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@psicocibilina
não tenho vontade de tirar minha própria vida, não por mim mas pelas pessoas que ficariam...principalmente minhas filhas e minha mãe.
por outro lado entendo totalmente quando alguns dizem:
"eu só queria que a dor parasse"
porque a dor é inexplicável.
...ela vem de dentro do seu eu mais profundo e passa para o corpo físico em forma de compressão torácica e sensação de afogamento, o ar literalmente não chega aos pulmões pois você não consegue respirar fundo.
as veias da cabeça pulsam forte como se fossem explodir, existem dias de muito sono e em outros a insônia bate a porta.
você se rasteja pela vida pq viver é cansativo e simplesmente não entende mais o que esta fazendo aqui. tem nojo do mundo.
por vezes você acha que inventa tudo isso, que sua imaginação é fértil e que tudo é mera ilusão, mas a dor é brutal e real, ela existe, esta ali e não vai embora.
eu entendo você e sei que viver dói.
o princípio de tudo não importa, o fim ninguém pensa, e assim as pessoas vivem andando, comprando, pagando, falando, brigando, odiando, "gerundiando" e "procrastinando" a vida.
sem questionamentos, sem pontuação, um texto sem fim e sem pausa para respiração.
e a respiração cessa, o oxigênio se extingue, não de uma espécie mas de várias, e ninguém se importa pq a vida tem que seguir, ela não pode parar eles dizem.
e assim a vida se esvai, sem saber porque, sem saber pra onde, ela simplesmente acaba sem saber o princípio de tudo e muito menos o fim.
se me pedissem pra me descrever como um objeto diria que sou um vidro, não qualquer vidro, mas sim aquele estilhaçado em milhões de pedacinhos, que permanece em pé pq ainda não foi tocado ou simplesmente pq não teve vento.
e esse vidro vai cair, isso é fato.
e as pessoas que passam olham pra ele e se perguntam apenas: quando?
e quando ele cair serão milhões de pedaços estilhaçado no chão e ao vento e não da pra colar, nem remendar e mesmo que o vidro seja muito bom ele vai cortar qualquer um que chegue perto, então ele será varrido e jogado no lixo.
o amor quando é sentido do lado avesso machuca. a dor nasce naquele músculo que bombeia o sangue e percorre todo corpo, atingindo até os capilares. andar dói, sorrir falsamente dói, respirar, viver dói. tudo isso porque você acha que longe ficará melhor, que a distância fará bem a você e a ela. mas não é assim.... eu morria por dentro e por fora a cada dia distante de ti. eu tinha medo do mundo e de mim, medo do que havia me tornado sem você. quando você me aceitou novamente em sua vida foi como uma manhã de sol, o alvorecer. foi como uma cirurgia aberta em que com suas próprias mãos você tirou toda a dor. e eu renasci.
eu venderia minha alma, mas o diabo sou eu
quem me dera se os sons dessa cidade conseguissem ser mais altos que as vozes na minha cabeça. ou se aquela canção rápida e barulhenta calasse; ainda que por alguns instantes; o caos que habita em mim. mas nada consegue supera-lo e todas as noites me perco um pouco mais aqui dentro. já não consigo lembrar qual o som da minha voz sem o tom de desespero e faz tempo que não consigo dar um sorriso completamente verdadeiro. tô cansada de ser parte da bagunça mas nem consigo lembrar da a última vez que existi sem me senti sufocada pelo que carrego no peito. trago tanto sentimento internalizado que sinto que perdi a essência de ser. ou talvez finalmente tenha compreendido minha verdadeira natureza. talvez essa desordem seja inerente a mim. talvez esse pandemônio seja meu. seja eu.
tinha plena ciencia do quanto eu era nociva. perdoe-me é algo fraco pra dor que estou sentindo e que fiz você sentir. as palavras saíram da minha boca como facas e quando uma delas chegou até você, já havia uma cravada em mim. escutar seu soluço e sua descrença de tal ato me cortava, me enlouquecia. alguém ferido tem o dom de ferir eu sei. e suas palavras também feriram, simplesmente porque eram nada mais que a verdade. eu sou vazia. o medo de me olhar no espelho e ver um monstro horrendo tomou outra proporção, porque eu sabia que se olhasse, ele estaria lá, olhando de volta pra mim. tentava argumentar com as divisões que em mim existem dizendo que o mundo é assim, que todos passam por isso e sobrevivem e vivem e são felizes. estava certa, você pode se levantar e viver, ser mais feliz sem mim. me sinto sufocada no meu próprio veneno, a cada dia me embriago mais. na minha ânsia desenfreada de te proteger, eu te perdi.
"Perder-se também é um caminho" Nao! Nao é! Estar perdido, realmente perdido, machuca não somente a você, mas as pessoas ao seu redor. Chega uma hora que você cansa de andar, o corpo físico não aguenta a perdição da mente e cede. Desiste. O caminhar não é mais um passeio, é um vagar constante sem destino. O caminho é feio e te torna feio, por dentro e por fora. Você se transforma em alguém que não conhece porque sua alma não está mais lá, ela se perdeu em alguma curva a muito tempo atrás. E quanto mais você decepciona, mais infeliz você existe. Sim existe, pois existir não é viver, nem tão pouco morrer, não é nada. O mesmo nada que você se tornou. A dor física decorrente da perda de si mesmo é implacável a ponto de te fazer chorar as 6 da manhã num ônibus lotado sem motivo aparente. É essa torrente de palavras frias que você repete por ouvir vinte e quatro horas na sua mente. São os ouvidos tampados, a dor no peito, visão embaçada, vômito. Suor, tremedeiras sem fim. Culpa, auto-punição, sangue. Vermelho e quente que escorre dos punhos e pinga no chão continuamente, um corte profundo e preciso realizado naqueles 5 minutos de coragem insana, na busca insaciável por analgesia. Você só quer que a dor pare. Só que pra ela parar, seu coração também deve estar parado.
Ele vem todos os dias, assim que meus olhos se abrem e percebo que ainda estou viva.
Começa com as mãos escorrendo suor, eu olho diretamente pra elas, estão tremendo.
O lado esquerdo do peito próximo a clavícula dói como se tivesse sendo apertado com força, a garganta se fecha.
Sento-me na cama, coloco os pés no chão. - Porra! Ainda estou viva.
Meu corpo inteiro se arrepia.
Caminho até o banheiro, olho o reflexo da pessoa no espelho, chego mais perto olhando dentro dos meus olhos, talvez enxergue alguém ali, desesperado pra sair.
Molho o rosto com água fria, que leva todo morno sal acumulado de lágrimas da noite anterior.
Visto uma roupa qualquer e saio.
Ao entrar no ônibus, a sensação de pânico piora, tenho vontade de gritar e correr sem parar até que meu corpo não aguente mais.
Estou em pé, num ônibus lotado e meus olhos estão cheios de lágrimas…..respiro, inspiro….acho que estou pegando o jeito.
O restante do dia passa como um clarão, de cigarro após cigarro.
Não sinto fome.
A noite, o sono não vem pois minha cabeça fervilha, e dói….dor, lágrimas, a fronha encharcada…
4 gotas e em alguns minutos estou dormindo por 2, 3 horas….
….Ele vem todos os dias, assim que meus olhos se abrem e percebo que ainda estou viva……
a mente ás vezes cria ilusões surreais da vida e de seus acontecimentos, fantasia momentos sem nossa permissão. É difícil controlá-la. A vontade de se desligar é imensa, voraz. O fechar os olhos e nada ouvir. Desejar que o som seja como o escuro, vazio.
O medo e a dor são indícios de vida, sinais de que nosso cérebro continua conectado de maneira transcendente ao corpo. Sentimentos são como poeiras cósmicas pairando no ar, inspiramos e expiramos e eles estão lá, dentro de nós. Separados, juntos. Leves, intensos. Mortais
A menina dos meus olhos tem a pele morena, lábios cálidos, cabelos longos e finos que balançam ao vento como folhas no outono. Do pescoço exala um cheiro caracteristico e envolvente, que me domina que me rege. Dedos compridos, mãos marcantes e hábeis. Escapulas e clavícula bem delineadas. Na barriga uma pinta meu ponto de mergulho. Os ossos da crista ilíaca são a minha perdição, o precipício onde mora a loucura. Suas curvas bem delineadas se ajustam a minha boca que conhece e percorre cada caminho, cada porção como se fosse infinita. Como se fossemos uma, a extensão uma da outra. Como se não houvesse fim.
Por alguns dias pensei que não escreveria mais. As palavras sumiram, não falavam mais aos meus ouvidos, não dançavam em minha mente.
Pensei que tivesse acabado o dom, maldição.
Mas elas voltaram, com o amargo agridoce peculiar e cortante.
Pensei que não seria possível escrever sobre o vazio, mas me dei conta que sempre escrevi sobre ele.
O vazio é como o escuro e como já disse, no escuro cabem muitas coisas, pois ele é infinito.
No fim, elas, as palavras, não sumiram, não foram embora, não me abandonaram, pois elas me pertencem, sou feita delas, e elas feitas de mim.
O ser humano é um bicho muito frágil.
um tombo de mal jeito pode nos matar, um ser microscópico pode acabar com nossa saúde, alimentos nos matam, nossa mente nos extermina.
somos meras migalhas no tempo do mundo.
levando em consideração o ecossistema, somos desnecessários e ao partirmos não faremos falta.
somos passageiros e intensos, volúveis e cruéis.
somos humanos buscando evolução, ou talvez a redenção.
somos seres matando seres para sobreviver ou talvez só por prazer.
somos a fina linha da vida, o ponto exato entre existir e partir.
o esquecimento nos espera.
a insignificância nos aguarda.
Ela não dormiu essa madrugada, mas não pelos mesmos motivos de sempre, desta vez sua cabeça estava vazia. Nenhum pensamento, nenhuma idealização maluca de futuro, nada.
Seu corpo estava inquieto, não havia posição confortável, levantou-se da cama e caminhou descalça até a cozinha, ascendeu um cigarro que fumou sem perceber.
Seu coração parecia espremido e as mãos estavam tremendo, ela tinha total consciência de que não estava bem, mas não sentia nada.
O que acontece quando você torna-se perito em afogar sentimentos?!
Foi uma obrigação da minha parte aprender isso, quase uma missão.
Eles batiam tão forte e com sincronia tão avassaladora que fui obrigada a afogar um a um.
Os ruins, os bons, até que todos eles parassem de respirar.
Os mantive embaixo d’água até que parassem de se mexer, até que jazessem inertes e sem vida.
O silêncio é bom.
Sinto falta de algo talvez, mas não estar mais apanhando é recompensador.
Ela é sorridente, simpática.
Faz piadas, é animada.
Sua vida é ótima.
Um bom emprego, uma boa casa, saúde.
Mas essa vida não é ela.
Esse mundo não é dela.
De hora em hora ela retoca a maquiagem da felicidade e segue.
Ela não está mais dentro de si.
O que anda é só a casca, o que caminha por aí desfilando beleza e sorrisos são os restos de alguém que ela nunca foi.