só jogou fora. Cansada de me sentir mal, eu pedi para minha mãe me mudar de escola, pior decisão. Eu fui para outra escola em período integral, fiz amizades, criei uma banda, escrevi musicas e dançava no pátio da escola com vergonha, mas determinação. Minha amiga me incentivava. Ali eu aprendi ser um pouco mais mulher, mesmo ainda tendo meus 14 anos. Foi o ano que ganhei meu primeiro celular, bem simples ainda, eu já ia em lan house para mexer no computador e minha mãe me deu meu primeiro computador que ficou comigo até a vida adulta. Época do orkut e dos fakes, E ai eu entrei em mundo que me sentia muito mais confortável.
Eu criei vários fakes ao longo da minha adolescencia, criei família, namorei. Nessa época no meu off, eu pedi para voltar para escola antiga, eu já estava no primeiro colegial e já vinha para casa na hora do almoço depois de estudar anos periodo integral. Eu corria para o quarto, ligava o computador e vivia uma vida online que inventava. Namorei por meses online e minha off começou se apaixonar, até que descobri que a off do outro lado era uma menina e paramos com aquele fake. Eu fiz outro e ai fica bem complicado e intenso. Eu me apaixonei realmente pelo fake, a gente conversava por mensagens de textos e eu ia correndo para conversar com ele, de madrugada eu acordava para falar com ele. Até que eu assumi um namoro virtual com seu off chamado Felipe, que eu nunca vi, ouvi. Ele só tinha me mandado 3 fotos (ingênua). Eu namorei ele por 1 ano. Nesse tempo uma garota filha da amiga da minha mãe me chamou para ir em uma igreja, eu rejeitei, ela ligou em casa me convidando para ir no culto de jovens e eu fui. Foi muito louco e surreal o que aconteceu ali. Eu estava em outro mundo.
A garota que dormia as 20h30 chegava tarde porque estava no culto, eu sempre ia com essa menina. Ela se tornou minha melhor amiga, eu admirava tanto ela, achava ela tão linda, tão cheia de si, tão determinada, no fundo eu só queria me parecer com ela. Todos na igreja gostavam dela, ela era tudo que eu não era. Fomos em uma acampamento de jovens, primeira vez que eu dormi fora de casa depois de adolescente e foi os 3 melhores dias da minha vida! Eu me diverti tanto, nesse tempo eu e ela descobrimos algo em comum, gostávamos de tirar fotos, nessa época a minha mãe já tinha comprado uma câmera digital para mim, uma fuji. A gente saia para algumas tardes para andar por ai e fotografar, tinhamos um flickr, compartilhavamos ideias, tudo. Ela era minha inspiração e ela era mais nova que eu. O tempo passou e eu ainda "namorava" o tal do fake, até que ela começou implicar com isso, não sei exatamente como ela conseguiu falar com ele e um dia cheguei em casa correndo para falar com ele e não encontrou o fake dele, não encontrei ele no msn, esperei e ele não apareceu e ai eu li um e-mail que ele tinha me deixado dizendo que eu viveria muito melhor sem ele, que minha amiga estava certa eu precisava viver minha vida. Que ele sempre ia lembrar de mim e desejava que eu fosse feliz. Meu mundo desabou! E aqui começa a parte mais sinistra da minha vida!
Eu estava com tanta raiva dela, com tanto ódio, ela gostava de um menino e ele era meu amigo, mandei mensagem e ele estava de férias, então estava em casa, falou que eu podia ir lá conversar já que não estava bem. O primeiro dia a gente só conversou na calçada, eu falei tudo para ele, cada raiva que eu estava sentindo. No outro dia não fui para escola, matei aula, não estava bem e mandei mensagem para ele, me chamou para ir lá e eu fui. Dessa vez entramos na casa, passamos horas conversando, tomamos sorvete, ele me abraçou várias vezes falando para eu ficar bem. E eu não sei em que momento, mas aconteceu, ele me beijou, no inicio não retribui, mas quando percebi eu já estava beijando ele. Me levantei e fui embora. Mas no outro dia eu matei aula e lá estava eu de novo na casa dele. Os toques se tornaram mais intensos, ele foi o primeiro garoto que me beijou assim (eu já havia dado um unica beijo meio xoxo e forçada em um garoto estranho), mas o beijo dele era intenso e causou coisas em mim, eu não sei se a raiva que estava dela fez com que eu continuasse, nos beijamos, eu fui para o colo dele, do nada estava na cama dele com ele fazendo massagem e elogiando minha bunda. Eu fui para casa e nada aconteceu, mais um dia, mais uma aula matada, mais uma vez na casa dele e mais uma vez na cama dele, com ele em uma semana eu vivi todos os clichês que vivia no fake, eu parada na porta com a camiseta dele, os carinhos mais intensos, ele me levou para casa e brincamos até na rua escura perto de casa. Era uma sexta-feira e eu novamente matei aula, a gente teria uma festa com o pessoal da escola em uma pizzaria, naquele dia a gente transou, foi minha primeira vez e depois que terminou , ele me solta "Mas eu amo a fulana!", eu fui pra casa, me troquei, fui pra pizzaria e voltei pra casa dele, foi uma noite intensa, onde fizemos de tudo. Era 5h da manha e minha mãe tava me ligando, eu fui pra casa com um peso imenso na consciencia pela minha amiga, sabado a tarde fui conversar com ele, falei que não poderia acontecer mais isso e que ia contar tudo pra ela. Fui para nosso lugar favorito, onde eu e ela ficavamos. Fiquei horas ali sozinha rejeitando ligações, era noite quando ela chegou ali, disse que tava todo mundo desesperado, me abraçou, perguntou se tava tudo bem e eu falei tudo. Ela me abraçou ainda um pouco, depois me soltou e foi embora. Eu fui para o culto, contei tudo para meus pastores, fui taxada de vagabunda e xingada pela igreja. Fui separada, me tornei má influencia, mas eu continuava indo para igreja todos os dias, até que mais um vez meu mundo mudou.
Me convidaram para ir fazer trilha, eu tava muito mal ainda por tudo que tinha acontecido, eu não vive meus sentimentos, eu só fui causando sentimentos ainda piores por cima, na trilha foi eu, uma outra amiga e minha sobrinha.. E dois meninos, Dario e Rafael. A gente saiu andando no meio do mato, iamos até uma cachoeira, chegando lá, eu sentei e chorei pq lembrei de tudo e tava tão recente. E o Rafael sentou ao meu lado, eu já tinha 17 anos estava terminando a escola, eu disse que não queria falar, mas não estava tudo bem, ele só ficou ali do meu lado me ouvindo chorar, até que eu parei, olhei para o lado e ele ainda tava ali. Bem ali eu me apaixonei por ele! A gente começou a trocar mensagens, se falava por msn, no aniversário dele eu e essa minha nova amiga demos um presente para ele, cantamos uma música e eu escrevi uma carta e ele chorou lendo, ali eu soube que eu poderia viver minha vida toda com ele. E começamos a orar para namorar, ele sabia por alto do meu passado, mas não me julgava. Os pastores foi contra, pois ele cantava na igreja e eu era péssima influencia para ele, mas ele me escolheu. Oramos por um tempo e no dia do meu aniversário, em uma ligação, ele me pediu em namoro, minhas pernas tremiam, ele foi em casa me pediu em namoro para meu pai, comprou alianças. E pela primeira vez eu tava namorando! Meu primeiro namorado! Levamos 3 meses para dar nosso primeiro beijo a pedido dos pastores, pq eu era suja kk O nosso primeiro beijo foi tão intenso, tão perfeito, tão incrível. Em um sofá no quintal de casa, quando acabou, meu coração palpitava, minhas pernas tremiam, eu nem conseguia falar. Levei ele no portão com as pernas tremendo e um sorriso no rosto. Eu me sentia tão bem com ele, tão protegida, tão acolhida, tão amada.
Dois meses depois do primeiro beijo, tivemos nossa primeira vez e depois disso nunca mais paramos haha Cada vez era melhor que a outra, ele sempre foi carinhoso e preocupado comigo. Completamos um ano juntos e começamos planejar nosso casamento, eu já era uma adulta de 18 anos, mal sabia eu que já estava grávida. Mas essa história vai ser contada na minha história adulta.