A Sociedade do Espetáculo e a Economia
Entende-se, portanto, que o espetáculo se apresenta como uma verdade absoluta, sendo aceito pela sociedade. Dessa forma, é certo pensar que ela tem o poder de afetar a economia em diversos fatores, seja passando informações sensacionalistas ou generalizadas sobre as coisas, desencadeando uma série de acontecimentos que irão fazer com que a economia pare de andar como deveria. Dois desses acontecimentos é o excesso de profissionais e a insatisfação profissional, que acontecem em cinco etapas:
I. O espetáculo através de conteúdos de entretenimento como novelas, filmes e séries, influencia na escolha vocacional do jovem, passando uma suposta “vida perfeita” para o jovem, que é conquistada por uma pequena parcela de profissões, como engenheiros, advogados, CEO’s de empresas.
II. Outros jovens, também influenciados, acabam indo na onda de alcançar a “vida perfeita” e não descobrem o que os tornam felizes, que profissão ou trabalho traria satisfação pessoal.
III. Uma geração é afetada por esse pensamento, ou seja, milhões de profissionais de uma mesma área sendo formados.
IV. Baixa procura devido ao elevado número de pessoas formadas na área, elevando os critérios para uma entrevista de emprego.
V. Excesso de profissionais, gerando o que chamamos de “saturação profissional”, que é um termo muito utilizado em grupos em redes sociais.
Então, observa-se que o espetáculo apresentado através da mídia, tem grande impacto na economia, podendo gerar uma reação em cadeia que pode desestruturar diversos setores econômicos, e acima de tudo, mostrar para as pessoas que o “parecer” é mais importante que os atos e conquistas. Guy Debord cita em seu livro:
A primeira fase da dominação da economia sobre a vida social levou, na definição de toda a realização humana, a uma evidente degradação do ser em ter. A fase presente da ocupação total da vida social em busca da acumulação de resultados econômicos conduz uma busca generalizada do ter e do parecer, de forma que todo o “ter” efetivo perde o seu prestígio imediato e a sua função última. Assim, toda a realidade individual se tornou social e diretamente dependente do poderio social obtido. Somente naquilo que ela não é, lhe é permitido aparecer.
Dessa forma, o parecer é mais importante que a própria realidade. Um exemplo deste pensamento, é a ideia difundida pelos jovens com o termo “ostentação”, o qual representa uma maneira moderna de demonstrar o poder aquisitivo por meio de bens materiais como roupas, aparelhos eletrônicos, automóveis, dentre outras.
É seguindo essa linha de raciocínio que a desorientação dos jovens é mostrada e o seu favoritismo por certas profissões é entendido. O bombardeio de informações e a necessidade de acumulação de resultados econômicos juntamente com a busca do “parecer” ,faz com que esses indivíduos não saibam fazer sua escolha, ou façam ela precocemente levando em consideração sempre o que está “na boca do povo”, o que trará o dinheiro e o luxo, deixando de lado a felicidade e a satisfação por exercer uma profissão que ele gostaria de exercer, apenas pela pressão exercida em toda família, pelo bombardeio informacional, já citado anteriormente.