VII
O sol ia se pondo enquanto eu e Mark caminhávamos em um parque próximo a minha casa. Depois de todos os momentos que passamos na Cafeteria nada melhor que esparecer a mente em um passeio. Caminhávamos lado a lado, bem próximos. Nossas mãos estavam livres, e ao mesmo tempo que eu queria que ele segura-se a minha, eu sabia que isso era mais complexo do que fácil. Primeiro porque alguém poderia nos ver. Segundo porque só casais de namorados fazem isso e nós NÃO somos.
Estar com ele ali após tudo o que aconteceu hoje era um consolo. Seu carinho sua atenção me constrangiam e me tentavam a querer finalmente estar com ele, assumir os sentimentos todos, sem meias palavras, diretamente no ponto, poder abraça-lo, poder beija-lo de uma vez…para sempre…mas tudo dependia de tantas coisas…
Mark: Está pensando em que ?
Eu: Que eu quero que saia logo o nosso discernimento…porque não aguento mais estar tão perto de você ao mesmo tempo tão longe…
Mark: Lena…eu..eu..
Eu: Não precisar dizer nada..- cheia de coragem e não me importando com as consequências entrelacei minha mão na dele e o encarei. Mark deu um sorriso gigante e continuamos andando.
Sua mão quente ao encontro da minha fria criava um choque entre nós, algo que nunca tinha sentindo antes.Enquanto caminhavamos assim, de mão dadas sem nos importar com o tempo, com as pessoas ou com qualquer outra coisa a não ser estramos juntos tudo parecia diferente. O toque do vento que bagunçava meu cabelo. As crianças correndo e brincando. Estar com ele fazia o meu mundo diferente, mais doce e terno e por mais impossivel que pareça a nossa história ela vai se concretizando nos pequenos detalhes.
Mark: Está vendo aquele casal ali no banco? - Mark tirou a minha atenção de uns passarinhos e olhei em direção a um casal de idosos que estavam sentados em um banco a alguns metros de nós. Eles deviam ter uns 70 anos, estavam bem vestidos e, enquanto o esposo comia alguns doces a esposa estava com a cabeça encostada em seu ombro e ele ia lhe dando alguns doces na boca. Mark se aproximou mais de mime disse, quase que sussurando em meu ouvido - espero que sejamos nós um dia..Juntos pra sempre..porque eu quero cuidar de você pra sempre.
Não tive reação. Segurei seus braços e o fiz me abraçar por trás e ficamos assim um bom tempo observando aquele casal. Era possível sentir o coração dele quase que atravessar as minhas costas de tão forte que era a forma como batia, e o meu acompanhava o mesmo ritmo. Mesmo com todos esses meses ainda é dificil de acreditar em tudo o que estamos vivendo, e todos os dias parece que vou acordar desse sonho que é trilhar esteve novo.Fui segurando-o com força,ao ponto de marcar minhas unhas em seus braços.
Mark: Helena, o que foi?
Helena: Por favor, não brinca comigo nem me deixe.Nunca. Não quero perceber que estava sonhando..
Mark: Helena..-ele foi acariciando minhas mãos até que eu fui nos afrouxando pouco a poco - ..minha Helena. Eu sou seu..eu já sou seu. eu sempre fui seu. e sempre serei seu.Não precisa me ferir ou nunca mais me soltar com medo deu te decepcionar,porque eu não vou a lugar algum..só irei se um dia você não me quiser mais…ai sim, eu sumiria porque seria insuportável viver sem ter você.
Me virei e fui aproximando meu rosto do dele depressa. Já não importava nada. Eramos só eu e ele. Enquanto nossos rostos iam ficando mais e m ais proximos parecia que o tempo estava parado, que cada movimento ia se prolongando como que em camera lenta, como se cada respiração nossa fosse a ultima. Meus olhos perseguiam os dele que, livremente se deixavam atrair pelos meus, enquanto que nossas mãos tinham urgência de nos aproximar. Cada segundo parecia uma eternidade. Cada piscar de olhar era uma separação entre mim e ele. Para acabar o tormento de uma vez fechei os meus na certeza que no fim sentiria o choque dos meus lábios frios com os dele eletrizantes quando…
Ele desviou o rosto.
Gelei. Parecia uma pedra.Não entendia nada.
Mark: Helena…n-a-o f-a-ç-a-i-s-s-o-c-o-m-i-g-o…não vamos estragar o que está sendo preparado tão bem. Por favor… - o tom em sua voz era de partir o coração. Soava pesado, triste,angustiado, desesperado.
Helena: Me desculpa Mark..eu..eu…
Mark. Eu que tenho que me desculpar, as vezes eu saio falando e não passo um filtro.
Nos olhamos um pouco e, enquanto ele secava minhas lagrimas eu disse em tom ironico.
Helena. Te perdoo só se quando ficarmos velhos usamos roupinhas mais descoladas que a desse casal - Mark começou a rir e eu também - e que, eu possa segurar o saquinho de caramelo e não você.













