eu não escrevo poesia.
eu vomito palavras em forma poética,
e metaforizo sentimentos em textos questionáveis.
Aqui jazem pensamentos,
medos, desejos,
e o que ainda me sobra de sanidade.
Xuebing Du
Cosimo Galluzzi
Keni
Aqua Utopia|海の底で記憶を紡ぐ

Love Begins
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"I'm Dorothy Gale from Kansas"
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@qualquercantoemmim
eu não escrevo poesia.
eu vomito palavras em forma poética,
e metaforizo sentimentos em textos questionáveis.
Aqui jazem pensamentos,
medos, desejos,
e o que ainda me sobra de sanidade.
Eu demorei
Eu demorei um tempo para perceber que querer sumir não é o mesmo que querer morrer. Eu demorei para entender a necessidade do esconder, demorei para me entender.
Eu demorei para acertar as medidas e os cálculos que formam o que desejo, demorei para encerrar ciclos, para contornar afetos, e medos.
Eu demorei para levantar quando queria permanecer, mas também já levantei rápido demais, e caí. Eu demorei no chão.
Eu demorei, e ainda me demoro, nas palavras e nos pensamentos, as primeiras quais quero dizer, os últimos,
quero esquecer.
@qualquercantoemmim
Ultimamente os dias não se demoram, eles voam, rapidamente, em frente aos meus olhos, não consigo segurar as horas, ela deslizam com força entre meus dedos.
Eu queria escrever sobre meu dia, sobre como estou cansada de estar cansada, sobre como a exaustão me consome o tempo que nem sequer vejo passar, passa tão rápido que desvia do meu olhar, mas cada palavra que escrevo apenas viaja pelos minutos, eles já deixaram de existir, correram para o fim.
Eu respiro, "está tudo bem", mas quando termino o tempo já acabou, já é noite, já esfriou. Escrever o tempo é isso, é difícil, é como escrever algo que não existe, é como escrever uma ilusão.
@qualquercantoemmim
Talvez eu esteja muito cansada para me apaixonar, e veja bem, não disse amar, eu amo - pessoas, momentos, lugares - amo com intensidade, mas paixão é outra coisa, exige dedicação, e eu estou cansada para me apaixonar. Sinto dores em lugares que não sabia que doíam, os joelhos, os pés, as costas, as mãos. Mas dói também num ponto, entre o peito e o pescoço, que não sei como se chama, aponto na direção, talvez esteja muito cansada para me apaixonar. Li em algum lugar as tragédias do dia, quis apagar, não consegui; li comentários e opiniões de pessoas que nunca vi, quis apagar, não consegui. A dor aumentou. Talvez eu esteja cansada, muito cansada para me apaixonar. Lembrei das escolhas que fiz, pensei nas que tenho por fazer, senti medo, cansaço. Talvez esteja muito cansada para me apaixonar. O mundo anda lotado de informações, não sei o que fazer com elas. Há tanta confusão entre o que vejo, o que sinto e o que desejo. Há tantas cores, mas as luzes coloridas avançam como foguete aos olhos, ardendo a vista. Vamos fugir? Vamos nos apaixonar em outro fuso, de outro mundo, noutra realidade menos ofuscada por telas, gritos e confusão?
@qualquercantoemmim
existe um lugar, no alto da busca que me consome, onde o vento sopra devagar e me acalma. existe esse lugar onde abraço, sem medo, o infinito mistério da vida. existe, nesse lugar, respostas para perguntas antigas que ousamos perguntar. o caminho que leva até lá, eu sei, eu andei. mas foi num sonho que conheci esse lugar. existe, na minha memória, como se real fosse, um lugar. procuro, pela vida, em cada esquina, sem cansar, esse sonho que sonhei.
@qualquercantoemmim
Talvez eu deva só me calar. Acho que falo demais. Mas falo muito porque sinto muito. Sinto tudo. Sinto demais. E esse sentimento me transborda. Se eu me calar, o que vou fazer com tudo que sinto? E ao mesmo tempo não falo o que sinto. Minhas palavras soltas apenas ocupam o espaço do que não está sendo dito, do que eu gostaria de dizer e não posso. Então continuo a sentir, e o que sinto continua a transbordar, nas minhas mãos que tremem, na minha pele que esquenta, no meu coração que palpita e na minha mente que tenta forçadamente esquecer.
@qualquercantoemmim
Há tanto no excesso do que me falta
e na solidão que me machuca
que eu respiro uma pequena dor
uma única lágrima
implacável
intransigente
e deixo que ela deslize
gelada
até que meu suspiro a encontre
e a ela faça companhia. ♡
@qualquercantoemmim
Quem é você? Pergunto ao reflexo. Eu sou um sopro. Só existo no momento e lugar em que a luz te abraça, ela te reflete em mim. No escuro, você existe, mas eu não, eu me torno invisível.
Mas, e o meu pensamento? Ele existe mesmo no escuro, eu diria até que principalmente no escuro. E se eu fecho os olhos, mesmo que não te veja, posso ainda falar com você na minha mente. Ser invisível não é ser inexistente, se você e eu somos o mesmo, eu existo por você, no escuro, de olhos fechados, na invisibilidade, na permanência imperceptível, eu te carrego comigo, na solidão, ou no espelho, pois sou, eu também, um sopro, materializado e concretizado pela tua existência, então eu dependo tanto de você quanto você depende de mim. Sua presença, na luz e na escuridão, é quem me reconhece, me constrói e me alimenta.
@qualquercantoemmim
a maior máscara que existe é o sorriso.
e não há sorriso mais sincero do que esse que, determinado, esconde o caos do mundo.
@qualquercantoemmim
eu não sabia o medo, eu vivi jogando com a vida, eu corri e nadei, parei e voei, eu não senti medo. achei que o tempo era infinito, ri do destino, confiei no trajeto. eu não sabia o medo. eu pulei as ondas e os minutos, cantei as tristezas e os afetos. passei as horas eternas e as músicas, como se fossem todas infinitas, eu não tinha medo. agora rastejo as memórias. agora sei o medo. a vida me jogou enquanto eu jogava a vida, e as ondas me pularam enquanto eu pulava carnaval. canto as canções e conto o tempo. nada é eterno, nenhum momento. o destino riu também? em quantos caminhos o trajeto se torceu? tudo mudou, tudo. eu não sabia o medo, mas o medo me sabia, o medo sempre me soube.
@qualquercantoemmim
são tantas as almas perdidas, sacudidas, comprimidas, num vagão de metal, de tempo, de caos. são tantos os olhares, cansados, pesados, que olho para o chão, e para o céu, e para os lados. não vejo nada, mas vejo o mundo. são tantas as corridas, subidas, descidas, tantos pés e tantas mãos, mas não há solução. são as horas do dia que passam como um trem - rápido, devagar, cheio, vazio. sempre no caminho de onde vem e para onde vai chegar.
mas, se subo no espaço
na completa resolução do mundo
no completo abismo de mim
caio de joelhos
no chão.
@qualquercantoemmim
o mundo parou, a vida parou, num instante, tudo que vejo é passado e promessa. cada verso e cada passo, não mais do que vontade e pressa. parou no sinal, vermelho. parou no olhar, perdido. parou nos pés, descalços. pelo caminho que antes havia, e agora não mais. para cada parada, espera. em cada suspiro, cansaço. por cada estrela, perdida no espaço, um desejo, mudança, nada mais.
@qualquercantoemmim
eterna busca. se, em segredo, o meu pensamento procura teu colo, mas, por medo, corre na outra direção, se, ao acordar, olho no espelho e espero, conto nos dedos as horas, os dias, os calos nas mãos. e se pergunto, num suspiro silencioso, quais dos caminhos me levam até você, é que meu corpo como um ímã, se eleva à tua presença, mas na imagem, solitária e vazia, canta urros e gemidos, como um lobo perdido.
Procuro a palavra a que foge, entre outras palavras e esconde o mundo inteiro, procuro o meio, o fato. procuro o caminho, torcido e coberto por tudo que não foi dito palavras soltas no espaço presas no passado. procuro um silêncio. palavra muda frase do avesso contrária ao que digo, procuro o tempo. há mais palavras perdidas no vento do que sons de pássaros no céu.
Eu me desloco, e descolo de mim, suspiro, transpiro, mas tanto calor não passa assim; brota mais da espera, do colo e do começo, como uma vontade, que calada, contenta, e fere e é fera, nem tenta, nem aguenta. E eu me coloco, de dentro e de fora, no meio do escuro, eu me contorço. Eu me alegro, me desespero, e ao virar do avesso, me arranho no muro, no poço. Então eu me atiro, me viro, transpasso, depois do cansaço, em transe, calada, parada, sem nada, confesso.
@qualquercantoemmim
.astrosia meu sol se aloja num mundo de fantasia, escondido no reino desconhecido, mergulhado entre névoas e neblinas, errante, desorientado, por entre sonhos acordados e universos criados minha lua habita no lado direito do meu céu, num castelo iluminado, lar da eterna busca, onde perguntas sem respostas surgem para depois vagarem pelo mundo, em constante indagação minha mente reside acerca da imagem projetada de mim, mas sem que ninguém perceba, não se mostra com vontade, não encara a realidade, olha apenas pra dentro, busca sua própria verdade logo vizinhas, na linha do horizonte, lugar que não posso esconder, onde todos podem ver, estão as minhas cicatrizes, anunciadas abertamente, em forma de frases e versos criados por Psiquê quanta confusão! quanta falta de definição! ao menos meu otimismo me dá alguma orientação, desfruta do lar do meu destino, junto ao meu designado caminho, apontando a direção.
@qualquercantoemmim
Não importa o quão objetiva eu tente ser pela manhã, ao entardecer, sou, novamente, apenas mais um pensamento divagante, perdido no mundo, no tempo, tentando colocar ordem nas prateleiras das ideias e dos desejos.
@qualquercantoemmim