O Consumo
Monografia - Orientações Metodológicas Fabricio C Campos (65) 9 9306-5886
Pensar o consumo como biológico, natural e universal é criar uma continuidade, como se fosse o mesmo o fogo consumir a floresta ou alguém escolher a marca de sabonete. O consumo enquadrado como necessidade é uma idéia temerária que encontra uma espécie de explicação determinista para algo que pertence a uma dimensão totalmente diversa. Entre consumo natural que o fogo faz do oxigênio e consumo cultural que fazemos de cartões de crédito se impõe um corte lógico. Não há nenhuma hipótese de mistura. O artifício está em assumir a continuidade, como tão bem demonstrou Marshall Sahlins no famoso texto sobre Apensée Bourgeoise no livro Cultura e razão prática, entre o primeiro tipo de consumo - alimento - e o segundo - churrasco rodízio, trufa de délicatessen ou sushi delivery. E mais: a visão naturalista do consumo faz com que um plano seja o determinante do outro. O natural explica o cultural. Esta é a distorção que está por trás das imagens do consumo como pilhas, camadas ou pirâmides de necessidades e desejos. Como se fosse possível existir continuidade entre necessidade humana de oxigênio e escolha da marca de sopa de bebê, passando pelo desejo de proteção da família. Ao procurar base biológica - necessidade - ou mesmo psicológica - desejo - para explicar o consumo de bens, o enquadramento naturalista inviabiliza uma teoria cultural, retirando o sentido coletivo e simbólico, a novidade histórica, a sociológica que caracteriza o consumo.









