gaslight as a service
então...
esta será a vez
que nos encontramos
e não acontecerá nada entre a gente,
como você mesma previu.
a cerveja esquentando no meu copo.
dois olhos castanhos
e um silêncio.
você que vê o futuro.
lê tarô,
mapas astrais
e outros manuais do desastre.
tatua a própria pele
sempre que encontra
uma nova frustração.
quer mudar o mundo,
mas deixa para amanhã,
porque já são seis da tarde.
carrega olheiras demais
para quem dormiu
a noite inteira.
tenta se declarar.
não tem coragem.
e quando tem,
é interrompida
por um anúncio
de quarenta segundos.
todos os dias
é perseguida por um impostor
que senta ao seu lado,
veste sua máscara,
coloca suas calcinhas,
toma café e faz o seu trabalho.
todos os dias
é perseguida por um impostor
que senta ao seu lado.
e o ignora.
mas, às vezes...
às vezes ele a convence.
você é o erro 500 no meu código.
a falha de segurança na minha lógica.
o bug que me faz varar madrugadas
encarando linhas de logs.
o glitch que virou feature.
o débito técnico que foi para produção.
o problema que não corrigi
porque nunca fui capaz
de entendê-la.
bruno santos
















