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when the clouds go away || HyunRin
Tarde demais. Oh…Oh… — ChaeRin jogou a cabeça para trás, os olhos bem fechados para lembrar das palavras, mas nada de Romeu e Julieta vinha. Por deuses, nem sequer tinha lido para deixa essa encenação convincente. — Oh, poderes que nos regem de cima, morrerei de preocupação antes de chegar o dia de meu nome? — Levou uma mão à testa simulando um desmaio. O conteúdo pesado da conversa, a forma como compartilhava aquele pequeno probleminha (que não era tão pequeno assim) ativava a parte boba de ChaeRin. JihYeon bem sabia sobre como ela agia, quebrando-se totalmente por alguns segundos, logo voltando a bobona cheia de piadas em seguida. Aquele não era um estado que ela gostava muito, nem de ser deixar mostrar por quem quer que fosse. — Alguém já te disse que tem uma mão de ferro? Nada contra esse aperto, mas eu preciso dos meus dedos para jogar. — Retribuiu com toda a força adquirida nos treinamentos, a mão se mexendo para que ela ganhasse a queda de braço imaginária.
Ok, ele tinha um ponto. A lista de contatos do celular e a impossibilidade de ficar zerada nas mensagens novas eram as mais óbvias das provas. ChaeRin não tinha reservas com as outras pessoas, não discriminava por sexo, aparência ou classe social. De início fora para irritar a mãe, mas tão logo se tornou genuíno que a lista não parava de crescer. E isso sem falar das indicações. Você devia conhecer a Chae, ela é incrível. Pessoas novas falando isso, pessoas abordando por causa do cabelo, a garota de cabelos verdes puxando conversar sem um pingo de vergonha. — Muita gente me conhece, isso é bem verdade. — O celular vibrou, e mais uma vez. — Está ouvindo esse zumbido? Bem baixinho e bem interminável. Meu celular. Continuando, muita gente me conhece, mas poucos são meus amigos de verdade. Daqueles que, se eu pedisse ajuda, viriam me ajudar. A maioria é coisa de momento, troca de favores, companhia para festas, ‘indicações’da minha mãe. Quer dizer, tem uma indicação que é meu melhor amigo, mas não vem ao caso. Exceção à regra. — A Gong ergueu uma sobrancelha. — Desculpa pelo quê? — Riu sem divertimento fazendo um gesto de deixa para lá. — O que disse? Não aceite? — Aproximou-se para ouvir melhor, o cenho franzido para entender os murmúrios. — Não vou, não vou. — Repetiu como um mantra, a mão dando tapinha nas costas da mão dele o acalmando. E assegurando a si mesma de que não cairia nos esquemas da mãe.
A primeira vez que se encontraram voltou a acontecer, a sensação de dejá vù embrulhando seu estômago. Assim como o tinha beijado no nariz, a reação do pedido foi idêntica. ChaeRin levantou as mãos, sem saber o que fazer, os olhos procurando algum recipiente para ele vomitar. Verde significava ‘balde urgente’ antes de ser a cor mais do que perfeita para pintar os cabelos. — Eu te juro, Hyun, você vai me matar antes de explodir de vergonha. — Não queria rir daquele jeito, mas era engraçado. Engraçado demais. Porque o prazer de deixá-lo assim, rindo e sem jeito, de colocá-lo nos extremos era boa demais. E por algo mais cálido, que aquecia seu coração e coloria as bochechas. HyunTaek era um fofo, um menino num corpo mais velho, um pessoa que deixava difícil acreditar na existência. Se tinha dúvidas, se tinha incertezas, elas estavam mortas e caídas por terra. Ele nem sabia, mas entrava para a pequena lista das pessoas que ela colocaria acima de si caso precisasse. Acima até das preciosidades ilícitas escondidas na dobra das roupas. — Você é uma coisinha incrível, Hyun. — Fez sua melhor imitação do sorriso dele, tentando ao máximo deixar os olhos como as meia-luas que tanto gostava.
Fungou. Droga. O som parecendo perto demais do choro que ela não se permitia chegar ou reproduzir. Tinha uma solução para tudo, sempre tem uma alternativa para se livrar e resolver um problema. ChaeRin derreteu naquele abraço, não querendo – mas sabendo que teria — sair daquele círculo protetor. — Aí que você se engana, eu posso ser obrigada a casar. Ainda sou uma linda e respeitável mulher, filha única de uma família muito rica. Minha mãe deixa isso bem claro pra mim sempre, não pelo casar, mas pelo quanto devo a eles desde o dia do meu nascimento. — Concordou em número, gênero e grau com a raiva dele, mas, ao contrário do garoto, Chae começava a aceitar a inevitabilidade do caminho que tinha que percorrer. Sorriu de lado, frustrada em seu silêncio, olhando para o colo com pensamentos à mil. — Mas é a que eu tenho. A família Gong, tão feliz e perfeita que é exemplo para as outras. Eu faço bem o meu papel quando tenho e, acho, que não vai me ajudar muito agora. Eu tenho que conversar com JaeHyun, parar de ignorar as ligações e mensagens dele. Se tem alguém tão insatisfeito com isso tudo é ele. Ele me acusou de estar casando com ele por causa do dinheiro, acredita? — Comentou em voz baixa, mas sem raiva. O que a tinha levado a dar uma tapa agora estava direcionado à outra pessoa, ou melhor, conjunto de pessoas. A acusação nada mais era que a negação disfarçada, não era? — Agora, olhando bem, não posso culpá-lo. Acho. Não sei. — Gemeu frustrada, os olhos fechando com o carinho que ela não tinha o costume de receber. Que nunca recebia na verdade. Ela segurou a mão dele nos cabelos enquanto se ajeitava na cama e deitava, a cabeça aninhada no colo dele. — No momento preciso que você continue a fazer isso. É bom. — ChaeRin sorriu, abrindo um dos olhos para captá-lo. — Agora é que eu não saco mesmo. Está dito, está falado. Agora sua vez, cansei de ser a única sofredora. Cadê sua irmãzinha? E Num?
Hyun não conseguia fazer nada além de rir do teatrinho que a garota fazia em resposta a ele. Se perguntava como ela conseguia com tão pouco devolver toda a energia que aquela coversa lhe sugava e a única resposta que ele conseguia encontrar era que ela tinha vindo do mesmo planeta que a Nun e que a sua irmã. Foi por causa daqueles gestos engraçados que algumas palavras de sua psicóloga vieram à sua cabeça e ele se sentiu mais calmo. Não era um crime preocupar os seus amigos ou a sua família. Eles estavam lá para aquilo; se preocupar e cuidar de ti, não? — Sim… — murmurou por alguns segundos com as lembranças da época em que fazia karatê na cabeça. — Eu te machuquei? — perguntou receoso, enquanto afrouxava um pouco o aperto. Ele sabia como ninguém o quão perigosa sua força podia ser. Já tinha visto de antemão o que ela causou em um momento de descontrole e definitivamente não queria fazer o mesmo com a garota.
Uma leve risada escapou dos lábios do rapaz, enquanto ele encarava Chaerin com um brilho de inveja no olhar. Ela era exatamente o tipo de pessoa que ele sempre quis ser. Normal, cheia de amigos que estavam ali pra ela. E ele? Era só o estranho repetente da turma que tinha problemas psicológicos. Aquilo era mais que o suficiente para destruir o resto de sua vida escolar na Coreia. — Você tem sorte. Eu queria ter mais amigos. — murmurou com um sorriso amarelo e suspirou negando com a cabeça, tentando afastar aqueles pensamentos egoístas de si. Ficou calado escutando o que a garota repetia e repetia pra ele. Porém, algo dentro de si não permitiu que ele criasse um pingo de esperança nem mesmo por um instante. Ele sabia que aquela história tinha um buraco muito mais embaixo que aquele e que a sua vontade era insignificante demais para o tamanho que aquele problema tinha.
Com todas as suas forças, Hyun lutou para se recuperar daquele pequeno ataque de pânico que estava tendo por causa da pergunta da garota. Não foi uma tarefa tão difícil assim. Logo, ele estava acompanhando a garota em suas risadas, percebendo que tudo não passara de uma brincadeira. Aos poucos os seus batimentos foram voltando ao normal, apesar da sua cor levemente corada e daquela sensação de estômago embrulhado permanecerem firmes e fortes. — Eu juro. Não é algo que eu consiga controlar muito. — deu um sorrisinho de canto ainda ofegante e suspirou para encarar a garota pensativo. Sim. Ele realmente diria sim para aquela pergunta. Mas não sabia ao certo o porquê. Nem mesmo certeza dos seus sentimentos ou dos dela, ele tinha. Era muito estranho pensar que por um triz, o garoto não fizera algo que ele tinha muito receio de fazer; ir com tudo, apostar completamente em seu instinto e ignorar o seu lado racional. Aquilo era algo digno de ser dito a sua psicóloga, não? Talvez… Ele estivesse melhorando. Não muito, mas estivesse. — Acredite, você que é incrível, noona. — a resposta saiu de sua boca de uma maneira tão natural que ele até se assustou consigo mesmo. Porém, antes que pudesse ter qualquer pensamento negativo por causa daquilo, ele percebeu Chaerin fazendo uma imitação falha de algo que parecia com o seu sorriso. Seu rosto voltou a ficar ligeiramente vermelho, porém ele acabou por rir daquilo tudo.
A preocupação que o mais jovem tinha com sua noona foi intensificada ao escutar o que pareceu um choro. O nervosismo dentro de si borbulhava; ele não sabia o que fazer naquela situação. Chaerin era alguém tão forte e tão alegre que ele nunca imaginou que ela pudesse chorar. Mordeu o lábio, tentando conter a incredulidade e a abraçou com mais força, como se tentasse sugar toda aquela tristeza e desespero dela para dentro de si. — Não. Não importa sua origem, sua cor, sua condição financeira ou a de sua família. Ninguém pode te obrigar a se casar, Chaerin. — ele falou com um pouco mais de seriedade no tom de voz se afastando para olhar nos olhos dela. — Sua mãe não pode ter esse poder sobre você. Não importa o que ela já tenha feito por ti. — completou, como se tentasse mudar de alguma maneira a ideia que a garota tinha sobre aquilo. Ela não podia aceitar aquelas condições impostas sobre ela. Elas não eram justas ou humanas. Porém, ele via que aquilo era exatamente o que ela estava começando a fazer. Respirou fundo, sentindo a frustração e a raiva crescendo dentro de si, trazendo as lembranças do que aconteceu há um ano. A família dela e o tal Jaehyun estavam começando a despertar nele as mesmas sensações de injustiça e impunidade que não muito tempo atrás seu pai despertara. Quando ele deu por si, estava com as mãos fechadas em punhos e a respiração mais acelerada, como se estivesse pronto para bater em qualquer um que o ameaçasse ou ameaçasse ela. Quase que de imediato ele sentiu o pânico começar a lhe envolver de uma forma avassaladora. Não. Ele não podia se descontrolar novamente. Não mesmo.
Fez, então, a única coisa que ele podia fazer pra tentar se acalmar; pensar no que estava fazendo naquele momento, apenas naquilo. Acariciou os cabelos dela estremamente concentrado, passando as mãos delicadamente por cada fio. E aos poucos, o verde dos cabelos de ChaeRin foram o acalmando e relaxando ele. Suspirou. Aquela cor definitivamente combinava perfeitamente com ela. — Hyomin me convenceu a deixar ela levar Nun para a casa de uma amiga, para elas brincarem juntas. Visivelmente não foi uma ideia tão boa assim. — riu, pensando que se a sua cadelinha estivesse ali, tudo seria diferente.
when the clouds go away || HyunRin
ChaeRin tinha uma ideia do que aqueles olhos calorosos escondiam, uma ideia bem vaga e distante, mas não sabia que era tanta coisa assim. A mão procurou a dele e a encontrou, segurando uma entre as dela, apertando e confortando de uma maneria que substituísse seu abraço. Por enquanto. Levou aquele pequeno bolinho de mãos contra o peito, tentando não demonstra muito do quanto entendia aquele sentimento com o olhar. — Se é besteira, por que parece tão sério? — Perguntou com a voz calma, a garganta tendo dificuldade em engolir o nada e o mundo. — Você está vendo alguém, não está? A psicóloga. Ninguém nasce forte nem fraco, Hyun, não existe isso se você continua tentando. Eu não entendo muito isso, mas não é fato que tudo sempre piora antes de melhorar? Que a gente pensa em desistir quando está quase conseguindo? Se você fosse fraco, não estaria aqui, ainda enfiado nos livros mesmo depois das provas. Você tem algo por qual lutar e não precisa ser sozinho. — Levou a mão dele ao próprio rosto e pressionou os lábios nos nós dos dedos do garoto. A garota de cabelos verdes sorriu minimamente e balançou a cabeça, negando o que ele tinha dito. — Se eu fosse atender tudo o que eu tenho pra fazer não teria tempo de dormir nem respirar. Noona te ajuda, basta chamar. — E se aproximou, falando baixo como se fosse um segredo. — E vai ser bem mais divertido do que ficar parecendo uma boneca de porcelana numa festa onde a pessoa mais nova poderia ser peça de museu. — Piscou, cúmplice.
Ela riu e agitou os dedos no ar, como se jogasse purpurina. — A benção da ignorância é tão bela. E devo ter chamado mesmo, para ser votada como Rainha. — Por mais bonita que estivesse, por mais que tenha se divertido, a memória trazia mais raiva do que boas sensações. Cuidadosamente, pegou a imagem das mãos de Hyun e voltou a guardar na mochila. — Com JaeHyun, sim. Ai que está a bela cereja do bolo. Foi tudo forjado. O vestido, o convite, o casal e o noivado. Só de pensar que… — ChaeRin bufou irritada, batendo o pé no chão e levando o polegar à boca, roendo o canto da unha. — Eu sei a minha nova condição, mas não use essa palavra. Não consigo aceitar ainda. Nem sei se vou. — Por mais que gostasse do mais velho, aquele sentimento não seguiria pelo caminho tão duradouro quanto aquele, nem envolveria um comprometimento daquele tipo. Deuses! Casamento nunca tinha passado por sua cabeça. Eu sou apenas normal.
A garota riu sarcasticamente, revirando os olhos e voltando a esticar a coluna – encurvada antes de tão tensa. — Hyun-ah! Como sempre precisamos que alguém nos diga mil vezes o que somos antes de aceitar. Você é lindo. Lindo mesmo. Quando coloca esse sorrisinho para fora… — Ergueu os cantos da boca dele com os indicadores ao mesmo tempo que fazia uma careta engraçada para fazê-lo rir. — …É matador. Eu sou bem seletiva em questão de relacionamento e, mesmo assim, não teria nenhum problema em perguntar: Hyun, quer ser meu namorado? — Falou séria por um instante, logo dando um tapinha no ombro dele rindo de leve. — Não precisa responder, patinho feio. — Fez um bico e apertou a bochecha dele, continuando a rir.
Tomou o carinho como um convite para transformar o esconderijo das mãos num esconder de rosto no ombro dele. ChaeRin reclamou e grunhiu contra as roupas dele. — Não, eu não amo. Não, eu não me sinto culpada e nem tenho vergonha. Mas- — Levantou o rosto, os olhos buscando alguma resposta fácil no amigo e se perdendo nos próprios pensamentos. — Eu deveria ter sido mais controlada. Por mais que não queira nada disso, eu posso colocar tudo a perder. A união Gong e Nam é benéfica para as duas ‘empresas’, muitas vantagens e n outros motivos. Eu poderia arruinar a imagem da minha família, poderia perder todo o patrocínio do time, as meninas contam com apoio financeiro dos meus pais para continuar a treinar. É tanta coisa, tanto esquema, tanta picuinha, e eu só queria estar bem longe. Maldito dia que torci o pulso e minha mãe me arrastou para cá de volta me ameaçando mundos e fundos. — O pulso estava curado, mas a passagem de volta para Seul ainda estava congelada.
O coração de Hyun batia um pouco mais forte por causa do silêncio que se fazia presente na sala. Estava nervoso e preocupado com a maneira como ela reagiria. A maioria das poucas pessoas pra quem tinha contado a respeito do seu problema tinham o encarado como um louco ou um dissimulado. Não queria que Chaerin se afastasse. Ela era uma das poucas amigas que ele tinha. Toda aquela tensão foi relaxada quando ele sentiu o toque da mão dela na sua. Olhou para ela por alguns instantes, confuso a respeito de como ela estava reagindo à tudo aquilo. Será que ela de alguma forma lhe entendia? Sim. Ele conseguia perceber pelo olhar dela que ela o entendia muito bem. — Eu não quero te preocupar. — murmurou e engoliu em seco quando as primeiras palavras saíram da boca da garota, acabando por desviar o olhar. E então ela continuou e falou todas aquelas palavras doces, que foram capazes de tocar a parte mais profunda dele. Hyun teve que se segurar muito para não deixar algumas lágrimas caírem de seus olhos. Não queria parecer ainda mais fraco na frente dela. O que tornou aquela tarefa mais fácil foi o que a garota lhe falou logo em seguida. Ele riu prontamente, sentindo o clima do quarto pesar menos. Novamente, voltou o olhar para a garota e lhe deu o sorriso mais sincero que deu a alguém em toda a sua vida. — Obrigado, noona. Vou te chamar sempre que eu precisar. — riu um pouquinho e apertou a mão dela o mais forte que pôde, acariciando a sua pele delicadamente com o polegar.
Hyun passou a olhar a garota com mais atenção. Ela estava com raiva ou algo parecido? Será que ela não gostava tanto assim de ter os olhares sobre si? Eram essas as perguntas que rondavam a cabeça dele. — Sabe, eu não acho que você tenha ganhado esse prêmio apenas por causa de um vestido, noona. Você é alguém muito legal e é o tipo de pessoa que parece ser popular e ter um monte de amigos. — suspirou tentando animar Chaerin de alguma maneira. Quando ela lhe tomou a foto da mão, o garoto se sentiu ligeiramente desapontado. A energia que os olhos dela tinham era tão boa que ele podia ficar olhando para o retrato o dia inteiro e ainda assim não estaria cansado. — Desculpe. — ele murmurou com uma certa vergonha de ter trazido todas aquelas emoções da garota à tona. Ele não fazia a mínima ideia do quanto aquilo estava magoando e assustando ela até escutar todas aquelas palavras. — Então não aceite… — falou num tom quase inaudível, olhando para a própria palma da mão. Alguma coisa dentro dele, bem lá no fundo não queria aquilo. Não queria que ela se casasse contra a vontade dela e ele estava começando a ter sério problemas em controlar aqueles sentimentos. Quer dizer… Ele não podia dizer em alto e bom som que era completamente contra a ideia dela se casar com aquele tal Jaehyun. Seria estranho demais, não?
Estava tão distraído em controlar aquelas emoções (que provavelmente seriam a pauta na sua próxima ida à psicóloga) que ele não estava prestando atenção direito na garota. Até que ela começou a falar de sua beleza. Aos poucos o rosto de Hyun foi passando da sua coloração normal para um vermelho bem vivo. Ela acha o meu sorriso bonito? Perguntou-se incrédulo e então negou com a cabeça. Não, não podia ser. As bochechas dele eram grandes demais. Tão grandes que quando ele sorria nada se podia ver dos olhos dele. E ele tinha plena ciência que mais parecia um esquilo esquisito com duas nozes guardadas na bochechas que qualquer outra coisa. Hyun, quer ser meu namorado? A pergunta o atingiu como um soco no estômago e o que era vermelho virou verde. O moreno sentiu sua cabeça rodar com aquilo e por pouco não teve um ataque de pânico. E tudo por que, por um momento em sua cabeça, ele quase disse “Sim”. Respirou fundo, passando as mãos pelos seus cabelos, penteando-os e então olhou para a garota com um certo medo. Não. Você não pode. Isso é loucura. O bom-senso falou para ele em sua cabeça e ele concordou, permanecendo calado.
Até por que, o que ele sentia no momento não era o que mais importava pra ele. O que mais importava era consolar e ajudar uma da poucas pessoas no mundo que no momento ele podia chamar de amiga. À medida que Chaerin repousou a cabeça em seu ombro, Hyun abraçou ela com um pouco de força e passou a acariciar as costas da outra com mais frequencia. Então escutou cada palavra enquanto olhava nos olhos dela. E uma raiva foi nascendo em seu peito a cada sílaba acrescentada por ela. Então era assim que acontecia no mundo dos mais afortunados? Casamentos eram arranjados através de subornos e maquinações absurdas? Nem parecia que a garota falava de algo que a própria família fez. Naquele momento tudo o que ele mais queria era fugir com aqueles dois pares de olhos amendoados para bem longe dali, onde ninguém pudesse a machucar. — Noona, ninguém pode te obrigar a se casar com alguém que você não ama. Nem mesmo as pessoas da sua família. Isso é… Covardia! — aquela última palavra fez com que ele relembrasse o pai por alguns instantes e o discurso dele apenas tomou um impulso maior. — Pessoas assim… Elas nem podem ser consideradas família. — trincou os dentes teve que respirar fundo para se acalmar. Encarou a garota com carinho e murmurou, ao mesmo tempo que acariciava os cabelos dela. — Eu não sei como, eu não sou muito bom nisso. Mas eu vou lhe ajudar, no que você precisar no momento. E se depender de mim, você não vai se casar. — falou com uma certeza tão grande quanto a que ele teve no momento que ele tomou a frente e foi proteger a irmã dos abusos do pai.
when the clouds go away || HyunRin
O peito apertou de maneira estranha, dolorida, angustiada. Quisera ela ter algo assim para com a faculdade, alguma obrigação para passar direto e se esforçando tanto. — Yah, yah, yah! Não fala assim. Falar coisas ruins atrai coisas ruins. — Jogar o poder dos pais para conseguir que o amigo passar de ano era mancada, ainda mais quando este não chegava aos pés do que a mãe consideraria ‘aceitável’ tanto quanto a certeza de que ele não se sentiria tão bem sabendo que tudo fora obra dela. — Agora você está sendo bem bobo, pabo. Eu não vou começar a ladainha de ‘O estudo é muito importante para seu futuro’ e blá blá bá. Todo mundo conhece, todo mundo sabe. Mas, por favor, não desista. Se você acha que foi tão ruim assim, não que esteja acreditando numa palavra, conversa com os professores. Eles devem conhecer você, os seu jeitinho, vão dar algumas alternativas. Um trabalho valendo a nota que falta, uma prova extra. Conseguindo me chama e eu te ajudo. Estudar sozinho tem suas vantagens, mas ter alguém para fazer quiz surpresa a la programa de auditório com uma voz bem sexy… vai dizer, olha a vantagem. — Apontou para si própria, os indicadores esticados subindo e descendo pela sua silhueta. No rosto Chae tinha um olho fechado numa piscada e a língua despontando no canto da boca. Em matéria de cálculo e matemática era tão perdida quanto uma criancinha de fundamental, mas, nos demais, era ótima. Ainda mais quando precisava encontrar informações em livros e internet. — Olha aqui! Senta aqui do lado. — Exigiu, o assunto mudado a fazendo relaxar novamente. Abriu a bolsa entre os pés e enfiou a mão, procurando a foto impressa dada pelo amigo fotógrafo. Ainda estava feliz, banhada na ignorância das loucuras de noivado e JaeHyun. Bem guardada numa pasta verde como seus cabelos a Gong entregou-a para o garoto. — Era um diabo de um vestido. Parece que estava nua, calma, mas estava bem vestida por baixo. Não precisa ficar vermelho. — Durante a festa os olhares eram de cobiça. Do outro lado, nesse ambiente, talvez – com certeza – traria frustration. Segurou o queixo e tombou o rosto para o lado, avaliando de cima abaixo. — Hyun, você é um homem muito bonito, sabia? Do tipo que teria garotas aos pés se quisesse. Com a roupa certa, para colocar essa beleza em evidência, você super seria meu Rei. — Riu divertida, a mão balançando num gesto de deixa pra lá envergonhado com as bochechas ligeiramente coradas pela astúcia do comentário. Decidiu jogar a real, a verdade nua e crua. — Eu queria que você tivesse ido, mas, agora, sabendo tudo o que aconteceu, não desejo mais. O noivado me pegou muito desprevenida, eu só reagi. Eu deu um tapa digno de final de kdrama nele, o empurrei, quis matar o mundo, fingi estar amando, fui abandonada na porta da limusine e fugi sem pensar em ninguém. ChaeRin, you’ve been a bad girl. A very very bad bad girl, ChaeRin. — Terminou abaixando a cabeça e a cobrindo com as mãos como que para se esconder do mundo.
O rapaz respirou fundo, tentando acalmar as angústias que cresciam dentro de si. Não estava falando coisas ruins. Aquilo era apenas a verdade. Ele sabia que era, que tinha ido muito mal naquelas provas. Ao menos, era isso o que a sua mente ficava repetindo a todo instante. — Eu não sei se eu consigo lutar mais contra isso, sabe? — apontou para a cabeça, encarando os olhos amendoados. — Não tenho controle do que eu penso. Não tenho controle da minha mente. Não tenho controle do meu corpo. Eu sou fraco e o mundo não foi feito para fracos. — sua voz era tremida. Era a primeira vez em toda a vida que Hyun falava aquilo para alguém que não fosse sua psicóloga e ele não fazia a mínima ideia do porquê estava contando um de seus pensamentos mais íntimos para alguém que só tinha encontrado uma vez em toda sua vida. Respirou fundo e passou as mãos pelos cabelos, finalmente se dando conta do que tinha falado. — Desculpe. Isso é besteira. — bufou entre um pequeno riso amargo, desejando piamente que todo aquele discurso anterior fosse esquecido. — Noona, se você pudesse me ajudar, seria muito legal. Mas eu não sei. Não quero te incomodar e você parece ser alguém bem ocupada… — falou, olhando para Chaerin com agradecimento. Acabou por dar uma risada ao perceber os gestos divertidos que ela fazia. Ela era mesmo uma garota e tanto. Apenas ela para fazê-lo rir diante de uma situação tão estressante.
Arregalou levemente os olhos, se sentindo confuso quando Chaerin chamou ele para sentar-se ao lado dela. Porém, obedeceu prontamente e afundou na cama, mantendo a postura levemente encurvada. Quando ela colocou a foto nas mãos dele, Hyun teve que piscar os olhos várias vezes. Não estava esperando algo por aquilo; ela estava ainda mais bonita que ele havia imaginado. — Você está tão linda e tão… radiante. Deve ter chamado muita atenção! — murmurou, acabando por corar levemente. Mas não se engane. O vermelho não era pelo fato dele estar vendo ela com uma roupa que mostrava tanto de seu corpo, e sim por ter sentido uma ligeira pontada de raiva ao imaginar quantos olhares ela deveria ter recebido naquela noite. — Você foi com o seu noivo? — ele perguntou olhando para ela, dando um sorriso amarelo sem exibir os dentes, sentindo aquela ligeira pontadinha crescer só mais um pouquinho. Suspirou coçando a nuca. Por que diabos se sentia daquele jeito? Não. Não era para ele estar se sentindo assim. Eles mal se conheciam!
Hyun então se distraiu completamente, quando a garota continuou o seu discurso. Ele teve que se segurar bastante para não rir do que ela lhe dissera. Ele sabia que sua beleza não era tão evidente assim. Inclusive, já escutara diversas e diversas vezes comentários maldosos que faziam sobre a aparência dele no colégio. — Ahni. Eu não sou bonito, noona. Eu sou apenas normal. — falou com convição, dando um pequeno riso ao notar o vermelho das bochechas dela. Ele nem ficava mais triste ao falar aquilo. Já tinha se aceitado por completo, então não precisava mais se preocupar.
As próximas palavras dela, com a mais pura e crua verdade, essas sim o pegaram desprevenido. A pequena felicidade que ele sentiu quando soube que ela queria que ele estivesse lá, se extinguiu completamente quando ela contou os restantes dos fatos sobre o noivado. Respirou fundo, sentindo o desespero da garota de longe, só de ver o rosto dela escondido. E de alguma forma, ele soube exatamente o que precisava fazer. Levou uma das mãos até as costas dela, acariciando ali levemente, dando alguns tapinhas vez ou outra. — Você seria uma pessoa ruim se tomasse qualquer outra atitude que não fosse ela. Noona, você não ama ele. Não se sinta culpada, nem tenha vergonha do que fez.
when the clouds go away || HyunRin
A vontade provocar era grande, a vontade de apertar as bochechas maior ainda e a de voltar para o abraço nem se podia medir. Contudo, pelo bem de ambos e, principalmente, da sanidade do garoto, ChaeRin sorriu. E sorriu. A ponta das bochechas doerem e ela parecer um boneco de circo. What’s wrong with me. Esfregou as laterais do rosto, suavizando as expressões exageradas, culpando tudo o que tinha acontecido e passado nos últimos dias em plena fuga. — Mal? Ani, ani. Você estudou bastante. — Balançou as mãos na frente do rosto dele, estalando os dedos para obter o foco, fingindo ser uma professora. Ou algo parecido. — Quando se estuda demais parece que não sabe de nada. Você vai ver, suas notas vão ser aquelas que estará precisando. — Acreditava piamente nisso porque era assim que a escola e ChaeRin se relacionavam no tempo que tinham alguma importância. A faculdade que cursava era obrigação, um pré-requisito obrigatório imposto pelo pai para continuar vivendo sobre o mesmo teto e ter o apoio da empresa nos jogos do time oficial da Coréia do Sul. Uma mistura de reações passou pelo rosto da garota, de raiva para tristeza, de confusão para indignação, terminando num tão desolada que ela olhou para baixo. Deixou-se cair na cama, os materiais de Hyun cuidadosamente sendo empilhados num canto para se sentar mais confortavelmente. Ganhava tempo, procrastinava, adiava a resposta. Tirou a mão da dele e fechou-as em punho sobre os joelhos. — Eu fugi antes de pegar anel, de aceitar, de tudo. Foi tudo tão… Não sabia de nada. E com ele… Hum… — Puxou uma mecha de cabelo do rabo-de-cavalo e enrolou no dedo, o lábio inferior já se projetando num bico. — Eu fui nomeada Rainha do Baile, sabia? Eu! Não é legal? — Nem tentou disfarçar a mudança de assunto, abrindo um sorriso sem-graça para o garoto. — Chamaram meu nome e tinha tantos votos. Ganhei sem competição. Queria… — que você estivesse lá morreu na garganta. Pensando bem, foi uma sorte não tê-lo ali naquele dia. Estava tão fora de controle que acabaria de vez a boa imagem que tinha deixado em Hyun.
Hyun apenas deixou um leve sorriso amarelo escapar, desviando os olhos de Chaerin. Se ela soubesse como a ansiedade dele havia o afetado em suas provas, ela com certeza não falaria aquilo. Sim. Ele passara quase todos os dias dos últimos meses trancado em seu quarto estudando. Porém, parecia que aquilo não havia sido o suficiente, já que na hora de fazer a prova, ou o garoto passava mal por culpa da ansiedade ou ele tinha um branco horrível e se esquecia da maioria das coisas que havia estudado. — Eu realmente não fui tão bem assim… — riu baixo e negou com a cabeça, fechando os olhos por alguns instantes. Era só fazer menção à aquele assunto que o garoto já começava a sentir a cabeça rodar. O medo de não passar de ano estava o atormentando como nunca. — Eu juro que se eu reprovar de ano de novo, eu só vou desistir. — admitiu, voltando a abrir os olhos para poder encarar a garota. Sua mente ficou ligeiramente mais turva quando ela falou no casamento. Aquela notícia ainda provocava sensações estranhas nele, sensações essas que ele preferiu ignorar até por que ele sabia que no momento o mais importante era consolar a amiga. Chaerin realmente parecia estar chateada com aquilo. Antes que ele pudesse perguntar qualquer coisa a respeito do casamento, a garota mudou de assunto. — Rainha? Baile? — repetiu um tanto que confuso. Teve que piscar alguns segundos para poder se lembrar do baile que aconteceu no condomínio. — Ah… O Baile! — riu cabisbaixo e virou a cabeça para o outro lado. Ele até sentiu uma certa vontade de ir, porém, não tinha nem dinheiro para a inscrição, nem terno, nem tempo. — Você deveria estar com um vestido muito bonito. — falou, olhando nos olhos dela, tentando imaginar que tipo de vestido ela havia usado naquela festa. E não importa com o qual, ele sabia que ela estava muito linda. Afinal de contas, ela era uma moça da alta sociedade. Moças da alta sociedade sabiam se arrumar, não? — Eu acho que eu nunca teria condições de ganhar uma competição como essa. Deve ser muito difícil e você tem que ser popular. — comentou um tanto que risonho. — Esses lances de beleza não são muito pra mim. — complementou e afirmou com a cabeça, como se só quisesse dar mais ênfase ao que falava. Olhou para os olhos castanhos dela mais uma vez, quando a garota terminou o seu discurso, ou melhor, deixou ele inconpleto. Sentiu uma coisa estranha no olhar dela. Mais uma vez o seu brilho meio apagado, uma certa hesitação com o que ela falava. — O que? O que você queria? — enrugou o nariz, um pouco curioso, dando um sorrisinho de canto. Não fazia a mínima ideia do que ela pudesse querer.
when the clouds go away || HyunRin
Levantou as mãos e agitou os dedos. — Surpresa-aaaah! — Parecia uma exclamação, mas não gritou, a voz saindo calmamente para não assustar muito que a ouvia. Depois disso foi como se assistisse uma partida de tênis. Bola de um lado, bola para o outro, Hyun tentando algum lance de comunicação não verbal com a tia e o crescendo entusiasmo da garota de cabelos verdes. Ela fingiu ajeitar a franja, cobrindo o rosto parcialmente da visão da tia para enrugar os lábios e fazer uma careta fofinha para o vermelho-tomate Hyun. — Nee, nee, prometo não incomodar muito. — Repetiu o cumprimento para a mais velha, acrescentando o tipo o pedido de desculpas que ia acabar fazendo enquanto estivesse sozinha com o garoto. Ela o acompanhou com passos silenciosos, discretamente pegando um dedo da mão dela para segurar entre os seus. Não que precisasse de um guia no pequeno apartamento, mas para antecipar e sa dar um gostinho do que viria. Ao chegarem no quarto ChaeRin olhou por cima do ombro, vasculhando o corredor por outra alma. Qualquer pessoa, a tia, outro familiar. Ninguém. Quando se voltou para Hyun os braços se abriram e ela se jogou no garoto, o abraçando como se não o tivesse visto por anos – e não as poucas semanas que se passaram na realidade. — Eu senti sua falta, hyunnie~. — Ele tinha o mesmo cheio o qual se lembrava, de sabonete e nuvens, quando a Gong escondeu o rosto na curva do pescoço. De dias ensolarados em uma rede na sombra, sem fazer nada. E, para completar o pacote, subiu o rosto e pressionou os lábios na bochecha avermelhada, num beijo carinhoso. — Nee, do jeito que eu lembro. — Ela riu do comportamento do garoto, lentamente se esquivando do abraço para ajeitar as roupas. — Só que mais magro e mais cansado. Que prova é essa? Quer dizer, que provas são essas para deixar meu menino assim?
Se a ela tivesse falado que aquilo tudo era apenas uma surpresa, em uma situação completamente diferente da que os dois se encontrado, a reação de Hyun provavelmente seria sorrir ou rir de tudo aquilo. Contudo, a única coisa que a mente do rapaz conseguia focar naquele instante era que a sua tia estava ali e que com certeza ele teria um problema muito grande para se explicar depois. Não que Maeri fosse brigar com o rapaz ou algo do tipo por ele ter chamado a amiga para passar um tempo com ele. O problema era a vergonha que ele iria sentir em ter que se explicar pra tia e a plena certeza que ele tinha que ela pensaria que os dois eram na verdade namorados. Suspirou esfregando a testa com delicadeza, sentindo umas leves pontadas naquela região, anúncio da dor de cabeça que viria depois de um tempo. — Depois eu converso com a senhora. — falou sem emitir som algum para a tia e se virou com a intenção de mostrar o caminho até o seu quarto para Chaerin.
Foi quando sentiu o toque delicado da garota em sua mão. Olhou de relance para ela, sentindo o seu rosto ficar ligeiramente vermelho. Apesar de claramente ainda se sentir bastante envergonhado com o jeito extrovertido da outra, Hyun tinha sentido muito a falta da presença de Chaerin nos últimos dias para fazer qualquer outra coisa diferente da que ele fez; ele soltou-se do daquele aperto delicado e então envolveu a mão dela completamente com a sua, entrelaçando os seus dedos com os dela. Sim. A mente dele ainda era muito confusa a respeito do relacionamento que os dois tinham, porém, naquele momento aquilo era o que ele queria fazer. E Hyun estava cansado demais para dar ouvido à todas aquelas vozes que só o deixavam com medo da vida.
Assim que os dois passaram pela porta do seu quarto, Hyun fechou a porta e encarou Chaerin. Antes que pudesse falar qualquer coisa, sentiu os pequenos braços rodearem o seu corpo, e não ficou surpreso com o gesto. Soltou um pequeno riso, abraçando a garota de volta e fechando os olhos. Aos poucos foi relaxando e esvaziando sua mente; queria apenas aproveitar aquele momento, sem pensar no futuro ou no que podia acontecer ou em todas as coisas que estavam atormentando ele ultimamente. — Eu também. — murmurou, ainda que estivesse encabulado ao admitir que também tinha sentido a falta dela. Então, ele se afastou de repente, como se tivesse se lembrado de uma coisa. Olhou nos olhos dela e sorriu. O mesmo castanho. O mesmo calor. O mesmo “Sol”. Porém, com um brilho levemente apagado. É, pelo visto ele não era o único com problemas naquele momento.
Bufou, quando ela perguntou sobre suas provas e se afastou por completo, olhando para o outro lado. — Eu fui muito mal. — foi tudo o que falou, sentindo o desespero corroer sua mente mais uma vez. Ele já havia perdido quase todas as esperanças de passar de ano. — E o… Casamento? — perguntou, sentindo um estranho comichão ao falar naquilo. Seus olhos se voltaram para a mão dela e Hyun a pegou, para observar mais de perto, ficando um pouco confuso no processo. — Você não está usando o anel…
when the clouds go away || HyunRin
Elogie a casa, check. Elogie o que tiver que ser elogiado soando e sendo sincera, check. ChaeRin conseguia ser a criatura mais simpática e sociável do mundo, pegando os mínimos detalhes e convertendo numa conversa leve e encantadora. E, ah, nunca deixando de sorrir como sempre sorria. Passou a mão na blusa, esticando o tecido amassado, e olhou ao redor, absorvendo tudo com carinho, quando viu e ouviu o integrante da casa que mais queria ver. — Hyun~! — Exclamou, a mão levantada acenando com parcimônia. Ainda não conhecia bema mais velha para ‘atacar’ o garoto como tinha atacado da última vez que se viram. — O que eu estou fazendo aqui? — Repetiu confusa, o celular piscando de volta a vida para mostrar as mensagens trocadas nos últimos minutos. Sim, estava certa, aquilo tinha sido um convite bem fácil de entender. — Eu disse que vinha, não disse? Ou o eu quero agora agora era trinta minutos? — Não conseguiu evitar de achar aquela confusão toda fofa. ChaeRin apontou para a porta por cima do ombro com o polegar, o corpo ficando de lado para se preparar para sair. Somente tê-lo visto – e se preocupado com o que tinha visto – valeu a pena, podendo ir embora por quanto tempo fosse necessário até ser permitida a voltar. — Não sabia que estava tão ocupado assim. Se quiser eu venho mais tarde ou quando você puder. — Encolheu os ombros, esperando uma resposta.
Piscou os olhos por alguns segundos tentando assimilar tudo o que a garota tentava lhe dizer, até que finalmente a sua mente voltou a trabalhar de uma forma um pouco menos embaçada. — Mian… Você não respondeu minha mensagem e eu pensei que… — antes que pudesse continuar, sentiu os olhos indagadores e curiosos da tia sobre si. Uma gota de suor escorreu pela sua testa e ele parou de falar, completamente seu jeito. E assim, como sempre acontecia na presença daquela garota de cabelos verdes, o seu rosto ficou completamente rubro. Parecia até que o destino gostava de fazer ela ver ele naqueles momentos onde ele ficava mais envergonhado. — N-não precisa. Eu não estou fazendo nada. Você pode ficar aqui… — sentiu a boca secar depois daquelas palavras e mais uma vez a vergonha de ter sido tão “aberto” com alguém lhe atingiu como um soco no estômago. Finalmente ele teve a coragem de olhar para a sua tia, e a viu ainda mais curiosa que nunca. Pelo que sabia dela, ela estava prestes a falar alguma coisa, a fazer aquelas perguntas mais íntimas que sempre o deixava sem jeito. De maneira silenciosa e discreta, o garoto tentou fazer alguns gestos, como se implorasse para que ela não falasse ou lhe perguntasse nada. E como se a tia tivesse entendido exatamente o que ele pedia, ela se manteve calada. — Você não quer vir pro meu quarto para a gente ter um pouco mais de privacidade? — perguntou, voltando a encarar Chaerin, dando um pequeno sorriso amarelo, sem exibir muito os dentes.
when the clouds go away || HyunRin
[ Eu quero ]
Esse tipo de mensagem não merece uma resposta escrita e fria, mesmo com milhões e diversos emoticons de carinhas fofinhas, sorridentes e com corações no lugar dos olhos. Precisava de algo físico, um contato, algo que ChaeRin ansiava desde que mandara o ultimato de invasão do apartamento do garoto. Ir para mansão e pegar suas coisas não era uma opção, nem pegar roupas mais condizentes com seu sexo (femininas e divertidas), a aura dos pais era por demais tóxica para valer o risco. Por isso, vestindo uma camisa velha de Jih e as calças cheia de rasgos, a garota enfiou tudo o que lhe pertencia na bolsa e desceu os degraus do bloco A. Não que tivesse corrido até o outro bloco, mas seus passos não podiam ser confundidos com uma caminhada despreocupada para visitar um amigo em outro apartamento. A Gong pegou novamente as escadas, transformando a perda de fôlego pela rápida subida pelo sorriso que abria em seu rosto. Em expectativa. Em animação. Com o aperto no peito do que a notícia em todos os jornais teria causado no garoto. Tocou a campainha e deu um passo para trás, utilizando aquele momento para ajeitar a franja rebelde e apertar o rabo de cavalo minúsculo atrás da cabeça. — Annyŏn haseyo, me chamo ChaeRin. Mannasŏ Pangapsŭmnida! — Curvou-se o máximo possível, dando todo o respeito para a figura mais velha que atendera à porta. — HyunTaek está? — Sabia que estava, mas, sem ter dado aviso, bom cumprir o roteiro à risca.
Hyun olhou mais uma vez para o visor do celular, sentindo-se inquieto e nervoso. A mensagem havia sido visualizada e ele não havia recebido nenhuma resposta. Será que ele tinha falado algo de errado? Essa era a pergunta que não queria sair de sua cabeça. Pegou o celular e começou a digitar outra mensagem. Um "desculpe" talvez fosse algo bom, caso ela estivesse chateada pela ambiguidade no tom de sua mensagem anterior. Logo, ele largou o telefone, deixando o aparelho de lado. Ele já tinha se exposto demais para um dia só. A vergonha de ter mandado um "eu quero" ainda martelava em sua mente e tão cedo não o deixaria em paz. Suspirou, voltando a passar as páginas do livro de cálculo que estava tentando entender. Não tinha se saído tão bem nas provas daquela matéria e se quisesse se dar bem, teria que estudar ainda mais do que estava estudando. Foi quando de repente a campanhia tocou. De início nem tinha ligado, já que sabia que sua tia atenderia. Porém, ao escutar aquela voz um tanto que grave soar pelo apartamento ele suou frio, se levantando de imediato. Era ela mesmo? Não dava para acreditar. Passou a mão pelos cabelos e pegou o celular, checando se ele não tinha deixado alguma mensagem passar. Sua respiração ficou mais ofegante quando ele escutou o nome dele. Sim, aquela voz era dela, definitivamente. Ele piscou e já estava na sala, com os cabelos verdes bastante visíveis. Ele não sabia ao certo como tinha ido parar lá. - Noona? O que você está fazendo aqui? - Hyun balbuciou, com a voz estremecida; Sua mente estava tão nebulosa e presa no seu caos interno diante daquela situação um tanto que desconcertante que ele nem se lembrava mais o que estava acontecendo.
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Kkt to Hyun~
Chainsaw: senti uma hesitação
Chainsaw: tem horário de visitação?
Chainsaw: se não puder agora 'agora' tudo bem
Chainsaw: mas sinto que você precisa de um pouco de chae na sua vida
Chainsaw: e um wallpaper novo meu no seu cel
HyunTaek: Não, não é isso.
HyunTaek: Minha tia está em casa :/
HyunTaek: Ela é meio...
HyunTaek: Estranhas as vezes.
HyunTaek: Mas você pode vir
HyunTaek: Eu quero
Kkt to Hyun~
Chainsaw: *crying face*
Chainsaw: não acredito que seja você
Chainsaw: quero confirmação
Chainsaw: quero fotos
Chainsaw: aish. Quero ir aí, posso?
Chainsaw: e... você viu... televisão
Chainsaw: aish, não. Não vou falar por aqui
Chainsaw: por favor
Chainsaw: eu imploro
Chainsaw: deixa noona te visitar
HyunTaek: vir aqui?
HyunTaek: hmm
HyunTaek: Okay! Tudo bem!
HyunTaek: Você pode vir!
Kkt to Hyun~
Chainsaw: Eu tô desistindo de ser comportada e respeitosa pelo seu espaço
Chainsaw: Vou invadir seu apartamento hoje se você não me responder até
Chainsaw: daqui a duas horas
Chainsaw: hyun pleeease
Chainsaw: não some
Chainsaw: hyun
Chainsaw: eu não sei se
Chainsaw: *sad face*
HyunTaek: Mian~
HyunTaek: Eu tive alguns problemas com as minhas provas ㅠㅠ
HyunTaek: Você está bem, noona?
Para se responder uma pergunta não hánecessidade de palavras serem ditas ou frases elaboradas. Tampouco precisa dealgo sonoro ou movimento brusco, médio ou suave. Tudo que precisava era de umpadrão, o rosto livre de preocupações e tranquilo em suas feições, para servirde base de comparação. Com isso em mente, jogando internamente o famoso eodiado jogo dos sete erros, ChaeRin conseguia obter todas as respostas queprecisava. — Eu sabiiiii-iiiiiiia! —Cantarolouem tom de vitória, os punhos erguidos no ar em comemoração e o corpo gingandode um lado para o outro na sua famosa dança para as ocasiões. Claro que eramais rápida e energética na quadra de vôlei, onde cada ponto adversáriocombatido e cada enterrada do próprio time gerava uma comoção barulhenta eentusiasmante, porque o time precisava daquele ânimo para se manter na batalha,e conseguir o tão apertado set. Aqui,curtia mais um objetivo alcançado que nem sabia que tinha estipulado – o que,diga-se de passagem, era melhor ainda. —Ninguém resiste a um selca meu. Nem aos meus dedinhos nos cabelos. — Levantouas mãos, as posicionando abaixo do queixo, e agitou os dedos em aegyo, oslábios franzidos num biquinho de beijo.
É a segunda vez que você fala isso… Eu sou tão irritante assim? — Repetiçõeseram o mesmo que repreensões para os professores de ChaeRin, como se dissessemeu já te falei isso e não tenho o que falar mais, logo, repeti. Ou algo assim.Não que não acreditasse no garoto, não era isso, mas existiam outros elogios nomundo, mesmo para uma garota que não os aceitava muito bem – mas amavainternamente, se derretendo. — Boas vibes. Ótimas vibes. — Como responder àquilo sem mexer os braços comoondinhas? Os braços direcionados a ele e o sorriso no rosto. — Komawo,eu sou 100% eco friendly. Sempoluições, por isso é tão boa. — Visto que ele tinha se constrangido como comentário. A garota soltou um trocadilho pior ainda, encolhendo os ombroscomo se dissesse hey, todo mundo faz isso.— Hey, todo mundo faz isso. Podesoltar as abobrinhas, as vergonhas, eu não vou te julgar. Eu tenho cabelos verdes, eu falo coisas que ninguémespera. Eu não tenho muito esse poder, não é? — E mais uma porção deoutros muitos motivos.
A revolta de ChaeRin ao ter aquele momento quebrado não tinha nada denegativo. Era um aperto no peito, uma sensação de completude e odesaparecimento pela falta daquele caminho? Portal? Por dentro, ela bufoufrustrado, por fora e por dentro pedindo para agir como uma criança pequena epula em volta dele buscando o olhar, mas não. Ainda não, pelo menos, e essa promessa a mantinha ‘controlada’, oumelhor ‘domada’ de seus impulsos. —Chae. Rin. ChaeRin. Chae-Chae-ChaeRin. — O único legado dos pais que elatinha amor e orgulho em carregar, seu nome. O dinheiro, poder e fama só não totalmentedispensáveis porque precisava, necessitava de um deles para conseguir se mantersã. Se manter acima do limite que a colocava exatamente onde tinha estado anosatrás (se não já tivesse ultrapassado e não tinha percebido). Cantarolar aquelenome, do jeito que cantava com os amigos, trouxe lembranças agradáveis,cobertas com uma poeirinha de tristeza que ela logo tratou de espanar. Olhava opassado com ternura, os olhos bem treinados pulando o precipício que dividia osdois períodos felizes de sua vida. —Isso dói, sabia? Tenho cara de quê? 32? 64? 127??? — Fez tom de choro, orosto contorcendo-se numa careta de quem vinha lágrimas e mais lágrimas pelafrente. E o fingimento se foi, dando lugar a um rosto rosado e envergonhadorepetindo tudo o que tinha visto e percebido no garoto. Olhos longe, rostobaixo, timidez exalando por cada poro. —Aigo. Nee, sou sua noona, mas por bem pouco, viu! — Porque ficava tão alterada com isso tudo? Porquê? Uma coisa era ser chamada de unniepelas amigas da faculdade, chamar os amigos de oppa pela brincadeira, mas noona,por ele? — Eu quero te apertar, sonyon.— Controle-se, ChaeRin, ou o garoto vai sair correndo.
É agora. Aquele momento terrível deassassinato. — Hyun? — Murmurounum resquício de voz, alarmada demais para continuar a rir do jeito que tinhavindo. Ela provavelmente fez alguma coisa com o garoto para ter esquecido cooera ser humano, ou coisa parecida,mas igualmente importante. O pimentão a deixou assustada, pulando de leve comas reações tão extremas do menino. —Quer parar? — Reclamou em tom de brincadeira, mexendo os braços no arcomo se o cortasse com os antebraços. —Se você ficar assim toda vez que eu fizer alguma coisa, vou morrer depreocupação. Aish, eu vou parar devez, a culpa é minha mesmo. — Cruzou os braços à frente do corpo num xis,determinada a relaxar e sufocar essa parte expansiva de si até que ambosestivessem acostumados um com o outro. ChaeRin não era uma daquelas queesperava o mundo se adaptar a ela, muito menos impunha aquele lado constate e insistentementequando o outro não se sentia confortável. Continuaria com os detalhes, todavia,sorrindo e o trazendo para cada vez mais perto de uma naturalidade que ambos jádesenvolviam.
A boca estava aberta num protestopré-fabricado quando o calor do casaco a envolveu, calando-a completamente. Ocorpo tremeu ainda mais sob o tecido, conscientizando-a de todo o frio que ocorpo vinha suportando em silêncio. O protesto se foi dando lugar a um sorrisode quem estava muito, mais muito bem, aquecida e bem confortável. — Komawo.— Agradeceu informalmente, já o considerando como amigo – e nem teria o agradecido formalmente de qualquermaneira. A atmosfera a deixava manhosa, encolhendo o pescoço e fechando ocasaco ao redor do rosto, envolvida como estava pelo calor e um cheirinho bom. Tão bom. De sabonete e nuvens. Depoisdevolveria, pensou consigo mesmo, depoisde eu me aquecer só mais um pouquinho. —Te mando mensagem mais tarde pedindo o contato. — O assunto voltou emorreu ali simplesmente pela menção de psicóloga. Esses profissionaisassustavam a garota e longe dela querer explorar o motivo dele ter uma assim,tão próximo. — Eu sou obrigada a frequentar as aulas do curso de Administração naFaculdade se isso responde a sua pergunta. — Falu mal-humorada, revirandoos olhos e soltando um muxoxo. — Nadacontra o curso. Tudo contra o motivo de estar nele, o que é uma looooongahistória. Que pode ser contada num café com bolinhos na minha casa. Ofertas portempo limitado, aproveite essa oportunidade. Além de você poder me explicarcomo nunca te vi pelo campus antes. — A voz de locutora e o sorrisoartificial completando o anúncio típico da TV.
A caminhada era curta até o condomínio,mas ChaeRin não aguentou muito para se agoniar com a injustiça de seu egoísmo.Já estava bem aquecida e ele, com a blusa curta, deveria estar sentindo osefeitos do frio. — Aigo, veste isso de volta. — Agarota de cabelos verdes passou os braços deles pelas mangas do casaco,cuidando com a guia no processo, terminando por se enfiar embaixo de uma dasabas, o braço envolvendo-o pela cintura. —Última vez, eu prometo. Só deixa eu te deixar em casa e eu parto pra minhacorrendo.
O rosto de Hyun mais uma vez ganhou aquela coloração avermelhada. E de quem mais poderia ser a culpa se não daquela estranha que tinha o conquistado logo de primeira? O fato dela estar comemorando por ele ter admitido que ficara feliz ao tirar as fotos, havia o encabulado bastante. E por alguns segundos ele se perguntou se não teria sido errado falar aquilo. Contudo, o rapaz acabou deixando aqueles pensamentos negativos de lado e sorriu de orelha a orelha, contagiado com toda aquela alegria que a garota tinha. Observou os cabelos esverdeados serpentearem enquanto ela balançava de um lado para o outro quase que hipnotizado pela energia dela. Ela era única. Nem mesmo a sua irmã, que era louca por natureza, conseguia ter tanta animação quanto a outra parecia ter, e aquilo o surpreendera bastante. Nunca tinha encontrado alguém que superasse a Hyomin em termos de “surtos”.
Como quase todas as vezes em sua vida, o momento de felicidade foi embora, dando lugar a um nervosismo. Os lábios se entreabriram com a astúcia da garota ao fazer aquela pergunta e ele sentiu um calafrio percorrer pelo seu corpo. Ela tinha entendido ele completamente errado e aquilo foi um soco no estômago dele. - Aah, Desculpa. E-eu não… Não f-foi isso que eu quis dizer. - falou, amaldiçoando a si mesmo em seus pensamentos. Por que sempre tinha que ser tão sem jeito. - Eu não sou muito bom com palavras. - admitiu, coçando a nuca, dando um sorrisinho amarelo. - O que eu quis dizer é que… você me faz sorrir. E isso nunca foi algo muito fácil. - mordeu o lábio, sentindo que falava um pouco mais que deveria. Fechou os olhos por alguns segundos e respirou fundo, logo voltando ao normal ao escutar aquele discurso cheio de trocadilhos engraçados dela. E novamente lá estava ele, completamente relaxado, rindo junto à ela. Quem conhecesse Hyun e visse aquela cena, nunca acreditaria. Mas o que ele poderia fazer se ela o fazia se sentir tão confortável?
A seriedade volta ao rosto do rapaz quando ele percebe a ligeira mudança de comportamento dela. “Será que eu fiz alguma coisa de errado?” Ele se perguntou com o cenho franzido pela preocupação. Ao mesmo tempo, todos os momentos em que chateou alguém por causa daquele seu jeito estranho passaram pela sua cabeça. E eles eram extensos. Aparentemente, as pessoas odiavam o fato dele ser tão calado e sério. O medo, então, nasceu em seu peito. Ela era tão extrovertida, como iria suportar alguém tão silencioso e problemático como ele? Aquelas questões internas só se acalmaram mesmo quando ele escutou a brincadeira jovial e fofa da garota com o próprio nome. - Chae-noona – soltou em um sussurro após ela terminar de cantarolar, se sentindo confiante o suficiente com ela para lhe dizer aquilo.
E então, mais uma vez, a garota demonstrou não ter entendido o que ele havia falado, fazendo com que Hyun se sentisse sem jeito pela sua falta de papas na língua. “Aish… A psicóloga faz essas coisas parecerem tão fácil. Por que não é assim?” pensou, completamente frustrado com aquele seu jeito de falar esquisito. Respirou fundo, tentando encontrar palavras que expressassem o que ele queria dizer, até que algo não muito estranho veio à sua mente. - São seus olhos, noona. Só de olhar para eles, dá pra perceber que você já passou por muita coisa. - ele disse e mais uma vez voltou a encarar aqueles olhos castanhos, acabando por se perder ali novamente. Ela realmente parecia já ter passado por muita coisa e ele não estava falando de coisas tão boas assim. Por trás de todo aquele calor que seus olhos transmitiam, existia certa melancolia, tristeza e ele não sabia ao certo o que era. Quando percebeu que já estava começando a ficar estranho demais aquela situação dele a encarando, soltou um pigarro, como se tentasse acordar a si mesmo de seus devaneios, e desviou os olhos para baixo, encabulado.
-Ah… Mas se você se incomodar muito, eu posso não te chamar de noona, já que a nossa diferença de idade é pouca! - sugeriu tentando confortá-la, vendo que provavelmente aquilo que ele falara sobre ela ser “velha”, tinha a incomodado um pouquinho. E ele sabia muito bem como era isso. Sua tia mesmo, detestava ser chamada de Noona ou de Unnie pelos seus dongsaengdul. Seus olhos então se arregalaram e Hyun se sentiu nervoso. Apertar? Ela disse mesmo aquilo? Seu rosto ficou ligeiramente avermelhado e ele mordeu o lábio sem saber ao certo o que responder. Não era que não gostasse daquilo, pelo contrário, ele sabia que de uma forma ou outra, estava sendo chamado de fofo. Isso realmente o deixava sem palavras. Para não fazer a garota se sentir de nenhuma forma desconfortável pelo seu silêncio, o rapaz riu e de uma maneira fofa não muito proposital falou: - Anieyo!
Hyun se sentia agoniado com aquilo. Sério, o que tinha de errado com ele? Por que ele sempre fazia as pessoas agirem daquele jeito com ele? Olhou para o chão com as mãos fechada em punhos. Sentia uma certa raiva de si, por não conseguir fazer os outros lhe entenderem, ou melhor, por não conseguir fazer ela lhe entender. Chaerin estava sendo amável e legal com ele de uma forma que nunca ninguém (sem falar em sua família e sua psicóloga, é claro) fora. E a forma da garota tratar ele estava lhe fazendo bem, ele sentia aquilo. Tão bem que ele desejava corresponder aquilo da mesma forma, na mesma intensidade, mas era uma tarefa bem difícil para alguém que nem sabia como se socializar direito. - Você não precisa parar. É só que… é um pouco difícil para mim, noona. Eu não estou acostumado a esse tipo de coisa. - suspirou e olhou nos olhos dela, lhe pedindo desculpas de maneira silenciosa.
Sua atenção então foi desviada para o discurso da garota a respeito do que ela fazia de sua vida e ele então compreendeu por que ela tinha ficado tão séria de repente. Várias questões foram levantadas em sua cabeça e ele iria externá-las se não fosse interrompido por uma sugestão que a garota dera logo em seguida. As palavras dela foram como uma injeção de ânimo e auto-confiança. Então ela queria mesmo se encontrar com ele novamente? - Er… Eu posso levar os bolinhos, se você quiser. Eu arrisco algumas coisas na cozinha. - não sabia o porquê, mas apenas soltara aquilo com uma alegria sem igual estampada em seu rosto. Porém, quando toda aquela euforia passou, Hyun se lembrou de uma coisa, que fez toda a alegria ir embora num passe de mágica; a pergunta indireta sobre a universidade. O rapaz abaixou a cabeça e suspirou, sem saber ao certo como contaria aquilo para ela. Sentia tanta vergonha e tristeza ao falar sobre aquele assunto, sobre as suas condições… Chaerin nunca havia visto ele no campus antes, por que o rapaz ainda não tinha completado o ensino médio. E tudo culpa da montanha-russa de emoções que tinha passado nos últimos anos e que tinha o levado exatamente a aquele ponto.
Durante a caminhada, manteve-se cabisbaixo, ainda sentindo certa melancolia por ser tão atrasado daquele jeito. Até que ele sentiu o casaco ser colocado nele de novo. Franziu um pouco o cenho, preocupado com ela, mas resolveu não pestanejar muito visto que logo em seguida ela deu um jeito bem criativo de não passar tanto frio assim. Inconscientemente, Hyun passou a mão pelos ombros da garota e a puxou para mais perto, sentindo um estranho conforto com toda aquela situação. - Okay. Mas da próxima vez, se eu te der o casaco, você fica com ele, tudo bem? - virou a cabeça para olhar para ela e só então percebeu o quão eles estavam próximos um do outro. Desviou o rosto quase que imediatamente, sentindo ele esquentar como nunca. Tudo o que ele conseguia pensar era que daquele jeito os dois estavam parecendo um casal de verdade e ele ficou um tanto que encabulado com aquilo. Entretanto, nenhum esforço da parte dele foi feito para cessar aquele contato. - Você disse que morava em uma das mansões... Ela é muito grande? - perguntou com uma certa curiosidade brilhando em seu olhar. - Eu acho que nunca conseguiria morar em uma casa muito grande. Deve ser assustador durante a noite, não?
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O alívio claro e estampado no rosto do menino fez HooJin relaxar, mais acostumado à companhia do outro, que só queria sua mochila afinal. Seu dedo latejando o lembrou que entraria em encrenca, e deixou os olhos caíssem até o machucado, uma pequena marca que havia ralado o dedo, o local vermelho mas sem sangue aparente. Menos mal, pensou ele. Balançou a cabeça, dispensando o agradecimento, visto que ele não fizera nada em realidade, apenas entregara a mochila. Mas curioso do jeito que era, HooJin não podia deixar uma oportunidade daquela passar. Apontou para a mochila do garoto, lembrando do peso que sentira quando a carregou. Você… tem livros aí dentro? São de que? Aquela curiosidade… ele tinha que controlá-la, mas era de livros que estavam falando e ele gostava de livros. Pegou o que estava lendo e mostrou a capa. Um livro bem esquisito que HooJin pegou apenas por causa da capa, que lhe chamara atenção. Mas o conteúdo não conseguia lhe prender a atenção visto que qualquer coisa lhe tirava atenção. Hey hey, tudo está tranquilo, sem medo de morrer, por favor. Ele mascou o chiclete, exibindo um sorriso largo para o outro.
Agora um pouco mais aliviado com o seu achado, Hyun pôde observar o estranho com mais atenção e mais curiosidade. Por alguns instantes havia parecido que ele estava meio que tenso com a presença dele ali, mas aquela tensão tinha sido tão rápida que o moreno acabou achando que era apenas coisa de sua cabeça. Imitando o gesto do outro, ele voltou a atenção para onde ele olhava; a mão dele, acabando por prender a respiração ao observar que ela estava machucada. Era muito fácil perceber que Hyun tinha um sério problema com sangue e machucados. Desde que o acidente acontecera, o rapaz não conseguia olhar para nada daquilo sem ficar sem ar ou sentir seu estômago revirar. Tudo culpa daquelas lembranças cheias do vermelho, tanto da raiva quanto do sangue, que sempre vinham lhe atormentar. Mesmo que naquele momento o machucado não tivesse nenhuma premissa de que iria sangrar, apenas a vermelhidão já o deixou parado, com respiração ofegante e olhos um tanto que vidrados. O que conseguiu tirar o rapaz daquele mini-transe foi a pergunta do estranho. Respirou fundo, tentando parecer que estava bem e lhe respondeu de maneira educada, segurava a menor das duas alças da mochila com as duas mãos, estabilizado ela em frente às suas duas pernas. - São alguns livros e cadernos da escola. - comentou e acenou que sim com a cabeça, tentando dar mais credibilidade ao que dizia. A maior preocupação que tinha em perder sua mochila eram aqueles objetos, já que os livros eram bem caros e perder os cadernos seriam quase que um dano irreparável. Não pôde evitar ficar surpreso quando viu o livro que ele estava lendo e arregalou um pouco os olhos. - Esse livro é bem bacana! Ele até está na minha lista de livros para ler! O que você está achando dele?
ChaeRin não era nenhuma médium renomada com poderes superdesenvolvidos e um sexto sentido melhor do que as crianças nos filmes de terror. Muito menos era uma daquelas que olhava para pessoa e soltava a máxima de Edward Cullen sobre: você é um livro aberto. Ou tinha sido a Bela?A garota estava longe de reconhecer cada mudança facial do garoto ao lado pelo canto dos olhos, mas sabia um pouco. Bem pouco. O suficiente para colocar nela e na personalidade descontrolada que suas palavras eram mais sentidas por ele eque teria que tomar cuidado. Se um pequeno elogio era capaz de pintá-lo de uma suave cor rosada, imagina quando chegasse perto para um beijo. Ou um contato mínimo que sempre fazia, e meio que necessitava, para conferir se estava mesmo junto de si. ChaeRin pegava aqueles momentinhos com o sorriso muito contido no rosto,para não assustá-lo, os olhos castanhos brilhando com a energia interna imensurável. Veja, está tudo bem.Queria pegar na mão que ele sempre deixava fora do alcance para complementar,mas se manteve. Absteve-se. Entristeceu-se. — Elas ficaram realmente boas,ok? Longe de mim querer que parecêssemos um casal saído do Dog’s Health com aqueles sorrisinhos falso. — Ergueu o celular bem perto do rosto dele, atela quase tocando o nariz alheio. O indicador e o polegar abriram a imagem,aumentando o zoom. — Posso ser meio boba, mas eu tenho certeza de que você ‘tava feliz nessa foto. Mesmo com acarinha de quem foi pego no flagra… gostando de alguma coisa. — Provocou de leve, dando uma piscadinha marota em sua direção.
Se as mãos estivessem livres os dedos estariam contorcidos, bem presos num punho fechado e constrito. Seu impulso,seu desejo, era apertar aquele rosto redondo e tímido, de esmagar e usar como massinha de modelar. A vontade reprimida era tão forte que talvez, uma leve probabilidade, seu rosto transmitisse isso numa careta engraçada – logo disfarçada num sorriso de animação acompanhado de pulinhos no mesmo lugar. — Vizinho! — Ela bateu as palmas juntas, a animação percorrendo o corpo com uma onda de calor, aquecendo-a por dentro momentaneamente. Pensar que podia deixar o cachorro solto no condomínio e ele encontrar a amiguinha por conta própria era bom demais para seus planos –se o garoto se mostrasse realmente tímido e ela quisesse visita-lo nos momentos mais oportunos. Com cuidado, Chae tocou a ponta do queixo dele e levantou seu rosto, para que ambos pudessem se ver. —Ei, eu também esqueço o tempo todo, sabia? E olhe que eu praticamente nasci aqui. Só sei dizer mansão 17 do condomínio e todo mundo me entende. — Os dedos desconectaram do queixo com os ombros sendo encolhidos e as mãos levantadas num ‘vai entender’.ChaeRin o olhou com os olhos arregalados de surpresa, pegando o celular dele nas mãos como se fosse um tesouro muito precioso. — Isso é sério mesmo? Você, menino tímido coisa fofa, me dando o seu celular desbloqueado? — Acriança interior soltou um gritinho animado, os dedos da garota trabalhando para acrescentar todas as informações necessárias.
ChaeRin se encolheu para longe do garoto, as costas dadas para ele enquanto protegia o celular com o corpo. Não só mandou as fotos para ele como colocou a dos dois, a que ele estava mais ‘solto’,como a sua para chamadas. — Não ouse me interromper, mocinho! — Trocou capa de fundo, tirou uma foto discreta dos dois cachorros brincando, colocou em todos os cantos as fotos tiradas naquele dia. Kakao, wallpaper, o que podia sem prejudica-lo muito na hora de trocar. — Gong ChaeRin. 20 anos. E o endereço eu já falei. — Inconscientemente. Um pouco. Afinal, sua família tinha nome e não escondiam onde estavam para receber os novos, velhos e eternos baba-ovos. A última foto, a melhor, aquela que ela iria tirar só por… prazer?Ver até onde ele iria chegar naquele tom vermelho pintando as bochechas. Virou o corpo, para entregar o celular e se esticar para ele, mas o garoto estava perto demais. Provavelmente tentando pegar o celular de volta depois desse tempo todo distraída. A garota de cabelos verdes sorriu, esticou o braço do celular para o lado – a câmera virada para os dois – e franziu os lábios num biquinho, pressionando-o na ponta do nariz de Hyun. — Ya. Essa vai estar melhor ainda! Me manda? — Como tinha sido invasiva, deixaria o destino da foto nas mãos dele, em sinal de…consideração. Mas não de arrependimento.
Estava parada a tempo demais com roupas que não eram apropriadas. Acorrida mantinha aquecida, o cachorro esquentava a pele das pernas descobertas.Agora? Nada mais do que alguém que tinha acabado de conhecer e que,secretamente, já colocava embaixo do braço e dentro do peito. ChaeRin soltou uma risada e balançou a mão num gesto de deixa pra lá. — A brisa me pegou de jeito agora. Já já passa. — Lambeu os lábios, que começavam a fica secos, puxando as mangas do casaco para cobrir as mãos. — Eu estou voltando para o condomínio, quer vir junto? — O indicador saiu pelo buraquinho na manga,o dedo apontando para o caminho de volta e o biquinho de quem pede – pede não – implora, por uma companhia.
Hyun soltou um riso sem graça quando a garota elogiou suas fotos, mas logo olhou para os lados, umedecendo os lábios. A insegurança que sentia a respeito de si mesmo era nítida. Nada do que a garota falasse sobre ele, o faria mudar aquela opinião que tinha a respeito de si mesmo. Aquele era um sentimento que já tinha se infiltrado nos buracos mais profundos de sua alma e que tão cedo e tão fácil não sairia dali. Quando a sensação se esvaiu, não muito tempo depois, ele voltou seus olhos para ela e passou a lhe encarar de uma maneira mais direta e mais avaliadora. Ela tinha uma beleza, uma aura diferente da que as outras garotas que ele conhecia tinham. Talvez fosse o seu cabelo verde, talvez aqueles sorrisos exuberantes que ela parecia dar periodicamente. Ele não sabia ao certo o que mas algo naquela garota chamava a sua atenção. Mordeu o lábio inferior e desviou o olhar, com certo medo irracional de que ela pudesse ler mentes. Não que ele estivesse com pensamentos impróprios na cabeça, é claro.
O comentário e a piscadela que ela deu para ele, seguidos um do outro, voltaram a atenção do menino para ela novamente. Seu rosto ganhou uma cor mais avermelhada e ele fez uma leve careta, ao mesmo tempo em que sorria timidamente, como se tivesse sido pego no flagra. Não era fácil protestar contra as palavras quando as evidências do que ela falava estavam bem diante de seus olhos. Qualquer pessoa que fosse mais íntima de Hyun teria a mesma impressão que a garota teve dele naquela foto. - Você é engraçada. - repetiu mais uma vez naquele dia para ela de uma maneira bastante infantil. Entretanto, dessa vez, aquilo não era apenas um elogio, como também uma justificativa. - E sua energia… Hmm, ela é boa?! - fez uma careta e soltou todo o ar que prendera antes de falar aquilo. Se sentia um babaca por ter tanta dificuldade em expor seus pensamentos e sentimentos. Mas tudo pra ele era tão confuso… As coisas só faziam sentido mesmo em sua cabeça.
Saber que a garota morava no mesmo lugar que ele, até tinha lhe deixado tão animado quanto ela. A ideia de que poderia ter uma amiga com quem conversar e sair era atraente de uma maneira bem estranha. Porém, ainda que a alegria vibrasse em seu peito, sendo contagiada pela dela, Hyun ainda se sentia um tanto que chateado por não conseguir lembrar o nome do lugar. Poderia até ser uma besteira para alguns, mas para ele não era. Não quando algo como aquilo estava começando a prejudicá-lo e a fazer se sentir ainda mais louco. Tudo mudou no momento que ele sentiu o toque de Chaerin, levantando o seu rosto para que ele pudesse encará-la melhor. Se estava envergonhado? É claro que estava. Para o rapaz era estranho olhar nos olhos de alguém. Ele sentia que podia enxergar a alma da pessoa e aquilo lhe parecia bastante assustador. Mas, daquela fez foi diferente. O calor e a compreensão dela eram tão palpáveis que toda aquela insegurança que ele sentia por trás daquele gesto sumiu e tudo o que restou em sua cabeça foram aqueles olhos castanhos e uma palavra que a definia bem; Sol. O conforto que aquela estranha lhe transmitiu tinha sido tão forte, que ele se recuou um passo, desviando o olhar. Aquilo tudo era muito estranho pra ele.
Ainda atordoado pelo estranho momento que compartilhara com ela, Hyun não tinha percebido o que fizera, até perceber o repentino afastamento dela e uma aura bastante empolgada exalar dela. Sentiu-se confuso com o que estava acontecendo e por curiosidade tentou se aproximar, perguntando a si mesmo o que ela iria fazer com o aparelho. Antes que pudesse dar um passo a mais para espiar as peripécias dela, escutou o seu tom severo e observou o seu gesto mandão, acabando por se afastar assustado. - Chaerin… - repetiu de uma maneira infantil quando escutou o nome dela pela primeira vez. - Mas você parece ser muito mais velha que eu… - seu tom era inocente e o rapaz não se tocara do quão indelicado poderia estar sendo por ter lhe falado aquilo. Contudo, ofender não era a intenção dele. Era só que, os olhos dela pareciam ser tão maduros que ele realmente havia se surpreendido com aquela resposta. - Você é minha noona então. - murmurou e deu um sorrisinho envergonhado ao pronunciar aquilo. Aqueles honoríficos sempre lhe eram tão estranhos, apesar de conviver com eles por tanto tempo…
Fez menção de pegar o celular das mãos dela, quando sentiu o beijo molhado em seu nariz e ouviu mais um clique. A princípio, ele ficou branco como papel, sem saber o que fazer. Sem muita demora, a cor voltou ao seu rosto em porporções exageradas até mesmo para ele. Hyun nunca tinha ficado tão vermelho quanto naquele momento. Mordeu o lábio com força e olhou para os lados, nervoso com todo aquele momento, sentindo a adrenalina pulsar em suas veias. Até mesmo depois de seu afastamento, ele ainda estava em choque, agora com o celular em mãos. Estava tão surpreso com a atitude da garota que a curiosidade de ver o que ela havia feito com o seu celular fora pro espaço e ele permanecera parado até escutar o pedido da garota. Acena que sim com a cabeça, respondendo à ele e tenta recobrar a respiração que ainda estava completamente descompassada pela atitude anterior dela.
Logo, voltou ao normal por completo e passou a prestar mais atenção na garota de cabelos verdes. Ela era mesmo alguém ímpar. Riu baixo, encabulado com a própria relação em meio a aquilo tudo e negou com a cabeça, se perguntando quando iria conseguir ser normal. No momento em que ela confirmou suas suspeitas, Hyun, sem nem pensar duas vezes, retirou o casaco que usava e colocou em volta dos ombros dela. Não estava muito agasalhado por baixo; usava apenas uma camisa de manga curta, mas levando em conta de que ele sabia que era mais resistente ao frio que ela ele achou que aquilo era o certo a se fazer. O moreno sorriu e começou a andar em direção ao condomínio, dando uma resposta silenciosa à ela. - Ah, aquela pergunta que você me fez sobre os pais da Nun, bem… Eu não sei ao certo, mas posso perguntar à minha psicologa sobre eles. Foi ela quem arranjou a Nun para mim. - lembrou-se do que ela havia perguntado outrora e achou melhor respondê-la para não parecer mal-educado. O silêncio, ao menos da parte dele, voltou a reinar ali enquanto eles se dirigiam ao prédio. O rapaz travava uma batalha mental a respeito do que perguntar para ela, quando alguma coisa legal passou pela sua cabeça. - Você estuda?
diamondxgirl:
& Ela é muito fofa sim, ela é filhote ainda? & Seu amor por animais sempre superava qualquer coisa que pudesse ser mais importante. Não sabia onde tinha começado aquele amor, mas sempre se lembrava de que, quando sua família ia a piqueniques ao ar livre, ela sempre alimentava os esquilos com nozes, sempre deixava um pedaço de maçã para os pequenos passarinhos que os visitavam pelo cheiro. Talvez fosse porque eles não falavam como as pessoas, por isso mereciam um cuidado maior, ou apenas porque eram tão adoráveis. Igual à cachorrinha à sua frente. Aelin sabia que deveria conversar olhando para o garoto, mas queria ficar atenta à pequena bolinha de pelos que estava no chão, parecendo pronta para fazer alguma travessura.
Ela riu quando o ouviu falar do hobbie da cachorrinha e fez uma caretinha para a mesma, logo voltando a levantar os olhos para olhar o menino. & Ela tem cara de ser sapeca, mas deve ser uma bebezona. Queria poder ter um filhote, de qualquer raça, mas não posso. & O rosto baixou e ela sorriu apenas com os lábios para a filhote, porque lembrar que nunca poderia ter uma só pra si era triste. Balançou o chaveirinho na mão, pensando no sorriso da irmã ao receber o presente e só aquilo foi suficiente para o sorriso voltar a seu rosto e ela, quando o ouviu, balançou a cabeça e as mãos em negação. & Não precisa! É super sério. Eu peço desculpas por ter sido desatenta e não ter prestado atenção, já que se sua cachorrinha engolisse isso, ela passaria mal. Me perdoe, de verdade. &
A possibilidade de ter machucado um ser tão inofensivo e tudo por causa de sua falta de atenção, deixava Aelin profundamente preocupada. & A culpa foi minha okay? Não se preocupe. Mas… você está indo passear com ela? Quer companhia? Prometo que eu só acompanho você, nem falarei nada mesmo, pra não atrapalhar. Posso até andar um pouco afastada e nem vou mexer com sua cachorrinha, prometo. & Começou a falar, somente parando quando faltou ar e fez uma caretinha, sabendo que tinha falado demais novamente. Mas ela estava animada e era a única coisa que podia fazer por quase ter feito a bolinha de pelos passar mal. Olhou para o garoto, juntando as mãos debaixo do queiro e apertou os olhos num eyesmile. & Por favorzinho? &
-Sim. Ela tem só quatro meses de idade. Chegou em minha casa há pouco tempo. - foi quase impossível para o garoto não sorrir, quando seus pensamentos vagaram até os primeiros dias com a cadelinha. De início ficara bem receoso, culpa de seu medo de cachorros. Chegava até a se afastar com a mínima aproximação de Nun e até mesmo se trancou em seu quarto, longe dela, com o seu receio palpitando mais que nunca. Aos poucos o carisma e o jeito fofinho do animal foram lhe ganhando até que os dois estavam ali mais juntos que nunca. Eram tão ligados que sair sem ela estava começando a se tornar uma tarefa bem difícil. Ela era o seu ponto de apoio, o que lhe deixava seguro. Era ela quem sempre lhe distraía de todos os seus pensamentos ruins e ele a amava quase o mesmo tanto que amava a sua irmãzinha mais nova. Hyun riu baixo com o que estava pensando e negou com a cabeça.
Ah… O poder que filhotinhos tinham. Hyun tornou a encarar a garota e lá estava ela, mais uma vez, olhando para Nun. Era quase que assustador perceber que ela olhava mais para o filhote que para ele. Se perguntou o porquê de tantos olhares voltados para ela. Será que a menina estava mesmo planejando roubar Nun? Por um instante, ele se sentiu tão incomodado que teve o impulso de pegar a cadelinha e sair correndo dali. Logo, tomou controle de si novamente e afastou aqueles pensamentos. Ela deveria estar apenas encantada com a fofura da cachorrinha. Mais nada. - Sapeca? - bufou, dando um sorriso sarcástico. - Ela só tem a carinha sapeca mesmo. Está mais para demoniozinho em forma de cachorro que não me deixa dormir à noite por que gosta de morder o meu pé. - reclamou, dirigindo um olhar reprovador à cachorra, logo soltando um curto riso tímido. Quando a garota falou que ela não tinha nenhum animal, Hyun piscou os olhos finalmente entendendo o porquê de tantos olhares e se compadeceu um pouquinho. Ela provavelmente tinha muita vontade de ter um animal como ele tinha, mas por algum motivo não podia. Franziu o cenho, um pouco pensativo, mas logo não conseguiu conter a curiosidade e lhe perguntou: - Você tem algum tipo de alergia a pelos? - sabia que aquilo não fazia muito sentido, já que assim que eles se encontraram a primeira coisa que ela fez foi pegar o animal no colo. Porém, o que o garoto realmente queria saber com aquela pergunta era o motivo dela não poder ter nenhum filhotinho, visto que tinha se comportado de uma maneira tão amorosa com Nun.
- Hey! Calma. Não se preocupe. Foi só um pequeno acidente. Eu também deveria ter prestado mais atenção no que ela estava fazendo. Eu que peço desculpas pela minha distração. Custou a vida do seu bloco. - deu um sorriso amarelo, estendendo as duas palmas para a garota, como se tentasse a acalmar com aquele gesto. Então as perguntas lhe atingiram em cheio e Hyun engoliu em seco. Geralmente, não se sentia muito confortável com mais alguém acompanhando os seus passos e os de Nun. Era o único tempo que tinha para relaxar e a presença de pessoas, seja quem fosse, muitas vezes não permitia aquilo. Por um segundo, o rapaz pensou em negar o pedido dela. Porém, quando seus olhos se encontraram com aqueles enormes olhos castanhos que lhe imploravam pelo contrário, ele acabou cedendo. Afinal de contas, seria egoísta da parte dele não deixar a garota se juntar à ele, não? - Tudo bem. Você pode vir, com a gente. A menos que tenha a intenção de roubar ela. Se tiver, eu não me responsabilizo pelos meus atos. - falou num tom sério e brincalhão ao mesmo tempo, o mesmo que sempre usava com sua irmã mais nova quando queria perturbá-la, acabando por soltar uma leve risada.