Baby, we never go out of style | Rowlief
As aulas de Poções sempre foram as piores do ano para Kief. E só melhorara minimamente quando uma aluna nova chegara à Ravenclaw. Por ter repetido o ano, Korey não tinha um par certo, o número de alunos tornou-se impar e era comum sempre ficar ao lado da pessoa cujo par faltara ou sozinho, o que era pior. Brosey se ocupava com Elizabeth Avery e Davey apenas lhe fazia companhias em alguns dias esporádicos do mês. Ninguém queria ser sua dupla e de longe era o pior da sala. Ninguém na Gryffindor se dava tão mal e explodira tantos caldeirões de cobre quanto o filho do primeiro ministro. A chegada de Anastácia pelo menos lhe deixara com a opção de ter alguém lhe ajudando a não dar tudo errado, além da sala ter ficado em um número par de pessoas. Até que no primeiríssimo dia de aula juntos, Korey resolvera tentar fazer corretamente sua poção, usara de seu melhor material e seguiu as instruções á risca. Deveria pelo menos ter escutado a novata ao emborcar pó de losna demais na solução amarelada que borbulhava em seu recipiente. Pequenas faíscas começaram a sair do caldeirão, o que fizera o garoto rir consigo mesmo, a poção era destinada para algo completamente diferente, mas conseguira pequenos fogos de artificio. Teria a deixado continuar com os pequenos fogos se um clarão maior não tivesse interrompido o espetáculo. O fogo ainda estava alto quando o líquido transformou-se em labaredas esbranquiçadas e queimou até a raspa do cobre, emitindo um forte cheiro de enxofre. Aquele era seu terceiro caldeirão do semestre, isso porque os outros incidentes foram menores.
Talvez por ser a primeira aula de Rowle com Horace, o professor quis provar-se punidor de alunos ruins. Portanto colocara os dois em detenção com Flitwick. De certo Korey imaginou que a garota logo o odiaria, por isso no fatídico sábado onde cumpririam a detenção na sala do professor, treinou ficar bastante quieto para não arranjar confusão com a garota que não aparentava ter um comportamento pacífico. Pelo menos em sua visão, pessoas de cabelos coloridos manualmente já mantinham pontos com ele, mas também podiam ter personalidades diversas e peculiares. Apreensivo, o moreno abriu uma fresta da porta da sala de aula e logo fora convidado pelo professor para sentar-se em uma das cadeiras. Fez como o ordenado, notando que era o segundo a chegar ali. Estava dois minutos atrasado e estaria muito mais se Brosey não o tivesse acordado com o isqueiro perto demais de seus cachos. Quase jogou o amigo pela janela do dormitório, mas esqueceu-se do ocorrido assim que se recordou da detenção. Era a quarta que cumpria aquele ano, comparado aos outros anos tratava-se de um grande recorde. Imaginava que a próxima viria por algum monitor pegá-lo fora da cama tarde demais, já que era praticamente toda noite que saía para o pátio fumar por conta da insônia. Por sorte aquela era uma detenção de escala baixa, ficaria apenas uma ou duas horas fazendo o que o professor os ordenasse.
Alguns professores gostavam de associar detenções a oportunidades especiais para fazer alunos de servos por um período de tempo. Em seu segundo ano, Korey tivera que adubar todas as plantas da coleção de Sprout com perfeição e sem reclamar do mau cheiro, no terceiro, Slughorn mandara que limpasse suas coleções de frascos, Minerva ordenara uma organização completa nos vestiários de Quadribol e o antigo professor de Defesa dera uma pilha de roupas sujas para que lavasse em seu quarto ano. Não conseguia lembrar-se de Flitwick empregando qualquer detenção, mas ouvira boatos que ele pedia as lições teóricas que normalmente não ocorriam durante suas aulas. Suas suspeitas confirmaram quando um livro grosso fora colocado a sua frente com o título “Poções, como não fazê-las explodir”, Korey controlou a vontade de rolar os olhos em órbita em frente ao professor e continuou perfeitamente quieto para escutar as instruções. – Resumos completos do capítulo quatro ao doze. Deixem em minha mesa quando tiverem terminado. – Com a deixa, o pequeno professor saíra de sua sala ajeitando os óculos no rosto. Quando o professor fechou sua porta, Korey retirou o pergaminho e pena da bolsa, posicionando-os em cima da mesa assim como a tinta. Passaria mais de duas horas ali dentro, tinha certeza porque ler um livro daquela grossura e resumi-lo era o mesmo que pedir para que fizesse uma cambalhota para trás de primeira. – Preferia ter acertado aquela poção. – Sussurrou, mais para si mesmo do que para sua companheira, mas com a impressão de que ela ouvira sua reclamação. – Me desculpe por te fazer passar por isso, Annie. Horace costuma ser um cara bom, gentil de coração, não o culpe por tentar parecer a Minnie. – Sorriu desconcertado. Olhava para a garota ao seu lado e pedia secretamente para que ela não o odiasse tanto quanto ele imaginava.















