[FLASHBACK] Hips don't lie... but I do || Jill&Raphael
Era sexta-feira, e Jill sabia muito bem o que aquilo significava. Não significava festas, ou "hoje tem", nem nenhuma dessas porcarias. Até gostaria que fossem, na verdade. Mas o começo do novo período Delta se revelava como um que não lhe daria descanso, da forma que fosse. Não, sexta-feira era dia de trabalho. Ela não realmente precisava trabalhar, mas gostava do que fazia. Gostava de dançar e gostava de ter uma fonte de dinheiro que fosse puramente sua, sem nenhuma relação com a mulher que infelizmente viera a ser sua progenitora. E trabalhar ali ainda lhe rendia bebidas de graça. E por fim, quando fosse descoberta, geraria confusão suficiente para sua mãe para que a mulher não a incomodasse por semanas. Ela só conseguia contar os prós. Até agora, claro.
"Jill!" Bob, o organizador, gritou, tirando-a de seus pensamentos. "Você é a próxima, vá se trocar!" A moça sacudiu a cabeça e se virou, procurando seu figurino no camarim tão cheio. Sua máscara já estava ali, separada em cima da bancada do camarim. Era uma opção das garotas dali, de terem suas identidades preservadas. Aquilo chegava a ser um tanto irônico, já que estavam (inclusive ela) concordando em mostrar tudo, menos o rosto. Mesmo assim, era sua opção. Provavelmente precisaria parar de trabalhar no local quando a descobrissem, então a máscara e o título era uma de suas melhores opções.
Jill foi rápida, e em menos de dois minutos já saía pelas cortinas do palco do Nightmore, vestida com um conjunto de corpete e cinta liga, que eram cobertos por um blazer longo enquanto anunciavam algum nome incrivelmente ridículo que haviam criado para ela e a música eletrônica tocava. Sério, esses putos realmente poderiam ter sido um pouco mais criativos. Nomes de Strippers precisavam ser sempre essa mesma coisa? Seus saltos faziam um som estridente enquanto ela caminhava no ritmo até o mastro. Tinha um sorriso de lado no canto dos lábios e suas mãos já iam até os botões do blazer.
O mais importante em ter uma moto é saber como tirar o capacete. Essa seria a primeira frase do livro de Raphael, caso ele tivesse paciência pra escrever pelo menos um capítulo. Eram muitas letras juntas, blerch. Tirou o capacete e desceu da moto que estacionara próximo a entrada da Nightmare, era sexta-feira e sexta-feira aquela vaga era sua, aquele lugar inteiro, pra falar a verdade. "Boa noite, senhor Stark." saudou Jarbas, o porteiro, quando o garoto passou por ele. "Já disse pra não me chamar de senhor." sorriu como de costume e deixou uma gorda gorjeta no bolso de seu paletó. Foi direto ao bar como de costume. Era quase meia noite e a boate já estava mais que cheia, se não fosse rápido perderia os shows, e Raphael estava ali só por eles. Só por eles e pela garota que levaria pra casa.
Comprou sua garrafa de uísque e se dirigiu até os sofás próximos ao palco. Queria ter perguntado para um dos atendentes sobre as garotas da noite mas na pressa acabou se esquecendo. Ótimo, adoro surpresas. Começou a beber quando as primeiras três dançarinas apareceram. Era um trio de três belas loiras vestindo roupas de couro, e duas delas usavam máscaras, porém, a que mais chamou a atenção do garoto foi que não usava. Lia... quase disse quando as cortinas se abriram. A ideia era absurda, mas não deixava de ser a cara da garota. Raphael virou outra dose antes de ir para mais perto das garotas que naquela altura já estavam vestindo apenas provocantes lingeries.
De perto a garota sem mascara não era nada parecida com Lia, estava mais pra uma Taylor Swift mais gostosa. Raphael definitivamente não era fã de Taylor Swift. Esticou a perna, apoiou os pés na mesinha de vidro e abriu um de seus pirulitos verdinhos. Deixe que eles fiquem com essas, o melhor ainda estava por vim, concluiu. Assistiu os dois próximos shows como um mero telespectador, foi um solo de uma ruiva chamada Alice que se apresentava como Megan Johnson (como o garoto sabia o nome verdadeiro dela? Digamos que ele descobriu mais do que o nome dela), e a apresentação do Quarteto fantástico, quatro mulatas, que, bem, realmente eram fantásticas. O público que acompanhava as dançarinas pelo sofá diminuíra quase cinquenta por cento mas Raphael permanecia ali, e não ia sair até que uma das dançarinas o interessassem e uma o interessou.
Jessie era o nome que anunciavam mas a morena do blazer não se parecia nada com Jessie. Jessie é muito popular pra essa beldade. Endireitou a coluna e se ajeitou no sofá, ficando cara a cara com o mastro em que ela circundava. Tirou o terceiro pirulito de maconha da boca e encheu seu copo, a noite finalmente tinha começado para o garoto. Trocou olhares com Jessie e um sorriso maroto se formou por detrás do copo com uísque. Havia algo naquele olhar que atraia o garoto, uma vontade de navegar por novos mares, mas, ao mesmo tempo sentia que já conhecia aquelas águas. Iria atrás daquela garota, nem que pra isso tivesse que subornar qualquer um daquela boate.












