Explicando o AISH D’MILTHA (o modelo de credo nazareno professado entre os irmãos do 1º século)
Aqueles que têm estudado corretamente as origens da congregação messiânica já devem ter se deparado com um texto aramaico chamado “Sha’ar Emet Aish D’Miltha”,que era uma espécie de credo oficial do caminho do nazareno. Sha’ar Emet Aish D’Miltha significa “Portão da Verdade, Fogo da Palavra” e é um texto que vale muito a pena conhecer.
Segue adiante o texto, explicado (porque, pro padrão religioso da atualidade, esse texto precisa ser explicado; senão ninguém consegue entendê-lo).
**********************************************
Irmãos, ousemos proclamar estas nossas declarações a cada dia. Quando se reunirem, vocês dirão:
Eu me declaro um servo de Mar-Yah Alaha. Eu me declaro aquele que se curva ao único Mar-Yah Alaha que é Yeshu Mshiha.
Aqui nesse texto, que é de base aramaica, o deus eterno é chamado de “Mar Yah”. A expressão ‘Mar Yah’ significa “o senhor Yah”. Nos dias do homem Yeshua, os falantes de aramaico não chamavam Yah apenas de Yah, ou pelo nome correto dele; mas usavam essa expressão. E o nome do salvador em aramaico era pronunciado “Yeshu”. Essa vocalização final (-shuA) provém da estrutura linguística do idioma hebraico. Yanto a pronúncia Yeshua como a pronúncia Yeshu estão corretas.
Eu me declaro aquele que protege nossa santíssima fidelidade de qualquer ataque de seu inimigo.
Declaro minhas intenções de permanecer firme na fidelidade a um Alaha que se tornou conhecido por meio do Pai, Filho e Espírito Sagrado: três aspectos de um Alahota supremo.
“Fidelidade a Alaha”: a palavra aramaica Alaha significa ‘deus’, ‘divindade’. O fato de essa expressão aparecer aqui (pai, filho e espírito), não significa que ‘deus é uma trindade’. O autor desse escrito não era cristão: ele era messiânico (tal como o jeito certo que tinha no começo da Kehilah messiânica). Os messiânicos do 1º século batizavam em nome do pai, filho e espírito porque, como está escrito nesse texto, estes termos representam três ASPECTOS de UM deus (a palavra Alahota é equivalente do hebraico Elohim, palavra que se refere à autoridade celestial).
E é justamente por serem “três aspectos de um mesmo” que a doutrina da trindade é anulada em si mesma. Aspecto significa o quê? Aspecto é a aparência visível; aparência exterior; é a forma com a qual algo se apresenta. Na condição de “filho”, Yah se apresentou de forma parcial sobre a terra – e na condição de espírito sagrado, ele se apresenta de maneira quase imperceptível; convivendo conosco.
Eu declaro minha fidelidade ao filho de Alaha, Yeshu Mshiha, o filho único de Alaha.
Alaha (“deus”) é o equivalente aramaico do hebraico “eloah”, que também significa ‘deus’. e a palavra ‘mshiha’ é o equivalente aramaico de ‘mashiah’, que significa “ungido”.
Eu declaro minha fidelidade à profecia de Mosha e na verdade da Torá dada por ele.
Mosha é a pronúncia aramaica de Mosheh; é a forma original do nome ‘Moisés’.
Eu declaro minha fidelidade à Palavra escrita de Alaha, nos escritos dados a Mosha e aos Profetas e na anunciação de Yeshu Mshiha Bar Alaha.
Bar Alaha é “filho de deus” em aramaico. Provavelmente é daí que tem origem o costume árabe de chamar deus de Alah (pois a língua árabe é “irmã” do hebraico). E a própria presença da palavra “bar”, por si só, acaba por demonstrar o quanto o texto sagrado joga tudo pro idioma aramaico. O nome que nós conhecemos como “Barrabás” é formado pelas palavras BAR ABBA (“filho do pai”), e Barnabé também. Originalmente, tudo foi expressado no modo aramaico.
Declaro minha fidelidade ao fogo da Palavra de Alaha.
Essa expressão “fogo da palavra” é o que PJR chama de ‘espírito messiânico’; tem o mesmo sentido. O espírito messiânico é o zelo pelas coisas de Yah; é aquele ânimo especial que possibilita a pessoa caminhar diante de deus com ousadia, confiante na força da palavra de deus.
Declaro que jamais permitirei que o fogo confiado a mim como servo de Alaha se extinga, enquanto houver ar dentro do meu corpo.
Declaro minha rejeição àqueles que invadem tudo que é sagrado na terra santa.
Declaro que as tradições e ensinamentos que nos foram dados estarão sempre em meu coração e em meus lábios, pois foram eles que nos deram por meio de nosso senhor Yeshua: batismo, confissão a Alaha e ao homem, a doutrina (dos Doze), o ministério sagrado, a unção com o óleo sagrado de Mar-Yah, a reunião para partir o pão santo da presença, a elevação do madeiro diante dos meus olhos e diante dos povos, assistência e oração com unção com óleo para aqueles que adoecem, e observância e devoção à palavra do fogo de Alaha.
O credo messiânico incentiva o uso das “tradições que nos foram dadas”, e isso confunde os cristãos simpatizantes de judaísmo. Estes andam alegando, ultimamente, que os cristãos também devem seguir as “tradições positivas” do judaísmo. Na verdade, isso soa bizarro aos olhos de um judeu. Pra eles, se nós os ocidentais resolvêssemos viver de acordo com as tradições deles, nós estaríamos como que ZOMBANDO da “pureza” do judaísmo (pois, pra maioria dos judeus, Yah é o deus deles; e não nosso). E só pode servir a Yah quem é israelita. Isso, na cabeça da maioria deles...
Mas, as tradições a que o credo messiânico se refere pra nós, é tudo aquilo que nos foi passado pelos primeiros messiânicos: como ele cita no texto (o batismo, a unção com óleo, a doutrina dos doze, o partir do pão etc.). e não o religiosismo contido no judaísmo (coisa que Yeshua combateu claramente).
Declaro minha fidelidade à vida pacífica e não vou empunhar a espada contra meu irmão.
Declaro minha fidelidade à revelação de Alaha por meio de seus servos, os anjos e espíritos para o bem de toda a humanidade, e no progresso para a grande luz de Alaha.
Eu declaro minha fidelidade à observância da Torá: dada a Mosha e ratificada, sendo selada no sangue do Cordeiro.
Ao dizer isso, o credo messiânico está reafirmando aquilo que PJR sempre diz: nós, os seguidores não-judaicos de Yeshua, temos que ter a Torah de Moisés como referencial da nossa vida. Até porque, a Torah de Moisés não é tudo aquilo que hoje chamam de lei mosaica: é apenas os dez preceitos que ele trouxe do Sinai nas duas tábuas de pedra. Não temos nenhuma ligação com os estatutos que Yah desenvolveu no deserto pra Israel; pois esses estatutos evoluíram pra um religiosismo que nem eles conseguem cumprir.
Em matéria de Torah, Yeshua ensinou a mesma coisa que Moisés; quem entende o caminho da salvação, entende isso.
Declaro que honrarei e defenderei resolutamente a cadeira de Mosha e o trono de Ya’aqub, e a presença do Arcanjo Mikael: por meio da continuação dos doze santos emissários que estão sempre conosco.
Expressões fortes e marcantes: a “cadeira de Moisés” e o “trono de Yaakov”. Essa “cadeira de Moisés”, que Yeshua disse que os fariseus estavam ocupando, é a prerrogativa de ser o fundamento da autoridade da crença original antiga.
E o “trono de Ya’aqub” igualmente é a prerrogativa de ser o fundamento da autoridade messiânica, contida no caminho do nazareno: baseada em Yaakov (que chamam erroneamente de Tiago, na epístola). Porque Yaakov (tiago) foi o primeiro líder messiânico de uma Kehilah messiânica judaica; e isso coloca ele como referência perpétua ao que é correto no caminho de deus.
Essa expressão do texto significa que o verdadeiro seguidor do deus eterno deve manter em seu coração a Torah como ela é, entendendo que a Torah de Moisés é compatível com a interpretação dada por Yeshua.
Quer dizer: quem está na verdade não se coloca contra Yeshua e nem contra Moisés; porque o legado deles é um só, e o mesmo. Sendo assim, aquele que confirma Moisés e nega Yeshua não está na verdade (e quem confirma Yeshua e nega Moisés, também não).
Porque, na verdade, quem confirma Moisés e nega Yeshua (e quem confirma Yeshua e nega Moisés) ainda não entendeu a verdade como ela é.
**********************************************
Enfim, como você pôde ver, é isso. Nós que seguimos a Yeshua do modo correto não negamos a Torah, porque ela é a mostra de que Yeshua e Moisés falavam a mesma coisa. E nós precisamos entender isso: Yeshua mesmo disse aos fariseus: “se vocês acreditassem em Moisés, vocês acreditariam em mim; porque ele falou sobre mim”.
As dez falas contidas na Torah se resumem basicamente a isso: reconhecer o deus verdadeiro e a lei dele, e viver de acordo com a lei dele: aplicando ela na sua própria vida e no relacionamento com seus irmãos de crença. Porque, quem entende o que Yeshua ensinou, não renega Moisés; e nem segue judaísmo.
Quem tem ouvidos, ouça; e entenda.