Ela tão ingênua, as pessoas tão maldosas. Aquele tipo de pessoa boa, ou burra como muitos costumavam dizer. Dando murro em ponto de faça, mergulhando em poças rasas. Era impossível entender como uma garota tão pequena, dava conta de coisas tão grandes. Você a olhava e sentia vontade de cuidar, mas na verdade era ela que cuidava, ela te envolvia em um abraço e ali se tornava o lugar mais seguro do mundo. Deixava as próprias dores em último plano e era capaz de sentir as suas como se fossem dela. Tentava 1, 10, 20 vezes se fosse preciso, não importava o tamanho da dor que aquilo causasse, ela era corajosa demais pra simplesmente desistir. Era capaz de enxergar coisas boas nas piores pessoas que conhecia. Dava chances até quando se esgotavam todas as chances. Tão ingênua aquela garota. Quantas vezes precisou e ninguém pra ajudar. Quantas vezes precisaram e ela foi a primeira chegar. Engoliu palavras sem ninguém pra escutar. Fez sem esperar nada em troca. Ajudou sem passar duas vezes. Ela é tão ela, mas esse ela a machuca tanto. Ela vive muito pros outros e nada pra ela. E quem tá de fora pode perceber o quanto ela tá cansada, desgastada. Quem olhou naqueles redondos, grandes, cansados, percebe o quanto ela implora pra que conheça alguém para que finalmente ela deixe de cuidar, e passe a ser cuidada.
April, 1991. (via enflorarei)














