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✖ take you away ✖ jaerin
thefuckeddevil:
Jaehyun teve momentos em que quis matar alguém, inúmeros, nos quais até mesmo tentou cometer tal ação apenas para se dar conta de que estragaria seu futuro por míseros segundos de auto satisfação e vingança. Então ele aprendeu que, tudo devia ocorrer por debaixo dos panos, para que assim ele não viesse a se dar mal e ainda podia ter a vingança que queria. E a partir de certo período de sua vida, todas as pessoas que realmente o tiravam do sério e o faziam sentir acessos de raiva, teriam uma conversinha com ele em algum lugar isolado. Não que ele tivesse realmente matado alguém antes, mas talvez, só talvez, devesse começar. Ouvir um nome saindo da boca de Chaerin e das coisas que se seguiram depois, fizeram Jaehyun sentir um ódio que nunca havia sentido antes. Não achava que pudesse sentir mais raiva do que quando descobriu o motivo de seus pais e seu avô quererem casá-lo. Mas naquele momento, vendo a única razão de seu contimento, contar as atrocidades feitas com ela, Jaehyun soube que aquele era o momento em que sua raiva havia atingido o ápice. Quis fazer muitas coisas enquanto ela ainda falava: quis gritar, rugir, destruir tudo que via pela frente e quis matar a pessoa chamada Goyaghan. Mas tudo aquilo teria que esperar porque o que segurava nos braços era mais importante do que qualquer outra coisa ou sentimento que pudesse estar sentindo. Jaehyun nunca achou que saber a verdade sobre determinada coisa pudesse ser algo tão destrutivo. Mas foi naquele momento que ele jurou a si mesmo que nunca mais a deixaria sozinha. Dane-se que ainda não eram casados, ele a tiraria dali naquele mesmo dia. Devolveu o aperto que tinha nela assim que sentiu o dela e moveu seus dedos de forma consoladora, ou assim achava, nas costas da noiva. ✖ Shh, eu não vou deixar você. Você nunca mais vai estar sozinha, Chae. Nunca mais. ✖ Era uma promessa que manteria até o último dia de sua vida. Passaria uma semana em casa com ela, cuidando e a amando como ela merecia, mostrando a ela que ele estava ali para o que ela precisasse. Antes disso porém, ele precisava conseguir uma das mansões para que se mudassem. Tirou o celular do bolso e ligou para a pessoa que resolveria as coisas para ele e não precisou de explicações, apenas fez solicitação e recebeu a resposta. Mansão 27 era agora seu novo endereço.
Afastou-se de Chaerin apenas para que pudesse olhá-la e, mesmo que ainda doesse ver sua flor favorita tão murcha, isso não diminuiu em nada o que sentia por ela. Deu um sorriso de canto, na intenção de passar o conforto de que as coisas ficariam bem com ela, e segurou seu rosto nas mãos. ✖ Vamos sair daqui? Eu preciso que você me ajude a arrumar algumas coisas suas, até… até sairmos para fazer compras. Novas roupas, novo tudo, ok? Temos uma casa agora, não é uma maravilha? Eu e você e Salt. ✖ Tentou alargar o sorriso para fazê-la pelo menos sorrir, para que alguma luz voltasse à seus olhos novamente. Levantou-se, prometendo que não iria embora, e com a ajuda dela, recolheu roupas, pertences e tudo que ela fosse precisar, resultando em duas malas grandes. Usou o celular novamente para ligar para um empregado, um que estava sempre em plantão e deu o endereço, esperando que ele chegasse ali em menos de dez minutos. Foi o tempo que precisou para tirar seu sobretudo e colocar sobre Chaerin, colocando óculos escuros no rosto dela para lhe poupar falatórios e a levantou consigo. Quando Mark chegou, com a mãe de Chaerin logo atrás parecendo ofendida e pronta para perguntar algo, mas ele a poupou do trabalho. ✖ Chaerin não vai mais morar nessa casa. Eu estou a levando daqui porque você obviamente não sabe cuidar da sua filha. Ela não vai voltar, fique ciente. Se quiser conversar comigo, sabe meu número, mas por favor, não envergonhe a si mesma fazendo escândalos. ✖ A dureza crua de suas palavras eram motivadas pelo ódio gelado que tinha em direção àquela mulher, por tratar Chaerin do jeito que tratava e por não prover ajuda quando ela mais precisou. Assim que chegasse na mansão, ligaria para Woobin e JiHyeon, as duas pessoas que precisavam saber o que estava acontecendo e o que mudaria. Depois mais ele faria os arranjos necessários para assegurar a segurança dela, porque o que faria depois dali seria algo muito, muito perigoso. Mas Jaehyun iria até os confins da terra para encontrar o culpado e fazê-lo pagar. E como o faria pagar, ele pensou infeliz. Indicou com o queixo as duas malas e viu Mark as arrastando. ✖ Vamos Salt, nós iremos fazer um passeio longo. ✖ E assim que pegou Chaerin no colo, saiu do quarto dela e da mansão que tanto parecia uma prisão em vez de casa. Segurou Chaerin tão ternamente que pôde inclinar o rosto para sussurrar pequenas palavras a ela, a assegurando de que tudo ia ficar bem, que ele a admirava, que a amava mais que tudo. E quando entrou no carro, com Salt no banco ao seu lado e Mark no banco de motorista, Jaehyun sabia que as coisas iriam tomar um rumo drástico a partir dali. ✖ Mansão 27, Mark. E obrigada por ter vindo rápido. ✖ Claro que dentro do condomínio não se podia correr, mas a chave estava em sua mão assim que saiu do carro com Chaerin ainda em seu colo, sete minutos depois de eles saírem da antiga casa de sua noiva. E ao entrar na mansão, pôde finalmente soltar o suspiro que havia ficado preso, sentando no sofá da sala com Chaerin em seus braços. Fechando os olhos por algum momento, ele se deixou levar pela simples ideia de que ela estava segura ali, com ele, e naquele momento, isso era o que mais importava.
Chaerin nunca seria capaz de sentir o mesmo que as palavras de Jaehyun apontavam tão ternamente. Não conseguiria entender essa resolução dos problemas com a mudança veloz da expressão de seu rosto, da raiva mistura de um sem número de emoções, carregadas em telefonema que ouviu atentamente. A jogadora estava adormecida, ou melhor, dormente em seu próprio corpo, olhando a tudo como aquele filhote numa pet shop. Nada o atingia, nada chegava perto o suficiente, mas alguma coisa aconteceria se continuasse a prestar a atenção com olhos incapazes de piscar. Confessar não trouxe o alívio do dia da revelação do vício porque trazia algo pior aninhado com a suavidade analítica de sua descrição. Porque estava contando para alguém que não queria resolvendo esses tipos de problema. Lembrou da sala bem decorada, das mãos apertando seus pulsos e os nomes de seus amores sendo ditos um a um, prolongando o terror absoluto e combustível para sua imaginação. Preferia levar a culpa de uma armação inteira a cogitar a possibilidade de ver um deles perto do chefe, sequer respirando o mesmo ar tóxico de sua presença. E para completar, encimando o bolo com uma bela cereja, tinha consciência de que qualquer pedido seu seria em vão. Do mesmo jeito que uma esposa implora para o marido ficar em casa e não atender a chamada de emergência do trabalho como médico. Chaerin precisava pensar numa solução e quanto mais rápido chegasse a tal, menor seria o sofrimento que se auto infligiria com demora indefinida. Jaehyun não sabia que seus dedos apontavam para roupas que não usaria nem tão cedo, estas ainda com a etiqueta (simbolizando a tentativa de colocar um pouco do seu gosto nas regras impostas pela mãe tirania). Jaehyun não sabia que seu silêncio era contemplativo, o oposto da língua esperta pronta para rebater as tentativas da matriarca em decadência poderosa. Seus braços queriam o noivo perto, entrelaçando no pescoço e acariciando seus ombros. Queria a sensação de sua pele na superfície dos lábios secos, o gosto na língua abandonada em desuso.
O sol não existia naquela curva perfeita, na protuberância de sua clavícula. Muito menos existiria carro, porta, casa ou Salt. Existia o lar traduzido e comprimido em formato humano, em um homem cansado que respirava entre suas pernas. E que era tão bonito, tão forte, tão perfeito, que apressar suas palavras era errado. Um pecado. Chaerin se ajeitou sobre suas pernas, o corpo de frente para o noivo enquanto entrelaçada os dedos de ambas as mãos em espera. O rosto tão angustiado quanto morto, a morte de uma saudade absurda capaz de transformar a jogadora de vôlei independente na mais dependente dos animais existentes. --- Jae... --- Só de pensar a voz quebrava em milhões de pedaços e lágrimas solitárias escorriam pelas faces encovadas. --- Jae please... I- I- I don't want to know. De nada. Não me conte nada, eu não quero saber de nada. Eu não quero ouvir uma palavra do que vocês vão fazer. Eu não quero saber nada de ninguém, nem de você. Nem de Jih. Nem de Woobin. Nada de Jungkook, Pierre, Jigsaw. Nada. Se eu perguntar quero que minta, que me corte e mude de assunto, que seja grosso e me interrompa, mas não prolongue o assunto. --- Chaerin gesticulava as mãos em desespero, vários xis cortados no ar com as mãos. Cada nome, cada pedido era uma facada no próprio peito, mas não era no ruim sentido. Cada ferida liberava ar para os pulmões tão comprimidos quanto um amendoim. Negar informações de quem amava machucada demais, ainda mais se... Se... Jaehyun aparecesse com... Não, Chaerin, não vá por ai. --- Não quero sair de casa, não quero falar com ninguém,nem.... Nem com você. Até terminar. Não quero celular, não quero televisão. Só - só quero um segurança, um cozinheiro e essa funcionária que está na casa da omma. --- Levantou os dedos e pousou sobre a boca do noivo, calando-o. --- Eu sei que vou saber quando mente se estivermos cara a cara, e... Você machucado... Não. Telefone do segurança. Jaehyun, eu sei que vocês vão e não quero ser aquela que vai colocar tudo a perder. Se eu souber como estão, eu vou me usar como moeda de troca. De novo. Não... Não me conta. E... E me deixa recuperar o que eu era. --- Fisicamente falando, porque nem a ignorância sobre os planos alheios seriam capazes de aliviar a cabeça de pesadelos dormidos e acordados. --- Jaehyun... Oppa... Eu te amo tanto que dói... Dói tanto quando nos separamos, mas... eu preciso ser egoísta e egocêntrica agora. --- Mesmo que fosse justamente o contrário, Chaerin se isolando do mundo para que outros tivessem a chance de viver vidas sem o toque podre de uma mafia.
When your boy’s hand so big you can just hold his finger
Give me more slow dancing with no music, arms wrapped tightly around each other, breaths mingling.
O sangue fervendo e a pele avermelhada, manchada com a pressão trocada entre os dois, da necessidade implícita em cada apertar, arrastar e puxar. A combustão de bocas unidas, roubando o fôlego uma da outra, marcando como seu aquele entrelaçado em si, num só corpo e numa união tão perfeita que parecia irreal. Sons abafados em um quarto escuro, cobertas espalhadas, suor descendo e misturando, facilitando o movimento conhecido e diferente, exótico nas mesmas doses que era familiar.
Mãos entrelaçadas no frio da manhã. Passos ressoando no cascalho acima de patas e latidos de dois cachorros brincalhões. Risadas preenchendo o ar que os separavam, ombros bem distantes pela altura, mas as mãos balançavam com o movimento. Recusando a separar para passar por uma pedra, de brincar de jogar no pequeno córrego. De corridas estranhas, um mais rápido para compensar o ritmo do outro. De provocações trocadas com a mesma frequência dos elogios, das palavras gentis saindo com a gentileza e facilidade do comentar do clima perfeito para dormir juntos.
ChaeRin amava os opostos, a junção quase uníssona e o toque necessário para andar. Amava cada momento passado ao lado dele, de seu marido, de seu namorado, de seu amante e de seu melhor amigo. Do desconhecido mais atraente, do familiar de olhos escuros seduzentes, do convidado que ela ansiava nas festas da mãe, da companhia assim que pisava no hotel, no contato prioritário da sua lista de chamadas. Do homem que mostrou o que era confiar de verdade, do porto seguro no meio do caos, da prova que amor existia e de ser aquela que trazia o amor. Ela amava tudo, mas... tinha um que preferia acima dos demais.
Ambos exaustos do trabalho e faculdade. Gravata afrouxada e jogada no chão, de tênis largados na entrada ao lado da bolsa. De paletó no chão, casaco acompanhando em posição. De ChaeRin e Jaehyun se abraçando no meio do apartamento. Braços envolvendo um ao outro, matando uma saudade com uma dose ainda mais do contato e carinho. ChaeRin encostaria o queixo no peito de Jaehyun, fechando os olhos sobre um sorriso sincero de mais pura felicidade, de um arco cálido e sereno. Abriria um dos olhos, veria aquele olhar que a estremecia, aquecia e enchia de amor; como se fosse a coisa mais preciosa do mundo. Ela sussurraria um Eu te amo, ele responderia com a mesma intensidade. A adoração quase, quase demais para suportar, e sabendo que a sua, em seus olhos, era tão grande quanto parecida. Não era uma competição, não tinha vencedor. A respiração bagunçaria os cabelos na testa da jogadora, faria o mais velho rir com as cócegas em seu pescoço. E então, só então, ele venceria a distância baixando o rosto, colocando os corpos para se mexer ao ritmo da música em suas cabeças. De arrastar os pés no tapete, de ChaeRin na ponta dos pés para ficar mais perto em seus saltos imaginários.
Eram bons momentos. Eram os melhores momentos da sua vida. E só seria superados com meninos abraçando as pernas da mãe, de outros cantando em voz alta a música da estação de rádio. De um mais novo dormindo no berço improvisado nas costas de Jaehyung.
O flash foi rápido, roubando sua atenção, mas ela não perdeu. O ponto alto daqueles pequenos momentos. De uma pressão quente e macia no meio da sua testa, do beijo que ele pousaria no rosto da esposa e o deixaria ali para sempre. Ou até a hora de irem tomar um banho.
Depois... depois nós pensamos em banho.
Só deixe durar para sempre, deixe esse gosta em minha boca.
FUTURE!AU: Describe the day you found out you were pregnant.
Suor empoçava embaixo do corpo cansado da jogadora. ChaeRin nunca treinara tanto em sua vida, nem quando recebeu a posição de líberos anos atrás. Nunca sentira no ponto de se desfazer em milhões de pedaços, entrar em comunhão com o cosmos e se deixar para sempre num embalar quase utópico. Ela estava delirando. A bobagem filosófica sendo soprada no ouvido enquanto vagava em pensamentos e palavras, revia jogadas e pensava sobre a luz piscando no canto da quadra. Ser atacante era pesado. Suas pernas ardendo pelos pulos altos demais para compensar a ‘baixa’ estatura. Os pés ardendo em fogo com os novos tênis, ainda não amaciados completamente para seu gosto. ChaeRin subia mais uma vez aos céus, o braço descendo numa força tão surpreendente que a bola cortou o ar e rebateu nos fundos da quadra, marcando um ponto inédito até agora. Palmas ao fundo, outras bocas gritando seu nome, e a mente num ruído branco constante. Independente. Avassalador. Calmante. Se não fosse por esse estado quase em transe, teria se trancado no banheiro e enfiado o rosto entre as mãos trêmulas e geladas. A jogadora balançou a cabeça, o rabo-de-cavalo ricocheteando e estalando no ar, e olhou para cima. O placar do jogo estava chegando à vitória de seu time, dos camisa vermelhas e shorts brancos. --- Treinador. --- Pediu, o corpo curvando numa mesura respeitosa. Ele entendeu quando ela pediu, substituindo por outra atacante para continuar na escolha de reservas. Um jogo de aquecimento para escolher quem iria para Busan na próxima semana para a competição. ChaeRin atravessou a quadra correndo, derrapando na porta do banheiro e se trancando no de deficiente. Seus olhos enormes e as mãos, tão trêmulas, ficando duras como pedra ao se apoiar no vaso e pescar o embrulho atrás da porcelana. Seus dedos tiraram o papel, o pedaço de plástico borrado nos olhos secos. Linhas. Carinhas felizes. Cores. O que tinha que buscar mesmo???? Sentou sobre os tornozelos, o teste de gravidez numa mão e as instruções impressas na outra.
Grávida. Grávida.
Deixou o pedacinho de plástico ao lado, em cima do papel, e buscou outro embrulho atrás da porcelana.
Grávida. Grávida.
Esse também foi para o lado do anterior. E outro foi tirado do esconderijo.
E mais outro.
E mais outro.
E mais outro.
Todos diferentes em métodos, todos vindos de caixinhas diferentes, farmácias diferentes, lugares diferentes.
Seus olhos desceram para baixo, os dedos levantando a camisa suado e apertada, expondo o umbigo. A mão inteira logo cobrindo a pele pálida, alisando o que queria imaginar, o que parecia sentir, algo que tinha crescido sem ela perceber.
O tempo deixou de fazer sentido enquanto estava ali. O ruído branco voltando, mas não distraindo. Focando. Intensificando. O calor espelhando pela pele, trazendo o arrepio com o frio do banheiro. O coração ganhando novas dimensões. Onde estavam as bobeiras filosóficas para traduzir o que sentia? A incapacidade de colocar em palavras a facilidade com que tinha aceitado e mudado? O jeito como todo o amor parecia ter duplicado e triplicado? O jeito como a vida tinha mudado o sentido e ficado mais bela? Os olhos juntando lágrimas que não tinham permissão na hora de escorrer pelo rosto e pingar nas pernas desnudas? No total e completo arrebatamento por estar grávida, por estar gerando um filho? Por estar gerando um filho de alguém que era mais do que a própria vida? Onde estava as metáforas e hipérboles, os termos em português para mostrar que palavras não eram capazes de traduzir?
ChaeRin guardou tudo na bolsa, também escondida, e equilibrou no ombro. As pernas esquecendo do cansaço do treino para serem ainda mais velozes em ganhar a rua e o mundo. O celular já estava na mão, antes mesmo de ver o hotel no horizonte, distante do complexo esportivo da faculdade. --- Nam Jaehyung, saia da sua reunião agora. Nós precisamos conversar. --- E encerrou a ligação com aquela frase terrível e preocupante. Tudo pelo drama! Tudo para ter certeza de que ele usaria o GPS no seu celular para encontrar consigo no meio do caminho.
E contar. E saber. E jogar para os ares a preparação de um momento bonito, com flores, e a mulher num lindo vestido bordado segurando um bolo escrito Você será papai!.
Não era assim que eles funcionavam, nos moldes e esperados da família.
E ela o amava por isso.
hello from the other side~
Jinhwan: Esqueci que o pobre sou eu, né. Continua não valendo a pena.
Jinhwan: Eu não vou esquecer da pergunta noona, 'tô bêbado, mas não sou idiota.
ChaeRin: estou ... melhorando.
ChaeRin: nada de mais
✖ take you away ✖ jaerin
thefuckeddevil:
✖ Verdades eram coisas que nunca pareciam satisfazer a mente do ser humano, mesmo quando tal ansiava pelas palavras. A verdade dói, dizia o ditado. E até aquele dia, Jaehyun nunca tinha se importado com a dor. Não até ver o estado em que ChaeRin se encontrava. Seu primeiro impulso, o que tomava conta dele sempre que algo fugia de seu controle, era destruir o que quer que fosse a causa para ela estar daquela forma. Mas a partir do momento que seu coração começou a tomar uma curva perigosa, o levando a encontrar alguém que não só o instigava quanto fazia as coisas fazerem sentido, Nam Jaehyun tornou-se um homem contido. A felicidade dela vem primeiro, ela sempre vinha primeiro. A analogia de um coração sendo entregue na bandeja com o atual comprometimento que Jaehyun tinha para com sua noiva era decerto pura e totalmente verdadeira. Claro que não andava por aí se gabando de quem ela era, porque mesmo que quisesse exibi-la por aí, a ganhadora da coisa mais impossível, seu amor, Jaehyun ainda queria mantê-la para si. ChaeRin era dele e somente. Ouviu Salt latir mas sua atenção estava inteiramente focada nela, na forma como segurava o utensílio que lhe cobria o perfil. Mas, mesmo assim, com tudo aquilo, Jaehyun estava aliviado. Ela não era apenas ilusão, porque na maioria das vezes, coisas que vinham e o faziam feliz era algo ilusório, passageiro e falso. Mas não ela, não sua jogadora favorita de vôlei. Seus passos eram quase temerosos, mas foram tomados longos, saudosos. Ele praticamente bebeu-a com os olhos, ficando momentaneamente inebriado apenas com a visão dela. Afetado, era como se encontrava naquele momento. Mas quando chegou perto e realmente olhou para ela, a realização bateu de frente com ele, fazendo sua visão turvar e lhe roubando do peito o ar que tinha arrecadado para lhe dirigir a palavra. Sua mão foi à costa dela num piscar de olhos, acariciando a extensão onde os olhos lhe beijavam os dedos. E era aterrorizador presenciar aquilo.
Quando tirou uma mecha do cabelo dela de sua fronte, Jaehyun precisou se segurar muito pra não xingar feio, porque tudo que ele mais queria era pegar a pessoa responsável pelo atual estado de sua noiva. Teria sido a mãe da mulher que a deixava assim? Tão esguia e fraca? E seus olhos beijaram a pele dela mais uma vez para encontrar os tons. Jaehyun nunca havia odiado cores tanto quanto odiava naquele momento. Queria demandar respostas e as queria agora! Mas maldição, ele nem mesmo conseguia pronunciar o nome dela. Esperou que toda aquela ânsia passasse e tirou o utensílio da mão dela, se posicionando de uma forma que Chaerin se apoiasse contra ele, descansasse contra ele. ✖ Eu senti sua falta. ✖ Sua voz era tão tenra e suave que ele próprio não se reconheceu. O amor faz coisas inacreditáveis, sua babá uma vez dissera, quando o garoto que todo mundo professava ser uma causa perdida, trouxe para casa um passarinho machucado. Tamanha seria a surpresa dela se o visse naquele momento, segurando ChaeRin no colo com tanta delicadeza como se ela fosse quebrar. E talvez corresse sim esse perigo, porque o peso que sentia contra si não era nada comparado com o que antes. O cenho franzido ele continuou movimentos circulares na costa dela, murmurando coisas sem sentido até que a possibilidade de perdê-la o fez calar-se para tomar o ar profundamente. ✖ O que… sua mãe….? ✖ A opção não era falha, porque ele tinha visto a mulher inúmeras vezes exibir a filha como troféu e a descartar quando achava que não estavam olhando. Engolindo em seco, ele fechou os olhos ao encostar sua fronte à dela. ✖ Eu não sei o que fazer, Chae… por favor, o que aconteceu? ✖ A ideia de levá-la dali voltou com força total e Jaeyun cogitou a ideia de levantar-se, com ela nos braços, e sair daquela casa sem data de retorno. Mas esperaria que ela lhe desse indicativos de que queria sair. Enquanto isso, Jaehyun esperava, a ponta dos dedos passeando pela pele outrora macia da garota. Tão frágil, mas ao mesmo tempo tão forte.
ChaeRin já tinha ficado estática demais. Já tinha se deixado ficar, deitado, olhando o tempo passar pelas sombras da cortina balançando. Cansada de ouvir o celular apitar com o alarme de um remédio esquecido, de ouvir os passos dos funcionários andando pela casa e acima de sua cabeça. Já estava farta de ficar encolhida, numa bola apertada, enquanto sua governanta preferida -- a mãe mais próxima que podia considerar -- tirava as cobertas de cima de si e passava aquele pano úmido. Lavando-a, limpando-a, colocando-a de pé para usar o banheiro e a aconchegando de volta ao ninho formado no colchão que parecia uma extensão de si própria. ChaeRin não processava esses momentos, de necessidade básica do corpo, o enervante estado de espera preenchendo tudo o que podia considerar como digno de formação de memória. Como estar sendo marcada mais uma vez, revendo tudo aquilo de ângulos diferentes através da cegueira da venda. Sentir era pior, mas terrível eram os dedos que levantavam só um pouco o tecido, sorrisos debochados com línguas passando sobre os lábios. Esperando sua vez. A picada no braços e mundo ficando mais agradável aos seus sentidos em frangalhos. ChaeRin estava cansada de ficar sozinha, de ser autossuficiente em manter-se a parte, não falar com ninguém, para lamber as feridas e sarar. Não era algo que podia fazer sozinha. Que não queria fazer sozinha. Tanto que o estômago acalmou e as lágrimas correram livres, o corpo moldando ao maior e mais quente, de uma maciez e firmeza que fazia o coração doer em saudade. Ela se contorceu e esperneou, lutou contra os músculos rígidos do pouco uso para grudar-se a Jaehyun. Envolver braços e pernas, abraças o pescoço, fechar as pernas ao redor da cintura, tentar fundir-se a sua anatomia invejável. Os ombros largos que poderiam carregar o peso de seus problemas, se ao menos tivesse como acessá-los. De fazer a garganta abafada e arranhada transmitir algo diferente dos soluços, do pranto desconsolado que quase a fazia gritar. De uma tristeza tão pungente quanto a força dos dedos fechando no tecido de suas roupas. O corpo sacudindo com mais soluços, o rosto espremido na curva do pescoço e... --- Ja- Jae... --- Isso. Uma sílaba. Por que esconder? Sua mente rodava naquela pergunta. A pele pinicando como se o ar fosse ácido e agulhas, furando-a e machucando-a com o segredo. Esconder o que ele descobriria em segundos porque... porque sabia do que ele era capaz. Do que os dois, porque Jihyeon vinha logo atrás com a busca de seu sumiço. Não tinha uma justificativa plausível para algo que não tinha resposta. Não tinha uma maquiagem para tornar mais bonito. Não tinha um livro infantil para mostrar o passo a passo de resolver um problema. --- Goyaghan... --- O único nome que sabia, e nem era o real, rachou o muro que separava o incidente do que restava de ChaeRin. Da figura diminuta tentando se erguer e fugir dali, de entrar no esquecimento como.... A Gong contou devagar, lutando com a voz rouca e os soluços onipresentes. Dizendo em palavras simples e cruas o que tinha acontecido. Ameaça... Você... A Jih... Minhas roupas... Sala escura... Venda... H o m e n s... A pior parte passada para uma mais detalhada. Do fugir do lugar até o hospital, da ligação para comprovar a ‘troca de favores’ terminando com o internar voluntário no próprio quarto. --- Eu estou tão sozinha! Tão sozinha! Não me deixa aqui, por favor. Fica. Jaehyung, fica. Por favor. Não vai. --- Os dedos arranhavam as roupas, puxando-o mais contra si, os membros apertando ao redor, na fraqueza de seu estado subnutrido. --- I want you more than the ring. Please. Make it stop.
hello from the other side~
Jinhwan: É muito caro, não vale a pena..... Eu sei me cuidar!
Jinhwan: Noona...... Apenas esqueça isso. Como você está?
ChaeRin: Quando que preço foi problema para mim? Ainda mais quando é para tirar dos cofres bem recheiados dos Gong?
ChaeRin: Vou esquecer quando você tomar um jeito na vida.
hello from the other side~
Jinhwan: (risos)
Jinhwan: Essa é a noona que eu conheço. Wae? Você não pode fazer nada, pare com isso. Estou perto do condomínio e tenho dinheiro para pagar o que eu estou bebendo (e beber mais um pouco).
Jinhwan: Como se alguma vez eu tivesse te dado motivo pra tanta preocupação...
Jinhwan: Aconteceu algo?
ChaeRin: Claro que posso! Eu tenho um telefone desbloqueado para todas as linhas! Posso ligar para o presidente dos estados unidos de graça! Vai ser fácil chamar um sequestrador de aluguel para te colocar em casa!
ChaeRin: Se eu coloco as mãos em você! Você deu! E é por isso que me assusta tanto! Lembra do último jogo de basquete? A sua... carinha...? [ sighs ] eu não quero ver isso de novo...
ChaeRin: Nada... diferente do usual...
so, how’s the prettiest person in the world doing?
Como você está, Jae-oppa? Tudo bem com você?É, meu caro, também posso ser bem cheesy.
hello from the other side~
Jinhwan: Tá bom, pode ser que eu esteja um pouco.
Jinhwan: Tudo bem noona, não precisa pedir desculpa. Você está bem?
ChaeRin: Ji- YAH! Pare com isso! Pare com isso já, você está me ouvindo? Era para ser uma brincadeira e não uma confissão. Quem está com você? Onde você está? Tem dinheiro suficiente?
hello from the other side~
Jinhwan: Noona? Faz tanto tempo...
Jinhwan: A mensagem era verdade e eu não estou bêbado. Realmente sinto sua falta.
ChaeRin: [ risadas ]
ChaeRin: Isso é o que uma pessoa bêbada falaria, mas eu vou acreditar. Ahhh, Jinhwan... Me desculpa... Me desculpa por tudo. Não queria- Não podia- Me desculpa.
hello from the other side~
ChaeRin: Hmmm... Alô?
ChaeRin: Ji- Jigsaw?
Eu realmente sinto sua falta noona.
Noona, ela... Está passando por alguns problemas pessoais... Mas ela vai voltar, e vai voltar bem. Melhor do que nunca esteve. I promise you.
Acho que amor nunca é suficiente quando olho pra você.
É sempre algo mais entre nós, não é? Amor, não começa a descrever.