A Glória na Nuvem e a Cura na Orla
Irmãos e irmãs, as leituras de hoje nos mostram a evolução fantástica da presença de Deus entre nós: de uma Nuvem inacessível para uma Orla tocável.
1. O Templo de Pedra e a Nuvem (1 Reis 8)
Na primeira leitura, Salomão inaugura o Templo de Jerusalém. É um momento solene. A Arca da Aliança é colocada no Santo dos Santos. De repente, uma nuvem enche o templo.
Essa nuvem é a Shekinah, a Glória de Deus. Ela é tão densa e sagrada que os sacerdotes precisam interromper o culto. Eles não conseguem ficar ali.
A mensagem é clara: Deus é Santo, Grandioso e, de certa forma, "separado". Ele habita na escuridão da nuvem, impondo respeito e temor sagrado. O povo sabe que Deus está lá, mas não pode tocá-Lo.
2. O Templo de Carne e a Orla (Evangelho - Marcos 6)
No Evangelho, a cena muda radicalmente. Jesus desembarca em Genesaré e o povo não guarda distância respeitosa; eles correm, trazem os doentes nos leitos e se empurram.
Jesus é o Verdadeiro Templo. Nele habita toda a divindade. Mas, diferente da nuvem de Salomão que afastava os sacerdotes, a humanidade de Jesus atrai os pecadores.
O povo implorava para tocar "ao menos na orla do seu manto". E o texto diz: "todos os que tocavam ficavam curados".
A Glória de Deus não está mais escondida numa sala escura de pedra; ela está caminhando nas ruas, suja de poeira, acessível a quem tem fé.
Conclusão:
Nós temos algo maior que Salomão e maior que o povo de Genesaré.
O povo do deserto tinha a Nuvem. O povo de Genesaré tinha a Orla do manto. Nós temos a Eucaristia.
Na Comunhão, nós não tocamos apenas na roupa de Deus; nós O recebemos inteiro em nosso coração.
Se a orla do manto curava, imagine o que o Corpo de Cristo pode fazer na sua alma hoje? Não tenha medo da glória de Deus. Aproxime-se e toque.














